Deadline Circus: The Second Act
9 A pequena problemática.
Notas iniciais
“ A cara de pau que todos queriam ser. Ótima caçadora, uma amiga engraçada e boa quando não implica. Provoca muitos com suas palavras, e o seu pequeno defeito é não saber em qual onça não cutucar com vara curta.”
Sexta-feira, dez e meia.
Japão, Inazuma.
Vassilisa sentou ao lado de Yuuna na mesa do Pierrot. Olhou Irene sentada escrevendo algumas coisas em uma letra que nunca viu na vida em um caderno enquanto olhava para um caderno velho cheio de desenhos estranhos. Ela escrevia mais do que olhava os desenhos.
— O que ela está fazendo? — perguntou Vassilisa e Yuuna negou. — Morozova¹, certo?
Irene a olhou por um tempo, e pode perceber que ela estava com fones de ouvido, o retirando e a olhando com a cara de sempre, sem retirar a mão da caneta na qual escrevia sem ela estar mesmo olhando.
— O que você está fazendo? — perguntou a ela. — E eu andei pesquisando e parece que é Irene Morozova ao invés de Irene Morozov. — disse a mesma sorrindo e Irene a olhou.
— Sim, eu sei disso, aprendo isso desde que peguei um lápis. Mas até me acostumei a me chamarem de Morozov ao invés de Morozova, não adianta explicar muito. — disse a mesma. — E, eu estou escrevendo.
Vassilisa se inclinou um pouco para olhar.
— O que? — perguntou a mesma com um sorriso no rosto. — E como você consegue escrever olhando para mim?
Irene parou e olhou a própria mão, vendo que ela estava escrevendo. A garota parou e largou a caneta, fechando o caderno e o livro, assim colocando em sua mochila preta que sempre deixava no Deadline, portanto sempre a trazia.
— Algo que você não entenderia mesmo se soubesse russo. — disse a mesma fechando a bolsa.
— Me deixa adivinhar: É um diário. — disse Sam. — Eu lembrava que você tinha um antigamente.
Irene a olhou.
— Antigamente, como você disse. — a garota albina falou.
— Sério? — disse Sam surpresa. — Eu gostava de ler o que você escrevia. Era tão estranho o seu modo de ver as pessoas, e seus desenhos eram engraçados. — disse a morena e olhou a Yuuna e Vassilisa.
Irene a olhou por um momento como se estivesse se lembrando de algo, mas logo se virou para Joshua, que escutava música e mexia no celular sem falar com nenhuma delas. Aparentava estarem trocando mensagens com Benjamin, na realidade eles estavam conversando por mensagem, talvez para ninguém os atrapalhar na conversa.
Ela o cutucou, o fazendo a olhar e tirar um dos fones. Irene se inclinou um pouco e puxou o cabelo de Benjamin, que os olhou.
— Sobre aquilo que ofereceram ontem… — Irene disse e todos começaram a escutar ambos. — Vocês vão aceitar?
— Vocês estão cheio de segredos. — disse Ally amarrando o cabelo em Maria Chiquinha. — Somos do grupo também, ok?
Benjamin olhou Irene e Joshua, que negaram com a cabeça. Mas ele logo as olhou e respirou fundo, desistindo de hesitar em contar.
— O Yerik nos convidou para algo. — disse Benjamin. — Não queríamos comentar com vocês porque é algo meio cansativo de se explicar, sem falar que talvez não vamos nem aceitar a proposta.
Ele mordeu os lábios.
— Para que “algo” ele os chamou? — perguntou Samantha já sentada em cima da mesa para escutar a conversa melhor. Rosmery fez o mesmo, fazendo as outras se inclinarem para escutarem também como se fosse uma fofoca.
— Ele nos chamou para sermos caçadores especiais. — disse Joshua. —Além de nós, chamou Giulia, Dimitri, Yasmin, Lorelai, Savannah, Pavel, Kirino, Jake, Nikolai e Souji. — ele falou meio pausadamente o nome dos outros, como se tentasse lembrar.
