Dead Zone.

11 Carrasco.


Notas iniciais
Oi gente! E a quarta já chegou, nem demorou tanto assim, né? Nem deu pra sentir saudades de mim. :3 Bom, minhas notas iniciais de hoje terão poucas palavras. E eu gostaria de dedicar esse Capítulo a minha MELHOR amiga, a minha fiel escudeira e Parceira, o Henry da minha vida. A minha co-autora, Rillary Noráh. Brodi, sabe que a gente é família, né? E por mais que as vezes a gente queria se distanciar, por causa dos problemas que a vida nos traz, nossa AMIZADE sempre SOBREVIVE. E nada mais justo do que te dedicar esse capítulo hoje. Obrigada por você existir na minha vida! Desde 2010 você vêm acontecendo, e vc nem imagina o quanto és importante para mim. A irmã que eu escolhi com meu coração. As notas finais são inteiramente suas. Até lá em baixo. Mas antes... Dá uma olhada nessa letra, Queen, Friends Will Be Friends, http://letras.mus.br/queen/65661/traducao.html https://www.youtube.com/watch?v=0AIlz08fZos e escuta! Atualizando... ♥

Entrei no meu quarto, eu estava tremendo. Meu pé doía do chute que dei em Ricardo, era o mesmo pé que eu havia torcido há alguns dias. Eu estava nervosa. Olho para as minhas mãos, as quais estavam ensanguentadas...

“ Para quem você trabalha? – Ele ria da minha cara. – Eu fiz alguma piada? – Eu mostrava autoridade na voz. Ele ainda se mantinha calado, e apenas ria da situação.

– Porque está demorando tanto, capitã Leão? – O General William Graves apareceu na pequena sala.

– Ele se recusa a falar, Senhor! – Respondo de imediato.

– Ele não vai se recusar por muito tempo. Você sabe o que tem que fazer... – Ele diz sério. Seus olhos eram sombrios, por vezes congelantes. Sempre me dava um frio na espinha quando eu o encarava.

– Sim, senhor General Graves! – Bati continência e voltei ao prisioneiro. – Ultima chance para você falar quem são os mandantes dos ataques. Onde eles se escondem? – O prisioneiro mais uma vez se nega a falar, e ri debochado.

O General se senta em uma cadeira, para assistir a tudo. Eu respiro fundo, e com muita tristeza começo a esmurrar seu rosto. Dei 10 socos seguidos e voltei a perguntar. – Quem são eles e onde se escondem? – Agora seu riso debochado tinha cessado, seu rosto estava ensanguentado. Mas mesmo assim ele se recusa a falar. Eu o acerto mais algumas vezes no rosto, minha mão já doía. – Onde eles se escondem?!

– Eu não posso falar! – Finalmente algum som sai de sua boca. – Olho para o General que assistia tudo com uma expressão séria e concentrada, atrás de mim, o qual me sinalizava para continuar.

– Resposta errada. – Agora dou joelhadas em seu rosto. Percebo que ele fica tonto, e que vai desmaiar. Henry que também estava na sala, me traz água gelada em uma vasilha. Eu jogo no rosto do prisioneiro. – Não lhe dei permissão para dormir, prisioneiro. – Por fora eu era a capitã, destemida, fria, a qual espancava um homem de aparentemente 40 anos sem nenhum problema... Mas por dentro, cada soco e joelhada me derrubava, matava um pouco mais a humanidade que ainda me restava.

Logo eu que fui treinada por Alan, pai de Clara, o qual me ensinou que não devo usar de violência, só quando for realmente necessário e quando o outro puder se defender, o que seria justo, e aquilo de fato não era. Mas o que era justo naquele universo caótico e sem sentido? Eu estava em uma guerra, e ali as leis morais não cabiam. Jogo a água em seu rosto, e ele acorda assustado.

– Por favor... Eu não posso... – Ele chorava. Seu rosto já estava bastante desfigurado. – Eles vão me matar!

– E você acha que eu não vou? – Dizer aquilo me doeu. Um nó se fez em minha garganta, e a saliva descia dolorosamente a cada vez que eu a engolia. – Se você não falar, acredite, você vai preferir ser morto por eles.

– Por favor, moça... Eu tenho flhos... – Ele me suplicava.

– As pessoas a quem você explodiu hoje também tinham. Isso não vai me comover. Tente responder as minhas perguntas. – Ele ainda hesitava. – Henry! Me traga a adaga. – Henry arqueia a sobrancelha. E logo me passa a adaga que estava em seu coldre.

– O que você vai fazer? – Eu me aproximo com a adaga. Ele se desespera. – O QUE VOCÊ VAI FAZER?? — Ele se estrebuchava na cadeira. — AH! – Ele grita ao sentir um de seus dedos sendo arrancados de sua mão.

– Última vez, e é bom você me responder... – Tento parecer o mais fria possível, mas eu estava segurando o choro. – Quem eles são, e onde estão escondidos? Pense bem antes de me responder, porque a próxima coisa que eu vou cortar, é o que você acha que te faz ser um homem. – Ele olha pra baixo, entre as pernas e depois volta a me encarar com um semblante apavorado. – Que bom que entendeu...

