Dead Roses

14 The Lullaby of the Dead Roses


Notas iniciais
[AVISO: CAPÍTULO GRANDE] Oiiii, gente, tudo bem?! Venho aqui com uma notícia, mas não muito legal e até peço desculpas por ter esquecido de avisar antes. Se lembram que eu disse que Dead Roses estava na reta final, dentro do cronograma dela, certo? Então, esqueci de avisar que o capítulo postado semana passada era o penúltimo capítulo da fanfic. Sim, ela foi planejada para ter 14 capítulos e um epílogo que lançarei semana que vem (é só por isso que não marquei "sim" no campo de terminada). Ajoelho-me e peço desculpas pelo relapso terrível, prometo que isso não ocorrerá, caso eu venha a escrever outras longfics. Enfim, como sempre as músicas pertencentes a esse último capítulo estão nas notas finais, para quem tiver a curiosidade de ouvi-las e, por favor, leiam as notas finais, ela tem um recado importante para vocês. Sem mais delongas e... boa leitura ^^ P.S; Dominic, como o Nyah não é tão fresco com capa de capitulo como o Spirit, postarei aqui seu aesthetic LIINDO ♥

A família, os amigos de Yuri Plisetsky, Kenjirou Minami e Lalisa Manoban chegaram bem em Moscou. Não precisaram se preocupar com o desembarque do helicóptero, pois a mansão tinha uma parte externa grande suficiente para o veículo aéreo pousar.

Já dentro do local, todos estavam tão mortificados pelo velório de Viktor que nem quiseram jantar. Yulia, Mikail, Mie e Dimitri despediram-se de todos e cada um foi para as suas próprias residências, os pais e o avô de Yuri foram dormir em seus respectivos quartos, Kenjirou dormiu junto com Yuri no quarto do cantor, enquanto Otabek e Nikolai dormiram em quarto de hóspedes, pois entenderam que o amigo e o namorado precisavam de privacidade, após um momento tão difícil, e Lisa dormiu em outro quarto de hóspedes.

Dentro do quarto, a cantora agradecia por ele ter isolamento acústico, pois assim poderia extravasar suas dores na composição mais a gravação de novas músicas, depois tocar velhas músicas no violão e, por último, praticar suas habilidades de dança; entretanto ela precisava de algo a mais para inspirar. Sem pensar duas vezes, Lisa colocou seu casaco de frio mais quente por cima do pijama, calcou suas pantufas, pegou seu violão, caderno, caneta e saiu da mansão pela porta dos fundos.

Andou até o jardim, pôs o caderno de lado com a caneta dentro dele, fez os exercícios de aquecimento da voz, sentou em um dos bancos, ajeitou o violão mais a postura e começou cantar uma peculiar canção que gostava de cantar, quando se sentia assim: God Am, da banda norte-americana grunge Alice in Chains.

“(…) Querido Deus, como você tem passado?

Eu não estou bem, foda-se o fingimento

Todas essas mortes que você está mandando

Melhor jogar alguns remendos grátis para os corações

Te convido ao meu coração, aí

Quando terminar, meus pecados estarão perdoados?

Esse Deus meu relaxa

O mundo morre, e eu ainda pagando imposto (…)”

Lalisa, de olhos fechados, deixava as lágrimas rolarem, enquanto sua voz de timbre um pouco anasalado, porém igualmente bonito justamente pela peculiaridade citada antes, expressava todos os sentimentos de desespero, dúvidas e inconformidade da letra de forma intensa — ainda que um pouco trêmula por causa das lágrimas.

Otabek Altin não estava com sono, resolveu sair para o jardim, refletir um pouco para o sono cair até ouvir o belo canto de uma voz feminina, Imediatamente reconheceu a voz de Lisa. Como o álbum solo dela fez sucesso também na “Mother Russia”, era impossível não reconhecer aquela voz.

Sorrateiramente Otabek andou até onde Manoban estava e ficou tocado com a cena da mulher chorando, enquanto cantava versos tão melancólicos. Ele, assim como quase todo mundo, conhecia a idol Lisa: carismática, com boas habilidades vocais, talentosa na guitarra, violão, piano, composição e produção de álbuns, boa apresentadora de programas musicais, exímia dançarina, polêmica pelos seus posicionamentos ideológicos e relacionamentos amorosos. Mas a mulher Lalisa Manoban, quando as câmeras eram realmente desligadas, era conhecida por poucos e Otabek tinha o privilégio de descobrir justamente um dos lados mais fascinantes dela: a apaixonada por música, a que se não houver música em sua vida, era como se ela não respirasse.

“Por isso que o Minami e principalmente o Yura adoram ela. Ela é, do pouco que eu vi no funeral do Vitya e do muito que Yura falou dela, extremamente humana. Lalisa, a mulher por trás das câmeras, é generosa, empática com o sofrimento alheio, dura quando necessário, humilde, comunicativa, às vezes infantil, às vezes prolixa, estranhamente divertida, loucamente apaixonada por música, e principalmente extremamente honesta com seus próprios sentimentos. E é isso que fascina nela.” — pensava Altin, enquanto admirava o cantar visceral de Lalisa, sentado no chão do jardim, de frente par ela. Era inevitável as lágrimas.

Após terminar de cantar a música, Lisa abriu os olhos e viu Otabek enxugar uma lágrima para depois aplaudi-la. A cantora abriu um sincero sorriso, agradeceu a presença do engenheiro e pediu para ele sentar do seu lado. Pedido atendido, ela perguntou:

— Você tem alguma música que você sempre ouve e canta baixinho, quando tudo parece estar perdido, confuso e para não fazer besteira, você a ouve ou canta?

O engenheiro começou a cantar o início de Changes, clássico da banda de Heavy Metal britânica, uma das pioneiras do estilo, Black Sabbath. Imediatamente, Lalisa começou a tocar os acordes da música no violão e a compartilhar, através do seu canto, todas as dores que o homem sentia, enquanto cantavam juntos os versos da canção:

“(…) juntos, nós encontramos um caminho

Mas logo o mundo teve seu lado mau

Meu coração foi cegado, o amor se perdeu

Eu estou passando por mudanças

Eu estou passando por mudanças (…)”

Após a música terminar, eles aplaudiram e agradeceram um ao outro, porém repentinamente Lalisa pegou nas mãos de Altin e falou, olhando nos olhos dele:

— Você parece ter os mesmos defeitos do Viktor e do Yuri, serem muito fechados com os próprios sentimentos, mas está vendo como é aliviante cantar todos os nossos sentimentos negativos, nossas dores? Essa sociedade idiota que prega que “homem não chora” e acaba criando homens muito mal resolvidos com seus próprios sentimentos, eu não concordo com isso. Homens e mulheres, acima de tudo, são seres humanos e humanos devem demonstrar sentimentos, pois como diria Björk em Human Behavior, para emoções humanas “não há mapa e uma bússola não ajudaria… incerto”. Ser humano é isso, ser certo e incerto na sua complexidade de sentimentos. Não reprima seus sentimentos, eles são preciosos demais para serem deixados ao limbo.

