Notas iniciais
Olá a todos! Tenham uma ótima leitura! ♥

Se passaram alguns minutos e Dan estava inclinado para frente, escorando os cotovelos nas coxas e tapando o rosto com as duas mãos, enquanto Adie olhava-o com pesar. Depois de alguns segundos, ele se levantou e andou em direção a porta da casa.

(Adie) — Por favor, Dan, seja forte para guardar esse segredo, eu imploro!

Ele ignorou as palavras dela e entrou na casa, batendo a porta atrás de si. Ela fechou os olhos ao ouvir a porta sendo batida por ele e suspirou, esfregando uma de suas mãos na testa. Depois de alguns minutos, Adie estava na casa, mais precisamente, em frente ao quarto de Jake. Sem muito pensar, ela abriu a porta do quarto e entrou. Após entrar e fechar a porta, ela se recostou na mesma, ficando com o olhar distante. Jake já havia se levantado e, ao ouvir a porta sendo aberta por alguém, saiu do banheiro, estando com os cabelos molhados, vestindo uma calça jeans preta, sem camisa e escovando os dentes.

(Jake) — Bom dia, minha linda! – Ele resmungou enquanto escovava os dentes.

Ela logo o olhou.

(Adie) — Jake… eu acho que fiz merda.

Ele se intrigou, mas, antes de dizer alguma coisa, precisou ir até o banheiro para terminar a escovação de seus dentes.

(Jake) — Só um minuto. – Ele resmungou.

Ela desviou o olhar e o esperou. Alguns segundos depois, ele saiu do banheiro e se aproximou dela.

(Jake) — O que aconteceu?

Ela o olhou.

(Adie) — Eu fiz algo da qual me arrependi, mas é tarde, não tem como voltar atrás. E se ele falar para os outros?! – Ela tapou o rosto com as duas mãos. — Mas que merda! Eu sou muito burra.

(Jake) — Ei… – Ele se colocou à frente dela e colocou as mãos em sua cintura. — Não fale assim.

Ela tirou as mãos do rosto e suspirou, olhando para baixo.

(Jake) — Me conta o que aconteceu.

Depois de alguns segundos, ela o olhou.

(Adie) — É que… eu contei para o Dan sobre o que aconteceu durante o meu sumiço.

Ele ficou levemente surpreso.

(Jake) — Bem, isso é um bom sinal, não? Você finalmente conseguiu falar a respeito com alguém.

(Adie) — Acontece que… e-eu acho que foi um equívoco. Ele não era a pessoa certa para saber disso. Só você era a pessoa certa! Que merda! – Ela esfregou as mãos no rosto e as deslizou em seus cabelos, ficando cabisbaixa novamente.

(Jake) — Ei, minha linda, olha pra mim.

Ela o olhou.

(Jake) — Primeiro é necessário que você me conte o que aconteceu, para que assim, eu entenda o porque foi um erro você ter contado para o Dan.

Adie respirou fundo e pensou por alguns segundos, até que assentiu com a cabeça.

Depois de um tempo, todos estavam sentados à mesa e, enquanto tomavam o café da manhã, conversavam sobre coisas aleatórias. Adie aparentava estar um pouco melhor e até sorria em meio a alguns assuntos, mas, em certo momento, ela se distraiu enquanto observava uma das cadeiras vazia. Era a cadeira onde Dan costumava se sentar e, depois de muito observá-la, ela suspirou e direcionou seu olhar para os demais.

(Adie) — Pessoal, preciso falar uma coisa com vocês.

Todos a olharam.

(Cleo) — Pode falar, Adie.

(Adie) — Bem, é que… o delegado me deu uma cópia das pistas que foram encontradas por vocês durante a busca pela floresta e me pediu para analisá-las. Porém, eu não quero fazer isso sozinha.

Todos ficaram levemente surpresos.

(Adie) — Vocês aceitam me ajudar com isso?

Todos pensaram por alguns segundos.

(Lilly) — Bom… eu topo.

(Cleo) — Eu também.

(Jessy) — Pode contar comigo, amiga.

(Hannah) — E comigo também.

(Jake) — Eu topo.

(Thomas) — E eu também.

Adie sorriu sutilmente.

(Jessy) — Só está faltando o Dan, que provavelmente ainda está dormindo, mas sabemos que ele também topa.

Adie ficou séria de repente e suspirou, preocupada.