— Ah, isso. — disse Samantha, provavelmente o irmão tivesse falado com ela.
Rosmery olhou todos, um pouco confusa.
— Caçadores especiais são caçadores que viajam pelo o mundo fazendo missões perigosas e demoradas com um único objetivo. — explicou Benjamin. — A última missão deles demorou dois anos e meio para acabar. Ou seja, nós provavelmente sairíamos do grupo ou apenas faríamos aquela missão e voltaríamos quando ela terminasse.
Vassilisa olhou a todos, e viu que Ally parecia meio chateada. Ela abaixou a cabeça.
— Vocês vão com eles?
— Nós podemos recusar o convite. — disse Irene e ela passou a mão na nuca. — Eu soube que algumas pessoas aceitaram, como Kirino. Ele disse que quer se afastar um pouco de Inazuma. O Pavel recusou na hora, dizendo que ele prefere estar preparado para isso, e no momento ele não sente que ele vai ser uma boa ajuda.
— Jake não vai. Ele disse que quer resolver algumas coisas que a Irene sabe o que é, e dessa vez ele não quer desistir. — disse Sam olhando Irene como se estivesse dando uma indireta a ela.
— Eu não vou. — disse Benjamin calmamente, fazendo Ally sorrir. — A minha mãe vai ter um bebê. Ela tem trauma de estar grávida, acorda aos berros dizendo que o meu pai está cortando as costas da Lorelai. Preciso cuidar delas, e de vocês para não saírem da linha.
Vassilisa revirou os olhos. Todos o olharam e ele fez sinal para fingirem que não tinham escutado.
— Você fala como se fôssemos infantis. — disse Lisa e Benjamin a olhou.
—Claro, julgar alguém por boatos não é nada infantil. Isso a faz a mais madura daqui. — disse Ben em ironia a Lisa, que se calou ao ver que ele estava meio sério demais. A coisa que Violetta mais pediu foi que ela não irritasse Benjamin, se não ela realmente poderia causar uma grande confusão.
Por mais que era tentador. Mas respirou fundo para não fazer aquilo.
— Eu não estou muito a fim de ir. — disse Joshua após pensar um pouco. — Eles disseram que pode dar a resposta até um dia antes da partida, então eu vou pensar até lá. Mas acho que ficarei por aqui mesmo.
Ele olhou Irene, assim como todos os outros. A garota passou a mão na cabeça e viu o celular de Benjamin apitar, como se dissesse que já estava na hora de algo e eles não podiam esquecer.
Como dormia nos dormitórios e o seu celular com despertador estava desligado, Vassilisa acabou acordando tarde e ao ver todos começando a se arrumarem para sair da mesa, deixando as mochilas embaixo da mesa e penduradas em ganchos que tinham presos nos pés, ela meio que ficou sem reação assim como a de cabelo laranja.
— Para onde vamos? Missão nova? — perguntou Vassilisa, ficando de pé.
— Vida de caçador é muito complicada. — sussurrou Ally, saindo de cima da mesa e ajeitando a roupa.
Irene prendeu o cabelo e colocou casaco que antes estava preso na cintura, as olhando.
— Nós ainda não acabamos com a outra. Descobrimos quem destruiu a torre de Inazuma e matou o Yahiko, mas ainda temos muitas perguntas ao Gluttony. — disse Benjamin, agitando um papel pardo em mãos junto ao celular, o colocando no bolso. — Então nós vamos o interrogar.
Joshua e Irene deram um sorriso meio cruel e ambos ergueram as suas armas, um soco inglês e uma adaga com veneno, as batendo como se estivessem brindando.
— É melhor levarem as armas. — disse Ben olhando a ruiva e Ally passou a mão no corpo, ficando feliz ao ver que estava armada. Vassilisa e Yuuna ficaram sem entender. — Ah, é uma longa história. Contamos depois.
***
Sexta-Feira, dez e quarenta.
Japão, Inazuma.