“Agora eu entendo o motivo de um dos apelidos dela ser “Lisa Mente Brilhante”. Que mulher incrível!” — pensou Otabek para depois falar em inglês. — Você cantando assim, vagamente lembrou a minha adolescência com o Yuri, sabe?! A necessidade de cantar como se isso fosse uma parte vital sua.

— Desculpa perguntar, mas o que você teve exatamente com ele? Se você quiser contar, é óbvio. — questionou a cantora, também em inglês, por curiosidade em saber mais sobre o engenheiro.

— Eu e ele namoramos por um ano e dois meses, mas foi coisa de adolescente. A gente era da mesma escola, tínhamos gostos parecidos, o mesmo melhor amigo, íamos nos mesmos rolês, foi natural a gente se aproximar e se apaixonar um pelo outro. Até que um dia, nossas vidas tomaram caminhos diferentes, onde infelizmente um atrapalhava os planos do outro. Ainda bem que conseguimos, naquela época, ter maturidade suficiente para reconhecermos isso e terminamos o namoro. Nossa amizade era forte demais para a distância separar e refletindo agora, foi até bom terminarmos como terminamos. Se eu fosse para Tóquio junto com ele, com certeza iríamos brigar, acabaríamos de mal um com o outro e, para mim, uma das coisas mais tristes é quando alguém que costumávamos amar virar um estranho para nós.

— Compreendo mais ou menos seus sentimentos, pois é praticamente a mesma história minha e do ex que deixei na Tailândia para ser trainee na Coreia do Sul. A gente vivia no mesmo orfanato, se gostava desde criancinha, sabe amor de infância?! Era exatamente isso. Nós crescemos, decidimos expor nossos sentimentos um para o outro, começamos a namorar no ginásio, colegial até que chegou o fatídico dia em que eu passei para a YG e tinha que me mudar para Seul. Na época, eu não tinha a maturidade para encarar este tipo de relacionamento, ele também, então a gente terminou em comum acordo e sem brigas. Tanto que continuamos amigos depois disso, porém a partir do momento em que ele arrumou a atual dele, tudo começou a desandar. Infelizmente ela nunca compreendeu e não compreende até hoje que eu não sou rival dela ou algo do tipo, apenas por ser ex dele. Ela infelizmente é daquelas que acham que minha militância é demagoga e besteiras do tipo… enfim, mesmo ela não gostando de mim, nunca tratei ela mal, respeito o relacionamento deles, mas mesmo com tudo eu e ele continuávamos amigos e se falando. Olha, Otabek, eu e ele tentamos muitas vezes explicar para ela, mas não adiantou. Depois que eu fiquei famosa de verdade e principalmente depois que ela casou e engravidou dele, aí desandou de vez. Ela passou a nutrir uma obsessão negativa por mim tão grande a ponto de virar potencial para ferrar nós todos, aí eu e ele decidimos nos afastar. A gente se fala até hoje, mas é só quando tem reunião com a minha família lá em Bangkok. Só para você ter uma ideia de como ela me odeia, uma vez, ela bateu na filha deles só por ela ser minha fã e ele ter levado a garota para me conhecer a pedido da própria, e isso me dói, sabe?! Apesar de não ser minha culpa, é triste ver o quanto essa noção de rivalidade feminina pregada veladamente por essa sociedade é nociva, destrói possíveis relações saudáveis entre mulheres. Espero que um dia ela possa abrir a mente. — desabafou a cantora.

— Você e ele fizeram sua parte, né?! É isso que importa. Por outro lado, eu entendo quando você disse sobre ficar chateada das pessoas acharem que ex tem que ser rival, voltarem a ser estranhos um para o outro e não pode voltar a amizade. Eu e o Yura já tivemos vários problemas de exs que não compreendiam a nossa relação e ficavam com dramas. Gente, não é assim! É possível ser amigo ou ter boas relações com o ex após o término e outra: eu e o Yura nos conhecemos no período mais difícil na vida um do outro, a gente foi o primeiro tudo um do outro, então nós passamos por poucas e boas juntos. A linha vermelha dele do destino é do Minami, mas a linha branca das amizades para todo sempre, ah, essa e minha, do Nika, da galera toda, da família dele, sua, do Minami, e de todos que adoram o Yura de verdade. — confessou o engenheiro.

— Otabek, posso te perguntar uma coisa?

— Pode.

— Por que você fala com tanta certeza de que a linha vermelha do Yuri é o Kenjirou?

— Simples. — Altin através do celular mostrou uma foto dele com Yuri na época de colegial e mostrou uma foto dele atual com Minami. Perguntou — Quais das duas fotos o Yura sorri plenamente e você não imagina ele separado da pessoa ao lado? — Lalisa compreendeu perfeitamente o que ele quis dizer e completou. — Você é igual a mim nesse sentido.

A partir dali, Lisa e Otabek tiveram uma adorável conversa, com direito ao engenheiro até ajudar a cantora em uma composição e a cada segundo com Lalisa, Otabek ficava cada vez mais encantado e atraído por ela.

Enquanto isso, Nikolai desfrutava de um sono profundo como há tempos não tinha, Yuri e Kenjirou aliviavam suas dores da alma, criando novas canções de amor através dos seus corpos no quarto. Entretanto, Minami ainda estava intrigado com algo:

“É impressão minha ou o gatinho arisco está ainda mais magro do que já é? Céus… dá para sentir as costelas do Yuri para valer mesmo e os braços dele, apesar de ainda malhados, estão cada vez mais finos. O que fizeram com ele… enfim. O importante é que agora ele vai comer direito.” — e continuou os carinhos íntimos com o namorado até ambos ficarem cansados e dormirem, de fato.

