Dear Diary.
2 Ann
–ANN! ESTOU FALANDO SÉRIO! -gritava Bianca do outro lado da linha. Estava tocando This Love (que por sinal é uma de minhas músicas favoritas), eu estava tentando conter meu riso enquanto Luke me fazia cócegas e beijava minhas bochechas.
–Eu também estou. -respondi quase como uma risada.
–Não é caso de rir.
–Eu sei, mas...
–Mas nada, eu vou na sua casa agora ok?
–Hein? -eu afastei Luke com um empurrão para fora da cama e ele caiu no chão.
–Aaai -ele gemeu e eu revirei os olhos.
–Tipo..agora? Agora mesmo?
–É. Por quê?
–Nada não...só, nada, pode vir. Vou ficar te esperando. Tchau. -desliguei o telefone. -Ai, você tem de ir. Agora.
–Porquê? -ele fez um bico e eu dei um tapa de leve em seu rosto.
–Porque Bianca está vindo.
–Aaah e por isso não posso ficar aqui? Qual o problema?
–É, nenhum, mas você vai embora. E se meu pai te ver aqui ele me mata. Vai.
Eu desci com ele pela escada e vimos Austin na sala com Claire e um amigo dele. Não que eu me importasse com ele, na verdade eu o via como um quase empregado dali, um babá de Claire. Acho que pelo fato dele nunca ter dado a mínima pra mim nunca me importei com ele também, então não entro na vida dele nem ele na minha. Claro que isso é péssimo ainda mais porquê meus pais querem que nos demos bem mas isso nem de longe vai acontecer. Passo com um simples "oi" mas Luke insiste em ir ver o que ele está fazendo.
Demoramos uns cinco minutos e tenho sorte de que Bianca mora do outro lado da cidade. Tenho uma vaga ideia do que ela quer falar comigo, como sempre deve ser Lucca. Quando comecei a namorar Luke, ela já namorava Lucca e depois nos tornamos amigas o que foi mais ou menos dois meses que Miranda foi internada. Afasto esse pensamento porque sempre me faz chorar quando me lembro dela.
Finalmente depois de bater o pé no chão 40 vezes Luke sai dizendo tchau. Vamos até onde está o carro dele e espero-o entrar. Luke tem um Audi R8 que faz meu coração doer cada vez que eu o vejo. É simplesmente lindo, ainda mais quando ele está lá.
–É uma pena eu ter de ir, talvez arrume algo menos tedioso do que ficar com você. -eu não levei isso como ofensa porque já me acostumei com ele.
–Eu duvido, espero que você não tenha mais nada pra fazer do que passar a tarde todinha comigo. -eu pisco duas vezes dando entonação em 'tarde todinha comigo' para que ele entendesse o sentido mesmo que não fossemos fazer nada assim.
–Ah, fica pra outro dia. -ele diz puxando meu queixo em direção a boca dele. O beijo de Luke é sem dúvida perfeito e melhor de todos os garotos que já beijei, mesmo que não sejam muitos. Eu suspiro e me afasto, ao contrário de Austin, Claire é muito fofoqueira.
–Talvez, até...amanhã?
–Hum, amanhã tenho um negócio pra fazer, não sei se vou á aula.
–Que negócio?
–Não é da sua conta. -ele diz sorrindo e eu fico vermelha de raiva.
–Idiota.
–Hey! Desculpe. Ann! -ele grita da janela, mas continuo andando e da porta de minha casa mostro meu dedo médio pra ele.
–Também te amo, cupcake! -ele ri e sai com o carro.
Eu estou sentada em minha cama escrevendo em meu diário como Luke me faz ficar brava e com tamanho ódio dele que penso realmente em terminar nosso namoro. Mas não. Amo o jeito dele assim mesmo, mesmo me irritando e querendo socar a cara dele ás vezes. Fico deitada em minha cama até que Bianca entra.
–Precisamos conversar -ela diz.
–Claro, sente-se signorita. -eu digo.
–Não comece, Ann. -ela diz séria e eu reviro os olhos.
–Claro, claro. Converse então enquanto eu me alongo.
–Hein? Não, não vai parecer que você está me ouvindo.
–Mas estarei, e emagrecendo também, vamos, fale.
–Oook, sabe, eu e o Lucca não estamos nos dando bem. -ela faz aspas com os dedos enquanto faço a quinta flexão. -Quer dizer, ele sim, mas eu não. Eu não...não sei se gosto dele. -ela esperou e pensei que esse era o momento de falar algo.
–Diga isso a ele então.
–NÃO! Ficou maluca? Ele é tão...fofo, não dá pra magoá-lo assim, de jeito nenhum.
–Você estaria continuando a fingir que gosta dele Bianca.
–Eu sei.
–E...
–E...que eu esperava que você me dissesse o que fazer.
–Aai. -eu disse me encostando na parede. -Olha, ele é fofo, legal, gentil, e blábláblá ao contrário do irmão. Não posso dizer o que você deve fazer, mas eu terminaria com ele.