Ao chegar onde Gluttony estava preso, Vassilisa sentiu um breve arrepio. Olhou o vampiro loiro atrás das grades que, ao se aproximar, davam choque. Ele estava sentado e algemado, preso na parede. Yerik, um garoto que estava todo de preto com uma lança na mão, abriu a porta e Benjamin entrou sem muita demora assim como Joshua, que estava com um bloco na mão e uma caneta.
Lembrava-se de ter o visto com roupas femininas, mas isso não vem ao caso nesse exato momento.
— Vão entrar? — perguntou Yerik as garotas e Irene afirmou, entrando quase ao mesmo tempo em que a Sam.
Vassilisa e Yuuna se entreolharam e entraram também, e por fim Ally e Rosmery, o que fez o cara fechar as grades. Elas ficaram uma do lado da outra na direção que os garotos estavam. Lisa olhou para Gluttony sentado no chão e brincando com uma pedrinha.
— Olá, Tobias. — disse Benjamin abrindo o envelope pardo que tinha em mãos, indo até ele e se sentando no chão. — Está bem? — perguntou como se estivesse falando com um amigo.
— Com fome. — ele disse e Benjamin retirou uma bolsa de sangue do envelope, o dando. — Oh, obrigada. É O negativo?
— Sim. — disse Benjamin e ele entregou o envelope todo. — Tem mais cinco bolsas de sangue, aproveite.
Gluttony sorriu breve e começou a beber as bolsas calmamente, saboreando e seus olhos brilhando. Ele olhou todos vagamente e depois a Benjamin, que soltava o cabelo castanho escuro e o ajeitava melhor.
— Cheiro bom. — disse Gluttony quando Bem começou a mexer no cabelo. — Usa que shampoo?
— O que estiver no banheiro. — disse Benjamin sorrindo e amarrando o cabelo novamente. — E o que tenha a embalagem mais bonita.
— Adorei a dica. — disse Gluttony em ironia. — Bem, vocês não vão me torturar, perguntar as coisas e serem violentos?
— Ainda não. Se você colaborar, talvez o “ainda” nem exista. — disse Benjamin com um sorriso, mas logo desabrochando. — Se você não colaborar, eu corto a sua cabeça e mando como presente para o Takuya. Ou uso como troféu no meu quarto. — ele sorriu de leve, colocando a espada no colo.
— Você é bipolar. — Gluttony comentou. — Gostei de você.
Benjamin riu. Lisa revirou os olhos, com tédio daquela cena. Quando eles iriam começar o interrogatório mesmo?
— Vamos virar amiguinha do cara agora? — perguntou Lisa sem paciência, cruzando os braços. — Esse líder não serve para nada. Porque o colocaram mesmo? Talvez por pena e por ser amiga da mãe dele.
— Essa deve ser a chata do grupo. — disse Gluttony. — Quer a trocar pelo o Greed? Eu tenho certo medo dele.
— Sim, e você leva de brinde uma faca para cortá-la na garganta ou a língua dela. Se eu fizer isso, vão me prender no hospício para sempre. — disse Benjamin e o mesmo sorriu. — Mas quem é Greed?
— Ah, Greed? — disse o vampiro, bebendo o sangue distraidamente. — Greed é um aliado de Takuya, assim como eu, só que ele é mais novo e mudo. O nome verdadeiro dele é algo como Alouis Martin.
Ele sorriu e olhou Joshua, que anotou. Lisa ficou sem entender por um momento e Sam chegou perto dela.
— Benjamin está tirando informações dele. Ele meio que sabia que você ia provocar o mesmo, então imaginou que Gluttony fosse comentar algo. Afinal, ele comentou o quão Violetta é bonita de perto quando estava sendo levado para a prisão. — sussurrou Samantha. — E aquele sangue tem um pouco do veneno da Irene, portanto que seja um pouco mais fraco para Gluttony não morrer. Ou seja, ele vai ficar como se estivesse bêbado.
Ela olhou Irene, que mexia com uma adaga entre os dedos até percebeu que a mesma a olhava, dando um sorriso e uma piscadela.
