Dead World Assembly - Assembleia do Mundo Morto

17 Capítulo XVI: A Derradeira Apostasia


Notas iniciais
Capítulo dedicado à Cacau54 pela linda recomendação que fez para a Fanfic, obrigada mesmo! *--* ... Boa leitura!

Dead World Assembly

“Ele aponta o cano na direção do barulho, o dedo no gatilho e os dentes trincados de tanta tensão. Do lado de fora da janela, nenhum movimento. Dentro do Suburban, os músculos relaxam e Nick solta um suspiro de alívio”.

KIRKMAN, Robert. A Ascensão do Governador (pag. 65).

Capítulo XVI:

A Derradeira Apostasia

Sakura despertou com os primeiros feixes de luz roçando suas pálpebras cerradas. Espreguiçando-se demoradamente antes de resmungar baixinho, cobriu os olhos com o braço. A textura suave de um lençol escorregou através da sua pele nua quase como uma carícia e ela o apertou contra o corpo num ato instintivo.

Desnorteada ainda pelo sono, destapou os olhos semiadormecidos e desanuviou os pensamentos de uma inescapável letargia. Apoiou-se nos cotovelos, tomando cuidado para que o lençol não deslizasse de seus seios, e aguardou para que seus olhos se acostumassem à claridade da manhã.

A sala de estar lhe pareceu especialmente solitária, apesar da luz etérea que a envolvia; a chuva havia cessado e agora apenas pingos persistentes gotejavam do alpendre das janelas. A calmaria, no entanto, não a convenceu, muito embora Sakura se sentisse leve e com uma típica e familiar sensação de satisfação que, ela sabia, estava diretamente relacionada ao que havia acontecido na noite anterior.

Notou que estava sozinha assim que despertou e não conseguia parar de se perguntar onde Sasuke se encontrava. Enrolando o lençol no corpo, sentou-se no sofá e conteve um bocejo. Esfregou os olhos calmamente antes de ouvir passos oriundos da cozinha e acabou por relaxar sem que percebesse.

Se repreendeu quando seu primeiro reflexo ao vê-lo caminhar em sua direção, vestido apenas com a calça de moletom e a camiseta da noite anterior, foi sorrir. O cabelo estava despenteado e trazia nas mãos uma caneca de gesso da qual fumegava um vapor específico.

— Bom dia — ela murmurou à meia voz e tentou desembaraçar os nós dos cabelos com os dedos.

— Hn. Bom dia — ele respondeu, sentando-se ao lado dela e lhe oferecendo a caneca com o líquido fumegante.

Sakura inspirou o aroma quente e estimulante de café antes de prová-lo.

— O que houve com o nosso trato? — fitou-o divertida e Sasuke empurrou uma mecha do cabelo dela para trás da orelha.

— Não é disso que todas as mulheres gostam? — ele retrucou, abrindo um sorriso cínico. — Romantismo, um parceiro sensível, café na cama depois de uma noite de sexo...

— Ah, sim — ela assentiu, assoprando o café para não queimar a língua. — Isso. Bem — ela se corrigiu com um sorriso —, eu não sou exatamente como todas as mulheres.

— Com toda a certeza não é. — A rapidez com que ele concordou a fez rir.

— Que atencioso — ironizou e prendeu o lençol mais firmemente em torno dos seios, entregando a caneca vazia a Sasuke. Inspecionou o chão em busca de suas roupas descartadas e instantaneamente as recolheu.

Aproveitou que Sasuke havia se retirado para a cozinha novamente para vestir a calcinha, ainda enrolada no lençol. Depois, simplesmente passou a camiseta pela cabeça. Recolheu o restante de sua roupa e deixou-a dobrada sobre a cama, em seu quarto.

No banheiro, enxaguou a boca com água fria e escovou os cabelos até que se julgasse decentemente civilizada. Na cozinha, reencontrou Sasuke com a mesma caneca na mão, agora recostado no balcão e franzindo o rosto numa expressão amargamente contemplativa.

— Como passou a noite? — perguntou, dando-lhe as costas enquanto Sasuke bebericava do café outra vez.

— Atipicamente... calmo — ele pareceu ter dificuldade em encontrar um adjetivo adequado.

— Será que isso significa que o nosso intruso pode ter desistido...? — conjecturou com um falso tom esperançoso e Sasuke encrespou o rosto pálido numa careta

— Eu não acreditaria muito nisso — declarou categórico. — Mas, mais tarde, vou sair para ver como estão as coisas lá fora.

