18 de outubro de 1940

Querido América,

estou indo para o campo de batalha na semana que vem ao lado dos meus soldados enfrentar o Alemanha frente a frente mais uma vez. Não faço a menor ideia do que irei encontrar naquele lugar e a única sensação que tenho no momento é a de terror. Não posso simplesmente abandonar meus homens, mesmo que eu queira muito fazer isso. Segundo o meu chefe, é meu dever como nação.

Não sei se recebeu minha carta anterior, visto que não recebi resposta alguma de você. No entanto, ainda assim agradeço por ter enviado soldados americanos para nos ajudar em solo europeu, prometo treiná-los e protegê-los com minha vida se for necessário.

Nos últimos dias meu chefe e o seu passaram a se comunicar melhor um com o outro, procurando algumas soluções para o nosso problema. Soube que há submarinos e navios mercantes alemães em mares ingleses e alguns que estão rumando para os mares americanos. Aparentemente não são perigosos, apenas estão em observação, mas estamos nos movimentando para monitorá-los e abatê-los caso seja necessário.

Alfred... Não sei onde você está agora, mas espero que esteja bem e em segurança, mas longe de Washington D.C. As grandes capitais não são mais seguras, espero que saiba disso. Sei que precisa obedecer às ordens de seu chefe, mas seja consciente mesmo assim, não se arrisque tanto. Digo isso pois sei como é imprudente em momentos de crise. A guerra que está acontecendo aqui é completamente diferente de todas as que vimos desde que nos conhecemos, eu, desde muito antes. As coisas estão acontecendo rápido demais, os equipamentos estão evoluindo rápido demais e as pessoas estão mudando rápido demais. O que eu vejo aqui é um cenário horrível que eu não desejo para ninguém.

Alfred, não sei quando poderei escrever para ti novamente, se é que conseguirei me manter até lá. Mas eu quero que saiba que vou continuar lutando até minhas últimas forças para voltar bem e fazer com que o mundo volte a ser seguro como antes. Eu quero voltar a fazer as coisas que fazíamos antes, como andar naquela bicicleta velha que achamos no seu porão em 1931, cairmos mais uma vez e ralarmos nossos joelhos mais uma vez pela queda. Eu sei que deve estar rindo e me chamando de idiota por lembrar de uma coisa dessas, mas eu estimo muito essas pequenas lembranças, ainda mais agora.

Continuarei no aguardo de respostas suas, o tempo que for necessário.

Atenciosamente,

Arthur Kirkland.

The United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland.