Deadline Circus: The Second Act
7 A Princesa Duas Caras
Notas iniciais
“Meiga e gentil por fora, mas pode provar que não é inofensiva como muitos pensam. A única que está de olhos abertos de trigêmeos, a única que pode ver como o mundo está cada vez mais perigoso, mas mesmo assim continua a lutar. Alguém que despertou o seu lado macabro, ela não consegue ser bondosa sempre como era antes.”
Quinta-Feira, oito horas da manhã.
Japão, Inazuma.
Yuuna andava em direção à entrada com três pequenas caixas, como se fosse aquelas que trazem os doces de casa. Portanto, ao invés de doces, a loira trazia vários onigiri que tinha feito na noite passada enquanto treinava fazer e acabaram sendo muitos para somente ela comer.
— Novata? — perguntou um menino aparecendo do lado dela. Ela o fitou, vendo seu cabelo curto verde-água e olhos amarelos. Ele era alguns centímetros mais alto que a mesma e parecia ter corrido uma maratona para estar ali.
Yuuna arregalou os olhos.
— Kariya! Cortou o cabelo? — disse Yuuna colocando as três caixas no chão ao seu lado e abraçando o garoto, que parecia desentendido. Ela se afastou do mesmo, pegando as caixas. — Sou eu, Yuuna! Somos amigos, melhores amigos. Não se lembra de mim? Como não se lembra da sua melhor amiga?
A loira fez bico como se ele estivesse brincando e o analisou confuso, que estava parecendo querer entender o que ela falou, como se ela tivesse falado em outra língua. Yuuna logo sentiu uma mão cutucando-a, e ela viu Kariya.
— Mas… — ela olhou para o garoto. — Vocês são parecidos.
— Não é a primeira que diz isso. — o garoto de cabelos curtos disse sorrindo. — Eu sou Harry Morgan, tenho vinte e cinco anos e nenhum parentesco com o Kariya, para inicio de conversa.
— E eu sou Kariya Masaki, tenho dezenove anos e sou seu melhor amigo que é apaixonado por uma menina que só sabe dar foras nele. —Yuuna e Harry os olharam segurando o riso, concordando baixinho. A loira o abraçou de leve, sem soltar as caixas, no qual o menino pegou para ela. — Essa era a parte que vocês dizem que ela gosta de mim.
— Iludir as pessoas é maldade. — disse Harry com um breve sorriso sarcástico no rosto e Yuuna concordou com ele.
— Harry! Vamos! — disse uma garota de cabelo rosa e encaracolado, que ia até o final das costas. Ela tinha muito sotaque
— Eu tenho que, eu e o Yerik vamos comprar coisas para o grupo. Ele para a namorada, e eu para as meninas do Jester. Iremos comprar coisas… De menina. — disse e Kariya segurou o riso. — Pelo menos eu estou em um grupo cheio de meninas lindas e maravilhosas.
Yuuna ia rir, mas ela tentava analisar o garoto dizendo “Eu e o Yerik”, sendo quem o estava o esperando era uma garota. Logo ela parou ao ver a rosada, que provavelmente é “o rosado”, abraçando uma menina que entrava no Circus e deu um beijo em sua bochecha.
— O Yerik? — piscou os olhos. Harry de um riso e concordou. — Como assim, ele é…
— Ele se veste assim quando quer, tem vezes que ele se sente mais confortável desse modo do que com roupas masculinas. — disse Harry começando a se afastar andando de costas. — Kariya, a leve para o grupo. E se não quiser, o Souji está ali conversando com o bicho preguiça.
Yuuna olhou para onde Harry apontava, vendo dois garotos conversando normalmente, e era Souji e Yuri. Souji, o moreno, deu um breve sorriso e levantou a mão, dando o dedo do meio para ele e parecia querer avançar, enquanto Yuri segurou o namorado para o garoto não apanhar.
— O bicho preguiça vai ser a minha mão na sua cara, idiota. — disse Souji com Yuri o segurando com uma mão.
Yuuna olhou para Kariya e caiu na gargalhada, entrando de vez no Deadline.