–Você é má. -ela diz me olhando.
–Queria o quê? Além do mais, assim talvez ele conheça outras garotas etc.
–Porquê etc?
–Porquê é muita coisa e estou cansada de falar tudo.
–Não quer falar comigo? -ela diz em tom ameaçador.
–Claro que quero, mas vocês vem se enrolando á dias e o coitado acredita que você o ama. E não é verdade.
–Mas não é mentira.
–Aff, Bianca. -eu caminhei até minha escrivaninha e pegeui meu telefone. -Ligue.
–Pra quem? -ela pergunta e eu reviro os olhos.
–Pro papai noel. Pro Lucca, óbvio.
–Ah, claro. E digo o que?
–Que você quer sair hoje e no jantar você termina tudo.
–Ele vai ficar arrasado -ela diz triste.
–Vai.
–E vai me odiar.
–Talvez.
–Talvez nunca queira mais me ver.
–É, mas é o certo.
Esperei ela ligar enquanto eu trocava a roupa da minha gata Cherry. Eu tenho um certo amor por gatos, quase platônico pra falar a verdade. Depois de cinco minutos ela desligou o telefone quase em choque, fiquei preocupada, mas ela tem a mania de ser expressiva de mais então não tem tanto problema.
-E aí?
-Vamos sair amanhã, porquê é sexta.
-Péssimo dia. Terminar na sexta, iiih.
-Cale a boca, eu sei disso. É só...
-O quê?
-Deixa pra lá, eu vou embora, até amanhã? -ela se levantou um pouco triste pra falar a verdade e me preocupei de verdade com ela, Bianca era a amiga perfeita, talvez até mais que Miranda, me peguei pensando nisso de novo e afastei esse pensamento contando de um a dez assim como o terapeuta disse.
-Até -eu disse abraçando-a.
Mais uma vez desci as escadas acompanhada de alguém ao invés de estar sozinha. Esperei ela sair do banheiro pois sua expressão parecia a de alguém que queria chorar. Austin estava jogando futebol no jardim da frente quando passamos.
-Hey. -ele disse para Bianca.
-Oi Austin. Como vai? -ela perguntando pra ser educada.
-Bem, e você?
-Mais ou menos.
-Ah. Nos vemos por aí então.
-Claro. -ela sorriu e ele sorriu de volta corando. Aff. Ela corou de volta. Aff²
Bianca entrou em seu Lexus branco e o ligou. Ligou o rádio provavelmente procurando uma estação triste.
-Tchau.
-Tchau.
Ela deu meia volta e eu fui para casa. Decepcionante foi a palavra exata que eu escrevi em meu diário para entregar ao terapeuta Stul. Tomei um banho frio e tirei os gatos de meu quarto. Fechei as cortinas e me enfiei embaixo do edredom; olhei os sms de Luke dizendo que os "negócios" foram cancelados e eu respondi dizendo que não dava a mínima pra isso e que não queria vê-lo amanhã. Luke me ligou e eu rejeitei das primeiras duas vezes. Havia até me cansado do toque do celular então o desliguei.
Desci para comer alguma coisa e Claire estava querendo comer pizza, Martha sua babá disse que ela não poderia comer, o que foi sem graça e não mudou meu dia saber que Claire não poderia comer pizza. Foi entendiante não ter nada para fazer, ainda mais porque começou a chover em seguida. Terminei minha tarde comendo um iogurte e vendo Lua Nova com minha irmã de sete anos. Austin havia saído então nem havia alguém pra brigar. Cansada de ver o Taylor sem a parte de cima da roupa liguei o wifi e não tinha nada de novo nos e-mails a não ser Luke mandando mensagens dizendo que sente muito, o que sei que é mentira.
Finalmente quando meus pais chegaram eu pude falar sobre algo novo como as vendas na Ásia está em alta etc. Meu pai fechou um acordo com o pai de Luke, Lee, o que queria dizer que eles estariam viajando para Seul durante umas semanas o que me daria uns dias sem novidades sobre empreendedorismo, apenas minha mãe falando sobre crimes que ela esteve julgando, chato também.
Comi meu jantar, conversei com minha mãe, a atualizei sobre meu dia entediante e disse que se nada de novo acontecesse entraria em depressão. Ela ficou preocupada mas era verdade e sou obrigada a relatar tudo que aconteceu comigo por acharem que sou mentalmente afetada por um acontecimento trágico.
Deitei em minha cama abraçada de minha mãe, amo o cheiro de perfume caro dela, é o mesmo do meu, mas parece que nela fica diferente, ela beija minha testa e diz que tudo vai ficar bem, que não vou ser internada em um hospício nem nada, eu fecho os olhos e ela pergunta por Luke. Digo que ele está normal, o de sempre e ela acena. Não sei o que isso significa, e nem lembro do que aconteceu em seguida porque eu dormi logo em seguida por conta dos remédios que eu tomo. Espero que meus sonhos tenham sido mais emocionantes que meu dia.
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