Deadly World
3 Capítulo III - Search Bloody
Notas iniciais
Mais tarde, quando já tinhamos consciência do que estava acontecendo, decidimos sair da escola. A agitação toda já havia amenizado. Aqueles seres andavam por aí, cambaleando e soltando grunhidos estranhos. Mahi e Izabera tremiam, sempre atrás de mim. Optando sempre o caminho mais curto, já estávamos nos jardins do colégio. Todos nós, estávamos escondidos atrás de umas lixeiras. Viamos o portão, mas mesmo assim tínhamos medo de sair correndo e sair. Era perigoso. Porém...algo importante me motivou.
– Kaede está em casa.- Murmúro para mim, porém, percebo as duas se entre olharem.
– O que foi, Watanuke-san?- Izabera pergunta.
– Minha irmã está em casa.- Sinto umas pequenas gotas de suor correrem pelo meu rosto.- Ela pode estar em perigo.- Levanto de trás da lixeira, ainda sem ser visto.
– Watanuke-kun, não seja idiota! Abaixe-se!- Mahi puxava meu pulso para que eu me sentasse novamente.
– Precisamos ser rápidos!- Murmúro novamente, sendo escutado.
– Vamos pensar num plano e fugir daqui...Mas agora, abaixe-se, por favor!- Mahi parecia implorar. Sem muita chance, abaixo-me novamente, ainda olhando "eles" pelas aberturas entre uma lixeira e outra.
– Ei, acho que eu percebi uma coisa...- Izabera que estava no canto, volta seus olhos nos nossos.
– O quê, Izabera-san?- Mahi pergunta esperançosa.
– Eles não vêem. Só escutam e sentem o nosso cheiro.- Mordeu a unha do mindinho, nervosa.
– Pode ser...- Suponho, respirando baixo.
– Vamos fazer um teste.- Escuto Mahi dizendo porém, logo quando percebi a loucura que estava prestes a fazer, já a vejo de pé, jogando uma pedrinha que encontrára.
– Não Mahi...!- Ela se abaixa rápido.
– Acho que funcionou...- Cochicha para nós.
– Talvez...- Me ajoelho. Estava a mesma movimentação que antes. Izabera está certa!
– Acho que nos demos sorte com isso...Bem, fiquem sempre atrás de mim, mantendo a guarda. Não façam barulho e...tomem cuidado.- Mexeram a cabeça em sinal positivo, segurando firme suas "armas" na mão. Levantamos mais seguros de nós mesmos. Caminhei com os olhos delas atrás de mim. Estávamos quase...quase...
– Estamos quase lá...- Disse o mais baixo possível.
O portão estava perto, e eu apenas tomei o mínimo de cuidado para não fazer suas portas rangerem. Atravessamos. Fecho o portão com cuidado, trancado-o. Vejo Izabera e Mahi passarem a mão na testa, estavam suando frio. A situação estava bem crítica...
– Acho que conseguimos nos livrar deles.- Izabera diz, se encostando no portão da escola. No entanto, alguns segundos após falar isso, ela solta um berro. Um "deles" estava puxando-a por trás da camisa. Por sorte, consigo fazê-lo soltá-la.
– Meu Deus...- Ela diz, massageando o ombro.
– Foi só um susto.- Disse, abaixando levemente a cabeça.
– Acho que não, Watanuke-kun...- Mahi que estava apenas a dois passos da gente, me cutuca. Viro-me me deparando com outros "deles" na rua. Estavam vindo até nós, e não eram tão lentos assim...
– Como eles podem nos ver?- Pergunto indignado.
– Não nos viram, ouviram.- Direciona seus olhos á Izabera. Droga!
– Gomen!- Izabera parecia ser sentir culpada.
– Não temos tempo pra isso. Vamos!- Corremos no sentido oposto da rua, seguindo a faixa amarela. Existiam poucos deles nas ruas. Estavam bem espalhados, o que nos dava mais espaço para correr dos mesmos. Minha casa ficava apenas 5 quarteirões da escola...ainda bem.