Yuuna se surpreendeu com o tamanho do local e as pessoas passando para lá e para cá, sentados em mesas separadas como se fossem grupos. Na realidade, cada mesa tinha um grupo diferente, ela sabia disso porque Yuri comentou, e quando a pessoa não tinha grupo, ela se sentava junto os outros caçadores individuais. Assim como os caçadores especiais que eram apenas isso sentavam em uma mesa que muitas vezes estava vazia.
Deu um breve sorriso e viu Kariya a olhar.
— O que tem aqui dentro? — perguntou o mesmo curioso e piscando os olhos. Yuuna riu do ato dele.
— Onigiri. Uma caixa para o Pierrot, uma para o Colombine e uma para o Harlequin. — disse sorrindo. — Espero não ter errado os nomes.
— Acertou todos. — disse Kariya e Yuuna pegou duas caixas, fazendo Kariya sorrir de satisfação. — Quer levar para o Harlequin e para o Colombine antes de ir para a mesa do Pierrot? — perguntou querendo abrir a caixa.
— Eu levo para o Harlequin, pode ir comer com o Colombine. — disse e Kariya nem protestou, saindo correndo para a sua mesa e a deixando ali sem ao menos pensar. — Ei!
Kariya parou e a olhou, apontando para uma mesa.
— É a mesa dos rostos que você conhece Yuuna, você morou com eles por três anos. — disse o garoto calmamente. — Mas de qualquer modo é essa.
As pessoas da mesa a olharam confusa e acenaram brevemente, fazendo a mesma ficar envergonhada e andar rapidamente até eles. Yuuna chegou perto dos mesmos, vendo mais uma pessoa sentar-se à mesa na hora que ela chegou, sendo ela o Souji.
— Oh, Yuuna! — disse Valdir. — Viu? Estou ficando bom em lembrar nomes!
— Qual é o meu nome? — disse um garoto de cabelos longos parecido brevemente com Souji em alguns aspectos, mas bem diferente ao mesmo tempo. Seu nome era Michael, gêmeo de Souji e mais velho por sete minutos.
— Mason? — perguntou Valdir. — É Mason, certo?
Michael revirou os olhos.
— É Michael, Michael Joseph Salazar. Como Michael Jackson. — disse o mesmo, tombando a cabeça de leve para trás, mas logo voltando à postura normal. — Olá, Yuuna. A mesa dos Pierrot é ali se for o que quer perguntar. — disse apontando a uma mesa em um canto com alguns membros.
— Eu queria entregar isso. — ela colocou as duas caixas na mesa, tirando a de cima e a abrindo, assim os entregando. Um menino de cabelos pretos e olhos azuis deu um assobio de leve, como se eles tivessem ganhado na loteria. Deu um sorriso contagiante, que fez até a própria Yuuna sorrir só de olhar. — É Onigiri. — disse sorrindo.
O garoto com o sorriso bonito era Nikolai, sabia disso pelo os olhos chamativos e seu sorriso, sem falar que ele estava ao lado do irmão de Irene, o que é comum dado a ambos serem grandes amigos, por mais que Valdir seja realmente o melhor amigo de Pavel.
— Oh, eu queria comer isso. — disse uma menina após ajeitar um brinco em sua orelha, pegando um dos onigiri. — Obrigada.
— Sabe o que um onigiri me lembra? — perguntou Souji, pegando um dos onigiri.
— Se a resposta for Yuri, você vai ver o Victor mais cedo. — disse Michael ao gêmeo, que fez bico e mordeu o onigiri.
— Onigiri me lembra de uma nuvem. — disse Jake White ao lado de Pavel, pegando um. O albino virou ao loiro de olhos verdes, com um sorriso surpreso no rosto.
—Eu tive o mesmo pensamento! — disse o menino animado, pegando um onigiri. Yuuna riu.
— Eu também tenho esse pensamento. — disse Yuuna com um breve sorriso e Pavel concordou, sorrindo e olhando o de olhos azuis.
— O que um onigiri lhe lembra, Nikito? — perguntou e falou pausadamente o nome do garoto. Yuuna olhou o loiro, que parecia não prestar muita atenção.
Niko olhou o onigiri e olhou Pavel, parecendo querer falar algo e estava pensando se falava ou não. Valdir mexeu as sobrancelhas comicamente e engoliu o pedaço que mastigava do onigiri, o colocando na mesa em cima de m guardanapo que pegou dentro da caixa e começando a atuar.