– Eu não sei quem são! Pelo menos não ao todo... – Ele estava coberto de sangue e suor. Estava pálido. – Sei que existe um líder, e que esse se move constantemente. É difícil lhe dar as coordenadas corretas. Mas sei onde você pode encontrar os outros autores dos atentados de hoje. E pode evitar os atentados que estão previsto pra acontecer mais tarde, às 19h. – O general ensaia um breve sorriso vitorioso. Estar um passo a frente deles era uma vitória.

– Então quer dizer que vocês pretendiam explodir mais coisas hoje? – Ele assente. – Onde?

– No hospital... Eles vão explodir o hospital. E estão acampados em um lote de terra abandonado ao lado do hospital. Agora por favor... Não corte o meu... Membro. – Ele chora descontrolado. – Por favor...

– Acho bom que seja mesmo verdade, do contrário, vou cortar o seu membro e isso será a sua janta. – Henry pereceu desconfortável, acredito que por imaginar a cena.

– Bom trabalho, capitã Leão. – O General me cumprimenta e sai.

Eu saio da cela e vou até o alojamento. Sento na minha cama, minhas mãos ainda estavam ensanguentadas, eu paro o meu olhar sobre elas, as quais estavam tremulas. Aquele sangue significava tudo aquilo, toda aquela violência de graça, toda a vida que eu já tinha tirado até ali... Era um pesadelo real, em tempo real. E eu não tinha como acordar, e nem conseguia mais dormir. Eu estava me tornando um monstro pior que os terroristas...”

– Bia? – Clara entra no quarto, e me pega chorando.

– O que você quer? Veio brigar comigo por causa dele? – Eu estava na defensiva.

– Calma... Não vim aqui brigar. O que você fez foi muito errado, não foi isso que o meu pai te ensinou. Nos ensinou... – Ela me ajuda a levantar. – Vem, vamos lavar essas mãos.

– Você deveria estar com o seu namorado. – Eu disse seca.

– Eu deveria estar onde meu coração quer que eu esteja...

– Comigo? – A encaro. Ela desvia o olhar.

– Nesse momento, sim. Eu te conheço Bia, e sei que aquela lá em baixo, não era você... Seus olhos...

– O que tem eles?

– Estavam sombrios. – Engulo em seco. Me lembro dos olhos do General Graves, e sabia como aquele olhar era apavorante.

– Eu estava com tanta raiva... E tinha muita coisa acumulada. O Ricardo pediu por aquilo. – Disse firme.

– Sei que ele mereceu, mas não significa que foi o certo a ser feito. Você é uma líder nata, Bia. Mas não é castigando alguém por mau comportamento que vai resolver qualquer situação. – Ela procurava pela minha consciência.

– E o que eu faço pra resolver essa situação com o Ricardo, Clara? Como você reagiria se descobrisse que o cara que você desde que se entende por gente é o seu melhor amigo, na verdade nunca gostou de você, e sempre quis te destruir?

– Eu não sei... – Ela disse sincera.

– Tudo bem ele armar contra mim, querer me ferir, roubar você de mim, mas contanto que não envolva a segurança de outras pessoas, contanto que não machuque outras pessoas. Como ele fez! – Desabafei.

– Tudo bem ele ter me roubado de você? Bia... O Ricardo não me roubou de você. Eu fiz uma escolha.

– Na hora da raiva? – Ela não soube responder.

–Sabia... Ele é um manipulador nato. Sempre foi. Eu mesma sempre caí nas histórias dele. Ele sempre me convencia a fazer a coisa errada. E ele ficava com raiva quando eu me recusava, ai fazia uma chantagem emocional do caralho, e eu pra não deixar ele chateado, voltava atrás. Clara, ele nem gostava de você. Quando a gente começou a namorar, ele foi contra, ele nunca quis que eu me apaixonasse por ninguém. Até me fez prometer uma vez. Então, da noite pro dia, meses antes de eu entrar na aeronáutica, mas já na preparação, ele se torna seu Best? Nunca achou isso estranho? Antes disso ele mal te direcionava a palavra.

– Não, nunca achei estranho. Olha, acho que você está viajando, Bia. Eu e o Ricardo nos aproximamos por causa de um motivo em comum, você. Demos aquela festa de aniversário pra você, planejamos tudo juntos. Por causa disso nos aproximamos. – Eu dou uma breve risada irônica.

– Quanto tempo nós duas namoramos? – Ela fica pensativa.

– 5 anos? – Assenti.

– E quantos aniversários meus que você organizou ele apareceu?

– Nenhum...

– E porque justamente no meu aniversário que seria dois meses antes de eu entrar para academia ele se aproxima?

– Pra ele pode estar pelo menos em mais um? Olha Bia, eu não sei onde você quer chegar com isso...

– Esqueça. Você só vai entender quando ele deixar a mascara cair. – Adverti.