Dia seguinte chegou, Yuri acordou e ao abrir os olhos, viu Minami sentado na janela do quarto, desenhando provavelmente a paisagem lá fora. Preferiu não dar sinais de que acordou e passou a admirar o quanto o namorado era lindo, principalmente quando ele fazia o que mais amava. Reparava em cada detalhe do amado: os cabelos loiros na altura dos ombros com uma enorme e charmosa mecha vermelha na franja, os vários piercings que adornavam sua pele, as tatuagens que faziam ele virar uma obra de arte humana, a expressão facial concentrada, totalmente absorta no desenho.

Depois passou a admirar cada piercing do namorado: dois no supercílio esquerdo, dez e mais um alargador de seis milímetros na orelha esquerda, onze e mais outro alargador de seis milímetros na direita, um no canto do lábio superior esquerdo, língua bifurcada com um piercing em cada, um no mamilo esquerdo e um piercing microdermal na parte direita da virilha — como Kenjirou estava nu, dependendo dos movimentos, o cantor conseguia ver “a pintinha falsa”. Em seguida, Yuri deixou-se perder pelas belezas das tatuagens do namorado: o braço direito fechado por tatuagens de ondas, o esquerdo fechado por tatuagens de chamas, o pescoço, a tatuagem 3D realista de músculos expostos feita no pescoço todo, a tatuagem de um dragão enforcando um tigre, imortalizada pelo mangá favorito do tatuador Shigurui, nas costas, a perna direita fechada por tatuagens maori tribais, uma tatuagem tribal africana na perna direita, a coxa direita coberta por uma autotatuagem do legendário quadro A Noite Estrelada do pintor holandês Van Gogh, o seu favorito, outra autotatuagem de duas listras acima dos joelhos e um círculo zen no pé direito — afinal, não era segredo para ninguém que por ter nascido e sido criado em uma comunidade hippie zen budista, Kenjirou era adepto da religião (mesmo não sendo mais tão praticante como antigamente).

“A história do Kenji está praticamente desenhada na pele dele. As tatuagens de ondas feitas pelo pai e as chamas feitas pela mãe, antes deles morrerem, as primeiras autotatuagens dele: as listras e a tatuagem de Van Gogh, feita após ele completar a faculdade. A tatuagem de Shigurui feita pelo Uta, as tatuagens maori feitas pelo Irirangi, a tatuagem na perna feita pela Akilah, a tatuagem no pescoço que ele fez com aquela tatuadora brasileira especializada em tatuagens 3D, fodona nesse estilo e uma das ídolas dele, a Bruna Barros, e a tatuagem do círculo zen feita por aquele ex-dele lá de Nova Iorque, o tatuador especializado em tatuagem estilo aquarela, que eu encontrei no velório e fui só descobrir ontem que ele também era amigo do Viktor. E tudo isso é fascinante e lindo.” — refletia Yuri, enquanto continuava a admirar o namorado até perceber que ele terminou o desenho e vinha para a sua direção. Imediatamente, o cantor fechou os olhos e fingiu que estava dormindo.

Em seguida, Plisetsky sentiu o tatuador deitar na cama ao seu lado, acariciar-lhe os cabelos, dizer que o amava muito e lhe dar um beijo na testa. Yuri fingiu ter acordado com o beijo do namorado, abriu os olhos e falou com um sorriso no rosto:

— Bom dia, amor! — deu um beijo na testa de Minami, pois sabia que o namorado ainda ficava um pouco envergonhado com o ato e achava isso bem charmoso. — Sem beijinho na boca porque meu hálito está ruim, gatinho arisco.

— É… dá para sentir. — brincou o tatuador, que levou um soco leve do namorado. — Gatinho arisco, você está muito abusado hoje! — finalizou usando um tom de voz fofo.

— Ó quem fala, a ousadia em pessoa. — rebatou Yuri de forma sarcástica, fazendo os dois rirem um pouco, antes de Plisetsky se levantar e ir escovar os dentes e tomar banho.

— Vai lá. — finalizou Minami, enquanto o amado se levantava para ir até o banheiro.

XxxX

Na sala de jantar, Lisa, Minami, Otabek e Nikolai tomavam café da manhã junto com os Plisetsky. Eles conversavam sobre diversos assuntos para se distraírem da dor da perda de Viktor e Yuuri.

Lalisa estava certa em ter passado um tempo na casa dos Plisetsky. Apesar de, no passado, já ter feito refeições com a família de outros, há muito tempo a cantora não tinha ideia do que era um seio familiar consanguíneo e sua dinâmica tão única. Tanto que foi inevitável a cantora se emocionar e chorar à mesa:

— Grande parte dos meus cafés da manhã foram nas paredes frias de um orfanato, nas paredes geladas de um refeitório para trainees e sozinha na minha cobertura. Cinco meses sem um café da manhã em um ambiente familiar pode parecer pouco tempo, porém para pessoas como eu, o Viktor … é uma eternidade. Por mais que você aprenda a se acostumar a ser sozinho, ser solitário no mundo, no sentido de você nunca ter conhecido seus pais e nem ter sido adotada por não ser um bebê de meses, ainda é doloroso. Muito obrigada por me receberem tão bem.

Um pesado silêncio pairou sobre a mesa, cujo único gesto possível era abraçar Lisa, acolher suas sinceras lágrimas e depois criar as melhores lembranças familiares em consideração aos sentimentos dela.

Após o café da manhã, Yuri seguiu o mesmo “ritual da sesta”: trancou-se no quarto, colocou uma música alta, foi até o banheiro vomitar a comida que acabou de comer, aumentou sua dose de Ritalina com Valium para sequer pensar em cocaína e finalmente dormir. Não dormir por sono, mas dormir para não ter pensamentos sobre comida. Exatamente para não ter que “almoçar”.

Enquanto isso, na sala de jantar, a família Plisetsky fez para o almoço a tradicional sopa borshch muitos pirozhki, carne assada à moda russa, pasteizinhos recheados de carne à moda russa, cereais cozidos e a típica salada russa. Para beber, chá e suco. Lisa e Minami se acabavam de comer tantas gostosuras e com Dimitri, Yulia, Mikail e Miu vindo para o almoço, por causa da morte de Viktor, o dia seguinte ao enterro também foi declarado feriado nacional, a refeição correu em um clima descontraído e muito gostoso, no geral. Obviamente, eles perguntaram sobre Yuri e receberam a seguinte resposta da Senhora Plisetsky:

— O Yurachka está dormindo, mas não é preciso chamar ele para almoçar. Ele tomou café e almoçou ao mesmo tempo, ele fez… ai! Esqueci o nome!