— “Oh, eu me lembro de você, meu querido Pavel.” — disse fazendo voz de drama. Os outros se seguraram para não cair na risada, por mais que Jake voltou à atenção no momento e não entendeu exatamente, mas logo captando o que estava acontecendo. — “Você é fofo como um onigiri”.
Pavel deu um riso e olhou Nikolai.
— É isso mesmo? — Pavel perguntou e Nikolai negou rapidamente. — Tem certeza? Porque você não se levantou e socou a cabeça do Valdir, então eu imaginei que fosse.
Nikolai engoliu o que mastigava e se ajeitou na cadeira.
— Iria gostar se fosse isso? — Pavel pensou rapidamente e confirmou. — Então ok, eu menti. Eu penso isso mesmo.
— Mas o Pavel não é triangular. — disse Jake. — E Onirigi tem um formato estranho e é gordinho. Pavel não é magro, mas o chamar de gordo é ridículo, sem falar que o Pavel é…
Ele parou no meio da frase, fazendo Pavel o olhar confuso e se perguntar o que ele queria falar. Valdir novamente voltou a atuar.
— “Pavel, eu te amo desde que eu lhe conheci. Não olhe para o idiota do Nikolai, eu sou o homem da sua vida. Nikolai é apenas o garoto eterno da friendzone.” — disse Valdir voltando à voz de drama, fazendo Souji se engasgar de tanto rir. Giulia aplaudiu.
— Resumiu esse triangulo em frases. Bem merecido o cargo de vice-líder. — disse Giulia e Yuuna riu.
— Eles são sempre assim? — perguntou Yuuna baixinho para Valdir e Giulia, entrando no meio deles. — É melhor que a briga de cão e gato que o Benjamin disse ontem sobre Sam e a Irene.
— Quase sempre. — disse Valdir baixinho.
— Eu não quero dizer isso. — disse Jake a Valdir. — E pare de sussurrar. — ele olhou Pavel, que ainda parecia esperar o resto da frase. — E você não é estranho, Pavel. Você é bonito, bem… É o que o Souji diz.
Souji estava se recuperando e olhou Jake, se abanando.
— Se fosse outro dia eu ajudava, mas o Yuri é muito bonito. — ele disse e levantou as sobrancelhas. — Muito mesmo. Eu nunca tinha percebido isso, então não vai dar para eu te ajudar a escapar dessa.
— O que você fez com o Yuri para achá-lo muito bonito? — perguntou Pavel um tanto inocente, fazendo todos rir e Jake tampar a boca dele com a mão, o abraçando de leve.
— Que papo gay, gente. Pare de fazer isso porque daqui a pouco eu viro gay também. — disse Valdir e olhou Niko e Jake. — Se eu virar gay, vocês perdem o albino! Eu sou o melhor amigo, nossas mães faziam ultrassom no mesmo local, uma acompanhada da outra e dos maridos. Depois colocavam o nossos vídeos na televisão para que nós pudéssemos ver um ao outro. Sou melhor amigo inseparável dele desde que era um feto, ok? Eu só não nasci primeiro que ele porque ele foi ao mundo com oito meses de gestação, algumas semanas antes do meu nascimento. Estamos destinados.
Jake e Nikolai se entreolharam e o loiro soltou Pavel, que olhou Valdir e o abanou com as mãos. Valdir realmente parecia ter ciúmes do melhor amigo. Nikolai olhou Valdir.
— O Ivan me apoia com ele. — Niko brincou, abraçando levemente o Pavel.
— A Violetta apoia o Jake com ele. — disse Giulia, fazendo Jake olhar para o lado disfarçadamente e fazer um sorriso vitorioso, mas depois se assustar.
Talvez por ter sido a Violetta, e desde que Yuuna se lembra, os Morozov aparentavam não ter uma história de amor com os White desde que Pavel perdeu as memórias. Todos sabiam disso brevemente por ter escutado a Irene e a Samantha discutirem no ano passado, e por sorte Pavel dormia como pedra e não escutou nada.
— Mas e como foi à praia? — perguntou mudando de assunto. Yuuna sorriu e olhou os outros.
— Vocês foram à praia?