– Temos que ir pra minha casa. Meu pai é delegado e acredito que ele tenha escondido algumas armas dentro de casa...- Digo as meninas, enquanto ainda seguíamos a linha amarela.
Vejo um "deles" mais a frente. Dou um impulso e salto acertando em cheio na cabeça. Diminuimos a velocidade, atravessando a praça. Os gemidos se intensificavam, quando uma grande orda passou frente a mesma. Ficamos agaichados, esperando a mesma passar. Engatinhamos até o fim da praçinha, chegando logo em frente da minha casa. Fico preocupado ao ver a porta escancarada. Sinto uma mão encostar no meu ombro antes de entrar. Olho para Mahi e vejo um brilho postivo em seus olhos. Engulo em seco e adentramos. Estava quieto...quieto demais...Chegamos na sala onde a mesa de centro estava quebrada ao meio e alguns envelopes em branco jogados no chão.
– Izabera, fique aqui. Abra aquela gaveta e verifique em baixo.- Apontei para a gaveta da escrivaninha ao lado do sofá verde escuro, falando o mais baixo possível.- Irá encontrar uma faca.
– Certo.- Concordou.
– Eu e Mahi vamos ver os quartos.- Olho para ela. Faz um sinal positivo com a cabeça, logo após de eu encostar um dedo em minha boca em sinal de silêncio.
Sigo com Mahi no corredor de casa que parecia não ter fim. Cada passo que dávamos, nossos corações se aceleravam cada vez mais. Percebo que a porta do quarto dos meus pais estava fechada. Toco a maçaneta, abrindo e juntando a porta. Nada. Estava em perfeita ordem.
– C-como...?- Fico surpreso. Mesmo assim, faltava o quarto de Kaede, minha irmã.
– Mais no final do corredor.- Digo para Mahi.
Sinto meus pelos do braço se levantarem, no momento em que chegamos frente a porta de Kaede-onee. Giro a maçaneta aos poucos, abrindo-a. Logo de cara, vejo minha irmã sentada abraçada nos joelhos, sentada numa cadeira. Envolta, viamos dois corpos. Estavam mortos...
– Kaede-chan! Graças á Deus que você está bem...- Abraço-a. Porém, não escuto ela pronunciar nenhum "a".- Oque foi que aconteceu, Kae-chan? Está machucada?- Visualizo os braços vendo se estavam machucados. Mas não encontro nada. Nenhum arranhão, apenas uma faca de cozinha ensanguentada ao lado da cadeira que estava sentada.
– ...- Seus olhos se direcionavam aos corpos caídos no chão. Me ajoelho perto dos mesmos, vendo o rosto deles. Eram mamãe e papai...
– Não...não...não...!- Meus olhos começam a formar grossas gotas de lágrimas. Berro, chamando por seus nomes, e logo percebo Izabera entrando no quarto também. Kaede chorava junto á mim.
– Sinto muito, Watanuke-san...- Izabera coloca a mão no meu ombro, acariciando.
– O mesmo...- Mahi me abraça, encostando seu queixo no meu ombro.
– Esse mundo está acabando...- Digo em meio á lágrimas que não paravam de escorrer.
– A gente vai dar um jeito pra tudo isso, Watanuke-kun...nós vamos dar...nós vamos sim...- Sinto minha roupa húmida. Mahi estava chorando no meu ombro. Ela parecia com mais medo do que antes...Talvez medo de nunca mais sermos nós mesmo. No entanto, ela não é a única que pensa assim.
[...]
Fiz o favor de carregar meus pais até a cama dos mesmos. Posicionamos eles um ao lado do outro e abrimos um pouco a janela.
– Agora parecem estar dormindo...- Kaede junta a mão dos dois.
– Estão...- Digo para Kaede, observando-a.
