Deadly Games
23 Resgate
Notas iniciais
POV- Thalia
Joguei a mala em cima do sofá e a abri, peguei minha armas e a coloquei em cima do mesmo. Não importe o quanto de raiva eu tenha do Luke eu não deixaria ninguém machuca-lo, muito menos a Annabeth, eles são minha família, independente das brigas e de tudo que aconteça.
Comprei um vestido qualquer para o tal baile e me preparei para o mesmo, peguei o computador da Annabeth e comecei a ver o mapa da cidade. O baile aconteceria na área sul da cidade, seria em uma mansão teriam ao todo três saídas, provavelmente estariam cercadas.
Eu entraria pela porta da frente, teria que ser vista e não me importava com isso, eles mexeram com a pessoa errada e se eu tivesse que matar todos naquela festa eu mataria sem problema algum.
Tomei um banho rápido e me vesti colocando a roupa que eu usaria na festa, escondi as armas e peguei o carro. Dirigi até o local e parei perto o suficiente para o caso de eu precisar eu pudesse fugir sem problemas, caminhei até a entrada a música lenta tocava, tinham pessoas acompanhadas de seus pares entrando na festa, o segurança me parou na entrada, assim como fez com todo mundo.
— Nome? — Perguntou e eu pensei em mentir, mas foda-se.
— Thalia Grace.
Ele sorriu e pediu meu braço como a todos que passaram, ele colocou um carimbo que tinha o símbolo de uma flecha azul florescente, o que achei quase irônico, pois o símbolo significava caçada, talvez fosse para dizer que eu sou uma caçadora?
— Boa festa senhorita Grace! — Ele disse e eu assenti e entrei no salão.
Me arrependi na hora de não ter pedido reforços, tinha de tudo ali, quimeras, lobisomens, vampiros, todos com suas verdadeiras formas aonde eu era o ser estranho. Logo vi as duas gaiolas no alto do salão, em uma estava Annabeth, propriamente vestida para o baile, mas ela sangrava e tinha a mão na barriga, em outra o Luke estava vestindo um smoking, mas ele estava preso pelos braços no alto da gaiola, desacordado, sangrando.
Um braço foi passado ao meu e notei que era o garoto de hoje cedo, o de azul, agora ele usava um fraque cinza com uma blusa vermelha por baixo, sem gravata.
— Imaginei que viria senhorita Grace, seus amigos são bem divertidos, tenho que admitir que esperava bem menos deles.- Ele disse me guiando pela multidão.
— Posso saber seu nome? — Perguntei e ele riu negando logo em seguida.
— Não queremos guerra senhorita Grace, estávamos bem do jeito que éramos, somos civilizados e precisávamos atrair você aqui, ou alguém importante e o melhor modo foi fazer isso com seus amigos.- Ele disse me parando.
Estávamos no centro do salão, as pessoas abriram um círculo para nós, como se esperassem uma dança ou algo do tipo, ele pegou minha mão e outra foi para a minha cintura, ele realmente pretendia dançar.
— Grace, sei que deve estar confusa, mas não temos problemas com o modo que nós vivemos desde que aquela bruxa a séculos atrás criou os imortais. — Ele disse me conduzindo pelo salão em uma dança calma, seguia seus passos o deixando me conduzir em uma valsa lenta, analisando-o.
— Então qual o problema?
— O ser místico, é algo estranho Grace, algo que não sabemos explicar, é como se tivesse todos os nossos poderes, juntos em um só, não sabemos o que é, mas queremos ele morto.
— Me chamaram aqui para matar uma criatura?- Perguntei irônica, poderia matar qualquer um ali.
— Grace, temos um proposito, entendemos a bruxa como já disse, o mundo foi feito para se viver em harmonia, nós não somos burros, sabemos que se vocês não existissem atualmente não teríamos alimento, principalmente como as coisas andavam alguns anos atrás, entendemos a ordem das coisas, mas querida você tem que entender que quando algo como aquilo surge vemos o verdadeiro motivo da bruxa ter criado os imortais, algo até maior do que esperávamos.
— Você não sabe...
— Eu sei da profecia assim como você, todos nós conhecemos...- Ele começou a falar mais foi cortado por uma voz doce.
— Filha...- a voz tão semelhante que fez meu coração disparar, virei meu rosto em direção ao som e tinha uma mulher parada um pouco mais à frente da roda de pessoas, ela sorriu para mim- Como você cresceu minha pequena! — Ela disse e eu fiquei boquiaberta.
Aqueles cabelos, aqueles olhos, aquela voz, eu reconheceria em qualquer lugar, ela sorriu e caminhou até mim.
— O que...?
— Filha, tome cuidado por favor, tem algo mais forte do que você pode imaginar eu não sei explicar minha querida, mas você não é humana, você é uma imortal independente que ainda não tenha esse talento e acima de tudo você é filha de uma criatura, vai precisar descobrir esse lado seu se quiser ganhar a guerra que irá acontecer.