(Adie) — Quer saber? Eu vou acordá-lo para me certificar se ele realmente topa. – Ela logo se levantou e seguiu até a saída da sala de jantar.

Todos a seguiram com os olhos e, quando ela saiu da sala de jantar, Cleo deu uma leve risada.

(Cleo) — Quero ver como ela vai lidar com o mau humor matinal dele.

(Jessy) — É, eu também. – Ela riu.

Os demais sorriram, mas Jake, que sabia a verdadeira razão pela qual Dan não desceu para o café, apenas desviou o olhar, preocupado. Já estando no andar de cima e em frente à porta do quarto de Dan, Adie bateu quatro vezes.

(Adie) — Dan, preciso falar com você.

Ela esperou alguns segundos por uma resposta, mas não houve sinais de Dan e ela bateu na porta novamente.

(Adie) — Por favor, Dan, abre.

Depois de alguns segundos, ele abriu a porta.

(Dan) — O que é?

(Adie) — Eu posso entrar para conversarmos?

(Dan) — Depende do assunto.

Ela arqueou uma de suas sobrancelhas.

(Dan) — Se for para me contar mais merdas absurdas, eu não quero ouvir.

(Adie) — Você pode ficar tranquilo, não tenho mais nada para te contar, por enquanto.

(Dan) — Por enquanto?

(Adie) — Bem, a vida é uma caixinha de surpresas.

Ele suspirou irritado e desviou o olhar, pensando por alguns segundos.

(Dan) — Tá, entre.

Após Adie entrar, ele fechou a porta. Em seguida, ele foi em direção a sua cama e se sentou, ficando com os cotovelos escorados nas coxas e cabisbaixo. Adie o observou por alguns segundos, até que se aproximou e se sentou ao lado dele.

(Adie) — Agora é a sua vez de descrever o que está sentindo, apesar de já estar nítido para mim, mas… eu quero ouvi-lo.

(Dan) — Não tem porque eu repetir aquilo que você já sabe.

(Adie) — E você vai ficar se martirizando com uma coisa que não pode ser mudada?

Ele suspirou, irritado.

(Adie) — Olha pra mim, Dan.

Ele hesitou por alguns segundos, até que virou o rosto para olhá-la.

(Adie) — Nós estamos carregando essa barra juntos, assim como foi com a sua recuperação, lembra?

Ele desviou o olhar.

(Dan) — Uma coisa não tem nada haver com a…

(Adie) — Eu não acabei ainda.

Ele suspirou novamente, irritado, mas ficou em silêncio e permaneceu olhando para frente.

(Adie) — Estou ciente de que são duas situações completamente diferentes e, essa que estamos vivendo agora, é muito mais grave, pois envolve também os demais do grupo. Porém, assim como eu respeitei sua decisão de seguir na fisioterapia em segredo e o apoiei, preciso que agora você seja forte e finja que não tem nada acontecendo, por mim.

Dan ficou pensativo.

(Adie) — Somos bons em guardar segredos e isso já foi comprovado. Todos do grupo, exceto o Jake, acreditam até hoje que nossas saídas nas quartas feiras, sempre no mesmo horário, era para irmos até a biblioteca.

Dan continuou pensativo e olhou para baixo.

(Dan) — Certo. Até quando quer que eu guarde segredo sobre isso?

(Adie) — Até eu compreender que é a hora certa para contar a eles.

(Dan) — E como você vai saber que é a hora certa? – Ele a olhou.

(Adie) — Bem, quando eu descobrir quem é esse filho da puta que está por trás da lenda.

(Dan) — Han?! Adie, você já sabe quem está por trás dessa lenda idiota, está óbvio!

(Adie) — Não, Dan. Você se esqueceu que são dois? E pelo que pude notar, quem está tentando me capturar desde o início é o mesmo, enquanto o outro fica fazendo sabe-se lá o que. – Ela desviou o olhar, pensativa.

Dan, que também estava pensativo, pareceu se lembrar de algo.

(Dan) — Agora que você mencionou isso, me lembrei de um detalhe da busca na floresta.

Ela o olhou.

(Dan) — Esse homem corvo deixou uma pista para cada grupo, mas o detalhe perturbador, é que ele sabia exatamente onde cada um estava passando, simultâneamente. O que reforça essa informação sobre ser dois fazendo o mesmo trabalho doentio.

Adie se intrigou.

(Dan) — Além disso, outro detalhe intrigante, é que os envelopes traziam frases um tanto quanto específicas para alguns integrantes do grupo.