— Sim, menos o Pavel. Ele teve que ir consolar a ex-namorada que levou um chifre do namorado. — disse Giulia como se fosse à coisa mais normal do mundo. — E a praia foi divertida. O Jake mal chegou nela e tacou a blusa na minha cara e correu que nem uma criança atrás do caminhão de sorvete para o mar.
Pavel riu da comparação olhando Jake, que deu um breve sorriso e riu também.
— O sorriso do Pavel contagia, não? — perguntou Valdir sorrindo maliciosamente a Jake, que apenas voltou a comer o onigiri para não responder a pergunta.
Yuuna ia rir da cena quando escutaram um estrondo de algo caindo no chão, assim como uma grande gritaria. A garota se levantou junto a Giulia, que falou algo em italiano que a mesma não entendeu corretamente. Pavel se levantou e pisou em cima da cadeira, fazendo Nikolai segurar rapidamente com medo de ele cair no chão.
— Não consigo ver muita coisa. — disse Pavel, que desceu com a ajuda de uma garota que passava por ali. — Oh, obrigada Anya.
A tal Anya tinha olhos verdes e cabelos longos e lisos da cor rosa, que iam até o meio da cintura. Ela era uma menina muito bonita que chamava muito a atenção, por mais que parecia ser alguém meio extravagante por suas roupas na cor preta e chamativa por alguns decotes e parecer brilhar. Ou talvez a rosada fosse muito confortável com o corpo, e muito habilidosa por usar aquele salto enorme.
— É o mínimo que posso fazer como a ex-namorada. — disse Anya e ela piscou levemente para Michael, que engasgou com um pedaço do bolinho de arroz japonês que ele roubou do irmão. — Eu lhe beijei e você se interessou por um homem, e agora tem mais homens competindo por você do que por mim.
Pavel riu.
— Ok, Anya. — ele suspirou e a garota deu uma olhada mortal para Jake e Nikolai, como se dissesse que ela que era a dona do garoto até achar alguém qualificado para ele.
— E a briga é entre duas garotas. Uma menina que chegou ao Deadline ontem e a que a Irene não se da bem. — ela disse calmamente. — Ok, a Irene não se da bem com ninguém. Mas é aquela menina que vinha no Natal para a nossa casa brincar conosco, Nikolai e Valdir.
Pavel parou e olhou Jake.
— Oh, merda. — ele disse alto.
— Espera… É uma briga no Pierrot?— disse Yuuna e ela olhou para a confusão.
Podia ver uma garota caindo na mesa ao lado da que era a do Pierrot e outra avançando, socando com se estivesse matando um vampiro. A que socava, com cabelo curto, parecia estar cega de ódio e a que apanhava parecia estar cada vez mais a provocando, por mais que tentasse revidar. Yuuna não soube o que deu nela, mas a mesma apenas deixou as suas coisas na mesa e saiu correndo.
Ao chegar perto, ela viu uma garota de cabelos laranja e ondulado colocando a mão no ombro de Sam e a mesma socando a cara dela, a fazendo cair diretamente no chão. Viu Rosmery saindo de trás de umas pessoas e indo ajudar Ally, se esse era o nome dela.
Olhou para o lado, vendo o ruivo que estava com ela e com Lisa se apresentando aos membros do Jester, olhando a briga como se estivesse vendo um filme entediante.
— Você não vai fazer nada? — perguntou Yuuna ao garoto, que apenas deu de ombros.
— Se eu entrar na briga, uma delas vai precisar de cirurgia plástica e a outra de um caixão. Ao menos que queira ser cremada. — disse Joshua. — Elas que começaram a se bater, porque deveria me envolver?
Yuuna o olhou com cara de desapontada, mas o menino aparentava não se importar muito, voltando a olhar a briga. Yuuna olhou as pessoas e foi correndo tentar parar.
— Meninas! Parem! — disse a mesma colocando os braços entre elas e tentando tirar Samantha de cima de Lisa, que estava com a cara um pouco machucada.
Benjamin apareceu rapidamente, pegando Samantha com facilidade no colo e a empurrando para longe de Vassilisa, no qual Yuuna ficou encarregada de olhar. Samantha parecia estar cega de raiva naquele momento, estava com a cara vermelha de irritação e gritava coisas com sotaque australiano, fazendo sair tudo embolado. Jake foi até Benjamin tentando acalmar a irmã e o ajudar a segurar, por mais que isso não era algo que ele precisava de ajuda.