Eu não sabia o que fazer, não sabia como sentir, a lagrima escorreu pelo meu rosto e ela o limpou, meu corpo estremeceu com o toque de sua pele fria, ela me puxou me abraçando logo em seguida, foi como se eu voltasse a ser uma garotinha indefeza, como se o mundo cruel ainda não existisse e que a paz fosse a única coisa existente.
— Seja forte querida, por favor crie suas próprias conclusões, faça suas próprias escolhas, você vai precisar saber faze-las.
— Como...?
— A maldição minha cara, que soltaram em você quando seu pai escolheu me libertar, ela tem várias interpretações, outras que você não conhece.
— Eu quero saber, eu preciso saber, se eu não...
— Você vai descobrir na hora certa minha querida, mas agora temos um mal maior, uma criatura que com o poder, com a aura que sentimos, mataria todos nós em um piscar de olhos, e ele está em Donner Hill, vocês precisam lutar, vocês precisam ganhar.
Senti algo bater contra minha cabeça com força e meu corpo tombou ficando tudo escuro logo em seguida.
...
Acordei e puxei a arma, estava em uma floresta, o salto encravou na terra me fazendo cambalear para frente, vi um vulto se mexendo no meu lado direito e atirei sem pensar, mas não acertou nada, novamente se mexeu, mas agora do meu lado esquerdo.
— Apareça, me enfrente cara a cara, sem medo, ganhará o melhor. — Gritei e senti meu corpo se chocando contra uma árvore.
O corpo em si estava embaçado, mas os olhos negros me fitavam, mostravam curiosidade, como se quisesse decidir o que fazer, uma risada rouca atingiu meu ouvido.
— Acorda. — Ouvi a voz da Annabeth o que não fez nenhum sentido.
— Acorda! — Ela gritou e senti meu corpo sendo puxado com força.
Annabeth estava sangrando, Luke estava desacordado, ela estava pálida e ela me balançava com força.
— Vamos sair daqui, antes que eles mudem de ideia.- Ela disse desesperada.
Procurei minhas armas, porém não a encontrei, apenas achei minha adaga jogada ao chão a poucos metros de mim, me levantei e eu e ela carregamos o Luke para longe, não sabíamos para onde iriamos, apenas tínhamos que sair dali.
Meus pés e a minha cabeça doíam, Luke sangrava assim como a Anne, mas ele estava desacordado e estava incrivelmente quente, tremendo de frio, Anne mancava e tinha a mão na barriga e eu só consegui pensar que tinha que achar algum lugar para descansar.
Direcionei eles até a casa da criatura morta hoje de manhã, foi o único lugar que eu consegui pensar, assim que cheguei deitei o Luke no sofá enquanto a Anne se jogava na poltrona, o corpo já tinha cheiro, mas não tinha tempo para me preocupar com isso agora.
Peguei o equipamento de primeiros socorros, e eu estava sozinha, Anne tinha dificuldades de se manter acordada, eu estava em desespero. Liguei para o meu pai e deixei no vivo a voz enquanto tentava estancar o sangue da Annabeth o mais rápido possível.
— O que foi Thalia? — Meu pai perguntou.
— Pai, preciso de ajuda, por favor! — Foi só quando minha voz saiu que eu notei que estava chorando.
— O que houve?
— Anne e Luke estão feridos, preciso que venha aqui. — Disse tentando parar de chorar, eu não era de fazer isso.
— Tudo bem, Jason está rastreando seu celular, chego com reforços em três horas no máximo, deixe o celular ligado.
— Tudo bem.
Fiz o curativo da Anne e fui para o Luke, rasguei sua blusa e ele estava com quatro cortes, um liquido branco escorria de um, ele tinha sido envenenado, meu corpo estava tremendo. Tentei tratar o ferimento da melhor forma possível, mas não sabia como fazer, estava em desespero, não tinha como leva-los à um hospital.
Não sei quanto tempo passou, mas parecia uma eternidade, Luke parecia não parar de sangra e os dois estavam cada vez mais pálidos, ouvi a porta ser aberta e logo Ares perguntando.
— Thalia?
— Aqui. — Gritei e logo ele, Apolo, um amigo da família médico e Ártemis sua namorada entraram.
Ártemis foi logo para Annabeth já que ela estava em melhor estado e Ártemis é enfermeira e não médica e Apolo foi na direção do Luke e começou a tratar dos seus ferimentos.
— Vem cá.- Ares me puxou pelo braço me tirando do meio do caminho.
Ele me sentou em um sofá e eu voltei a chorar.
— Eu vi minha mãe Ares, eu a vi.- Disse notando o que tinha acontecido, vê-lo ali foi quase como um choque de realidade.
Ela era uma das minhas maiores fraquezas, junto com minha família e amigos, vê-la trouxe tudo à tona, a falta que eu sinto dela agora estava ali evidente.
Ares colocou um algodão com álcool na minha cabeça fazendo arder um pouco, ele segurou minha mão e deixou eu chorar por isso, mas eu não queria chorar, eu queria descobrir que criatura era aquela e matá-la.
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