Notas iniciais
Boa leitura

Sexta-Feira, oito horas da noite.
Inazuma, Japão.

PAVEL

— Então quer dizer que Sloth é o Victor, Greed é impostor e você se encontra com ele escondido ate de mim para saber informações? — disse Violetta ao terminar de escutar a explicação de Pavel e Greed.

Eles estavam dentro da garagem abandonada que sempre ficavam com Sloth e Greed. Pavel acabou chamando a mãe por não saber muito o que fazer, sem falar que ela poderia ajudar mais que o mesmo. Era o tipo de “Mal necessário” naquele momento.

— Isso mesmo. — disse Greed.

— Eu sou Victor. — disse Sloth vendo um álbum com algumas fotos dos Salazar com os Morozov. Ele alisou o que seria ele criança brincando com Dimitri. — Victor Hugo Salazar?

— Faz sentido agora Enzo ter colocado o nome Pierre Myriel. — disse Pavel calmamente. — Pierre é um nome de um personagem de “O Corcunda de Notre-Dame”, e Myriel é o sobrenome de um personagem de “Os Miseráveis”.

— São livros do mesmo autor, Victor Hugo. — disse Sloth, e logo colocando a mão na cabeça como se estivesse com dor. — Eu acho.

— Você lembra de mais nada? Benjamin, Yuume… — Sloth parecia com dor de cabeça a cada palavra sobre seu passado.

— Eu não me lembro de muita coisa. — comentou. — Me lembro de estar lendo para uma criança um livro de Lewis Carrol, “Alice no País das Maravilhas”, e ela aparentava gostar. Também me lembro de estar dançando abraçado a uma garota enquanto tocava uma música.

Ele parou um pouco, cantarolando baixinho a melodia da música. Pav fez silêncio para tentar se lembrar de alguma música naquela melodia e pensou um pouco.

— Oh, Why you look so sad? Tears are in your eyes. Come on and come to me now. — disse Pavel baixinho. — I’ll Stand By You, do The Pretenders.

— Eu estava pensando em outra coisa no dia, algo que parecia me deixar assustado com tudo. Mas a menina estava tão feliz que eu aparentava esquecer daquilo toda vez que a olhava. Parecia algo novo para mim, muito mesmo. — ele comentou.

Pavel sorriu de leve.

— É bom gostar de alguém. Seria tão fofo dançar com a pessoa que ama e a beijar no final da dança. — disse sorrindo e parou, ficando meio envergonhado. — Eu acho que falei algo muito gay nesse exato momento.

— Falou. Mas não se preocupe, existe o Jake. — disse Violetta, deixando Pavel um pouco envergonhado.

Ok, ele ficou envergonhado, muito para dizer a verdade. Seu rosto tinha ficado vermelho e talvez todos devem ter percebido mesmo com a pouca claridade do local, por conta que era apenas um pequeno abajur. Deu uma risada nervosa e passou a mão no cabelo, descontraído.

Pavel tinha acabado de perceber que tinha algo entre ele e Jake que não sabia exatamente como definir. Eles ficavam conversando, e então riam e acabavam por ficarem se encarando por um bom tempo até alguém quebrar o gelo.

Mas essa manhã foi bem diferente do costume de conversa entre ambos. Somente de pensar aquilo o fazia ficar sem jeito.

— Faremos assim… — Violetta disse e Pavel saiu de seus devaneios. — Vocês voltam para Takuya e fazem de conta que nada disso aconteceu. Eu irei os ajudar e dar um jeito de você se lembrar de quem era, e o Pavel continua vindo se encontrar com o Greed para detalhes e coisas assim.

Ela respirou fundo.

— E ninguém saberá disso, Pavel. Você não pode contar a ninguém. — disse Violetta o olhando de modo assustador.

Pavel respirou fundo e aceitou, afirmando com a cabeça. Ia ser complicado carregar um segredo daqueles, mas ao olhar Victor totalmente perdido no assunto entre ele e Violetta sobre esconder de todos, talvez se perguntando se ele conhecia esse “todo”, ele colocou em mente que o mesmo precisava de ajuda.