Sasuke fez um som de desgosto e Sakura sorriu.

— Qual é o problema? — ela perguntou entre risos, mordiscando o lábio inferior.

— Acho mais saudável que você continue cozinhando por aqui — respondeu e despejou o restante do líquido escuro na pia.

— Não seja tão severo consigo mesmo; eu ainda achei muito fofo da sua parte — provocou-o enquanto vasculhava os armários atrás de um pacote de biscoitos que ela tinha certeza que havia guardado ali.

Sasuke crispou a boca enquanto a repreendia com o olhar.

Fofo? — Ele escarneceu da palavra que ela escolhera para descrevê-lo, mas acabou deixando o tópico de lado.

Sakura balançou a cabeça e conteve um sorriso. Suas mãos enfim esbarraram no pacote de biscoitos que estivera procurando, e apesar de estarem terrivelmente murchos e esfarelados, Sakura os saboreava como se fossem ambrosia.

Ela riu quando sua cintura foi inopinadamente envolvida por um enlace restritivo e o pacote de biscoitos desapareceu de suas mãos. Sasuke respirou na pele sensível de seu pescoço e girou-a dentro de seus braços para que pudesse fitá-la nos olhos. Sakura limitou-se a abrir um sorriso provocante enquanto suas mãos desapareciam debaixo da camiseta dele.

Também não ficou exatamente surpresa quando sentiu as mãos dele, em retribuição às afrontas que as dela provocavam na pele quente de seu peito e abdome, suspenderem sua camiseta e abraçarem-na pelos quadris, os dedos provocantemente roçavam no elástico de sua calcinha. No entanto, a boca dele cobrindo a sua no instante posterior a isso, conseguiu, sim, roubar-lhe o ar dos pulmões.

Sakura se agarrou a ele da melhor forma que pôde enquanto Sasuke pilhava sua boca e embaralhava seus pensamentos com uma perícia invejável, mais uma vez desconectando-a do próprio corpo e da própria mente. Seus seios terminaram esmagados contra o peito dele e em algum momento ela acabou sentada sobre o granito do balcão com os tornozelos encerrados em torno dos quadris dele.

O oxigênio foi recebido aos tropeços em seus pulmões quando Sasuke lhe permitiu reaver o fôlego perdido, descolando as bocas que se coligiam sôfregas. Mas logo ele a atacava no pescoço, roçando os dentes na pele inacreditavelmente macia enquanto as mãos precipitavam-se de forma perigosa pelo ventre feminino.

O cheiro da pele dele era familiarmente quente e vivo quando Sakura respirou na junção do pescoço e do ombro, espalmando as mãos nas costas e puxando de forma quase desesperada a camiseta para cima.

— Eu quero você na minha cama a partir de hoje — ele declarou de forma peremptória, o que a levou a sorrir contra o ombro dele e a conter um espasmo de prazer quando as mãos dele percorreram seus quadris e suas coxas de uma forma torturantemente lenta.

A boca dele voltou para abafar um resmungo seu e só por um momento Sakura permitiu perder-se de novo. Não obstante, ela não conseguia se sentir culpada por estar afogando a sua solidão nos braços e na boca dele. Sabia que Sasuke procurava exatamente a mesma coisa que ela; algum tipo de conforto, consolo, talvez um ensejo para esquecer-se da onipresença bruta da mortandade.

Houve vezes que ela se questionou se não estava cometendo um erro ao permanecer com Sasuke. Mas inacreditavelmente todas estas inseguranças lhe pareciam completamente estultas e insustentáveis agora. Sakura se sentia inconcussa quanto ao fato de que podia confiar nele, de que podia contar com ele para qualquer eventualidade. Estavam juntos, inquestionavelmente, para lutarem pelo direito de sobreviver.

Ela não o deixaria escapar pelos seus dedos tão facilmente, não como Ino.

E agora, ela estava se entregando mais uma vez, cedendo aos beijos dele e às ministrações atenciosas que ele dedicava ao seu corpo. Um calor febril desabrochava sobre a sua pele, despertando-a para o prazer que se ocultava mais uma vez no centro de sua feminilidade.

— Queria ter te conhecido antes de tudo isso — ela confessou contra a boca dele, seus sussurros perdendo-se no silêncio que se seguiu.

Envolvendo o rosto com ambas as mãos, afastou-se o suficiente para fitá-lo.