— Brunch e que brunch o Yuri fez, diga-se de passagem. — comentou Minami, ressaltando o quanto o namorado “comeu bem” no café da manhã.

— Com todo o respeito, Lisa, mas como é que você aguenta comer conserva de algas e uma tigela de arroz com ovo, vegetais e carne? — perguntou Dimitri, fazendo referência ao farto brunch sul-coreano.

— Dima, a Lisa é tailandesa, não sul-coreana e na Tailândia, eles fazem brunch igual. Aliás, pelo que eu pesquisei uma vez no Google, o brunch tailandês chega a ser até mais farto do que o sul-coreano.

— E se eu disser para vocês que só fui comer um brunch de verdade da minha terra natal, aqueles banquetes que aparecem no Google, quando comecei a ganhar dinheiro para valer como idol?!

Todos olharam espantados para Manoban:

— Eu não estou zoando, gente, é sério. Esses banquetes que vocês veem na internet é coisa de gente rica, rica mesmo. Nos meus tempos de orfanato, o meu café da manhã era ensopado de arroz e água. Só para vocês terem uma ideia, se eu quisesse comer algo barato, porém mais diferente, tipo comida de barraquinha da esquina, eu tinha que me virar como artista de rua para conseguir a grana. Mas, confesso que quando eu cheguei em Seul e veio aquele brunch todo para mim, eu também não aguentei, não. — descontraiu a cantora — Demorou para eu conseguir comer um brunch à moda coreana todo. É muita comida literalmente! — finalizou Lisa.

O clima descontraído de antes voltou e continuou até o final do almoço, porém os presentes na mesa não deixaram de reparar o quanto Otabek, Lisa e Kenjirou conversavam entre si e os amigos do engenheiro ficaram felizes dele, uma pessoa naturalmente reservada, deixar-se aproximar de pessoas tão bacanas quanto a cantora e o tatuador. Entretanto, a realidade era que desde que a família mais os amigos de Yuri passaram a ter intenso contato Manoban e Minami, eles se empenharam em desconstruir qualquer pré conceito que a imagem pública deles tenha deixado e ao conhecê-los melhor, entenderam o porquê Yuri adorava ele. Era praticamente impossível não se apegar a eles.

As horas passaram, com Yuri acordado, de banho tomado e com as roupas já trocadas, eles continuaram a conversar. Relembraram os falecidos, choraram muito a falta deles até Minami revelar que o que desenhava de manhã não era a paisagem, eram autos retratos feitos em técnica de aquarela de todos e entregou os desenhos para eles. Os agradecimentos foram puras lágrimas, essas derramadas de vez quando o tatuador mostrou um desenho de Viktor e Yuuri, abraçados um ao outro no céu com asas brancas saídas das costas dos dois, cujas plumas revoavam com a brisa fraca.

— É lindo… você pretende passar isso para uma tela? — perguntou o pai de Yuri.

— Aham, assim que eu tiver um tempinho em Okinawa, eu o pintarei em uma tela e na primeira oportunidade, entregarei pessoalmente para a família do Yuuri mais os amigos do Viktor. — respondeu Minami.

— Falando neles, é uma pena que eles não puderam ficar com a gente. — lamentou o avô de Yuri.

— É que o trabalho deles é complicado, né?! A Mila é fotógrafa jornalística para uma agência de notícias e agência de notícias não pára. Georgi é fotógrafo esportivo, precisam dele mais do que nunca. Chris é fotógrafo de revista LGBT+ com matérias jornalísticas, precisam dele também. Sara tem os pacientes dela, Michéle também. Tão triste ver que o Viktor sempre teve pessoas ao lado dele… — a mãe de Yuri não conseguiu terminar a frase, as lágrimas inevitavelmente vieram.

— É que quando você tem depressão tudo é mais complicado e há depressões e depressões. A do Viktor explicitamente foi porque ele não aguentou, simplesmente ele chegou no limite dele. — comentou Miu.

— Mas onde quer que ele esteja, ele, com certeza, está bem e em paz. Vamos tentar não lembrar do Viktor com tristeza, vamos cultivar todas as lembranças positivas dele, assim como as do Yuuri também. — finalizou Nikolai, para em seguida, eles mudarem de assunto.

O tempo passou e quando eles menos perceberam, já era a hora de jantar.

Eles optaram por tomar ukhá, uma sopa quente de peixe com especiarias, e como era Yuri o responsável pelo preparo da janta, ele pode cozinhar para si uma lata de ukhá não-calórica pronta para consumo, comprada no aeroporto, em uma panela e na outra, a ukhá pronta normal. Na realidade, o cantor agradecia por ter tomado sua mistura de remédios a mais, pois poderia cozinhar sem sentir os típicos enjoos e nervosos que tinha nesse tipo de situação (lidar com comida calórica).

O jantar seguiu-se normalmente, com muitas conversas, risadas e lembranças antigas. Lisa e Minami praticamente tiveram uma aula de história com os pais mais o avô de Yuri, quando eles começaram a falar sobre a Rússia nos tempos de URSS, pois eles aprenderam muitas coisas que, geralmente, as pessoas somente teriam acesso através de uma faculdade de História e afins. Depois do jantar, a família Plisetsky, exceto Yuri, despediu-se de todos e eles foram dormir.

Sentados na sala, o restante decidia para onde levariam Manoban e Minami, pois, para eles, seria uma desonra eles saírem de Moscou sem conhecer a vida noturna da cidade.

— Mas não vai ficar muito puxado? Pensem, vamos sair, depois temos que voltar, tem o meu voo de volta para minha terra natal, o voo do Yuri e do Kenjirou para Okinawa, vocês tem que ir trabalhar no dia seguinte…

— Lisa, o luto oficial que o governo declarou foi de dez dias a partir da data do enterro, ou seja, amanhã e depois de amanhã é feriado também. Portanto, relaxa, teremos esta noite mais o amanhã inteiro para curtirmos e nos despedirmos decentemente de vocês, tá! — pontuou Yulia, meio triste pela cantora não estender sua estadia em Moscou, entretanto compreendia o lado dela, visto emergencial temporário era visto emergencial e o prazo dele tinha que ser cumprido.