(Adie) — Entendo… Eu também recebi um desse.

Ele a olhou, surpreso.

(Dan) — Quando?!

(Adie) — Bem, eu estava em Duskwood a apenas alguns dias. Lembro que foi no mesmo dia em que fui ao Lago Blackwater com a Hannah, Lilly, Thomas e Jake.

(Dan) — Porque você não contou nada a ninguém?

(Adie) — Pelo motivo óbvio. As coisas mal tinham voltado ao normal e eu recebi aquele recado. Seria injusto expor isso a vocês, não?

(Dan) — Tá vendo? Esse é o seu problema! Você acha que é a super mulher e pode resolver tudo sozinha.

(Adie) — Não seja idiota! Nem mesmo você teria estruturas para recomeçar tudo de novo naquele momento.

(Dan) — E você tinha?

As palavras de Dan lhe trouxeram um certo impacto, o que a fez ficar em silêncio e desviar o olhar.

(Dan) — Olha só como você está agora, cansada e prestes a mandar tudo a merda.

Ela voltou a olhá-lo.

(Dan) — Acha que eu não percebi?

(Adie) — Tá, eu sei! Não sou a mais forte do mundo e muito menos uma super mulher. Mas pelo menos eu tenho vocês. Se eu tivesse jogado tudo em cima de vocês desde o início, todos estaríamos prestes a mandar tudo a merda agora.

(Dan) — Hum, que esperta você. – Ele desviou o olhar, irritado.

(Adie) — Olha só, eu sei que me sobrecarrego e isso é um erro. Mas eu não me arrependo de ter tentado manter vocês seguros.

(Dan) — Espera… – Ele a olhou, intrigado — Foi por isso que você sugeriu a mudança para essa casa?

(Adie) — Não. Bom… de certa forma, sim. Mas quando recebi o envelope, eu já tinha falado sobre a mudança. Porém, é óbvio que se algum de vocês pensasse em desistir de vir, eu faria de tudo para convencê-los do contrário.

Dan desviou o olhar, balançando a cabeça em negação.

(Adie) — E, aproveitando que esse assunto dos envelopes surgiu, estou com a cópia de todas as pistas que vocês encontraram durante a busca pela floresta.

Ele a olhou, surpreso.

(Dan) — O quê?! Então você viu o que eu encontrei e é por isso que veio falar comigo?

Adie se intrigou.

(Adie) — O que? Do que você está falando?

(Dan) — Bem, é que… nada, esquece. – Ele desviou o olhar.

(Adie) — Hum… então você foi um dos, supostamente, marcados da vez, não é?

Ele ficou pensativo por alguns segundos.

(Dan) — Hum, é… essa merda aí.

(Adie) — Entendo. Mas o que eu vim falar sobre as pistas é que o delegado pediu que eu as analisasse e levasse até a delegacia hoje a tarde. Porém, eu pedi a ajuda de todos do grupo para fazer isso, mas faltou você.

Ele a olhou.

(Adie) — Você aceita me ajudar nisso também?

(Dan) — Sim, mas com uma condição.

(Adie) — E qual é?

(Dan) — Que me entregue o envelope que eu encontrei.

Adie ficou extremamente intrigada e arqueou uma de suas sobrancelhas.

(Adie) — Primeiramente, ele me deu apenas um envelope com as cópias das folhas e, segundamente, eu preciso levar tudo para a delegacia.

(Dan) — Eu sei disso, mas peço que deixe que eu analise a pista encontrada por mim, sozinho.

(Adie) — Cara, o que tem de tão grave naquele envelope?

(Dan) — Estou tentando dizer educadamente que não é da sua conta e nem da dos outros.

Ela o encarou por alguns segundos, levemente irritada.

(Adie) — Pois bem… Eu aceito sua condição, mas imponho uma outra.

(Dan) — Ai, lá vem… Fala.

(Adie) — Você vai me dizer qual foi a folha que você encontrou e eu irei separá-la das demais, mas a análise dela será feita por nós dois.

(Dan) — Ah, nem vem!

(Adie) — Você não tem a opção de rejeitar! Esqueceu do nosso combinado? Os segredos só existem e são guardados por nós, mas nunca devem existir entre nós.

Dan ficou pensativo por alguns segundos, estando com a perna inquieta.

(Dan) — Mas… mas isso é diferente, cara.