— Bem, e você pode comentar dos outros aliados? — perguntou Benjamin, como se estivesse interessado.
Gluttony o olhou, sorrindo e voltando a beber mais um pouco.
— Somos sete aliados, como já devem saber. — disse Gluttony. — Nós recebemos um codinome de um pecado capital, talvez por parecer nos definir, se olhar melhor. O primeiro a ser escolhido foi o Pride, que seu nome verdadeiro é Enzo Santiago.
Vassilisa pode ver a cara de desgosto de Benjamin ao escutar o nome.
— Enzo e Takuya são como irmãos siameses e ele é como se fosse um segundo líder, por mais que Takuya seja um líder melhor, e pior para vocês, do que Enzo. Soube que ele fingiu para vocês que estava do lado de vocês, mas na realidade era apenas um informante. — ele disse e riu. — Bem, vocês são meio idiotas. Enzo mente muito mal. Mas de qualquer modo, vamos à diante.
Ele pegou outra bolsa de sangue e começou a beber.
— Os outros dois foram os gêmeos Wrath e Greed, que eu já comentei. — ele sorriu. — Wrath, também chamada de Alice Martin, é uma menina com problemas de raiva.
— Nossa, nem reparei. — sussurrou Irene cruzando os braços, fazendo Rosmery rir. Talvez ela estivesse falando da missão que tiveram do baile de máscaras no qual ela não estava.
— E ela é apaixonada por Takuya! — exclamou Gluttony, já visivelmente “chapado”. Ben arqueou a sobrancelha. — Portanto ela é muito idiota, por mais que saiba aquelas coisas malucas que o irmão faz com os dedos sem se confundir.
— E sobre Envy? — perguntou Benjamin. Gluttony o olhou.
— Eu entrei após os gêmeos, e então veio Envy. — falou. — Envy é Jordan Morozov. Takuya o reviveu e plantou memórias de ódio do irmão na mente, o fazendo odiar toda a família Morozov, e querer se vingar estranhamente de Violetta.
Benjamin olhou Irene, que não teve muita reação. Joshua deu uma breve olhada para ela fazendo as anotações e voltou a olhar o vampiro.
— Depois do Envy veio a vampira mais poderosa que tem dos aliados, Wu Jia-Li. — disse Gluttony soltando um suspiro apaixonado. — Vocês a conhecem como Lust, e ela realmente combina muito com esse nome. Só bebe sangue de homens, sem falar que tem a mania de fazer algo antes de matar a vítima, se é que vocês me entendem. — ele deu uma piscadela a Benjamin, que coçou a cabeça.
— E você gosta dela?
— Eu e Envy somos os mais próximos dela. Os outros não gostam muito dela, principalmente Wrath. Ela diz que tem algo em Lust que não é confiável. — disse o mesmo parando de beber. — E eu falei todos?
— Não, falta um. — Vassilisa falou antes de Benjamin, que concordou com ela. — Se eu não me engano, falta o que representa a preguiça.
Gluttony mexeu os olhos de um canto para o outro e concordou, sorrindo.
— Sloth, o vampiro preguiçoso, já que quer tentar dormir para ver se nunca mais acorda. E coloque preguiçoso nisso, ele fala muito devagar na maioria das vezes. Quando fala rápido, é para assustar os outros. — ele falou divertido. — Ele sempre usa uma máscara, por mais que todos já viram a sua face. Ninguém sabe a sua verdadeira identidade, por mais que eu acho que tenham certos elementos que saibam quem ele é mesmo que ele não saiba.
— Como assim? — perguntou Samantha.
— Ele perdeu as memórias após se tornar vampiro, não se lembra de nada de sua vida antes de se tornar um “sanguessuga”. É como vocês nos chamam? — perguntou e Benjamin fez sinal que era mais ou menos isso. — E eu creio que Takuya o conheça, e talvez Enzo também. Eles agem suspeitos quando se trata da identidade de Sloth. De qualquer modo, Pride… Ou Enzo, tanto faz… Deu um nome para o Sloth.