O garoto que uma vez foi atrás dele quando foi sequestrado, o que o ensinou a não ficar chorando por qualquer pessoa e que fazia terapia semanal com ele com a mesma psicóloga. Ele estava precisando de ajuda, tinha que ser ele novamente, e assim ia ajudar.

Eles olharam Greed, que fez linguagem de sinal.

— Só espero que ele se lembre de tudo. Vai que ele tinha algo importante para fazer quando ele morreu? — disse Violetta traduzindo o que ele falava a Victor, ou Sloth. Nesse momento ele não sabia o que o chamar.

— Oh, sim. Espero que não. — Sloth disse com uma cara seria que dava certo arrepio na espinha. — Eu odeio trabalho incompleto, por isso gosto de fazer tudo sozinho. Quando o trabalho é incompleto, da uma grande vontade de matar alguém.

Pavel sorriu forçado e olhou a mãe, que parecia imaginar o motivo de Ygor ter o colocado como líder do Jester.

Os vampiros saíram primeiro e depois Pavel e Violetta após se despedirem. A mãe do garoto o deu a mão para atravessar a rua, talvez porque todos acreditam que o Pavel é estabanado, o que ele tem que admitir que talvez seja.

— Ah, Nikolai disse que amanhã ele não pode almoçar com você já que a prima dele vai o visitar e, bem, é talvez o único dia que ela poderá o ver nessa última semana de intercâmbio para o Japão. — disse Violetta, olhando para frente. Pavel também olhou e fez bico.

— Droga, ele ia me ensinar a fazer aquela receita da família dele. — disse Pavel. — Então vou comer em casa, eu acho.

— Na realidade… — Violetta sorriu parecendo vitoriosa. — Você, amanhã, vai para um passeio que planejei para os grupos novos. Vocês vão para uma casa na maior praia de Inazuma. Avisei aos líderes hoje e ela mandou o torpedo para você, que estava aqui com os vampiros e tentando pensar se me conta ou não.

— Espera. — disse Pavel. — Você quer dizer que Harlequin, Colombine e Pierrot? Juntos? E o Nikolai não vai?

A mãe do albino afirmou sobre a primeira e segunda pergunta.

— Ele vai, só que à tarde. Niko se encontra com vocês no local. É um presente de boas vindas. — disse a azulada. — Sem falar que amanha a Mey sairá do médico, por mais que ela tem que ficar em repouso. Tem seus limites, mas ela pode ir.

— E o Yukimura?

Violetta fez bico, como se não se lembrasse de quem ele era. Logo fez gesto para deixar para lá e sorriu.

— Quando ele voltar eu arrumo algo para fazerem. — disse Violetta. — Tem que ir dormir amanhã. Você e sua irmã vão se encontrar com eles as nove e meia.

Ambos riram e foram a caminho de casa. Ele apenas pensava em comer, tomar banho e dormir, mas o último não foi feito. Afinal, passou a noite acordando de duas em duas horas pensando em como iria esconder isso de todos.

Principalmente de Benjamin.

***

Sábado, nove e meia.
Inazuma, Japão.

JAKE

Ele se sentou na janela do mini-ônibus que Violetta mandou para buscar os membros do Commedia dell'Arte e os levarem até a praia, que aparentemente ficava um pouco longe de onde estavam.

Ele viu colocarem as malas em um porta malas lateral do ônibus e se sentou melhor, se ajeitando e inclinando um pouco a cadeira. Viu a sua irmã se sentar mais no fundo junto aos membros do Pierrot. As pessoas iam entrando e Jake parecia estar a procura de uma pessoa para se sentar do seu lado…

Não que ele ligasse, mas até que seria uma ótima ideia Pavel se sentar ao seu lado, não? Ele poderia sentar com Valdir também, mas talvez ele gostaria de desgrudar um pouco do melhor amigo.

