Deadly Games
56 Longa história
Notas iniciais
POV- Annabeth
Entramos na casa branca e ela tinha com certeza um feitiço, pois ela possuía o triplo de seu tamanho na estrutura interior. Demos de cara com um grande hall de entrada aonde uma grande estatua da minha mãe estava exposta, certada por rosas de diversas cores, ela olhou em reprovação e passou reto pela estátua.
Seguimos até a sala aonde tinha uma enorme lareira com um grande quadro que tinha uma criança loira de seus dez anos, ao seu lado tinha a mulher que tinha me acusado na frente de todos de eu ser uma caçadora.
— Porque...? — Malcolm começou, mas ele ligou os pontos e eu também havia ligado.
— Nossa família...- Disse baixo- Ela é sua mãe?
— Infelizmente.- Minha mãe disse pegando um livro na estante.
— Tem mais alguma coisa que eu deva saber? — Perguntei levemente irritada.
— Muitas coisas.- Minha mãe disse séria.
— Tipo?
— Sentem-se, é uma longa história.
...
Uma xícara de café em mãos, a lareira acessa e a única coisa que iluminava o cômodo, a casa devidamente protegida, minha mãe se sentou em uma poltrona, a postura devidamente ajeitada e suspirou começando a história.
— Podemos dizer que a história que vocês conhecem é bem diferente da verdadeira, eu tinha dezessete anos na época, a caçada estava descontrolada, as bruxas não sabiam nada sobre os caçadores, não que saibam muito mais atualmente, porém a ideia de ter que fugir de pessoas era horrenda, uma bruxa havia nos amaldiçoados com esse fardo. Eu era uma bruxa prodígio, a primeira a conseguir fazer todos os feitiços sem ainda ser formada, eu tinha potencial, minha mãe me via como uma líder nata, deveria assumir o concelho das bruxas e eu concordava, eu queria impressiona-la, odiava tanto os caçadores como todas aquelas bruxas que lá fora estão, mas uma reunião mudou tudo, o conselho no qual eu fazia parte decidiu que era hora de mandar alguém para interferir, alguém que pudesse se aproximar dos caçadores, eu me ofereci, queria impressionar minha mãe e qual a melhor maneira de fazer isso do que eu mesma matando os caçadores que nos atormentavam?
Minha mãe bebeu um gole do café como se as coisas só fossem piorar daquele ponto, e sabia que era verdade.
— Ela disse que eu não era capaz, teria que ser usada, iria assumir como uma mulher frágil, algo que eu claramente não era, principalmente pelo fato de mulheres não serem aceitas na caçada, mas ainda mais marcante para ela, eu teria que quebrar os planos dela, eu tinha um noivo, uma vida planejada para seguir a linhagem perfeita dela e isso faria com que eu tivesse que quebra-la, mas eu teimei, disse que era capaz e ela falou que apenas a líder do conselho deveria enfrentar tal poder, então desafiei Morgana a tal líder, ela era mais velha e mais experiente, porém ganhei sem problemas e sai daqui indo em direção a cidade, fui ao lado oposto na qual meu corpo me chamava, tinha que criar uma vida e principalmente queria estudar o mundo humano.
— Foi assim que conheceu meu pai? — Perguntei e ela assentiu sorrindo.
— Qual o melhor jeito de conhecer a humanidade do que com a história? Confesso que me esqueci da minha missão por tempo demais, me apaixonei por seu pai e me casei, eu não tinha mais os problemas de antes, a morte não me ameaçava mais, então fiquei grávida e seu pai sugeriu que saíssemos de Nova Iorque, aceitei sem problemas e tudo piorou, a minha gravidez se tornou de risco, seu pai não parava em casa, pois tinha que trabalhar para me sustentar, já que eu era obrigada a ficar completamente de repouso, pensei em voltar para o complexo no qual não tinha notícias a anos e a culpa me veio.
— Então eu nasci.- Disse e minha mãe assentiu.
— Nasceu saudável, mas seu pai foi morto dias depois o que me arrasou, pensei em desistir, pensei em até mesmo te colocar para a adoção e me matar, mas era mais forte que isso, comecei a trabalhar e te deixar com uma babá e foi em um dia depois do trabalho quando percorria o caminho já decorado até minha casa, conheci Poseidon, ele estava bebendo encostado em uma moto quando fiz o óbvio, falei que não devia beber e dirigir depois.
Malcolm riu por impulso e pressionou os lábios um contra o outro logo em seguida se repreendendo.
— Ele teve essa mesma reação e sugeriu que eu o levasse para minha casa, eu era bem inocente na época e foi o que eu fiz, claramente ele veio com segundas intensões e eu bati nele ele pediu desculpas e apagou no sofá, no dia seguinte ele estava sóbrio e não lembrava de quase nada da noite anterior, eu estava com você no colo quando ele acordou perdido, ele me contou que tinha uma mulher grávida de um menino e tinha chances do garoto não nascer e que por esse motivo estava bebendo.
— O Percy- Disse e ela sorriu.
— Ele passou o dia lá em casa me ajudando a cuidar de você, conversamos sobre diversas coisas e ele voltou, voltava todo dia de noite, dizia que o mundo era perigoso demais para eu ficar sozinha com um bebê em casa, porém agora ele sempre voltava sóbrio até que o filho dele finalmente nasceu o que fez com que ele parasse de vir com tanta frequência e foi tempo de eu conhecer Zeus, que tinha gêmeos e estava a pessoa mais feliz do mundo, acreditem ou não ele não era tão chato com tudo, não usava aquele terno típico, na verdade era mais para uma jaqueta de couro e andava de moto para cima e para baixo.