— Então, vamos decidir logo para onde vamos? Quem quer ir para o karaokê que a Miu… — dizia Dimitri, porém foi interrompido por Yuri.

— Gente, a Momo acabou de me enviar uma mensagem no LINE, falando que tem uma festa rave chamada Mörder, lá no meio da floresta de Khimki, e perguntando se a gente tem interesse para ela colocar nossos nomes na lista.

— Momo… é a Momo que a gente está pensando? A Momo daquele grupo de Kpop famosão lá, o TWICE? Você é amigo dela, Yura? — perguntou Miu com espanto.

— Na verdade, ela mais amiga da Lisa. Minha relação com ela é mais colega de rolê do que qualquer outra coisa. — explicou o cantor.

— Mas vira e mexe no seu Instagram e nas nossas conversas, você fala dela… — indagou Nikolai, porém foi interrompido por Lisa.

— Um fato: a Momo é a mais baladeira do TWICE e mais baladeira do que eu, o Yuri e o Minami juntos. Portanto, pintou a coincidência do TWICE estar em Tóquio e de folga, ela não pensa duas vezes em chamar toda a galera que ela conhece para sair. — explicou a cantora, enquanto mostrava para eles fotos da festa, que foram mais do que suficientes para todo mundo topar ir para lá. Entretanto, Manoban sequer imaginava que a amiga também era “colega de esquemas” de Yuri.

Explicações dadas, Lisa enviou uma mensagem de volta para a amiga, avisou que eles toparam a proposta e enviou outra mensagem com junto o nome completo de todos mais a ligação de cada um deles com Yuri. Recebeu como resposta uma mensagem brincalhona de Momo, na qual estava escrito que era o dia de sorte deles, pois os donos da rave deram para eles o “Passe Diamante”, ou seja, toda a consumação deles seria cortesia da casa.

— Bora tomar banho e se arrumar, gente! — finalizou Yulia.

Quarenta e cinco minutos depois, devidamente banhados e vestidos, todos comemoraram apropriadamente a novidade e comemoraram ainda mais quando descobriram que esse “Passe Diamante” incluía uma limousine para levá-los até o local.

Dentro do veículo luxuoso, Dimitri, Yulia, Mikail, Miu, Otabek, Nikolai e até mesmo Yuri, Lisa e Minami, acostumados a andarem de vez em quanto nesse, ficaram impressionados com os luxos fornecidos: bebidas de marcas raras e caríssimas, petiscos feitos pelos melhores chefs do país, pista de dança e música selecionada a dedo.

— Uma limousine que toca Dissolve do Imperative Reaction não tem como ela ser ruim, gente! — gritou Nikolai já meio alto por causa das bebidas, enquanto dançava intensamente junto com os outros a música da conceituada banda de Industrial e EBM norte-americana.

A festa rave que Momo os convidou era uma rave gótica, por isso eles toparam imediatamente o convite — afinal era comum nesse tipo de local tocar uns JRock para variar o “grave” da pista e eles poderiam utilizar seus Visual Kei mais caprichados.

Quarenta minutos se passaram, eles finalmente chegaram na festa e compreenderam o motivo do “Passe Diamante”: os donos da festa eram aliados de Nikolai na Máfia e identificaram o “camarada”, obviamente assim que Momo passou o nome dele na lista. Agradeceram a “gentileza” e fizeram uma turnê pela festa toda. Obviamente, durante o passeio, Lisa, Minami e Yuri encontraram vários colegas e amigos, entre famosos e anônimos endinheirados. Surpreendentemente, Miu, Otabek, Dimitri, Yulia e Mikail também encontraram alguns colegas mais outros amigos na festa, geralmente os mais abastados do rolê. Por causa disso, o clima do local estava mais do que familiar para eles, estava praticamente uma versão rica dos rolês deles por aí.

“(...) Eu sei como você gosta

Você quer ser manipulado

Eu sei como você gosta

Você apenas quer o entretenimento

Diversão para esquecimento

Obrigado pela sua cooperação

Mantenha a ilusão

Obrigada pela cooperação (…)” — cantava alto Zoog Vong Rock, vocalista e produtor principal da banda de Cyber Goth inglesa Angelspit, em Thanks for Your Cooperation, enquanto bos arte dos convidados cantavam junto com a música e dançavam como se fossem seus últimos segundos de vida.

Uma certa rodinha se formou para visualizarem Lisa, Momo e Yuri dançando. Não era novidade para ninguém que os cantores também eram dançarinas excepcionais, portanto era um espetáculo para a maioria dos convidados vê-los dançando. Entretanto para Minami havia apenas uma estrela naquela pista: o namorado, Yuri Plisetsky, enquanto para outra pessoa a estrela principal era Lisa e mais uma, sua estrela era Momo.

Começou a tocar JRock e a partir dali, os amigos do cantor não saíram mais da pista, com seus movimentos típicos de adeptos do estilo curtindo a música. Entretanto, a pista veio abaixo com um dos maiores sucesso da banda alemã Rammstein em terras russas, Moskau, e logo em seguida, o maior sucesso internacional da banda, Du Hast. Depois, anunciaram a mudança de clima da música e começou a tocar os maiores sucessos da new wave dos anos 80, electro mais música eletrônica dos anos 90 e 2000, ou seja, bandas como B-52, New Order, The Prodigy, Moloko e Perfume passaram a reinar na pista.

Começou a tocar Edge – Triangle Mix, do trio feminino japonês idol referência no estilo Perfume e veio imediatamente a lembrança de Viktor, pois o fotógrafo adorava a música.

— Lembra da alegria que o Viktor dançava isso com a gente nos rolês? E quando a gente foi no show delas no Download Festival, se lembra de como ele estava bem? Lembra sempre desse Viktor, tá. — aconselhou Minami, enquanto enxugava as lágrimas do namorado e soltava as suas de saudade do amigo.

Enquanto isso, Lisa e Otabek ficavam mais e mais próximos durante a dança na pista. A cantora ensinava para ele com prazer alguns passos das coreografias do trio e aplaudia, incentivava cada passo novo que o homem aprendia. Os outros preferiram não se juntar a eles, pois pelos olhares deles perceberam:

— Certeza que eles vão ficar. — dizia Yulia com um sorriso no rosto.

— Certeza? Eles só não ficaram sei lá o porquê. Na primeira oportunidade, eles vão ficar. Só esperar. — comentou Nikolai.