(Adie) — Eu não estou nem aí. Essa é a minha condição, do contrário, vou abrir aquele envelope e ler na presença de todos, seja lá o que tiver naquela folha.

(Dan) — Tá tá! Eu aceito essa merda de condição!

(Adie) — Hum, ótimo. Eu vou até o meu carro pegar o envelope e, antes de começarmos a análise em grupo, nos encontramos aqui para que você separe a sua misteriosa pista.

Ela se levantou e foi em direção a porta do quarto para sair.

(Dan) — Eu também vou descer. – Ele também se levantou e foi até a porta do quarto para sair.

Ela o olhou.

(Adie) — Não confia em mim?

(Dan) — Não seja paranóica, eu vou até a cozinha.

(Adie) — Ah, bom. Então vê se muda essa sua cara azeda, para evitar perguntas dos outros.

(Dan) — Todo mundo já está acostumado com a minha cara.

Ela revirou os olhos e se virou, saindo do quarto e Dan a acompanhou.

Enquanto isso, os demais ainda estavam sentados à mesa e conversavam. Depois de alguns segundos, Adie entrou na sala de jantar.

(Thomas) — Olha ela aí. Você conseguiu acordar o Dan?

Antes que ela respondesse, Dan surgiu na entrada da sala de jantar, atrás dela.

(Dan) — Para a sua informação, eu já estava acordado.

(Thomas) — Olha se não é o belo adormecido!

Dan mostrou o dedo do meio para Thomas, que deu risada.

(Jessy) — E então, você aceitou ajudar a Adie na análise das provas?

(Adie) — Sim, ele aceitou.

(Lilly) — E quando começaremos?

(Adie) — Bem…

(Dan) — Primeiro eu vou comer, pois estou faminto. – Ele logo começou a caminhar em direção a cozinha.

Adie suspirou e revirou os olhos.

(Adie) — Vê se não demora, pois eu não tenho o dia todo. – Ela se aproximou dos demais na mesa.

(Dan) — Ah, não enche. – Ele disse já estando na cozinha.

Os demais se olharam e riram, enquanto Adie tentou segurar, mas deu uma leve risada.

Depois de alguns minutos, todos estavam na sala, sentados no sofá e esperando o único que ainda faltava.

(Dan) — Acho que todo mundo vai precisar disso aqui. – Ele se aproximou, segurando uma garrafa de Black Label com uma mão, e um copo com a outra.

(Adie) — É, não posso discordar. – Ela segurava dois envelopes.

Ele colocou o copo na mesa de centro e se sentou ao lado direito de Adie, estando Jake sentado ao lado esquerdo.

(Dan) — Você não pode beber, vai dirigir daqui a pouco. – Ele tirou a tampa da garrafa e serviu whisky no copo, para si.

(Adie) — Hum, estou chocada que seja você a me dizer isso.

Ele a olhou com a testa franzida.

(Adie) — Bem, então vamos começar… – Ela abriu o envelope e tirou uma das folhas.

Depois de ver o sinal do corvo impresso na frente da folha, ela a virou. Por alguns segundos, ela observou o que estava escrito no verso, estando com uma expressão intrigada.

(Adie) — Aqui está dizendo que o envelope correspondente a essa pista foi encontrado pelo policial Carter, na companhia de Hannah e Thomas. Além do sinal do corvo na frente, a frase no verso é: A morte de alguém jamais poderá ser esquecida. Você se lembra de seus pecados? – Ela olhou para Hannah e Thomas.

Hannah ficou cabisbaixa por alguns segundos, estando claramente incomodada.

(Hannah) — Bem… todos sabem do que ele está falando.

(Lilly) — Espera, mas quem, além de nós, sabe sobre isso?

(Cleo) — Boa pergunta.

(Dan) — O idiota do Richy.

Adie e Jake logo o olharam, assustados, e ele os olhou de volta. Adie arqueou uma de suas sobrancelhas, estando irritada.

(Dan) — Mas ele está morto, então… claro que não foi ele. – Ele tomou um gole de whisky.

Adie suspirou, irritada, e voltou a olhar os demais.

(Hannah) — Bom, e eu não contei para mais ninguém, além de vocês. Nem mesmo meus pais sabem sobre isso.

(Jessy) — Nem mesmo os pais do Richy ou da Amy?

(Hannah) — Não, ninguém! Convenhamos que isso não é algo que se deve sair por aí, contando aos outros.

(Thomas) — Então, quem será que escreveu essa frase?

