Dead Wings

2 Capítulo 2 - Alameda Dos Sonhos Despedaçados


" As ruas nesse momento estão cheias de pessoas cruzando de um lado para o outro, muitos voltando da jornada de trabalho, mas na real, pra mim nada importa... já me cansei de olhar na face das pessoas e ver o que elas retratam... você olha na cara do cara bem vestido, com sapato caro, terno bem passado, traz pinta de boa pessoa, mas no fundo é um pervertido que abusa das funcionárias do seu restaurante de renome que serve comida vencida que resta nos depósitos dos grandes mercados.

Pela rua vejo coisas que ninguém vê, ou pelo menos, que ninguém imagina..., creio que ninguém pensa do meu jeito..."

Aquele casarão abandonado, que todos dizem ser assombrado... lá é o local onde me isolo de toda a realidade, o lugar onde eu realmente posso chamar de lar, não só eu....

Como sempre Sid fica do lado de fora do casarão até todo mundo chegar, é como se ele fosse o recepcionista de lá, fica de braços cruzados no meio da porta, como se fosse um segurança, só falta o físico, pois é mais magricela que um cão de rua e tentar ser o engraçado da turma, talvez seja por isso que o chamam de Sid, como Vicious, ou talvez mesmo por ninguém saber seu verdadeiro nome.

Entro pela porta, vou subindo as escadas direto ao quarto que costumamos nos reunir, no caminho sou puxado pelo braço, e logo vem aos meus rosto duas mãos brancas tapando brutalmente meus olhos — Adivinha quem é? — é claro que eu sabia quem era, Samantha me recepcionava assim todos os dias, cada vez tentando me enganar com uma voz diferente.. — Não sei bem..., é você rainha Elizabeth? — as mãos soltam o meu rosto e a vejo com feição chateada por não ter conseguido me enganar, mas logo segurei-a pelo braço e entramos na sala.

Havia poucas pessoas lá..., dois garotos e Matt, que era como um líder para nós, tudo que ele dizia era lei, ninguém o contrariava.. exceto Tabatha, a garota com pinta de durona que se opõe a tudo e todos para parecer mais revoltada, mas espere... falta alguém aqui, começo a olhar para os lados tentando lembrar quem está faltando, e logo grito: — Sid, seu infortunado, quem é o corno que ainda não chegou? -, ele se mantém em silêncio por alguns minutos e logo Matt se levanta, dirigindo-se até os batentes da porta "Entre logo seu viadinho, eles não vão vir", ao dizer eles, já lembrei de quem ele estava falando, quem faltava... era Marrie e o Pesadelo, certamente ele deve ter se metido em uma briga pelas ruas, e acabou atrasando, ele sempre foi assim... não pode ver um cigano, ou um bêbado que já vai atras de briga...

Matt está com uma feição raivosa, é claro que aconteceu algo, ele nunca fica assim — Algo errado capitão? — disse um dos garotos que vivem puxando o saco dele, e ele se virou para nós e disse — O Pesadelo não vai mais voltar.

A sala ficou em silêncio por pelo menos cinco minutos, não se ouvia nenhum tipo de som naquele momento apenas a frase "O Pesadelo não vai voltar" que ecoava em minha mente, me lembro muito bem de quando Matt disse essa frase pela última vez, mas porque logo o Pesadelo? — Filhos da puta! — exclamei mandando um murro em direção a janela, nem senti os estilhaços do vidro adentrando os vãos dos meus dedos, o ódio havia me consumido nessa hora. — Onde a Marrie está? — perguntou Tabatha com tom de preocupação. Matt apenas olhou e sinalizou com um movimento da cabeça, dizendo que não, no mesmo instante sai correndo para fora do casarão, precisava encontrá-la.