Já os amigos de Yuri eram paparicados pelos amigos e colegas famosos do amigo mais o namorado dele, tanto na pista quando fora dela, além de alguns deles, como Momo, ensinar para eles alguns passos das coreografias do Perfume. Fora a quantidade exorbitante de bebidas caríssimas que eles recebiam e bebiam com gosto, não demorou muito para Yuri e Kenjirou mais Lisa e Otabek se juntarem a eles, enquanto cantavam Game, um dos maiores sucessos do trio, com toda força.

“(…) Jogue o jogo

Por favor, de novo

Jogue o jogo

Tente o novo mundo

Vamos jogar o jogo (…)”

Após um bom tempo, Magick, um dos maiores sucessos da banda inglesa de electro Klaxons, devido a ela ter feito parte da trilha sonora da aclamada série inglesa Skins. Minami, Yulia, Miu, Mikail, Dimitri e Nikolai resolveram ir com os amigos e colegas famosos do tatuador até o lounge improvisado para descansar e lá mantinham uma conversa muito animada.

Na pista de dança, Lisa e Otabek não conseguiam resistir mais aos encantos um pelo outro. Não demorou nada para a cantora encostar seu corpo no do engenheiro e começarem a dançar colados. Altin estava mais e mais inebriado pelos encantos de Manoban e vice-versa, cujos sentimentos de atração, libido eram retribuídos em cada sorriso, cada olhar mais malicioso, cada elogio no pé do ouvido:

— Seria muito clichê falar o quanto você está, corrigindo, posso dizer o quando você é incrível ou não? — elogiou Altin.

— Olha… pode até ser, porém acredito que todos nós temos nossa própria beleza. Somos lindos e incríveis do jeito que somos e não será nenhum “padrão” que dirá o contrário, por mais que eles preguem o contrário. E digo mais: além de incrível, lindo, você é absurdamente atraente, Otabek. E aí, vamos se beijar ou não? — o engenheiro não processou bem, bem, de início, a proposta da cantora. Jamais por pensamentos retrógrados ou algo do tipo, eram mais do tipo: “Lalisa Manoban, a senhora idol poderosa Lisa do Black Pink pediu para ficar comigo, é isso, produção?! Ela quer ficar comigo, sério? Isto é a vida real, ou é uma ilusão da Matrix, ou até mesmo um episódio de Black Mirror?”. Entretanto, assim que processou bem a informação, o engenheiro pôs o polegar para cima como sinal de que aceitou a proposta. A cantora achou o ato peculiar fofo, porém eles combinaram de ficarem em um local particular a pedido de Lisa. Nem tanto por Otabek em si, pois ele particularmente não ligaria por ser anônimo, porém justamente para proteger o anonimato dele e evitar futuras dores de cabeça. Eles mandaram mensagens para os amigos, avisando que pegaram um veículo para o apartamento do homem.

— Eu sabia que eles iam ficar juntos…Aproveitem muito! — falou alto Yuri quando viu a mensagem. O cantor estava na pista de dança e no bar, quando resolveu ir até onde o namorado e os amigos estavam, porém…

“Não, Yuri, não! Você aumentou a dose de Valium com Ritalina justamente para não ter “fissura”. Essa “fissura” não existe, é enganação, sabotagem da tua mente.” — pensava Plisetsky, enquanto caminhava pela rave em direção aonde o namorado e os amigos estavam até ver Momo entrar em uma tenda.

Seguiu a mulher e lá encontrou o lugar que menos precisava naquele momento: local de “esquema”. Reconheceu alguns dos “camaradas” de Nikolai e vários “amigos de esquemas”. Todos compravam e utilizavam os mais diversos tipos de drogas lícitas, e principalmente ilícitas.

“(…) O glitter na neve

O lugar para ir sempre

Faça o que você fará

Faça o que você fará

Mágico, sem lágrimas

Mágico, sem lágrimas

Mágico, sem lágrimas

O comandante mágico (…)”

(Magick — The Klaxons)

Enquanto a música tocava, o coração de Yuri começou a palpitar, a “fissura” era cada vez mais forte. Chegou até ter uma breve visão de Yuuri Katsuki ali, com o seu sorriso mais zombeteiro, sedutor, ao lado da mesa onde se fazia a venda mais o consumo de cocaína. Imediatamente fechou os olhos, sussurrou um palavrão para si, abriu-os e não o viu mais. Suspirou mentalmente de alívio, porém a “fissura” não passou; pelo contrário, ela piorou enquanto observava seus “chegados nos esquemas” consumir as drogas. A batalha mental de Plisetsky entre sair dali rapidamente e ir tomar seu Valium com Ritalina e cheirar era intensa:

“Você não pode cheirar, lembra do que aconteceu com Yuuri! Quem foi que ofereceu o pacote de cocaína para ele, quem matou ele e ainda mandou indiretamente bem diretamente fez o Viktor se jogar no mar lá no Brasil? Você, você, você, Yuri Plisetsky! Quer encontrar o Yuuri lá no outro lado e ele esfregar na tua cara o quanto ele “te agradece” por ter fodido a vida dele, vai lá. Cheira, tem uma overdose e entra para “o Clube”. E quem disse que eu virei um viciado fodido igual os dos documentários, hein?! Eu ainda não cheguei ao nível Layne Staley da coisa não, tá! Eu consigo me controlar da cocaína, como dito, eu não estou mais na merda. Cocaína é só para encarar a merda e principalmente para não me dar fome e… bosta, por que tinha que ficar com fome agora? Aqui só tem comida calórica e eu já queimei as calorias das bebidas todas dançando. Uma vezinha para tapar a fome não dará tantos problemas, é só uma. Só uma… Não, Yuri! Sim, vai! Não! Vai! Inferno!”

Já não bastasse seu próprio conflito interno:

— Ué, Yuri, vai ficar aí parado? Senta aqui do meu lado, cheira aí! A gente tava sentindo sua falta nos “esquemas”. — disse Momo, bem alterada pelas drogas.

— É, cara, para de morgar! Até já dividi tuas carreiras como você costuma fazer. — avisou Minhyuk Lee, vocalista de apoio e dançarino do popular grupo masculino de KPop chamado Monsta X.

— Yuri, vem logo, se não eu cheiro tudo e você vai ficar sem. — provocou a famosa modelo russa alternativa, famosa no cenário Cyber Goth russo, Anastacia Pietrova.