— Eu queria mesmo ter te conhecido antes do mundo acabar — reafirmou com uma sobriedade bucólica enquanto tocava os traços cinzelados daquele rosto bonito: as maçãs altas, os cílios negros, os sobrecenhos ligeiramente arqueados, o nariz reto, a boca esculpida.

Os olhos esbraseados de desejo de Sasuke a miraram com uma suave — e inesperada — candidez. Sakura sorriu e roçou os lábios delicadamente nos dele, acariciando o rosto que ela tão ternamente segurava entre as mãos. Gradualmente, ela o sentiu correspondendo aos seus beijos e um suspiro profundo brotou em sua boca inchada.

Sasuke a envolveu pelos quadris, cerrando suas mãos à base suave das costas e por um instante, inebriada pela libido, Sakura sentiu-se liberta do efeito da gravidade enquanto ambos atravessavam os cômodos.

Suas pálpebras semicerradas espiaram o semblante compenetrado de seu parceiro até que a claridade casta da manhã que atravessava as janelas do quarto cingisse as suas feições taciturnamente belas e repintasse os olhos antes inteiramente negros com um matiz crepuscular. Mais uma vez, as roupas escorregaram do seu corpo sob as mãos hábeis de Sasuke, assim como as dele desapareceram com o auxílio das dela, mais afoitas e desgraciosas.

As costas nuas dela logo tocaram a textura macia dos lençóis e seus dedos correram pela pele excessivamente alva dele com desalento. Dessa vez, ela intuiu que Sasuke dedicou-se exclusivamente a incitá-la com os tipos de carícias que mais a estimulavam.

Tendo descoberto os pontos no corpo sensivelmente feminino que mais a fragilizavam na noite passada, ele não a desamparou em momento algum.

O cheiro de Sasuke estava não apenas impregnado nos lençóis de percal alvos e macios, como aderia ao corpo dela, onde quer que ele a tocasse com a sua boca pecaminosa ou a envolvesse firmemente em suas mãos. Quando o corpo dele desceu sobre o dela, Sakura pressionou o rosto contra um ombro suado e esperou pela libertação de todos os desejos que se avolumavam dentro dela.

Diferentemente desta vez, os dedos dele procuraram pelos dela, escorregando através de suas palmas até que se encaixassem em um entrelace tão íntimo que disparou loucamente seu coração e aqueceu seu ventre com uma clara antecipação.

Sakura sentiu uma intrepidez desesperada de tocá-lo também e sua desinibição a levou a proporcionar a ele o mesmo prazer primordial que ela sentia agora, correndo beijos e carícias pelo corpo sensualmente viril, estimando cada contração espasmódica que o assaltava periodicamente.

Os sons roucos que provinham da garganta de Sasuke a distraíam da quentura cada vez mais insuportável entre os seus corpos, mas entre um sussurro inteligível e um gemido sufocado, ela jurou que o ouviu chamá-la pelo nome.

Algum tempo depois, Sakura sentiu que seu corpo e sua mente haviam conseguido se recuperar o suficiente da letargia para permiti-la reagrupar os pensamentos e perceber que seus músculos agradavelmente extenuados se alongavam lentamente.

Ela fitou Sasuke, deitado ao seu lado, de bruços, um dos braços repousava dobrado sob a sua bochecha, amparando suas feições suavizadas; seus olhos sonolentos a fitavam por trás de uma bruma incandescente de contentamento e um sorriso velava os seus lábios.

Sakura apoiou-se nos cotovelos para admirá-lo sob a aura invernal daquela pálida manhã. Sua mão tocou a pele aveludada das costas masculinas, traçando o padrão que os músculos esguios dele compunham. Sasuke apreciou a carícia e emitiu um grave e profundo som que a lembrou de um felino ronronando.

— Em algum momento... — ela sussurrou incerta, arrastando as pontas delicadas dos dedos por sua espinha dorsal até que se detivesse na base da nuca. — Você já sentiu como se estivesse... Eu não sei, desmotivado a continuar lutando para sobreviver?

— Já me senti dessa forma mais vezes do que consigo me lembrar — ele murmurou; a voz enrouquecida e abafada contra o travesseiro no qual repousara a cabeça.

— E o que te motivou a continuar tentando? — ela perguntou, inclinando o rosto contra a luz da manhã até que a claridade escondesse seu olhar.

— Eu não sei — ele admitiu, adotando uma expressão pensativa. — Talvez eu ainda tivesse alguma esperança de encontrar o meu irmão, de que algum dia a cura para essa doença fosse descoberta, ou talvez eu apenas seja um desgraçado bastante teimoso.