— Posso me sentar aqui? — disse Matatagi, um membro do Colombine. Jake deu um soco no banco do lado do seu e deu um olhar mortal ao garoto, que entendeu o recado e foi sentar mais para trás.

Ele gostava do Pavel, e isso não estava nos seus planos quando decidiu voltar a tentar restaurar a suas memórias, ou começar novas como um amigo que ele podia confiar. Foi a um tempo que ele gostava do mesmo, mas apenas percebeu na manhã de sexta-feira, na qual ele quase beijou Pavel em um momento perfeito, em uma iluminação perfeita e parecendo aqueles filmes que adolescentes vêem quando terminam o namoro, no qual são bem românticos.

Se não fosse, claro, pelo o Nikolai, que atacou uma bola de futebol americano na sua cara. Se foi de propósito ou por ser ruim mesmo em esportes, Jake não sabe, mas aquilo deu uma grande vontade de socar o garoto?

Claro que não. Apenas queria pegar uma serra elétrica e cortar a cabeça do garoto.

Até que aquela cena da cabeça de Nikolai decapitada era uma coisa bem agradável já que estava com um grande rancor do mesmo, só que ao voltar a realidade, ele viu Pavel o olhando assustado.

— O que foi?

— Você estava parecendo a Irene quando tem um plano maligno. Ou o Dimitri quando faz algo muito psicopata ao lado do seu amigo, Yvo. — ele disse com um leve sotaque, o que o fez ficar sem entender algumas palavras, mas dava para compreender o que ele dizia.

— Yvo? Quem é Yvo? — perguntou e balançou a cabeça, tirando a mão do banco e o albino se sentou do lado dele. Jake observou Valdir se sentar ao lado de Giulia na frente deles, aparentemente eles estavam conversando sobre missões.

— O melhor amigo de Dimitri, Yvo Ivazov. — disse sorrindo. — Ele é primo do Valdir, é um garoto bem gentil e meio lerdo. Mas quem sou eu para julgar.

— Bem, então é verdade que todo Morozov tem um Ivazov. — Pavel pensou um pouco e concordou.

— Até mesmo a Irene. O melhor amigo dela é o Yuli, irmão do Yvo e primo do Valdir. Ele é meio pirado da cabeça, mas é legal. — disse ffazendo gestos. — Mas o estranho é que quase todo Morozov tem um White, por mais que se impliquem. Eu tenho você, por exemplo! — o russo sorriu.

Jake imaginou o dando um beijo naquele momento, mas o ônibus começou a se mexer e isso não rolou.

— A Irene tem a Samantha. — ele disse e Pavel caiu na risada, o fazendo rir. — Ok, isso foi muita viagem nossa.

— Dimitri tem o Ross, Ivan tem a Scarlett e o Yuri tem o Mike.— disse Pavel sorrindo e estendendo a mão para fazerem um rápido “toca aqui” o que Jake fez. — E bem, eu também tenho o Nikolai… Ele não é Ivazov, mas é um dos meus melhores amigos.

Jake respirou fundo e se lembrou da imagem dele cortando a cabeça de Nikolai, o que o fez sorrir de modo psicótico novamente. Ele percebeu que Pavel se afastou um pouco enquanto colocava os fones de ouvido, o que o fez o puxar para mais perto e parar de sorrir daquele jeito.

— Você melhorou da bolada que ganhou do Niko? — perguntou Pavel coçando os olhos e apoiado-se em seu braço, como se estivesse o usando como encosto. Jake ia se mexer para o afastar, mas viu que o menino já tinha se aconchegado, então ficou parado.

Jake sorriu.

— Ele mataria um se arremessasse assim em um jogo. — disse o loiro, fazendo o albino sorrir e rir. — Ele vem?

— Sim. — sorriu. — Mas ele não vai trazer nenhuma bola de futebol americano para jogar na sua casa.