(Jake) — Não podemos excluir a possibilidade dele estar falando da morte de outra pessoa.

(Cleo) — O Jake tem razão.

(Jessy) — E se a frase for para outra pessoa?

(Dan) — Aí teremos um grande problema, pois estaremos lidando com um outro integrante do grupo que omitiu um crime.

Adie suspirou irritada e o olhou.

(Dan) — O que? Eu estou falando a verdade, mas sem ofender, Hannah.

Adie desviou o olhar, balançando a cabeça em negação.

(Adie) — Precisamos nos concentrar. Suponhamos que tenha sido de fato uma frase para mexer com as emoções da Hannah, eu não posso falar para o delegado do que de fato se trata. Essa frase terá que ser investigada apenas por nós.

(Cleo) — E o que você vai dizer para o delegado?

(Adie) — Que não há explicação para ela. É uma frase avulsa e ele não terá embasamento para discordar, afinal, ele não sabe de nada sobre esse assunto.

(Lilly) — Sim, eu concordo.

Os demais, apesar do silêncio, também concordaram com Adie.

(Adie) — Bem, vamos seguir.

Ela entregou a folha para Jake e, em seguida, tirou outra de dentro do envelope. Após olhar a imagem do corvo e virar para o verso da folha, novamente, ela se intrigou com a frase escrita.

(Adie) — Bom… aqui está dizendo que a pista foi encontrada por Alan e Lilly, mas… quem é Lucy? – Ela os olhou.

(Jessy) — É uma ex-funcionária do Aurora.

(Adie) — Hum… – Ela pareceu ainda estar confusa.

(Lilly) — Apesar de ter sido encontrada por mim e pelo delegado Blommgate, estranhamente, a pessoa citada está ligada ao Phil.

(Adie) — Se formos analisar, a frase em si, tem bastante a ver com o estilo de vida do Phil, mas somente ele pode dizer qual a ligação disso com a tal Lucy.

(Jessy) — E o que faremos?

(Adie) — Bem, na volta da delegacia eu vou até o Aurora conversar com o Phil a respeito.

(Dan) — É, boa ideia.

(Adie) — Certo… Continuando – Ela entregou a folha para Jake e tirou mais uma de dentro do envelope.

(Cleo) — Ei, acabo de me lembrar de uma coisa.

Todos a olharam.

(Hannah) — O que é?

(Cleo) — O autor da frase escrita na pista anterior, Artur Lundkvist.

(Dan) — O que tem ele?

(Cleo) — Era um dos autores favoritos do Richy, e ele me deu de presente de aniversário um livro desse mesmo autor.

Adie ficou surpresa e levemente boquiaberta. Depois de alguns segundos, ela olhou para Dan, que arqueou uma de suas sobrancelhas por um breve momento, enquanto assentia com a cabeça.

(Adie) — Licença… – Ela pegou o copo da mão de Dan e virou todo o whisky de uma vez.

(Dan) — Ow! – Ele franziu o cenho, levemente irritado.

(Adie) — Aaah – Ela fez uma leve careta ao engolir a bebida e depois entregou o copo para ele novamente. — É… Então… você se importa se eu der uma olhada nesse livro, Cleozinha?

(Cleo) — Bem, ele está na casa da minha mãe, mas posso passar lá para pegá-lo amanhã, quando estiver voltando do trabalho.

(Lilly) — Mas porque você quer ver esse livro, Adie?

(Adie) — Bom… alguns criminosos costumam usar referências de filmes, séries ou livros para cometerem seus crimes de forma mais sutil e enigmática. E o fato dele ter citado uma frase desse autor em especial, pode indicar que ele, talvez, esteja fazendo isso.

Apesar de intrigada, Lilly não discordou.

(Jessy) — O estranho é que agora ele não está aludindo nada relacionado a lenda, a não ser a própria fantasia.

(Cleo) — Bem observado, Jessy. Ele realmente não está seguindo a lenda, propriamente dita.

(Adie) — É… eu já sabia que ele não seguiria a lenda.

Todos a olharam, extremamente intrigados.

(Hannah) — Como você sabia?

Adie deixou o primeiro envelope sobre a mesa de centro e abriu o outro. De dentro dele, ela tirou uma folha que, assim como as outras, tinha o sinal do corpo e uma frase no verso.

(Adie) — Eu fui marcada muito antes de vocês, mas preferi esconder isso.

Todos se surpreenderam.

(Jake) — O quê?!