— Qual? — perguntou Samantha quase se sentando ao lado de Benjamin, curiosa. O líder a olhou, mas nada falou ao reparar que a Irene também fez a mesma coisa.
— Pierre Myriel. — disse Gluttony. Irene olhou Joshua e fez sinal para ele dar o bloco de notas, o que o mesmo fez. — É um nome francês, mesmo que da para perceber que ele não é francês de longe.
Gluttony parou como se estivesse sentindo algo. Ele deixou a bolsa de sangue que bebia cair no chão, que por sorte não sujou nada e caiu no chão, inconsciente.
— O que aconteceu? — perguntou Ally.
— O que colocamos no sangue o deixou inconsciente. Depois ele acorda. — disse Benjamin se levantando.
Antes que Lisa comentasse algo para provocar, Yerik abriu a porta e todos o olharam.
— A Tia Kanaria está chamando todos os grupos. — disse e Irene sussurrou o que ele falou, como se não tivesse entendido. — Sim, a sua tia Kanaria, eu a chamo assim por costume. É a mesma que sempre crítica algo em nós e o único que presta para ela é o Ivan. A mesma que acha que o Pavel tem transtorno obsessivo compulsivo.
Irene fez uma careta e saiu na frente do local, seguida de todas. Lisa não sabia quem era a Chloe, mas para a albina não estar muito feliz, provavelmente não era coisa boa.
— Droga, Joshua. — o garoto a olhou confuso. — Aquele seu substituto esqueceu a porta do inferno aberta.
As meninas começaram a rir e Lisa não aguentou, rindo também. Joshua a olhou.
— Não me culpa. Eu disse para você não colocar aquele esquecido como substituto nosso aguardando a nossa chegada. — disse Joshua e Irene deu sorriu de canto. Talvez, ao invés de rir, Irene sorria de canto.
Eles foram andando até a saída da prisão subterrânea e olharam Yerik continuando ali. O mesmo sorriu.
— Vão na frente, eu vou ficar fazendo hora até a Grace do vampiro chegar, ela vai ficar cuidando do vampiro enquanto almoço e esperamos o supervisor do vampiro. — disse Yerik sorrindo a eles.
E assim fizeram, subiram as escadas que davam a porta e abriram, saindo do local piscando várias vezes por conta do contato da luz. Lisa passou a mão na vista, a vendo um pouco embasada.
Eles andaram até a sala onde tinham as mesas e viram uma mulher de cabelos medianos e brancos, amarrados em um rabo de cavalo, olhos roxos e esguios, com um rosto um pouco parecido com o de Ygor, pelo menos na foto que viu dele na sala de Violetta. Ela era tão alta como Irene, e usava uma blusa branca com jaqueta de couro, calças jeans e uma bota com salto, deixando maia alta ainda.
Vassilisa viu Irene mexer no canto de suas bocas se forçando a sorrir e olhou a mulher, que foi até ela correndo com salto.
— Você está linda, Irene. Mas saiba que ruivos não são o seu tipo de homem. — ela disse olhando Joshua. — Cadê Shindou? Aquele é realmente um homem para se casar.
— Ele está no estágio de medicina, e eu terminei com ele há um ano. — disse Irene. — E esse é o Joshua, e ele não é meu namorado. Não estou namorando.
— Bom saber disso! Queria que o seu irmão mais velho também não estivesse. — disse Kanaria. Podia ver Giulia andando em sua direção com Pavel, e quando chegou atrás dela já podia escutar o que a albina disse. — Aquela Giulia é bem feia, em todos os sentidos.
— Sou feia, mas o seu sobrinho ainda me come. — disse a garota sorrindo forçado. As palavras fizeram a Kanaria a olhar assustada.
— “Eis o meu segredo, é muito simples: Só se pode ver bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”²— comentou Pavel ao lado de Giulia, sorrindo. — Mas claro você irá ignorar o que eu digo por me achar muito idiota e imaturo.