— Ah, tá! — respondeu Plisetsky com sarcasmo para depois se sentar imediatamente entre Momo e Anastasia e completar — Como faz muito tempo que eu não te vejo, Nastenka, por favor, sinta-se à vontade para fazer as honrarias da minha “volta momentânea” aos “esquemas”. — a modelo cheirou duas carreiras de cocaína e logo em seguida, Yuri cheirou as seis carreiras restantes.

“Há quanto tempo não me sentia tão bem…” — pensou o cantor, enquanto cheirava mais quatro carreiras. Após o uso da droga, ainda ofereceram ecstasy e LSD para Plisetsky, entretanto a oferta foi recusada e ele preferiu tomar cerveja. Depois de tomar a bebida, Yuri, Momo, Minhyuk, Anastasia e mais alguns “amigos de esquema” despediram-se dos presentes na tenda, saíram de lá e andaram até onde o namorado e os amigos estavam e ao chegarem no local, a primeira coisa dita pelo cantor foi:

— Bora dançar aí, minha gente! — e todos foram para a pista achando que Yuri e quem veio com ele estavam somente bêbados ou, no máximo, com ecstasy na cabeça. Alguns, como Minhyuk, estavam até com heroína na cabeça como “curtição” e assim ficaram até o corpo pedir cansaço no dia seguinte e, de fato, voltarem para a mansão de Plisetsky destruídos, porém satisfeitos pela noite.

XxxX

Otabek Altin acordou e ainda não conseguia acreditar que Lalisa Manoban estava dormindo ao seu lado na cama. Chegou até a se assustar um pouco, mas assim que colocou a mão na cabeça dela e começou a fazer carinho, a realidade veio: eles realmente transaram depois da festa rave e tiveram uma noite bem intensa. Os arranhões nas costas do engenheiro e os chupões nos ombros mais o pescoço da cantora eram a prova do ato.

O engenheiro levantou-se da cama, foi até o banheiro fazer sua higiene completa, enxugou-se, trocou de roupa e foi até a cozinha fazer um café da manhã caprichado para eles. Guiou-se nas memórias dos pratos que Lisa mais elogiou ontem, durante a mesma refeição, e cozinhou syrniki e oladi mais frutas típicas. Comida pronta, na bandeja Otabek ficou preocupado com a saúde da cantora e colocou um chá terapêutico para amenizar os efeitos da ressaca.

Andou até o quarto e ao entrar no local, ficou encantando em ver a cantora acordada, de banho tomado, sentada na posição de lótus na cama e violão em mãos, cujo qual a cantora tocava e cantava Ready or Not, sucesso do trio norte-americano de rap que projetou sua ídola Lauryn Hill para o mundo, The Fugees:

“(…) Se você faz “tu tu, vudu”

Eu consigo fazer o que você faz fácil, acredite em mim

Falsos rappers rimam “hee bee gee bees”

Enquanto vocês imitam Al Capone, eu serei Nina Simone

Cuspindo as verdades no teu microfone

Pronta ou não, aí vou eu, você não pode se esconder

Vou te encontrar e tirar isso lentamente

Pronta ou não, aí vou eu, você não pode se esconder

Vou te encontrar e fazer você me querer (…)”

Entretanto ao ver o engenheiro chegar com a bandeja, Lisa parou de cantar. Otabek falou:

— Pode continuar, se a Senhora Lauryn Hill estivesse aqui, ela estaria orgulhosa de você. Aliás, você foi parar nos jornais quando conheceu ela por se ajoelhar aos pés dela e reverenciá-la, não foi?!

— Foi, assim como reverenciei Björk, minhas sêniores de 2NE1 e não me arrependo nem um pouco. Desde que eu a vi cantando essa música, depois vi Björk cantando Army of Me ao vivo, logo em seguida a apresentação ao vivo de I AM THE BEST das 2NE1, em uma época que nem sonhava que elas seriam minhas sêniores, num especial que passou na televisão do orfanato, o palco me chamou. Ali, naquelas mulheres, eu decidi que queria expressar minha voz para o mundo igual a elas. — confessou a cantora com lágrimas nos olhos, pois sempre se emocionava ao relembrar as origens da sua paixão pela música e a dança. Altin não sabia explicar, porém ficou extremamente tocado pelas palavras de Manoban. Imediatamente sentou-se ao lado dela, colocou a bandeja no colo e deixou as lágrimas correrem e após eles enxugarem as lágrimas um do outro, Lisa e Otabek tomaram o café, colocaram Ready or Not no modo repeat no mini system do engenheiro e transaram até dar a hora encontrar Yuri e Minami na mansão Plisetsky.

XxxX

Yuri agradeceu por acordar quase na hora de sair para ir até o aeroporto e por ter acordado antes de todo mundo, porque assim poderia cheirar sem levantar suspeitas. Antes do banho, o cantor cheirou uma cápsula de cocaína que comprou na balada. Depois do banho, higiene completa feita, devidamente enxugado, roupas trocadas, o cantor andou até a garagem e enquanto retirava o carro, os pensamentos que tentava evitar a qualquer custo martelavam a sua cabeça:

“Você cheirou apenas para não sentir fome durante o voo até Okinawa, Yuri, e aguentar o voo sem fissura. Quando você desembarcar e estiver na casa do Kenji, Valium e Ritalina de novo. Você sobreviveu ontem porque não era hora, mas se você continuar, você vai encontrar o Yuuri e o Viktor, e eles vão me “agradecer muito” por ter praticamente assassinado eles. Sou a pior pessoa do mundo mesmo, vô, mãe, pai, o Nika, Beka, Yul, Miu Miu, Dima, Mika, Lisa e principalmente o Kenji não merecem ter um bosta como eu. Matei meu melhor amigo do Japão e indiretamente matei um amigo querido… se eu pudesse não ter oferecido aquele pacotinho… Merda, merda, merda!”

Em seguida, Minami e o restante acordaram totalmente moídos da ressaca de ontem, porém nem teriam tempo para se recuperarem direito, devido ao horário marcado do voo. Apenas apressaram-se para tomar banho, trocar de roupa, tomar café da manhã, pegarem suas coisas e saírem da mansão, onde os Plisetsky, Lisa e Otabek já os esperavam lá fora. Tudo feito, eles finalmente partiram rumo ao aeroporto.