Yuuna olhou Vassilisa com a cara cheia de machucados.
— O que aconteceu? — Vassilisa a olhou e fez gesto para se sentar e começou a rir. — Lisa, o que foi?
— Sai daqui Barbie. — Lisa empurrou a garota, fazendo a mesma quase cair em cima de Joshua.
Yuuna tombou e caiu no chão, fazendo Kariya e um amigo dele que ela levemente se lembrava de irem até ela e perguntarem se a mesma estava bem. Escutou Kariya o chamar de Tenma apenas para ajudá-la a levantar e não tentar se meter no meio da “luta peso pesado”, já que ele sairia com o rosto roxo.
— Vamos cabeludo! — ela gritou a Benjamin. — Solta a vagabunda, só sabe bater porque não tem argumento para defender a família da garota que mal liga para ela.
Benjamin olhou Samantha, que abaixou a cabeça levemente. Yuuna entendeu depois de um tempo que talvez aquilo fosse relacionado a alguma coisa sobre a Irene, ou pior, a família.
— Essa briga esta relacionada à minha família? — uma voz atrapalhou o silêncio do local. Uma mulher alta e albina passou rapidamente entre Anya e uma ruiva que ela não sabia exatamente o nome.
Era Irene.
Samantha olhou a garota por um tempo, mordendo o lábio de leve e virou a cabeça. Benjamin falava algo para ela baixinho, de modo que apenas Sam pudesse escutar. Ele a soltou e se afastou.
— Eu… — Irene fez sinal para Samantha se calar.
— Quem falou mal? — disse Irene e Samantha fitou Vassilisa, que apenas deu de ombros. — Se fosse a Sam eu até iria bater e fazer um discurso, mas com você… — Irene deu um riso de canto. —O que você sabe sobre mim além do meu nome e de boatos idiotas por pessoas mais idiotas ainda?
Ela falou para Vassilisa sem se importar muito com a mesma e a reação da garota, que apenas foi um deboche rápido. Irene foi até Joshua e o ofereceu um pouco de pipoca que tinha embalada na bolsa. O mesmo deu um sorriso de canto, chamando-a de “Minha irmã perdida” e ambos começaram a visualizar o que acontecia.
— Bem, Sam… Acho melhor você escolher melhor por quem entra em bri… — Lisa foi interrompida.
— Me disseram que estava tendo um MMA ao vivo aqui. — elas escutaram uma voz séria e um pouco raivosa.
As duas olharam e as pessoas abriram caminho, vendo Violetta ao lado de uma mulher de cabelos pretos em um cabelo longo e preto amarrados em um rabo de cavalo de lado, com uma blusa preta que cobria seus braços e uma saia cinza que ia até a altura dos joelhos, com sapatilhas no pé e duas sacolas cheias de coisas.
Violetta também estava com algumas, por mais que ela estivesse com a roupa de trabalho, no qual era uma regata preta, uma calça da mesma cor e confortável e uma jaqueta de couro. Seu sapato era uma bota com um salto pequeno.
Isso a fez refletir que talvez a mulher do lado não fosse uma caçadora, e sim uma amiga qualquer. Talvez a ajuda da Violetta em pegar coisas no alto, já que a mulher era bem alta, provavelmente da altura de Lorelai.
— Mamãe. — disse Ben com os olhos arregalados. A mulher ao lado de Violetta acenou ao filho com um sorriso no rosto.
— “Mamãe”? — Yuuna sussurrou e Ally e Rosmery foram até ela. — Achava que a mãe não era de sair de casa, apenas ia ao trabalho e voltava. E ela não era caçadora?
— Era médica de caçadores, meio que desistiu de ser caçadora há seis anos. — disse Ally sorrindo mesmo com um pequeno machucado no lábio.
Violetta respirou fundo e olhou cada membro do Pierrot. Yuuna deu uma breve gelada quando os olhos dela se encontraram com os seus.
— E novamente vocês, isso está ficando cansativo. — sussurrou baixinho. — Todos os membros do Pierrot, na minha sala. Agora. — ela disse e saiu do local, subindo as escadas. — Venha, Mayumi.