Jake riu forçado e bagunçou o cabelo do garoto, olhando rapidamente a janela. Viu, em seu reflexo, Pavel fechando os olhos aos poucos.

— Jake, eu posso dormir um pouco assim? Não consegui dormir a noite, e você é confortável. — Pav falou sonolento, parecendo uma criança.

— Espero que não me esteja chamando de confortável por ser gordo. E olha que nem sou. — ele comentou, fazendo carinho na cabeça do albino. — Durma um pouco, eu não me importo.

Pavel se remexeu e fechou os olhos, então Jake ficou em uma posição mais confortável para ambos. Logo, o albino estava dormindo enquanto Jake o olhava de vez em quando, disfarçando.

***

Sábado, onze horas.
Inazuma, Japão.


MEY YURI

Mey desceu do ônibus sem fazer muito esforço e olhou a vista. A praia era tão linda que ela não reparou que Samantha a pediu para segurar a sua blusa e correu ao mar, tacando-a o short no meio do caminho. A garota estava de biquíni, e parecia tão feliz ao ver aquilo.

— Achei que a Giulia estava exagerando quando disse que provavelmente os White são ratos de praia. — disse Lisa ao lado dela, tirando o vestido que tinha o biquíni por baixo.

— Bem, ela passou a vida dela inteira em um país com praias ótimas. — disse Yuuna se referindo à Austrália.

Ela olhou Irene saindo do ônibus parecendo uma vampira e começar a andar para a casa, com óculos de sol. Atrás dela vinha um Benjamin incomodado com a luz.

— Não vão para a praia? — perguntou Lisa.

Os líderes a olharam e depois a praia.

— Vou colocar as malas aqui dentro e já venho.

— Eu vou apenas colocar o meu biquíni, não vão morrer se ficarem sem nós dois por alguns minutos. — disse e Mey pode ver alguns garotos pararem de pegar as malas e a olharem. — Idiotas.

Mey viu Irene entrar junto a Benjamin e foi ao lado de Giulia se sentar em cima de uma toalha de praia e ficar em baixo de um guarda sol. Ela se ajeitou, se sentando de modo que não a incomodasse muito e olhou Giulia.

— Não vai?

— Eu estou bem aqui.

Ela olhou para frente no momento que Jake passou do seu lado, atacando a sua camisa para Giulia e pegando um garoto e o colocando em seu ombro, parecendo que ia o tacar no mar. Mey logo identificou que era Pavel, o que a fez arquear a sobrancelha.

— Esses dois… — disse Giulia rindo ao escutar os gritos do Pavel.

Jake colocou Pavel no chão, que tentou correr, mas logo o australiano o puxou e o tacou na água, acabando por ir junto.

— Idiota, o meu celular. — disse Pavel pegando o celular do bolso e entregando a pessoa conhecida mais próxima que não ia entrar na água. — Ainda bem que é a prova d'água. A minha tia me deu de Natal atrasado ontem.

Ele olhou Jake e ficou o empurrando, acabando que os dois caíram novamente na água. Logo Samantha pulou em cima de ambos também, e a única coisa que pode ser vista de Pavel foi à mão dele pedindo socorro.

— Ei, Mey. — disse uma voz masculina. Mey olhou para trás, vendo o ruivo Joshua se sentar ao seu lado. — Rosmery pediu o protetor solar para a Yuuna, mas ela tem que ir urgentemente ao banheiro por motivos bem Ally, eu acho que você me entende.

Mey pensou um pouco e logo se lembrou de Ally e o assunto mais comentado sobre a garota, mas decidiu deixar isso ao ar. Joshua se abaixou até ela e a entregou um protetor solar.

— Poderia a procurar? Eu estou cansado. Sem falar que ela foi para lá falar com um garoto, e eu não estou a fim de ser taxado como “quebra clima”. — disse Joshua apontando para a menina ao longe ao lado de Hikaru, um membro dos Colombine, e Mey pegou o protetor solar, se levantando.