Kanaria sorriu e saiu do local. Vassilisa olhou Irene rapidamente, mas Rosmery foi mais rápida.
— Parece que nem todo Morozov é bondoso. — disse Rosmery.
— Só percebeu isso agora? — perguntou Samantha. — Sério que não reparou isso pela a Irene?
Vassilisa começou a rir junto aos outros e Irene apenas revirou os olhos. Pavel deu um breve abraço na irmã, que fez cara de nojo como se odiasse demonstração de carinho. Não demorou muito para a Irene se soltar e sair andando para a mesa, assim como os outros.
Sentaram-se e Lisa viu um garoto de cabelo laranja passar por eles e cumprimentar Benjamin junto a Fuyuka e o tal Dimitri, no qual não era difícil de identificar. Afinal, a cicatriz era muito a mostra.
— Pocahontas. — brincou o garoto com Ben, que estava com os cotovelos apoiados na mesa e a mão na frente da boca. Ele deu uma olhada para ele e mostrou o dedo do meio.
— Oi Benjamin. — disse Fuyuka sorrindo a ele.
— Notice me, senpai! — o garoto de cabelos laranja disse brincando e imitando a voz da líder. Fuyuka começou a socar o menino, que riu.
— Kanaria está de bom humor hoje? Yasmin quer a conhecer. — disse Dimitri olhando para todos.
— Não sei, mas ela me parecia desagradável. — disse Ally mexendo no cabelo.
— Ela implicou com a Giulia falando que ela é feia ou dizendo que ela é gorda? — perguntou, se apoiando na mesa.
— Chamou de feia. Não me diga que isso é… — Yuuna foi interrompida rapidamente.
— Então ela está de bom humor. Ok, vou levar a Yasmin para a conhecer. O que pode dar errado além de acabar com o nosso dia? — ele disse em ironia. — Podia acabar com o nosso casa… — a albina o olhou. — Namoro. Desculpe, errei a palavra.
— Ela ainda é muito nova para casar, Dimitri. — disse Irene.
— Você… Continue pensando assim por bastante tempo.
Lisa deu um sorriso divertido, e o garoto de cabelo laranja deu uma breve olhada para ela dando o mesmo sorriso sobre o que Dimi falou da tia. Eles ficaram se olhando até o momento que eles passaram por completo da mesa, no qual fez Vassilisa voltar a encarar a frente.
Que tinha uma Samantha sorrindo divertido como se estivesse reparado a troca de olhares.
***
Sexta-Feira, cinco minutos para o meio dia.
Japão, Inazuma.
WRATH
A garota loira de olhos azuis que mudavam rapidamente para o vermelho olhou Yerik estirado no chão desacordado após ela ter o pego em um ataque surpresa e sorriu, olhando a grade.
— Já pode parar de fingir, Gluttony. — ela disse com um sorriso nos olhos, abrindo as grades da cela que o vampiro estava.
O vampiro se levantou rapidamente, correndo de forma sobrenatural para fora junto às bolsas de sangue cheias. A loira tacou a chave no chão e deixou a porta aberta, olhando o mesmo com o sangue.
— É pecado desperdiçar comida. — disse o mesmo e Alice, ou Wrath, riu.
— Depois de virar vampiro você se preocupa com pecar? — perguntou — Que lógica mais idiota.
Eles começaram a andar rápido nos corredores e saíram pela a saída de emergência, que dava na parte de trás de Deadline. Correram rápido de modo que ninguém visse e chegaram à rua onde ficava uma lanchonete que eles adoravam. Não pela a comida, e sim por várias pessoas que comem ali.
E isso significava mais vítimas.
— Contou sobre a verdadeira versão da morte de Ygor? — perguntou Wrath curiosa, andando na direção da lanchonete ao lado do mesmo.
— Oh, eu esqueci. — Gluttony fez bico. — Espero que Takuya não se irrite com isso.
— Ele compreenderá. Quando se trata de mim… Ele sempre compreende.