– Precisamos ir agora.- Digo respirando fundo. Eu não poderia que uma coisa dessas me abatecesse. No momento, o que eu mais precisa era de coragem.
– Izabera, pegou a faca?- Pergunto á mesma.
– Sim.- Mostrou-a para mim.
– Fique com ela e se proteja.- Disse. Depois, abri os armários tirando de lá joelheiras, cotoveleiras e armas. Claro, estavam em uma parte especial do armário. Meu pai sempre foi muito seguro das coisas onde deixava. Ele contou apenas para mim os lugares "secretos", caso acontecesse alguma coisa em casa e ele não estivésse presente. Mais ele era delegado e fazia aula de tiros, tinha isso em casa por que gostava também. Destranquei onde se encontrava o revólver com uma chave que ficava acima do batente da porta. O carreguei.
– Mahi, fique com o meu taco. Izabera se proteja com a barra de ferro e use a faca se precisar. Eu irei ficar com o revólver e você mocinha...- Me ajoelhei ao lado de Kaede, segurando em sua cintura fina.- Use o cabo de vassoura, mas só quando precisar!- Dei uma piscadela para ela não temer.- Espero você não precisar...- Cochichei para mim, levantando-me.
[...]
Pegamos tudo que seria útil, indo direto para a garagem. Peguei a chave do carro no pneu, onde meu pai sempre deixava. Mahi sentou na frente, ao meu lado. Izabera sentou atrás com Kaede. Liguei o carro, e o portão cinza da garagem foi se abrindo, revelando a luz do dia. Pisei fundo, seguindo até o final da rua, onde viramos até a ponte leste.
– Vocês já tem uma idéia para onde vamos?- Perguntei para as garotas de olho na estrada.
– Vamos para a delagacia!- Mahi opnou.
– Talvez seja o lugar mais seguro agora mesmo...- Izabera comentou atrás.
– Ok, então.- Virei o volante, atropelando três "deles" que estavam no meio da rua. Ia crescendo mais e mais a quantidade deles. Pareciam mais assustadores ainda, mesmo não sabendo como... Já estávamos a um tempo no carro, dirigindo nas ruas dos prédios comerciais e etc. Estava mais calmo. Vimos uma orda passar por nós, porém, por sorte, ela não nos viu. Desacelerei um pouco, apoiando o cotovelo no apoio da janela do carro...Parecia tudo normal, até que ouço barulho de tiros.
– Você ouviu isso?- Pergunto para Mahi ao meu lado, pisando no freio.
– Isso oquê, Watanuke-kun?- Mahi se desencosta da porta, com o cenho franzido.
– Eu ouvi tiros.- Disse, olhando pelo parabrisa o grande prédio comercial que havia alí do lado. Ficamos todos em silêncio, esperando ouvir novamente as balas disparadas, até que, de repente, algo cai em cima do capô do carro, fazendo com que nós tomássemos um grande susto. Algo realmente muito pesado havia caído no capô, pois o parabrisa inteiro estava agora em cacos. Ficamos alguns minutos tentando nos acalmar. Mantive minhas mãos, agora suadas no volante, tentando identicar o que havia caído. Logo que escutamos o barulho da coisa caindo no chão, decidimos sair. O que estava agora machucado, não poderia nos machucar.
– O que poderia ser is- Saio do carro com as palavras na boca. Porém, sou obrigado a parar quando vejo que era o corpo de uma garota. Todos estavam com a mão na boca vendo aquilo com certa surpresa. Dei a volta, vendo seu corpo encolhido de frente. Seus cabelos arroxeados caiam sobre a bochecha, e as mãos estavam com machucados, aparentemente, profundos. Tinha uma faixa na coxa esquerda, manchada de sangue. Provavelmente, tentou fazer um curativo que não dêra muito certo no final das contas. No entanto, o que mais me impressionou mesmo, é que...ainda estava viva.
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