Ela ia dar as costas ao mesmo, mas logo parou e o olhou. Era algo importante para a mesma que ela não poderia esquecer, afinal, no fundo ela tinha que colocar o nome da família no topo novamente.

Na realidade, isso é uma das coisas que ela mais quer. A sua família agora era apenas uma família quase extinta de caçadores, mas antes eles eram os melhores da Inglaterra.

— Já sabem o nome do vice-líder do Pierrot ou o cargo ainda está aberto? — perguntou ao mesmo, parecendo não ligar. Percebeu que Joshua tinha reparado que ela ligava para a resposta, por isso o mesmo riu.

— Já sabemos menos você, é claro. — disse Joshua. — É a Irene.

Ele se afastou e saiu andando, aparentemente indo pegar algo dentro de casa. Mey se segurou para não gritar, contou até dez e olhou Giulia, que apenas observava aquilo normalmente.

Mey queria ter sido a vice-líder, admitia isso de todo o coração. Ela apenas deu um breve sorriso a Giulia, que voltou a olhar para frente e foi na direção de Rosmery.

Ao chegar lá, viu Rosmery discutindo com Hikaru. Ele parecia não a escutar, enquanto a mesma tirava os sapatos para conseguir correr e tentar o alcançar. Eles realmente pareciam um casal bem irritado um com o outro, e ao invés de chamar Rosmery, Mey Yuri ficou atrás de uma árvore próxima e se escondeu deles, apenas para escutar a conversa.

— Me desculpe, eu me arrependo todo dia por isso. — disse Rosmery pegando o braço de Hikaru, que mexeu violentamente para a mesma soltar.

— Deveria pensar se ia se arrepender antes de mandar um bilhete escrito “Terminamos” e com suas iniciais. — disse Hikaru. — E nem foi uma carta, foi em um pedaço de papel qualquer e colocado dentro do meu armário.

— É complicado de explicar.

— Sério? Sério mesmo? Eu expliquei coisas horríveis sobre o meu tio para você, e me diz que é complicado? — perguntou Hikaru. Ele se acalmou e a olhou. — Tente explicar. Todo problema parece bobo ao ser explicado.

A garota o olhou e Hikaru cocou a cabeça.

— Peguei essa frase do Ivan, ele me disse isso uma vez. — comentou rindo, mas logo parou e a olhou, já sabendo o que ela ia falar.

Rosmery não falou nada, mas pode escutar uma voz. No final, era de outra garota que pulou nas costas do mesmo e que parecia uma modelo. Cabelos curtos e castanhos, uma pele pálida e olhos cor marrom avermelhado. Ela era um pouco mais alta que Hikaru, sendo assim bem mais alta que Rosmery.

— Olá, amor. — ela deu um beijo em sua bochecha e Hikaru sorriu, a segurando para não cair de suas costas.

Rosmery arregalou os olhos, parecendo surpresa.

— Ei, Vanilla. — disse Hikaru, sorrindo.

Ela desceu das costas do mesmo e deu um beijo nele. Rosmery pareceu bem incomodada naquele momento, imaginou que ela ia chorar, mas a mesma apenas mexeu no cabelo e sorriu.

— Oh, eu não sabia que se conheciam. — disse a tal Vanilla, parecendo conhecer Rosmery. — Vanilla, a irmã mais nova de Benjamin. Eu fui o visitar no aniversário dele do ano passado em Macao.

Rosmery e Mey logo se lembraram da garota, arregalando os olhos.

— Sim, nos conhecemos. Nós somos colegas. — disse Hikaru, alisando o cabelo da garota ao seu lado.

— Vocês são… — Mery parou no meio da frase.

— Sim, somos namorados.

Mey olhou Mery, que parecia estar meio assustada e mal com aquilo. Afastou-se um pouco, não deveria ter visto aquilo. Era apenas sair daquele local e eles não saberiam que ela os viu.

E foi quando tropeçou em si mesma e deixou o protetor solar cair no chão e fazer os três a olharem. Rosmery e Hikaru estavam bem irritados com ela, já Vanilla não sabia exatamente o que estava acontecendo.