(Dan) — Hum… – Ele virou um gole do whisky que havia acabado de servir para si.

(Jessy) — Porque escondeu isso da gente, Adie?

(Cleo) — Quando você foi marcada?!

(Adie) — Poucos dias depois de ter chegado em Duskwood. Mais precisamente, no dia em que fui ao Lago Blackwater com a Hannah, Lilly, Thomas e Jake.

(Thomas) — E porque não nos disse nada?

(Jake) — Porque não me contou, Adie? Pensei que não houvesse segredos entre nós.

Adie ficou cabisbaixa por alguns segundos e suspirou, entristecida.

(Adie) — Por favor, me perdoem.

Jake desviou o olhar, inconformado, balançando a cabeça em negação. Os demais, a observavam, ainda intrigados e também inconformados.

(Adie) — Minha intenção era protegê-los. – Ela voltou a olhá-los. — Havia tão pouco tempo que tudo, aparentemente, tinha acabado e, todos estavam buscando se recompor. Eu não achei justo envolvê-los nisso e decidi enfrentar tudo sozinha, mas, infelizmente, vocês foram envolvidos em todo esse caos novamente… por minha culpa. – Ela ficou cabisbaixa.

(Hannah) — Não foi sua culpa, amiga. Mas você deveria ter nos contado!

(Lilly) — Talvez já teríamos até encontrado quem está por trás do disfarce dessa vez.

(Adie) — É… eu sei. Mais uma vez, peço perdão.

Todos a olharam por alguns segundos, em silêncio, exceto Jake, que estava com o olhar distante.

(Dan) — Então pare de enrolar e leia logo a frase que você recebeu.

Ela olhou para a folha que segurava e a observou por alguns segundos, até que suspirou.

(Adie) — Há pecados que jamais poderão ser esquecidos. PS: Cuidado, ele já não espera mais pela lua nova.

(Jessy) — Meu Deus… – Ela passou as mãos no cabelo.

(Cleo) — Então… ele a avisou.

(Thomas) — A que pecados ele se refere, Adie?

Ela o olhou, levemente surpresa e tensa, mas logo disfarçou, olhando para a folha.

(Adie) — Não tenho ideia.

(Lilly) — Então, estamos lidando com uma pessoa que simplesmente se dá ao trabalho de escrever frases aleatórias e sem sentido?

(Dan) — Nem todas foram sem sentido.

(Lilly) — Mas podemos considerá-la apenas um palpite, já que ninguém, além de nós, sabe do que aconteceu.

(Thomas) — Ou podemos considerar que está acontecendo como antes…

Todos o olharam.

(Thomas) — Que se trata de um de nós.

(Jake) — Isso é impossível. Em uma das vezes que Adie foi atacada pelo homem sem rosto, todos nós estávamos aqui na casa.

(Cleo) — Sim, é verdade.

(Jessy) — Então quem pode ser?

Enquanto todos discutiam sobre isso, Adie estava perdida em seus pensamentos, com o olhar distante.

(Hannah) — Está tudo muito confuso, mas eu sei que a Adie, juntamente com o delegado, vão encontrar alguma coisa, não é mesmo, Adie?

Ela continuou distraída.

(Dan) — Ei, acorda. – Ele a cutucou de leve com o cotovelo.

(Adie) — O que? – Ela o olhou.

(Hannah) — Eu disse que, apesar de toda confusão de informações no momento, você e o delegado vão conseguir encontrar alguma coisa, não é?

(Adie) — Ah, sim, eu prometo que farei todo o possível para isso.

(Dan) — Então, acabamos por hoje?

(Thomas) — Espera, não está faltando uma pista?

(Jessy) — É verdade. Está faltando a que o Dan e a Cleo encontraram.

(Dan) — Não está faltando nada. Quer dizer… essa o delegado não mandou.

(Cleo) — E porque?!

(Dan) — Não faço ideia. – Ele virou o último gole de whisky que havia em seu copo. — Aaaah! Já que acabamos, eu vou subir. – Ele logo se levantou e andou até as escadas.

Enquanto isso, todos o olhavam, intrigados.

(Hannah) — O que estava escrito na folha que vocês encontraram? – Ela perguntou para Cleo.

(Cleo) — Eu não tenho ideia. Ele não deixou ninguém, além do delegado, ver a folha.

Todos continuaram intrigados e pensando a respeito.