– Vamos esquecer o Ricardo por um momento? Vamos lavar suas mãos. – Ela me puxa até o banheiro. – Você ta mancando? – Se mostra preocupada.

– To, mas ta tudo bem. Vou ficar bem.

– Eu sei que vai. – Ela me dá um sorriso fraco.

Abre a torneira da pia, e cuidadosamente vai lavando minhas mãos, limpando todo o sangue que havia nelas. Ao terminar ela mesma enxuga.

– Você não precisa mesmo ficar aqui... O Ricardo ta precisando de você bem mais do que eu. – Digo cabisbaixa.

– Talvez tenha sido por isso que fiquei com ele...

– Isso o que?

– Você se preocupa mais com os outros do que consigo mesma. Do que com a gente!

– Ah ta, agora faz sentido. Pessoas egocêntricas como o Ricardo é que fazem o seu tipo. Entendi. – Despejei ironia.

– Claro que não. – Ela diz cansada. — Só para de me empurrar pra ele! Eu quero estar com você agora. – Agora eu que fico sem palavras. – Não me manda ir embora, Bia... – Ela estava com os olhos marejados, e abaixa a cabeça antes que eu visse as lagrimas que insistiam em cair. As quais caem nas minhas mãos, que ela ainda estava segurando.

– Tudo bem... Pode ficar aqui... Comigo. – Eu deito na cama, e ela deita do meu lado, encostando sua cabeça em meu peito.

Ficamos ali, sem dizer mais nada. Finalmente ela estava em meus braços, mas eu não a sentia por completo. Na verdade, eu não sentia mais nada além da dor do meu pé, e a dor de ter perdido alguém do grupo em uma missão. – Eu poderia ter evitado a morte do Gladistone. – Finalmente eu disse alguma palavra.

– Como? – Ela me olha debaixo.

– Eu não deveria ter deixado o Ricardo assumir a liderança. Eu não devia ter dado corda para a birra dele. Eu poderia ter evitado tudo o que aconteceu...

– Não se culpe tanto. O mundo está assim, e a culpa não é sua Bia. Eu sei que você tem a mania de querer proteger todo mundo, carregando o peso do mundo nas costas. Mas esse mundo é um fardo pesado demais, até pra você. Eu escrevi aquele bilhete, que eu deixei na minha casa dizendo para onde estaríamos indo, porque no fundo eu sabia que só você poderia me proteger de tudo isso. Eu fui egoísta, Bia. Por mais que não fosse certeza, e parecesse loucura, eu tinha certeza que você iria atrás de mim. Pode até ser prepotência minha, mas eu sabia. E eu quis que você fosse, como se você fosse obrigada a me proteger... Porque você sempre me protegeu. Ficar sem você é me aventurar por um caminho escuro, o qual eu sempre estou com medo. Com você, como estamos agora, eu me sinto protegida...

– Então porque você me deixou, Clara? – Eu a encaro com os olhos marejados.

– Porque eu sabia que de longe você não podia me proteger.

– Então se resume a isso? Proteção? – Falo com a voz embargada.

– Não. Claro que não. Mas segurança é estabilidade em uma relação.

– Vinda só de um lado? Que segurança injusta essa. – Ironizei.

– Por isso eu to dizendo o quanto fui egoísta. Por isso estou aqui com você agora. Vou te proteger, nem que seja só por essa noite. Se você me permitir, é claro...

– Tudo bem... Eu permito. – Eu estava entregue aos seus carinhos.

Há muito que eu queria estar nesse momento, onde nos conectássemos de alguma forma. Ela conseguiu, me surpreender dessa vez. Eu não imaginava que Clara iria me seguir para dizer que iria estar ao meu lado, e que me protegeria. Ela tem razão, o que eu fiz não foi certo. Eu sou uma líder, não um carrasco, eu não tenho esse direito... Eu não estou mais em um zona de guerra, pelo menos não uma guerra pelo poder. Nosso alvo são os mortos-vivos, e a luta é pela vida.

Meus olhos vão pesando, e eu adormeço sentindo o perfume dela, da mulher que eu amo. Da minha Clara.

Notas finais
Rill, leia com atenção... "Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta. Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas. É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu. É aquele que cede e não espera retorno, porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o alimenta, satisfaz. É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você. É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência. É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir". É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas. É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso. Amigo é aquele quem sabe que viver é ter história pra contar. É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com seu sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos. É o achar daquilo que você nem sabia que buscava. Amigo é aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos. Amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática. É aquele que percebe em seus olhos seus desejos, seus disfarces, alegria, medo. É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no seu olhar, e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando tristeza interior. É lua nova, é a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris. Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação: Amigo é quem te ama "e ponto". É verdade e razão, sonho e sentimento. Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista. " Só quero que entenda, que aconteça o que acontecer, estarei sempre aqui, ajudando em seus passos, e te reerguendo sempre que for preciso, sempre que vc me permitir. Amo vc, minha IRMÃ.