— Oh, droga.

***

Sábado, onze da manhã.
Inazuma, Japão.

TAKUYA

Ele olhou Wrath através do espelho do quarto, que estava com os olhos inchados de tanto chorar.

— Então Greed é um impostor? — disse Enzo cruzando os braços, se sentando numa cadeira que tinha no quarto de Takuya. — Eu acho que ele andou tendo inveja de mim, não?

Lust deu um riso da fala de Pride e Alice socou o braço do loiro. Envy, sentado num canto, se deitou na cama e olhou a vampira.

— Como descobriu isso?

Takuya se virou e olhou Wrath, esperando ela responder. A garota limpou os olhos e correu até o de cabelos roxos, o abraçando. Todos ficaram olhando sem muita paciência e o Takuya sorriu.

— Responde. — disse Takuya calmamente.

Ela respirou fundo novamente e começou a falar.

— Eu fui atrás dele quando estava demorando a chegar, ia contar mais cedo, só que eles poderiam suspeitar que eu soubesse e poderiam tentar apagar a minha memória e eu não conseguir contar. Achei que eles estavam atrás de presas ou fazendo outra coisa, mas eu apenas os encontrei conversando com Pavel e Violetta. — Wrath disse se acalmando. — O pior é que Sloth estava sem máscara.

— Sloth ou Victor? — disse Gluttony, fazendo Pride e Envy fazerem cara de surpresos por ele saber.

— Esse aí é melhor que CSI. — brincou Enzo. Logo Lust começou a pedir um relatório do que tinha perdido porque não sabia nada disso e nem quem era Victor.

— Essa está meio atrasada nos episódios. — brincou Gluttony.

Takuya não ficou surpreso, na realidade fazia tempo que ele já suspeitava que Greed fosse impostor. Por mais que não estava muito ciente sobre Sloth, ele também não era bobo de deixar a sua guarda tão baixa assim.

— Eu já sabia sobre o Greed. O que devemos fazer é fingir que não sabemos, por mais que ele foi audacioso quando levou Sloth. — disse se separando de Wrath, cruzando os braços. — E o que eu mais odeio é gente que tenta me enganar.

— E você não vai deixar barato, certo? — Lust perguntou o que já sabia a resposta.

Takuya pegou um elástico velho e prendeu o cabelo, pensando um pouco. Escutou Enzo assobiar como se tivesse visto uma garota bonita e o chutou, como se mandasse se calar.

— Eu nunca deixo barato. — disse sorrindo de modo assustador. — Lust, liga para aquele idiota. E diga que o codinome dele é Saligia, ele sempre quis um.

— Mas a ligação é… Ok, nós pagamos com a sua mesada. — brincou Lust e ela foi fazer o que foi pedido em seu quarto, onde tinha o telefone particular dela.

— Ele vai ficar dizendo que já tinha lhe avisado e esfregar isso na sua cara. — comentou Enzo.

Takuya fez sinal que não tinha muita opção e saiu do quarto, andando até a sala onde estava Sloth deitado de olhos fechados. Já sabia o que fazer, era apenas chegar mais perto e aperfeiçoar tudo naquele exato momento.

Victor é um enorme guerreiro, mas no momento esse guerreiro está em um longo e pesado sono.

— Sloth, eu preciso falar com você. — disse e se sentou no sofá.

O garoto olhou Takuya e se sentou, perguntando baixo o que tinha acontecido. Logo o de cabelos roxos começou a hipnose com o de cabelo castanho escuro. Deu um sorriso e disse:

— Você se esquecerá de todas as coisas que você lembrou do passado. — disse com os olhos como os de um felino. Os olhos de Sloth dilataram. — E a partir de agora, toda vez que você chegar perto daquele no qual era mais ligada em suas memórias mais profundas e esquecida, você tentará o matar.

Sloth repetiu todas as coisas que ele falou na primeira pessoa.

