Dear Charlie,
7 Capítulo 7
Notas iniciais
2 de Novembro de 1993
Querido Charlie,
As filmagens do nosso curta-metragem começaram hoje. Marcos, Hillary, Jena, Taylor e Harriet adoraram minha ideia, e nós já começamos á filmar. Por enquanto só temos algumas cenas... Por enquanto, mas garanto que está ficando legal. Eu e meus amigos fizemos um quadro marcando o dia das filmagens, dias em que todos possam estar presentes, e espero poder terminar isso até a tarde do dia 26.
Greg recebeu alta do hospital hoje, e disse que adoraria ajudar com nosso curta metragem. A coluna dele não está lá essas coisas, e o médico disse que ele precisará ficar de repouso por alguns dias até poder ir á escola novamente. Greg quer muito ir á escola, não sei porque é se ele quer dar uma lição em Zayne ou porque quer ajudar com nosso trabalho á ser entregue, mas só sei que ele reclama o dia inteiro de ter de ficar em casa aturando a idiota da madrasta dele. Um fato sobre Greg: ele odiava sua madrasta. Ela havia se casado com seu pai quando ele tinha dez anos, após sua mãe ter morrido de hemorragia quando ele tinha nove anos. Pelo o que ele me contou, sua madrasta é uma megera. Ela tirou todas as fotos da mãe de Greg da casa e escondeu-as no porão para que seu marido e o enteado não percebessem, mas como Greg amava aquela fotos ele logo deu falta delas, e procurou-as por todos os lugares até encontrá-las no porão, e ameaçou sua madrasta na frente de seu pai, dizendo que se ela não colocasse as fotos de volta na casa, ele a mataria. Era claro que ele não estava falando a verdade. Greg era só um menino de dez anos com saudades de sua mãe falecida e com raiva por sua mais nova madrasta tentar fazer seu pai esquecer a esposa anterior e se tornar uma nova mãe para seu filho. Até hoje, Greg e sua madrasta, chamada Selene, não se dão bem, e o pai de Greg finge que está tudo bem. Isso vem acontecendo há anos e mais anos, e Greg não suporta ficar no meso ambiente que Selene. Marcos me disse que Greg vivia na porta de sua casa após uma briga com sua madrasta, pedindo para que ele deixasse-o dormir ali. No fundo, eu tenho muita pena de Greg, e ao mesmo tempo me identifico muito com ele. Será que alguém tem pena de mim, Charlie? Eu não quero que as pessoas tenham pena de mim, e sim que me vejam como uma guerreira. Não que Greg não seja um também, é claro que ele é. Eu sou, ele é, todos somos. Aposto que você também é, Charlie.
Bem, hoje foi meu primeiro dia como garçonete no Big Boy. Isso mesmo, Charlie, eu consegui um emprego de meio-período lá três vezes por semana. É bom, porque eu ganho dinheiro para a guardar para a faculdade e isso não me atrapalha nos estudos. Na noite de Halloween, quando eu, Jena e Cherie estavámos lá, vi uma placa que dizia que eles tinham vaga para uma garçonete, e fui falar com o gerente para me candidatar, e no fim fiquei com a vaga. O salário não é lá aquelas coisas, mas se eu trabalhar três dias por semana durante meus dois anos restantes de colegial, acho que consigo pagar alguns semestres da minha faculdade de jornalismo, e depois eu me viro com o resto, e além disso, não é tão ruim servir mesas. É só ir até os clientes, anotar o pedido, levar o pedido e no fim limpar a mesa (tudo isso enquanto ouço o Rock N Roll que toca nos altos falantes do lugar).
É, acho que vou conseguir sobreviver á vida de garçonete. Vale a pena conseguir dinheiro para a minha faculdade.
Sabe, Charlie, o negócio não é olhar para sua situação atual, mas o que está á frente dela. Hoje garçonete, amanhã escritora.
Com amor,
Nell.
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