Ri do comentário, afinal nunca imaginei minha mãe chamando Zeus de chato, muito menos ele não sendo chato e se vestindo de tal modo.
— Então tudo começou a desandar mais ainda, a guerra entre Zeus e Poseidon ficou mais intensa até que eu acabei descobrindo da rixa dos dois o que fez que as coisas se complicassem, eu ia contar a Zeus que conhecia Poseidon quando fui atacada, Poseidon me defendeu, porém ele foi ferido, raciocinei por impulso e defendi-o, usei meus poderes para salva-lo sem saber que ele era imortal, ele não conseguiu olhar no meu rosto, levantou machucado e saiu andando enquanto seus ferimentos se curavam e eu notei que tinha acabado de me entregar. Corri para casa e ia arrumar as coisas para fugir, mas Poseidon estava lá, a babá tinha ido embora e ele tinha você no colo e mandou que eu sentasse para conversar e foi o que eu fiz, ele me questionou e eu respondi sincera, não desviei nem um momento meu olhar de você, qualquer movimento era arriscado demais, duvidava que ele tivesse coragem de machucar um bebê, eu o conhecia, mas também conhecia as histórias.
— Ele tentou algo?- Malcolm perguntou com nojo na voz.
— Não, ele apenas ficou brincando com a Anne, ele acalmava ela, era quase como se eles tivessem uma ligação, ele disse que não iria contar, iria me proteger, não deixaria que eu fosse morta, mas isso seria perigoso demais, se a bruxa que deu a imortalidade a ele descobrisse seria muito arriscado, ele afinal não duvidava que ela estivesse viva, pois ela tinha dado a imortalidade a ele e Zeus, porque não se tornaria imortal? Alguém com o controle da vida e da morte seria tão burra a ponto de deixar seu corpo falecer lentamente? Ou seria esperta o suficiente para deixar que a morte lhe agraciasse com a paz?
Bebi um gole do meu café vendo minha mãe ficar tensa com a história.
— Então eu resolvi fingir que não sabia nada da caçada, Poseidon começou a ficar mais próximo de mim e eu me afastei mais de Zeus, afinal ele também não poderia descobrir que eu sou uma bruxa, então Poseidon e eu começamos a namorar, nada que venha ao caso agora...
— Ele é o pai do Malcolm? – Perguntei surpresa, minha mãe assentiu e eu olhei para meu irmão.
Malcolm estava paralisado, mesmo que o tivéssemos mantido ele longe da caçada por todo esse tempo ele sabia da rixa, e sabia de muitas outras coisas, ele não era cego.
Malcolm abaixou os olhos e respirou fundo, era estranho pensar no meu irmão como filho de Poseidon, ele era irmão do Percy, o garoto que eu estava ou estou ficando, não sei.
— Continue a história mãe.- Malcolm pediu e minha mãe assentiu.
— Depois que fiquei grávida de Malcolm, Zeus começou a me questionar quem era o pai, ele voltou a minha vida como se nunca tivesse saído, obrigando Poseidon a sair da minha e seguir em frente, ele voltou com a esposa, mãe do Perseu, sem ao menos me dar satisfação o que me deixou bem irritada na época, mas então a bruxa voltou, mesmo que por um milésimo de segundo, Zeus tinha acabado de mandar sua esposa fugir para que ela não fosse morta e os gêmeos tinham sido amaldiçoados e o resto da história você já conhece.
— Você se juntou a Zeus e começou a trabalhar na caçada me criando para isso e deixando que as coisas seguissem a seu tempo, nunca mais falando com Poseidon e a rixa entre os dois ficou cada vez mais intensa.
Minha mãe assentiu e seus olhos desviaram em direção a porta, sua expressão era vazia e eu não sabia muito bem o que esperar, eu não sabia em que acreditar, tudo parecia uma grande mentira.
— O que a gente vai fazer? — Perguntei vendo minha mãe se levantar.- Vou ao conselho hoje à tarde, eu quero que se cuidem, fiquem dentro de casa que estarão protegidos.
Assenti e vi minha mãe sair, olhei Malcolm ele estava assustado, mas então o obvio me veio, ele era um dos imortais, não tinha o que temer, não por sua vida pelo menos.
— Malcolm, você deveria ser imortal, como se machucou? — Perguntei e ele deu de ombros.
— Não sou como o Percy, Thalia ou o Jason, não consigo me curar. — Assenti tentando buscar uma teoria lógica.
Já tinha visto Malcolm ficar doente, ele era normal, se machucava e não se curava de uma hora para outra, ele pegava gripes, virose e vírus, ele não tinha o condicionamento perfeito e não servia muito bem para o treinamento rápido, detalhes que eu já tinha notado em todos os imortais, mas ele era filho de Poseidon, como ele não era igual ao Percy?
Encarei o rosto de Malcolm e eu não via a semelhança, seus olhos eram azuis acinzentados um pouco mais claro do que os meus, seu cabelo loiro estava desgrenhado precisando de um corte, seu corpo era magro e sua pele branca devido à falta de sol, ele não tinha um simples traço que fizesse eu olhar ele e lembrar dos Jackson.
Meu irmão se levantou e caminhou até a estante pegando um livro escolhido a dedo e voltando a se sentar no sofá começando a ler o mesmo. Respirei fundo e me levantei pegando as xícaras e indo lava-las.
A cozinha era simples, toda em tonalidade branca e mármore, lavei o que tinha que lavar e me sentei no balcão da pia, fechando os olhos e deixando que minha perna balançasse para frente e para trás, queria que minha vida voltasse ao normal, mas também sabia que era bom ter a vida assim, afinal eu vivia uma mentira, só não sabia disso e agora eu sei.
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