POV- Thalia

Depois que Jason e Annabeth saíram eu fui tomar um banho bem tomado, comi algo de novo, porque sou esfomeada e fui dar uma volta, queria tomar um ar fresco, comecei a correr em direção a cidade, eu sentia como se não devesse estar viva, meu corpo ainda não parecia estar completamente ligado a mim, era como se eu precisasse de algo, algo mais.

Thalia você sempre se sente assim, como se faltasse algum pedaço de você cada vez que você encontra a morte esse pedaço é maior e um dia vai ser tão grande que você vai encontra-lo de uma vez por todas.

Virei a esquina em um movimento rápido e não olhei para ver se tinha alguém vindo o que me fez chocar contra um corpo frio, a pessoa tentou aliviar minha queda e meio que me abraçou fazendo um casulo em minha volta, o ser caiu de costas da calçada e protegeu minha cabeça em seu peitoral.

— Desculpa- eu disse rápido me soltando do abraço e me levantando.

Meu mundo parou, aqueles olhos negros me encaravam sem vida, seu rosto não tinha emoções, ele me encarava fixamente, sua pele pálida e cabelos negros tinham um contraste perfeito, ele era incrivelmente sexy.

— Tudo bem- ele disse com a voz rouca sexy o que me despertou e eu notei que eu estava sentada no colo dele o encarando.

Me levantei em um pulo e ele se levantou também e limpou as mãos na calça.

— Eu te conheço? — Perguntei ainda encarando aqueles olhos que me pareciam familiares de certo modo.

— Não, eu acho meio improvável, cheguei na cidade ontem.- disse ele passando a mão na nunca coçando a cabeça.

— Ah, sim- disse meio sem jeito. Pera eu estou sem jeito porquê? Sou Thalia Grace eu não fico sem jeito.

— Sabe aonde eu posso tomar um café sem correr o risco de descobrirem que eu fugi da escola? — Ele perguntou e eu sorri.

— Claro, te levo, vem- disse e comecei a caminhar em direção a uma das poucas cafeterias boas da cidade.

— Então não sei seu nome. — Disse depois de um tempo andando.

— Nico, Nico Di Ângelo. — Ele disse colocando a mão no bolso, ele parecia sem jeito e tímido.

— Thalia, Thalia Grace.- disse e ele sorriu.

— Thalia Grace, bonito nome! — Ele disse e eu me arrepiei ao ouvir meu nome sair de sua boca, era como se eu tivesse morta novamente.

— Então o que trais na cidade? — Perguntei e ele pareceu travar.

— E... Bem problemas familiares. — Ele disse sem jeito, como se não se sentisse à vontade para falar no assunto.

— Sei- disse e voltei a caminhar.

Ele não falou nada mais e eu também não puxei assunto, logo entrei na cafeteria local, apesar de ser uma das poucas decentes nenhum professor vinha aqui e a maiorias dos pais também não e se ele não conhece acho que os pais dele também não.

— Mora aqui a muito tempo? — Ele perguntou enquanto abria a porta para mim da cafeteira, e já que eu vim até aqui porque não tomar um café?

— Nasci e cresci aqui, mas eu e minha família viajamos muito então eu não enjoo. — Disse e ele riu.

— Imagino o quão deve ser difícil isso- ele disse e eu ri de leve.

— Você nem conhece a cidade e já enjoou? — Perguntei me sentando em uma mesa com ele.

— Acho que por não estar muito afim de vir aqui entende? Preferia que as coisas não tivessem mudado.- ele disse respirando fundo e uma mulher veio nos atender.

Depois do pedido anotado ficamos jogando conversa fora até que a porta foi aberta e Jackson e sua gangue entraram rindo.

— Olha não é a Grace? — Valdez perguntou ao Jackson olhando em minha direção.

— Pelo visto não perdeu tempo em Grace, não foi para escola hoje e já tá atacando o novato. — McLen disse e aquilo me irritou, ainda não entendia com Silena e Afrodite podiam ser irmãs daquela praga.

— Ciúmes McLen, não me surpreende nenhum pouco, gosta de manter a lista né, por mim pode ficar eu e ele não temos nada- disse apontando para o Nico que me olhou engraçado, como se quisesse perguntar se ele era uma mercadoria ou algo do tipo.

— Claro, você não conseguiria. — McLen disse agora se aproximando.

— Não foi para escola Grace?- Jackson, o garoto mais lerdo do mundo perguntou, porra esse foi um dos primeiros assuntos e ele vem me comentar isso agora?

— Não Jackson, não fui. — Disse cruzando os braços em baixo dos seios.

— Espero que não tenha sido nada grave.- ele disse se referindo ao “acidente” de hoje cedo.

— Porque? Foi você?- Perguntei e ele coçou a cabeça, sim tinha sido ele.

— Faço o necessário, regras são regras- ele disse e eu assenti.