— Agora voltará a se deitar. Se perguntarem o que falamos, foi apenas sobre HQs. — disse sorrindo e acabou com a hipnose, se levantando e indo pegar o seu casaco pendurado em um cabide perto da porta.

Colocou o casaco normalmente e olhou Pride que tinha acabado de entrar na sala. Ele acenou de leve, andando até o mesmo.

— Vai aonde? — perguntou Enzo baixo para apenas ele escutar.

Ele saiu do local e fez Enzo chegar mais perto da saída. Desamarrou o cabelo e o entregou o elástico que tinha acabado de arrebentar, algo que já estava na hora de acontecer.

— Eu vou sequestrar Pavel, e irei matar aquele que ficar no meu caminho.

***

Sábado, aproximadamente dez horas da noite.
Rio de Janeiro, Brasil.

SALIGIA

Saligia, como é o seu codinome dado há alguns segundos por Takuya, respirou fundo e olhou o nome Lust no celular, tentando o ligar novamente após ele ter desligado na cara dele. Isso era realmente uma chamada internacional e ela insistia em conversar mesmo já tendo conversado o que interessa.

Não é atoa que a Jia-Li ganhou o codinome Lust.

Olhou em volta, vendo os corpos na sala de suas vitimas. Por sorte era só lavar a sua roupa cheia de sangue, se livrar dos corpos, já que nesses três anos ele nunca desfez as malas.

Afinal, o que é melhor do que sentir a adorável vontade de gritar “Eu te avisei" na cara daquele que, há três anos, não te escutou sobre aquela pessoa não estar do seu lado?

Sem falar que, em todos antagonistas, precisa daquele personagem pior que o vilão principal.

Pegou o telefone de casa, passando por cima de um corpo de uma mulher vestida de branco. Pelo menos ela estava de branco, já que no momento o seu vestido estava ensopado de seu sangue.

Discou o número que queria e sorriu, procurando em volta o controle do rádio.

— Ei, Marcos. — disse calmamente. — Escute, eu preciso de um avião para Inazuma, no Japão, e de alguém para limpar os corpos. Não são quatro, foi seis.

Saligia olhou a sua identidade, olhando o nome Arthur da Silva, e revirou os olhos sem dar muito valor ao que seu amigo diz. Marcos era apenas um vampiro de festas que limpava a barra dele, e também o ajudava a ter contato com Takuya.

— Apenas seja rápido como quem rouba. — ele disse e desligou o telefone, ligando o rádio. Ajeitou todos os seus documentos numa pasta que tinha em uma gaveta ao lado do sofá, ligando o rádio e começou a cantarolar.

Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu

Quando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da cercania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu

Notas finais
Pra quem não sabe o que é Saligia: É um termo utilizado para especificar todos os sete pecados de uma vez. Cada letra da palavra é um pecado. Ou seja, o perso q vcs viram no final é como se fosse todos os aliados juntos. Psé, complicado. E não se esqueça do fuso horário, ok? A fic, na próxima, vai continuar das onze da manhã pra frente. Saligia está em outro país, com outro fuso horário. tumblr: http://dl-circus.tumblr.com/ Curiosidade DLC: - O personagem mais forte na segunda temporada (psicologicamente, não fisicamente) era a Savannah, e a pior era empatado entre Lorelai e Carolina. Nessa segunda temporada, todos tem alguma coisa que o fazem não ser bem psicologicamente, mas é correto dizer que a mais forte psicologicamente ser a Irene ou a Ally, e a pior serem Rosmery, Yuuna ou Benjamin. Todavia, se juntar todos os personagens (excluindo ninguém), a personagem mais forte psicologicamente é, ironicamente, a Violetta. E o pior, Kidou e Pavel (vão entender...). Galera, eu vou avisar q no próximo vai ter cenas fortes como verdade ou desafio. Psé, essa galerinha q tem uns quatro ou cinco psicopatas com problemas de raiva e super fortes... XOXO