Deadly Games
40 Estranho
Notas iniciais
POV- Thalia
Faziam exatos dois dias que os monstros tinham sido soltos, a cidade estava um caos desde então a quarentena tinha sido instalada, a cidade tinha toque de recolher que era as cinco da tarde, pessoas tinham sal e cruz na porta de casa, também desenhavam pentagramas em suas portas, mas isso não protegia de tudo.
Caminhava ao lado do Percy, as armas em mãos, já tinha passado o toque de recolher e o medo estava implantado, a cidade estava completamente em silencio, ninguém ousava colocar uma música para tocar, todos queriam ouvir todo e qualquer barulho diferente que chamasse a atenção que pudesse significar alerta.
— Tem alguma teoria? – Percy perguntou enquanto andávamos em uma rua que em dias comuns costumava ser movimentada.
— Não. – Menti, sabia muito bem o que tinha acontecido, mas era arriscado demais falar, não até fazer uma escolha pelo menos.
— Algum relatório? — Valdez perguntou chegando ao lado de La Rue, ambos olhando para o Percy, que apesar de ter sido considerado um traidor ainda era melhor do que eu.
— Nenhuma movimentação estranha, e vocês? — Percy perguntou e foi então que eu senti algo estranho.
Virei olhando para ver o que tinha atrás de mim, porém estava tudo extremamente deserto, como desde que tudo começou, mas era uma sensação estranha, meu corpo estava elétrico.
Olhei automaticamente para o poste e ele parecia querer entrar em curto com a fiação fazendo um barulho baixo, algo que normalmente eu ignoraria, assim como todos estava ignorado nesse exato momento. Segui o meu olhar pela fiação até que lá em cima vi uma pequena caixa preta que não tinha notado.
Comecei a olhar os postes e notei que todos a tinham, o que era extremamente estranho.
— O que foi Thals? — Percy perguntou me acordando.
— Me ajuda.- Pedi e comecei a andar em direção ao poste.
— Com? — Ele perguntou me seguindo.
— Me da sua blusa.- Pedi e ele a tirou sem questionar e me entregou.
Rasguei a mesma no meio e puxei o Percy o abaixando, para que pudesse subir em cima do seu ombro, ele pareceu entender o que eu queria fazer e me ajudou a sumir, depois passei a blusa em volta do poste e comecei a usar a mesma para tentar subir, demorei um tempo porém consegui chegar ao meu destino.
Estava de volta ao chão e agora os três meninos estavam em volta de mim olhando a caixa em minha mão, abri a mesma e logo vi que era um saco de bruxa.
Sacos de bruxa são horrendos, apesar de apenas bruxas praticantes da magia negra as usarem era incrivelmente comum de se achar, elas são formas práticas de se ter um feitiço de morte ou de grande escala, o próprio saco é feito de pele de criança seca, tem ossos de galinha, cabelo, dente, unha, sangue, tudo isso e mais algumas palavras ditas em um certo dia e temos um feitiço poderoso.
— Se todas as caixas dos postes forem isso, significa que temos uma bruxa incrivelmente poderosa agindo por aqui.- Valdez disse e eu assenti pegando o saco e o Valdez o isqueiro e ele o queimou.
...
Chegamos em casa em torno de cinco e meia da madrugada, era estranho agora que todos tinham sido obrigados a trabalhar juntos que ainda éramos considerados traidores. Subi para o meu quarto que eu dividia com o Percy, como não nos preocupávamos em decorar ele consistia em duas camas de solteiro em lados opostos.
Deitei na minha cama e senti meu corpo relaxando um pouco em dias, apesar de eu saber quem tinha soltado isso não me tranquilizava, para falar ao contrário, me deixava mais nervosa, saber que era um ser invencível com poderes que eu não tenho nem noção que quer especificamente me matar e a todos que eu amo para me atingir.
Acabei adormecendo com a roupa da caçada mesmo, não me dei ao trabalho de me trocar estava exausta e apenas queria dormir, não sonhei e parecia que eu não tinha dormido, minha cabeça estava vagando em coisas demais enquanto eu estava acordada.
Acordei com a porta sendo aberta e o Percy entrando de toalha no quarto, ele foi direto para as roupas que ele tinha comprado a pouco tempo já que ele não teve a oportunidade de pegar as suas próprias roupas em casa.
— O que foi? — Perguntei notando que o mesmo estava pensativo.
— É que a Anne me falou que o irmão dela tinha se machucado e ele parecia bem ontem.- Disse ele dando de ombros.- Só achei estranho isso.
— Eu não soube que ele tinha se machucado.- Disse me levantando e pegando uma roupa para ir tomar banho.
— Foi no dia em que você saiu com o Nico para ir ao cinema.- Ele disse se virando para mim passando a mão no cabelo molhado.
Percy era bonito, ele tinha a pele bronzeada e cabelos negros e olhos verdes que chamavam a atenção e ele tinha um corpo bonito, definido, mas nada exagerado.
— Estranho ela não ter comentado nada, sei lá.- Disse e realmente era estranho, não via motivo para ela não me contar que o irmão dela se machucou.
— Sim também acho.- Ele disse me olhando pensativo e até mesmo preocupado.
— Sei lá, depois eu vou conversar com ele, talvez a mãe dela tenha exagerado com o machucado, ou ela entendeu errado e eu pensei que fosse algo realmente grande.
— Sim, mas porque acho que você não está pensando assim? — Perguntei e ele respirou fundo.
— O machucado da Anne, da facada, está completamente curado, cicatrizado, fico feliz que ela esteja bem, mas isso não faz sentido.
— Realmente não faz.
A Anne era humana, não deveria conseguir se curar de algo tão facilmente como um ferimento profundo como uma facada que ela levou, era realmente bem estranho tudo isso, mas ela era minha melhor amiga, não mentiria para mim.
Você está mentindo para todos, minha consciência falou e isso realmente foi como um tapa na cara, pois realmente estava me sentindo uma mentirosa.
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