O Jackson era o único que eu salvava naquela gangue dele, ele podia ser o líder, mas só abitava o posto por causa que seu pai era um dos Imortais, ele não tinha uma opção de não assumir, mas sabia que ele tinha feito grande parte do motivo de meu pai e o pai dele terem fechado o acordo, ele odiava nossa rixa.

— Vamos- Jackson disse para o grupinho dele e eles foram para outra mesa.

Antes que pergunte, não ninguém quebrou a regra da fronteira, o centro da cidade é território neutro, então temos um espaço aonde ambos os grupos podem abitar por um motivo obvio de que tem apenas uma escola na cidade e todos os dois grupos tem adolescente e crianças e como não dá para partir a escola ao meio, criamos o campo neutro e por isso sempre nos esbarrávamos por aí.

— Eu não sou mercadoria para você me oferecer para quem quiser Grace- Nico disse e eu ri.

— Eu sei, eu sei, mas não podia deixar aquela vaca ganhar essa, foi mal!- disse enquanto a atendente nos servia e tinha uma cara de medo.

A cidade inteira sabia da rixa entre as famílias era notável o clima sempre que nos encontrávamos, mas ninguém sabia o verdadeiro motivo, sempre que nos perguntavam porque nossos pais se odiavam a resposta era negócios e as pessoas simplesmente aceitavam e era bem melhor assim.

Tomei meu café com o Di Ângelo, quando uma garota do grupo dos Jackson chegou atrasada, Hazel, ela tem dezessete anos e entrou para o outro grupo por morar naquele lado da fronteira e querer entrar na caçada, talvez eu salvasse ela.

— Hazel tá atrasada de novo! — Frank disse olhando com ternura para namorada.

A irmã de Frank era do meu lado e ela amava o irmão, mas eu sabia se ela tivesse que escolher ela escolheria me salvar ao salvar ele.

—Eu...- Hazel começou a falar, mas olhou para minha mesa e seus olhos pararam no Di Ângelo e ela gritou do nada.

— NICOOO!!- Ela gritou e pulou em cima do garoto jogando o material dela para cima, garota doida? Sim, claro.

— Oi Hazel!- Ele disse abraçando ela também.

Frank não gostou nenhum pouco e pigarreou alto atrapalhando o abraço dos dois, ou melhor tentando atrapalhar, porque a Hazel ligou o foda-se.

— O que faz aqui? Pera? Como...? O..? Não...- Ela falava e se interrompia, chegava dar vontade de rir.

— Estou passando um tempo na cidade, mas hã, a gente conversa outra hora que tal?- perguntou e ela assentiu.

Frank não gostou nenhum pouco disso e veio até a Hazel e passou o braço em volta do ombro da mesma e encarou o Nico com raiva.

— Acho que o que você tem que dizer para minha namorada pode falar agora- Frank disse provavelmente querendo partir a cabeça do Nico ao meio.

— Namorada? — Nico perguntou não gostando nenhum pouco da palavra e encarando a Hazel que engoliu seco.

— Sim, namorada.- Frank disse e Nico levantou uma sobrancelha desconfiado.

— Você namora a quanto tempo? — Nico perguntou com raiva nítida na voz.

— Hã...- Hazel começou a responder sem jeito, mas Frank tomou a frente.

— E quem é você para querer satisfação da vida dele?- Ele perguntou e Nico se levantou irritado, a gangue dos Jackson também tinha levantado.

— Nico...- Hazel disse fraco.

— Tudo bem pequena, eu confio em você- ele disse e mandou um olhar para o Frank de quem não gostou nem um pouco.

— Eu te fiz uma pergunta- Frank disse aumentando o tom de voz e tirando o braço de volta da Hazel.

— Eu sei, não sou surdo.

— Então responda- Frank encarava Nico nos olhos, ambos tinham raiva pura e uma energia muito tensa se abitava na lanchonete.

— Não tenho que fazer nada que você peça.

— Se eu souber que você e a...- Frank começou, mas Nico o cortou rindo.

— Não faça ameaças que não vai poder cumprir- Nico disse agora sério e foi a Frank rir.

— Você não sabe com que tá se metendo garoto- Frank disse e Nico riu.

— Digo o mesmo!

Nico tirou uma nota e jogou na mesa e encarou a Hazel.

— Te vejo mais tarde, no mesmo horário.- Nico disse e quando ele ia passar pelo Frank, que não gostou nada da frase desviou de um soco no ar.

Nico desviou rapidamente do soco de Frank e segurou seu braço direito que estava do lado do seu rosto e o jogou com força contra a mesa que a minutos antes ele estava e a mesa se partiu e Frank foi com tudo no chão. Nico pisou no pescoço do Frank e apertou com força, ele estava claramente sem respirar e tentava puxar o pé dele, mas ele não parecia ter forças.

— Nico, não!- Hazel puxou o braço do Nico e o mesmo riu fraco e tirou o pé de cima do Frank.

— Tudo bem maninha, até mais!- Nico disse e depositou um beijo na testa da Hazel e saiu da lanchonete com aquelas palavras soltas no ar.

Maninha?

Notas finais
O que acharam?