Yuuna arregalou os olhos e olhou Ally e Rosmery, que engoliram em seco ao mesmo tempo. Yuuna fitou Irene que apenas trocou um breve olhar com Samantha e saiu andando com cara de sem saco. Joshua colocou um sorriso forçado no rosto, mas ao menos era um sorriso.
Ela chegou perto de Benjamin.
— Isso foi imprevisto. — disse Yuuna.
— Eu poderia ter evitado. Se não tivesse pegado ônibus errado, se eu tivesse apenas vindo de bicicleta ou a pé… — ele sussurrou.
— Todos se estranham, Ben. Isso é normal.
— Yuuna, sem querer ser grosso… — ele disse e a olhou com um olhar sério e meio assustador. Para quem que estava sempre com um sorriso no rosto e um olhar alegre, isso não era muito bom. — Mas pode não falar comigo até isso se resolver? Ou melhor, só fala comigo quando eu conseguir falar olhando para aquelas duas sem ter o desejo de socá-las como de estivesse amaciando carne do açougue.
***
Quinta-Feira, oito e meia da manhã.
Japão, Inazuma.
Yuuna estava sentada em um sofá que tinha na sala ao lado de Mayumi, a mãe dos Salazar. Ela apertou a bochecha de cada uma oito vezes ao falar com ela, dizendo como elas eram bonitas e fofas.
Violetta voltou com duas canecas de café. Ela respirou fundo e entregou a caneca rosa a Mayumi, que sorriu e olhou o filho, indo beber. Mas antes dela terminar o ato, Benjamin tirou a cabeça da mão da mesma e assoprou algumas vezes.
— Pode estar quente. Não quer queimar a língua. — disse o mesmo e depois deu a mãe, que sorriu e bebeu um gole.
Violetta olhou Irene e fez cara de choro.
— Porque você e seus irmãos não fazem isso? — perguntou fazendo um bico fofo, parecendo uma adolescente. Yuuna deu um breve riso daquilo, com as bochechas doloridas por conta de a Mayumi ter apertado.
— Porque eu não sou o Benjamin. Ainda bem, meu cabelo seria um desastre. — ela disse passando a mão no seu longo cabelo, fazendo Benjamin dar um breve puxão nele.
Benjamin pegou a caneca de Violetta e assoprou um pouco, a dando novamente. Violetta olhou Irene, que mexeu a cabeça em negação.
— Se não vai fazer isso para mim. Namore ele. — Violetta falou seria e ambos se entreolharam, fazendo uma careta. — Eu preciso ser mimada, ninguém me fez mimos até agora.
— Agora entendemos porque ela parece ser tão sinistra. — disse Ally baixinho, fazendo Yuuna rir de leve.
— O que foi? — ela perguntou com um olhar mortal. Yuuna e Ally fizeram sinal que não foi nada e engoliram o riso.
— Oh, eu adoraria que ele namorasse com a Irene. — disse Mayumi. — Ninguém me trouxe uma namorada, e sim namorados. — disse se referindo a Nagumo e Yuri, que são namorados de Lorelai e Souji.
— Mãe, e a minha felicidade? — perguntou Benjamin a Mayumi. — Irene tem a idade do Michael, não seria mais fácil ele namora-la?
— Você é mais bonito, todos sabem disso. — disse Mayumi fazendo as meninas rirem breve.
Violetta ia continuar a conversa, mas logo bebeu um gole do café e olhou Samantha e Vassilisa.
— O que aconteceu? — todas iam começar a falar, mas a Violetta levantou o dedo. — Somente Samantha e Vassilisa, uma de cada vez. Os outros eu quero todos calados.
Vassilisa respirou fundo e olhou Samantha.
— Ela começou a me bater do nada. — mentiu Vassilisa.
— O que você disse? — Samantha se levantou para atacá-la, mas Rosmery a segurou com toda a força para ficar sentada.
— Senta Samantha. — ela disse e Sam não fez o ato. Violetta olhou Sam. — Eu mandei sentar.
A garota a olhou, e quando ela ia repetir a segunda vez, a mesma se sentou rapidamente, pedindo desculpas. Violetta olhou Vassilisa.
— Você não comentou nada com ela, apenas a Sam chegou a você e começou a lhe bater? — ela perguntou olhando nos olhos de Vassilisa e aproximando os rostos.
Vassilisa engoliu em seco e concordou. Violetta balançou a cabeça.
