Dear Book of Shadows-Sun & Moon
5 Cap. 5 A Árvore dos Deuses
Sentamos no banco principal da praça, eram mais ou menos três e quinze da tarde, e havia uma brisa fresca no ar... era primavera e o parque estava cheio de flores bonitas de varias cores, mas principalmente roseiras vermelhas e rosas. Então ele se virou pra mim...
Gab: Hey, você gosta de flores?
Rafa*corei*: Sim... hehe...
Gab: Quais suas cores favoritas?
Rafa: Verde, azul-piscina, baby-pink, vermelho-sangue e roxo...
Gab*vira-se para frente, fecha os olhos e respira fundo, traçando um leve sorriso no rosto*: Eu também gosto muito de flores, principalmente girassóis e margaridas... minha cores favoritas são vermelho, laranja-escuro e aquele amarelo bem vivo...
Rafa: Você não tem um vocabulário de cores muito extenso, né? –provoquei-
Gab: Hahahaha, isso é verdade... do que mais você gosta?
Rafa: Gosto da Lua Cheia... ela me faz bem... adoro deitar na grama quando é lua cheia, e amo a brisa salgada do mar... e gosto de um Sol morno, não gosto daquele Sol a pino, quente... e também gosto da luz do crepúsculo... hehe
Gab: Haha, Eu amo um Sol bem quente, claro que com protetor solar... amo rolar na grama em dias ensolarados, e gosto de ver o Sol nascendo, acordo muitas vezes antes dele nascer, apenas pra observa-lo nascer da janela...
Rafa: Hum... você... acredita em algo?
Gab: Acredito que você é adorável...
Rafa*cora bastante*: HAAA?? Você entendeu o que eu quis dizer!!
Gab: Não tenho nenhuma religião, vou seguindo o que meu coração me indica... e você?
Rafa*olhei pra baixo com as bochechas rosadas*: Eu sou pagão...
Naquele momento eu não sabia exatamente como ele iria reagir... digo, ainda existem pessoas preconceituosas em relação a religião alheia... Mas enfim, ele levantou meu rosto pelo queixo com a ponta dos dedos, e me virou pra ele.
Gab: O que foi? –ele abriu um sorriso leve- não achou que eu ia me importar com isso, né?
Rafa*uma lágrima de felicidade escorre*: Existem t-tantas pessoas que se importam...
Eu me joguei nos braços dele e pus-me a chorar, estava muito feliz com ele no momento... digo, não tínhamos nada ali, mas mesmo assim me pareceu que tinham saído quinze elefantes de cima do meu coração...
Rafa*enxugando a lágrima*: Minha família é toda formada por pagãos, em vários cantos do mundo, principalmente na Europa a família FullMoon está instalada... Estamos no Reino Unido, Japão, Alemanha, Holanda, Canadá, França... Somos uma família antiga, que permaneceu escondida por muito tempo, principalmente a parte britânica, já que a lei contra pagãos só foi anulada entre as décadas de cinquenta a sessenta.... Claro, nem TODOS são pagãos, né? Nada é cem por cento nunca... mas a grande maioria....
Gab: Grande parte da minha família é pagã também... acho que cerca de sessenta a setenta por cento... ao menos dos parentes que eu conheço... –ele abre novamente aquele sorriso leve-
Rafa: Acho que a minha tem uns noventa e poucos por cento.... qual é mesmo o sobrenome da sua família?
Gab: BrightSun!
Rafa: Haah! Quase um oposto da minha... –dei língua-
Gab: Nhééé! Não vai dizer o nome dela? –ele se aproximou rapidamente colando seu nariz no meu, e claro, eu corei-
Rafa*se afastando pelo susto*: Hahaha!
Gab: Que?
Rafa: Nada não... você só avança bem rápido... –disse com um sorrisinho bobo no rosto-
Gab: É uma qualidade, né não? –ele piscou um olho- e não fuja do assunto! Qual o nome da sua família?
Rafa: Que tal uma charada? “Quando a Lua estiver no céu, e as bruxas estiverem dançando com Selene, o brilho iluminará os corações das pessoas, e o amor será o governante das nossas vidas...”
Gab: Não entendi.... eu não sou muito bom com charadas...