E era verdade. Takuya podia ser cruel e forte, mas Wrath tinha uma mente maluca e descontrolada, podia perceber por seu olhar brilhar de apenas imaginar um vampiro. Ela era páreo a ele, uma das aliadas que talvez pudesse se igualar a ele, sem falar que o mesmo tinha um leve fraco por ela.
Bem, amor correspondido é para poucos, certo?
— Mas eu descobri algo, só que eu acho que Takuya sabe. Então seria algo novo para nós, mas velho para ele. — ele disse abrindo a porta da lanchonete e sorrindo, se sentando em uma das mesas pedindo qualquer coisa. Afinal, não íamos comer.
— O que seria? — disse Alice Martin, ou Wrath para o loiro.
— Sabe aquele garoto, Benjamin? — Wrath afirmou. — Segundo o que sabemos dele, o seu irmão gêmeo faleceu há três anos, Victor Salazar. E eu olhei o rosto dele…
— E o que tem isso? — disse Wrath.
—Então… — ele fez uma pausa dramática. — Ele era idêntico ao rosto de Sloth. E isso significa que… — ele deixou no ar, para ela perceber o que ele queria dizer.
Wrath pensou um pouco e depois arregalou os olhos.
— O Sloth pode ser… — disse e retirou a expressão de surpresa, colocando um sorriso malicioso no rosto. — Victor Salazar.
***
Sexta-feira, meio dia.
Japão, Inazuma.
PAVEL
Pavel respirou fundo ao olhar a mensagem de Greed dizendo que queria o ver urgentemente antes da reunião que eles iriam ter. Ele ficou mexendo na manga por um longo tempo, até que se sentou e topou a cabeça ao lado, apoiando-a na caçamba de lixo.
Passou uma hora, duas e nada de Greed aparecer. Sentia-se como aquele garoto que levou um bolo da menina que gosta, o fazendo coçar a nuca e se arrepender de ter feito Anya esperar cinco horas em um encontro por ter errado a hora. Mordeu os lábios com força, mas com cuidado para não machucar nada. Afinal, ia encontrar um vampiro.
Uma vez, ele se lembra de ter cortado o lábio por ficar o mordendo em uma missão. Aquilo fez todos os vampiros correrem até ele, no qual era novato e não era muito bom com espadas, ele sempre tinha treinado com armas de fogo e arco e flecha. Portanto, eles logo pararam e correram em outro sentido, no qual tinha o Jake que fez um corte enorme da mão para salvá-lo, e por fim foi salvo por Benjamin e Yuri. No início, Pavel o achou um louco, já quase falando palavras inapropriadas sobre a mãe dele, mas depois ele ficou realmente agradecido.
Nesse dia, Nikolai ficou realmente preocupado. Ele se lembra de ter chegado a casa e ele veio tão rápido o abraçar que ultrapassou Ivan, que estava ao seu lado. Ele agradeceu Jake e passou quatro meses me colocando para morder pimenta, assim toda vez que mordesse o lábio, se lembraria da pimenta.
Claro, isso não deu muito certo, já que a mania não foi embora e lá estava ele, mordendo o maldito lábio.
Ele logo escutou Greed batendo palmas para chamar a sua atenção e o garoto parou de olhar para um pé em sua frente e se levantou, batendo as mãos na calça para limpá-las e olhou para frente novamente, vendo duas pessoas. Uma era Greed, a outra olhava para trás e não dava para ver o seu rosto.
— Greed, quem é... — ele parou e viu o homem se virar, mostrando o seu rosto.
Naquele momento, Pavel ficou um tempo calculando o que aconteceu, mas logo o seu coração ficou a mil e muitas coisas vieram em sua mente. Veio à imagem de uma pessoa e ele colando chiclete no cabelo do Dimitri, ou do dia que ele explicou sobre a família dele ser espanhola, tendo se mudado para a Irlanda.
Aquele rosto pálido, os olhos castanhos vagos e o rosto sério que atraia muitas garotas, assim como machucava. O galã de novela para os que não conheciam, e o verdadeiro vilão gato para quem conhece.
— Victor?
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