— Eu vivi acreditando que o Yuri era heterossexual até quando ele tinha dezesseis anos. Ele é o melhor mentiroso da nossa família. — disse Violetta. — Você está mentindo?
Vassilisa mordiscou o lábio e desviou o olhar. Violetta segurou a cara dela.
— Você está mentindo. Não conseguiu me olhar nos olhos. — disse Violetta e olhou as outras. — Alguém pode me contar o motivo da briga e não mentir?
— Calma Violetta. — disse Mayumi colocando a caneca na mesa de centro ao ver que a mulher já estava se alterando.
Ally passou a mão no pescoço, e todas perceberam que ela estava quando começou a briga. Ela mordeu o lábio e desistiu de hesitar a contar.
— Quando eu sentei-me à mesa ela já estavam discutindo um pouco, mas não de modo violento. Aparentavam discutir sobre as outras meninas, dizendo o que achavam delas. — disse Ally. — Ela falou que a Sam parecia ser uma boa pessoa, mas que quando chegou à Irene, Lisa disse que ela era rata de homem como a mãe, vendo que ela e Joshua se entenderam de primeira ontem e ficaram conversando uma hora inteira, mas ela foi embora com o Benjamin.
Joshua piscou os olhos.
— Acho que vocês se confundiram. Eu gostei da Irene porque ela parece comigo em personalidade, é raro achar alguém que consegue me calar em uma discussão. — disse Joshua calmamente. — E não gostei dela como alguém que ia flertar. E ela também não flertou comigo, apenas se dizer que o meu cabelo parece um cogumelo é flertar.
— E eu não gosto de cogumelos. Sou alérgica. — disse Irene. — E eu fui embora com o Ben porque ele ia pegar algo que o Souji esqueceu no quarto do Yuri. Uma cueca, na realidade.
Benjamin olhou a mãe, que pareceu dar um sorriso travesso ao saber que o filho esqueceu a cueca no quarto do namorado.
Violetta estalou o pescoço e olhou Ally.
— E então ela continuou a falar e a Samantha começou a bater nela. — disse Ally passando a mão no nariz. — E me socou quando tentei parar, mas eu perdoo.
Violetta olhou Lisa.
— Como assim “como a mãe”? — perguntou Violetta. — Se eu traio o Ygor ou não, acho que o problema é dele, que já está morto, e não seu. Mas já dizendo que não trai, e quanto a Dimitri, saibam que foi abuso sexual, e não traição. Eu nunca traí o Ygor.
Ela olhou Vassilisa que parecia meio tensa, dando a perceber que o argumento era sobre o Dimitri ser filho bastardo.
— Obrigada por me defender e também a minha filha, Sam, mas nada desse tipo se resolve com violência. — disse a Samantha. — Vassilisa, a história do Dimitri já me fez sofrer e a ele mais ainda por pensamentos assim das pessoas. Não sei se você quer me pedir desculpas, mas eu lhe perdoo e vou fingir que nunca escutei isso. Afinal, foi a minha decisão ter o filho e já sabia que sempre teriam esse pensamento de mim de primeira.
Ela respirou fundo e tomou todo o café em um gole. Piscou depois e balançou a cabeça, sorrindo.
— Bem, eu já disse que a Irene é a segunda líder? — todas pensaram rapidamente e negaram. — Eu devo ter esquecido ontem, mas a Irene é a segunda líder, ok?
Todas concordaram com a cabeça, por mais que Vassilisa ao seu lado fez uma breve careta que Violetta não percebeu. A azulada se levantou novamente e foi até uma gaveta que Yuuna tinha se lembrado de que ela trancou ontem, pegando um envelope pardo e voltando a se sentar ao lado de Mayumi, que olhou curiosa.
— Vamos dar esse papo da briga como encerrado. Mas se tiver alguma briga que seja fora daqui. Da porta da DLC para dentro, vocês se tratem bem. Aqui não é colegial e eu não sou a diretora. — disse a mulher, fazendo Sam e Vassilisa mexerem a cabeça em concordância. — E agora, vamos logo para o trabalho?
Ela entregou o envelope ao líder do grupo e todos a olharam. A mesma ficou os olhando.
— O que foi? Vocês vão trabalhar em um homicídio e terrorismo, e isso não se resolve sozinho.
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