Rafa: Que pena! –dei um beijinho na bochecha dele e o pego pela mão- Vem! Quero te mostrar um lugar especial...
Pedi um taxi, que nos levou até uma parte mais rural da cidade... sim, Dublim é a capital da Irlanda e uma cidade muito urbana, mas também tem seu lado rural. Saimos do taxi, e começamos a caminhar, por mais ou menos meia hora, quando Gab começou a reclamar:
Gab: Falta muito?
Rafa: Estamos quase lá, aguente firme e admire a paisagem...
Gab: Nhá, ok...
Andamos por mais cinco minutos e chegamos na casa da minha mãe. Ela morava lá junto com mais dois gatos, um preto de olhos azuis chamado Ráven e outro laranja de olhos verdes chamado Niel. Bati na porta, e minha mãe logo veio me atender. Ela tem cinquenta e três anos, mas parece ter mais ou menos trinta.
Rafa*abraçando ela*: Oi mãe!
Gab*pensando*: Mãe? Parece a irmã!
Elane: Rafael! –ela me abraça de volta- Quem é o seu amigo?
Rafa: Esse é o Gabriel... –eu corei, por ter ouvido a palavra “amigo”... claro que eu queria ter algo mais, mas tínhamos acabado de sair... não podia simplesmente chegar nele e falar “ E aí, gato? Bora namorar?” seria rápido demais...- Gab, essa é minha mãe...
Ela o abraçou como se fosse o próprio filho... e ela só faz isso quando gosta de alguém, então digamos que ele já tem bônus com minha mãe...
Elane: Entrem, vou pegar algo pra vocês comerem...
Rafa: Não precisa, mãe... estávamos indo naquele lugar-dei uma piscada pra ela- e aproveitei e vim apresenta-lo pra você!
Elane: Aaaaannn.... aqueeeeele lugar... hahahaha!! Vão lá, mas na volta passem aqui pra comer alguma coisa, certo?
Rafa: Ok! Tchau! –soltei um beijo pra ela e me virei enquanto Gab deu uma acenada rápida-
Gab*me alcançando*: Ei! De que lugar vocês estavam falando?
Rafa: Você já vai ver...
Continuamos a caminhar até entrarmos numa floresta bem tranquila de se andar, quase sem nenhuma densidade que nos impedisse de andar.
Rafa: Vou te mostrar um lugar muito especial pra mim...
Continuamos andando, até entrarmos numa parte mais bonita da floresta, onde existiam várias árvores floridas e com varias frutas. Peguei uma maçã e ofereci.
Rafa: Quer?
Gab*pegando a maçã*: Obrigado! –ele sorriu de orelha a orelha- eu estava morrendo de fome...
Continuamos andando até uma parte com clareiras muito bonitas, e com uma clareira linda, com uma árvore grande, meio retorcida e coberta de limo. Era uma visão tão linda que parecia que a árvore brilhava pra nos receber...
Gab: Que lindo! É aqui?
Rafa: Sim... foi aqui onde eu fiz minha primeira meditação com divindades que deu resultado, e onde fiz muitas outras... Esse lugar pode agora ser nosso...- soltei um sorriso-
Gab: Essa área não tem dono?
Rafa: Tem... é minha mãe a dona!
Gab: Hummm... então estamos sozinhos e seguros aqui? –ele se aproximou de mim, me empurrando devagar até eu encostar no tronco da árvore-
Ele botou uma perna entre as minhas, pressionando de leve o “lugar onde o Sol não brilha” e botou suas duas mãos no meu rosto, se aproximando bastante. Eu com minha mão direita puxei-o pra mais perto ainda de mim, e a esquerda passei sobre sua bochecha levemente, fazendo-o cerrar os olhos lentamente. Nesse momento eu me aproximei e o beijei lentamente, não com luxúria, mas com um sentimento além, mais verdadeiro... eu estava beijando-o com meu coração, e não com meus pensamentos pervertidos... naquele momento, abaixo da Árvore dos Deuses, como eu mesmo batizei, estávamos não tendo apenas uma conexão de mente e corpo, como também de alma... naquela tarde, o Sol quente não incomodava minha pele, apenas fazia-me brilhar e esquentar ainda mais nossos sentimentos verdadeiros...
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