Mais tarde, Adie estava em seu quarto e se olhava no espelho do banheiro, enquanto penteava seus cabelos castanhos. Após terminar de penteá-los, ela deixou o pente sobre a pia e saiu do banheiro. Ao se aproximar de sua cama, ela pegou sua jaqueta de couro sobre a mesma e a vestiu. Em seguida, ela pegou seu celular sobre a mesa de cabeceira e saiu do quarto. Após sair, ela não seguiu até as escadas, mas sim, seguiu até a porta do quarto de Dan. Estando em frente, ela bateu duas vezes e, depois de alguns segundos, ele abriu a porta.

(Dan) — Quem é?

Ela arqueou uma de suas sobrancelhas.

(Adie) — A sua avó.

Ele deu uma leve risada e logo deu espaço para que ela entrasse em seu quarto e ela passou ao seu lado.

(Dan) — Você está muito bonita. – Ele fechou a porta. — Aconselho que tenha cuidado com o delegado, ou com os subordinados dele. -- Ele passou ao lado dela e se aproximou da cama, se sentando em seguida.

Adie, que continuava de pé e agora olhando-o de frente, permaneceu séria.

(Adie) — Pare de tentar me enrolar e mostre logo a folha.

(Dan) — Nossa, que mau humor, cruzes.

Ele se levantou e foi até a cômoda onde guardava suas roupas. A folha estava sobre ela. Após pegá-la, ele a olhou por alguns segundos e suspirou, estando sério e claramente incomodado.

(Dan) — Cara, é sério que temos que fazer isso?

Adie suspirou, impaciente.

(Adie) — Anda logo, vai.

Ele suspirou, levemente irritado e olhou a folha mais uma vez, até que começou a se aproximar de Adie com passos lentos. Ao se aproximar, ele a olhou nos olhos.

(Dan) — Antes de ler isso aqui, quero que saiba que tudo mudou a muito tempo, ok?

Adie olhava-o, agora intrigada.

(Adie) — Hum, certo.

Ele estendeu a folha para que ela pegasse, mas quando ela chegou perto de tocá-la, ele a afastou de sua mão.

(Dan) — É sério, não pense besteira a meu respeito.

Adie se irritou.

(Adie) — Me dá logo essa porcaria! – Ela pegou a folha da mão dele.

Ele ficou levemente surpreso e tenso e ela começou a ler. Sua expressão séria, logo mudou, se tornando extremamente surpresa e boquiaberta e ela voltou a olhá-lo.

(Adie) — V-Você e a Hannah?!

(Dan) — Pelo amor de Deus, não conte isso a ninguém!

Adie continuou boquiaberta e, aparentemente, confusa.

(Adie) — M-Mas… me explica isso!

Dan suspirou, irritado e desviou o olhar, pensando por alguns segundos.

(Dan) — Eu conheci a Hannah muito antes do Thomas e… e eu era apaixonado por ela. Depois de muito tempo de insistência da minha parte, nós saímos e tivemos um caso que não durou muito. Quando acabou, nós continuamos amigos e, depois de um tempo, eu apresentei o Thomas para ela.

Apesar de Dan ter contado a sua versão, Adie continuou intrigada.

(Adie) — Mas… Porque essa frase retrata uma traição?

(Dan) — O grande problema é que o Thomas nunca soube de nada disso. Ele acredita que eu e a Hannah sempre fomos apenas bons amigos.

(Adie) — Entendi… – Ela ficou cabisbaixa e pensativa.

Dan a olhava, constrangido.

(Adie) — Alguém, além de você e a Hannah, sabe sobre isso?

(Dan) — Não. Não há ninguém tão confiável, quanto você, para saber disso.

Ela arqueou uma de suas sobrancelhas.

(Adie) — Hum, como se você tivesse me contado por livre e espontânea vontade.

Dan continuou sério e desviou o olhar. Porém, depois de alguns segundos, ele pareceu se lembrar de algo que o deixou surpreso e, ao mesmo tempo, intrigado.

(Dan) — Espera… acabo de me lembrar que também contei esse segredo para uma outra pessoa.

(Adie) — E para quem foi?

(Dan) — Eu estava bêbado e ele me pareceu extremamente confiável naquele dia… – Ele balançou a cabeça em negação e demonstrou sentir raiva.

(Adie) — De quem você está falando?

Ele a olhou.

(Dan) — Hum, Richy.

Adie ficou extremamente surpresa.

Notas finais
Obrigada por chegarem até aqui ♥