Dear Charlie,
3 Capítulo 3
Notas iniciais
24 de Outubro de 1993
Querido Charlie,
Lembra-se daquele garoto de que eu te falei? Aquele que apanhou no refeitório? Ele não apareceu na escola hoje. Perguntei para algumas pessoas o que havia acontecido com ele, e uma delas me disse que ele havia tido uma lesão na coluna depois da briga, e precisaria ficar no hospital por algumas semanas, talvez meses. Amanhã vou visitá-lo no hospital pela manhã junto de seus amigos.
Conheci as pessoas que foram ajudá-lo naquele dia, no almoço. Seus nomes são Marcos, Hillary e Jena. Foi o primeiro dia em que sentei com alguém na hora no almoço desde que entrei para aquela escola, depois que meus pais morreram. Marcos e Hillary são irmãos gêmeos, e Jena é a mais nova de cinco irmãos. Me dei muito bem com eles. Marcos quer ser diretor de cinema um dia, e por isso sabe tudo sobre todos os filmes e peças de teatro que você possa imaginar. Hillary quer ser guitarrista em uma banda, ela disse que está quase lá, só falta a banda. Ela é a engraçada, e seu irmão é o certinho. Os dois são muito parecidos, tanto nas feições como na forma física. Jena quer ser atriz, e disse que quer ir para Hollywood após se formar na escola, ou seja, talvez no próximo verão, pois eles já estão no terceiro ano do ensino médio, e eu estou no segundo. Ela disse que talvez trabalhe com Marcos em algum de seus filmes algum dia, se ele a aceitar. Os três são amigos desde o sexto ano, e seguem com a amizade desde então. Que eu me lembre, nunca tive uma amizade assim. Houve uma garota, seu nome era Emily, nós éramos muito amigas desde o jardim de infância, mas no segundo ano seu pai foi transferido para Dallas, no Texas, e eles tiveram que se mudar. Nunca mais a vi nem falei com ela, até porque não tenho nenhum ideia de qual é o telefone dela.
Aposto que você está pensando que, se consegui seu endereço, seu nome, suas informações, etc; porque não posso conseguir o telefone de Emily também? Não é tão fácil assim, Charlie. Eu sou bem próxima de uma amiga sua, e ela me informou tudo sobre você pois ela me achou muito deprimida e sozinha nos últimos anos, e disse que eu precisava de alguém para desabafar. Não, eu não vou dizer quem é ela, só vou dizer que somos muito próximas.
Voltando ao assunto, hoje na hora do almoço, quando me sentei junto com Marcos, Hillary e Jena eles me perguntaram o que eu queria ser quando acabasse o ensino médio. Pensei um pouco e... Acho que quero ser escritora. Eu lembro de algumas tardes de outono, quando eu sentava no balanço de pneu do quintal da minha antiga casa e lia alguns livros que minha mãe comprava para mim. Eu era apaixonada por todos aquelas histórias, e desejava poder escrever a minha própria história um dia. Eu estava sempre querendo começar á escrever um livro sobre a minha vida, mas o problema era: eu não tinha absolutamente nada para contar. Eu não podia fazer algo assim: "Meu nome é Nell Browning, tenho dezesseis anos, meus pais morreram e meu irmão é um paciente terminal de câncer. Fui morar com meu tio quando tinha catorze anos e frequento uma escola normal. Não tenho amigos. Fim". Seria simplesmente ridículo. Eu precisava de algumas história emocionante e bonita, algo que envolvesse pessoas que estavam em minha vida há tempo. Mas havia poucas pessoas no mundo com essas características: meu irmão e meu tio Leonard. Eu não sabia sobre a existência de outros parentes, e mesmo que soubesse, eles não se dariam ao trabalho de vir visitar a antisocial da família.
Quando disse isso á eles, Marcos me olhou triste, Hillary colocou uma mão em meu ombro e Jena me consolou, dizendo que eu logo arrumaria amigos, e me convidou para ir com eles visitar Greg no hospital no sábado, no caso, amanhã de manhã. Comprei uma caixa de chocolates e um CD de música Soul para ele escutar em sua estadia no hospital. Marcos disse que ele adora chocolates e música.
Obrigada por me ouvir, Charlie. Espero continuar escrevendo para você.
Com amor,
Nell.
Fale com o autor