— Eu pensei em desistir... Por muitas e muitas vezes — ela confidenciou e levou a mão até os cabelos revoltos dele, acariciando-os de forma distraída. — Primeiro, quando deixei meus pais para trás em Tóquio. — Desviou o rosto, ressentida. — Eu teria voltado e permanecido com eles se Ino não tivesse me convencido a lutar pela minha vida. — Um suspiro cansado deixou os lábios dela. — Então eu perdi Ino e me perguntei se não seria melhor eu simplesmente puxar o gatilho contra mim mesma, sabe? Seria tão rápido e indolor... Seria como dormir para sempre, e não ter que voltar como um monstro mais tarde. Mas a Ino me fez prometer que eu não desistiria, me fez jurar que eu continuaria, não importa o que acontecesse. Até que a cura fosse descoberta ou até que eu alcançasse o centro de refugiados. Eu tinha de sobreviver, ela me disse... Eu tinha que conseguir. Por nós duas. — Sua voz se extinguiu.

— E como você está se sentindo agora? — ele a espreitou, sondando-a com o olhar escuro e Sakura pareceu ponderar a respeito, relutando com as palavras para que pudesse respondê-lo sem se comprometer com a umidade salgada que já anuviava seus olhos.

— Houve vezes em que me senti morta por dentro. Eu pensei que o fato de estar com medo pudesse me fazer sentir viva de verdade. Mas o medo apenas agravou aquela sensação. Então eu pensei: O que a essa altura pode me fazer voltar a sentir que eu estou viva? Eu não tinha mais ninguém que eu amava para lutar e proteger, eu não tinha mais os meus pais e nem mesmo a minha melhor amiga. Só uma promessa me impedia de desistir e aí...

Ela o fitou com uma expressão contemplativa; os olhos esmeráldicos congelados com um sentimento tão cândido quanto cruelmente desgastado. Pressionando os lábios, Sakura deitou sobre as costas de Sasuke, acomodando-se junto ao calor agradável da pele dele.

— Eu encontrei você, Sasuke, e você me lembrou de como é sentir-se viva de novo. Depois que perdi a Ino, eu confesso que tive medo de me aproximar demais de você, de me afeiçoar a você e, depois, de ter que te assistir partir e me deixar para trás. Mas eu não sinto mais... — Uma pausa inesperada. — Eu não sinto mais medo, graças a você.

— O medo nos mantém vivos de alguma forma também, Sakura — ele a corrigiu com delicadeza, mas ela meneou a cabeça calmamente.

— Viver em função do medo é algo que eu não quero nunca mais ter de fazer, Sasuke. O medo nos fragiliza, nos torna dependentes dele, nos limita. Por vezes, o medo apenas nos conduz ao abismo da insanidade.

— E pelo quê você pretende lutar agora então? — ele indagou com comedida curiosidade, refestelando-se na sensação do corpo dela contra o seu.

Ela suspirou e aconchegou mais o rosto à quentura de veludo da pele de Sasuke.

— Pretendo lutar para que fiquemos juntos — respondeu, sorrindo, e curvou o rosto para beijar as costas dele, bem abaixo de uma das omoplatas. — Não vou te perder de vista tão facilmente. — E sorriu, encerrando as pálpebras que já pesavam.

— Esse me parece um bom motivo — ele riu e tornou a pousar o rosto sobre a curvatura do braço.

Sakura, em resposta, pressionou a boca contra as costas dele outra vez, esparramando-se mais confortavelmente sobre as reentrâncias do corpo de Sasuke.

E pela segunda vez, adormeceu em torno do acalento e do calor que ele exalava.

Uma vez ali, nem mesmo os pesadelos a alcançaram mais.

* * *

É tão bom assim se sentir vivo?

Porque eu estive morto por tanto tempo.

Demon Hunter — Trecho de My Throat Is an Open Grave.

Notas finais
E hoje retorna TWD! lol Ansiosos? Eu estou praticamente quicando de ansiedade! Hahaha ... As coisas estão um pouco calmas por enquanto, mas logo, logo os errantes (e mais personagens) devem chegar para complicar a vida desses dois! ;D Alguém tem um palpite de quem vai aparecer? ... E logo também, o arco em Komatsushima deve terminar, e Sasuke e Sakura em breve estarão na estrada. ... Mais uma vez, obrigada à Cacau54 pela recomendação. Obrigada a todos que estão comentando também. Devo responder os reviews amanhã :) Até.