Deadly Games
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POV- Thalia
Faziam exatas duas semanas desde que tínhamos tido a conversa com meu pai e Zeus, ambos tinham nos aceitado de volta e feito um acordo, apesar de acharmos que temporário para manter a paz e talvez uma amizade, as coisas tem melhorado bastante, estava deitada na cama do Nico mexendo no celular enquanto o dono estava no banho.
— Thalia.- Nico saiu do banho com a toalha enrolada na cintura e eu o olhei da cabeça aos pés, tarada? Só um pouco.
Ele me tacou um sutiã e eu olhei a peça surpresa e agora as coisas começaram a fazer sentido, agora entendo porque não estava achando aquela roupa e estava sendo obrigada a ficar sem o mesmo, não que isso me incomodasse.
— Aonde achou? — Perguntei e ele riu.
— Atrais do vaso sanitário.- Ele disse e eu olhei confusa, como alguém, vulgo eu, perdeu o sutiã atrás do vaso sanitário.
Nico caminhou até o armário pegando a roupa de dentro e se trocando na minha frente mesmo em uma tortura lenta por eu ter preguiça demais para levantar e o atacar sexualmente. Devidamente vestido Nico caminhou em minha direção e se sentou ao lado dos meus pés na cama e apoiou o braço em meus joelhos que estavam dobrados.
— O que quer fazer? — Perguntou Nico provavelmente entediado com a vida.
— Eu querer não quero não, mas tenho que passar em casa para pegar roupa.- Disse e ele assentiu me puxando para fora da cama.
Me pendurei no colo do mesmo que riu e desceu comigo e me levou em suas costas até seu carro. Apesar de meu pai e Poseidon terem desconsiderado nossa traição não me sentia livre o suficiente para voltar a morar com meu pai novamente, sem falar que realmente preferia morar sozinha, ou melhor com o Percy, do que com o meu pai e aquele povo todo, sem falar que era bem mais prático já que eu brigava bem menos com o moreno do que com o meu pai.
Não demorou muito chegamos na grande casa que um dia me pertenceu e eu puxei Nico porta a dentro. Por incrível que pareça não encontrei ninguém na cozinha então fui direto para o quarto mais distante, cujo o tal me pertencia e entrei no mesmo.
Subi a pequena escada de quatro degraus e dava para um quarto com piso branco e uma parede preta com as outras em tom de roxo claro, uma porta de vidro dava para uma pequena varanda que estendia para a parte de trais da casa, um guarda-roupa enorme cobria uma parede inteira e uma pequena porta abitava a parede que estava repleta de pôsteres de bandas de rock.
— Bonito quarto! — Nico disse e eu sorri e fui em direção ao guarda-roupa.
— Não vamos demorar muito.- Disse abrindo e notei que tinham mexido no mesmo, pois uma caixa de trecos que eu tinha caiu assim que eu abri a porta, espalhando tralha para tudo que lado.
Odiava simplesmente que mexessem nas minhas coisas, principalmente nas que eu me importava, provavelmente tinha sido uma tentativa falha de meu pai de encontrar algum vestígio da traição, alguma coisa que indicassem meus pensamentos e motivos para me juntar com o Percy, quando na verdade não tinha nada, já que não era realmente um motivo escrito ou alguma indireta transcrita e sim os seus conjuntos de ações que me frustravam cada vez mais.
Nico se abaixou ao meu lado e me ajudou a catar as coisas, ele pegou umas fotos que eu tinha pego escondida do meu pai, já que ele tentava evitar ao máximo ao passado, a grande maioria não tinha significado nenhum para mim, mas algumas sim, algumas lembravam da minha infância, momentos felizes em que não existia maldição, a profecia não me importava e eu era inocente, inocente ao ponto de não acreditar em monstros e não temer os mortos, muito menos os vivos, já que a maioria das vezes eles são os grandes vilões, seres cruéis que apenas se importam com o poder e querem ser mais fortes não se importando quem sofra ou pior morra no caminho.
Nico sorriu de leve ao ver as fotos de uma das épocas boas de minha vida, não que eu não ache minha vida, mas talvez ela pudesse ser melhor e mais simples.
— Essa é você? — Ele perguntou e eu assenti olhando a foto.
Era eu e meu irmão Jason sentados na cama, Anne estava em pé na frente da mesma e meu pai olhava a gente com uma cara engraçada, talvez como se aquele fosse o maior desafio dele até então.
Nico olhou a outra foto e era uma da minha mãe, uma das poucas que eu tinha encontrado, ela estava sentada ao lado do meu pai em um banco de pedra, a próxima era uma foto minha com a Anne brincando na praça.
A próxima era uma foto mais antiga, amassada devido ao tempo e talvez por causa de uma tentativa de jogar fora uma foto de uma pessoa que causou tanta dor. Como eu tinha simplesmente pego todas as fotos do meu pai nunca me importei em ter a foto daquela mulher, a mulher que seduziu meu pai e Poseidon e preferiu a morte em vez dos dois.
Nico olhava a foto pasmo, ele piscou algumas vezes e disse com a voz confusa.
— Essa é minha mãe, porque você tem uma foto dela?
Fiquei boquiaberta com as suas palavras e eu então notei o quanto eu tinha repetido a mesma frase, a frase escrita em seu bilhete de suicídio e o quanto eu não pensei na reposta, eu tinha que fazer a escolha e eu seria a mulher que escolheu a morte em vez de Zeus e Poseidon, e como agora isso fazia mais sentido do que deveria, a morte era uma pessoa, pai do Nico, da Bianca e da Hazel e quando ela escolheu a morte não escolheu deixar sua vida e sim começar outra.
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