Dear Friend

1 Capítulo 1 - Hospital


O monitor cardíaco apitava.
Digo, é claro que sim. Mas apitava mais do que o normal.
- Mas que porra? — disse Melany, tentando entender.
- Enfermeira! — gritou Ellija.
Uma enfermeira apareceu, ofegante (provavelmente, depois de correr até o quarto), e discou o número da emergência. Enquanto não chegavam, ela tentava fazer com que ficasse tudo bem.
- Preciso que vocês saiam — falou, com uma voz gentil.
- Não, não posso sair. — contrariou Effy.
- Ela vai ficar bem? — perguntou Josua.
Antes que ela conseguisse responder, a emergência chegou.
- O que tá acontecendo? — perguntou Joshua, novamente.
- O coração dela está acelerado demais. Ataque cardíaco. Preciso mesmo que vocês saiam. — disse a enfermeira.
- Katlhyn urgente. Não da tempo. — chamou um homem alto e moreno da equipe de emergência.
E assim, tinha um grupo de pessoas ao meu redor.

Eu estou tentando. Estou mesmo. Eu desejo muito ir, de verdade. Mas eu não posso, e tenho consciência disso. Por isso eu preciso ficar.

O homem alto e moreno pega um aparelho de choque. Vão tentar me reviver? Será que vai doe...

Tudo fica preto e quieto. Acho que voltei pro meu corp...Merda. Memórias. De onde estão vindo isso? Como um preto e quieto se torna em coloridas, tristes, felizes memórias?
Dizem que, quando morremos, toda a nossa vida passa pela nossa cabeça, como um flashback.
Não. Não. Não. Não posso morrer. Não posso estar morrendo. Não. E mais memórias. E meu pai. Minha mãe. Meus avós. Melhores amigos. NÃO, ISSO NÃO PODE AC...
E parou. Tudo está escuro e quieto novamente.
Assim, ouvi o último "pfit" do monitor. Um "pfit" final. Foi ali que eu soube: eu não ia sobreviver.
Até eu ouvir o som de pessoas chorando ao meu redor. Eu estou tentando, mesmo, ficar. Mas não está dando. É como se eu tentasse voar, e algo me puxasse pra baixo, como uma âncora.
"Pfit". Um último "pfit" para a minha angústia acabar. Me desculpem, eu tentei. Amo vocês, mas está na hora de ir.

E de repente, tudo ficou claro. Depois de conseguir focar as coisas ao meu redor, saquei que meus olhos estavam abertos. Eu estou viva.
Olho para frente, meus amigos já estão de saída. Não consigo ver a enfermeira. Acho que ela foi avisar meus pais, ou algo assim. Quando Ellija abre a porta, com uma voz fraca, digo:
- Não acharam mesmo que eu iria embora assim, acharam?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.