Duas horas depois, eles chegaram até o local, andaram até a área VIP de check in para os procedimentos necessários serem feitos pelo serviço de concierge. Após uns cinquenta minutos, tudo feito: Yuri, Minami e Lisa prontos para embarcar para o voo com destino para Okinawa e com conexão em Bangkok, onde a cantora desceria. Em seguida, eles andaram até a sala de embarque VIP.

Ao chegarem lá, a hora chegou.

Primeiro, Yuri abraçou a família, em seguida os amigos e Lisa, depois foi a vez de Minami, entretanto todos eles estranharam a despedida. O cantor, o tatuador e a cantora durante seus discursos, falaram diversas vezes “eu te amo” de uma maneira bem intensa para eles e para aguentarem a dor, pois eles eram fortes e depois ligaram para todas as pessoas que conheciam para fazerem a mesma despedida. Todos sentiram uma sensação esquisita no peito… como se fosse a última vez que iriam vê-los; a mãe de Yuri até pensou em pedir para eles adiarem o voo, mas aí ela lembrou de que isso não era possível, devido ao horário.

Como a sala de embarque VIP ficava praticamente ao lado da pista, era possível visualizar as pessoas entrarem no avião mais o decolar dele, através das paredes de vidro. Em silêncio, todos observaram eles entrarem junto com os outros passageiros, a porta do avião fechar e ele fazer a decolagem, porém quando o avião levantou voo, uma explosão. Exatamente a explosão do veículo na frente deles.

Gritos, desespero, confusão, funcionários pedindo a evacuação imediata do aeroporto. Segurança reforçada para os presentes na área VIP, tanto nas de check in quanto as de embarque e desembarque. Depois, no lado de fora do local, barulho de tiros e o caos. Para finalizar, o Exército mais a Polícia abriram os portões do aeroporto, equipes de resgate mais perícia entraram, corpos e mais corpos saíam dali. Cena digna de filme de terror, porém era a vida real.

Em seguida, as explicações. Era impossível definir o que era mais terrível, o ato em si ou o relato dele para os presentes no lado de fora. Um atentado terrorista feito por um grupo local extremo nacionalista, cuja bomba estava escondida em um buquê de rosas negras dentro do motor. Descobriram também funcionários da companhia aérea interligados ao grupo, ou seja, um ataque cuidadosamente planejado nas fuças do Governo russo. O motivo foi uma represália ao crescimento recente no número de imigrantes legais na Rússia.

Cento e dez vítimas, entre elas Yuri Plisetsky, Kenjirou Minami e Lalisa Manoban. Nenhum sobrevivente. Os autores do atentado também morreram, durante o confronto com o Exército mais a Polícia.

Ainda no lado de fora do aeroporto, a família Plisetsky chorava desolada no chão, amparados pelos amigos de Yuri, que também choravam desesperados. Imediatamente, Nikolai avisou para todos os conhecidos do melhor amigo sobre a tragédia, que rapidamente avisaram para os conhecidos de Minami e Lisa, além de dar um jeito de quem ainda estava em Moscou ficar mais um pouco para darem o último adeus para eles. Não demorou muito para todos estarem reunidos para o adeus final para Yuri Plisetsky, Kenjirou Minami e Lalisa Manoban. Uma noite terrível que eles preferiam esquecer que ela ocorreu.

XxxX

O enterro coletivo com as outras vítimas do atentado, no final, virou uma belíssima passeata pela paz, cujo qual cantaram STAY do Black Pink e Dead Roses de Yuri Plisetsky, além de estendida uma bandeira estampada com um desenho de Minami, lírios brancos, como forma de homenagem a eles e a todas as vítimas. Fama, anonimato, nada importava naquele instante. Eram pessoas que lamentavam cento e dez mortes.

A família de Yuuri Katsuki, a família e os amigos de Yuri Plisetsky, os melhores amigos mais o psicólogo e psiquiatra de Viktor Nikiforov, cujos quais praticamente viraram a família dele, os melhores amigos de Kenjirou Minami, tanto de os Okinawa quanto os de Tóquio e a “família”, os melhores amigos de Lisa Manoban, tanto os de Bangkok quanto os de Seul e Tóquio, todos reunidos novamente pelo luto. Primeiro, no enterro de Yuri Plisetsky, onde eles fizeram um túmulo simbólico de Kenjirou ao lado. Entretanto, para quem conhecia a natureza real do relacionamento deles, sabia o quanto aquele ato da família Plisetsky era corajoso e importante. Depois, a cremação de Minami em Okinawa, seguidos pelos rituais zen budistas e em retribuição ao ato dos Plisetsky, a “família” de Minami fez também um túmulo simbólico de Yuri junto ao de Kenjirou. Doía muito para todos conhecerem a beleza da ilha em uma circunstância tão trágica, assim como a de Bangkok através do enterro de Lisa, que também virou um belíssimo ato simbólico pela paz, onde todos cantavam STAY como o último adeus da cantora, ou como diziam por ali, a “Caçula Real” não somente por sua arte precoce, mas também por ser a contramão dos idols: lutar para ser sempre ela mesma, na medida do possível. Assim como todos eles, Yuuri, Viktor, Yuri e Kenjirou.

Depois dos atos fúnebres, o que sobraram para eles foram apenas lembranças e uma dura luta para lidar com o terrível sentimento de luto mais o choque, pois eles também serviram para revelar todos os segredos mais obscuros deles (principalmente os de Yuri). Obviamente, cada qual da sua forma, contudo com a certeza de que o tempo faria todos eles, de um jeito ou outro, lidarem com a ausência física deles, mas jamais dos seus corações.

Uma tragédia sem tamanho, nas redes sociais manifestações clamando orações para o país e lamentos sobre a morte da cantora, do tatuador e do cantor e a mídia oficialmente chamou aquela semana de “Semana das Rosas Mortas Asiáticas” ou simplesmente “Rosas Mortas”: a semana onde as cinco flores mais fascinantes da Ásia morreram, entretanto o que somente elas mesmas e o destino sabiam era que elas já eram rosas mortas, apenas esperavam a vinda dela para finalmente transformarem em mariposas reluzentes, livres para o voar e deixarem apenas lembranças.

Yuuri Katusuki através das suas maquiagens de terror e atuação, Viktor Nikiforov através das lentes das suas câmeras, Yuri Plisetsky através do seu canto, dança e posteriormente guitarra, Kenjirou Minami através dos seus traços, e Lalisa Manoban através do seu canto, dança e militância deixaram seus próprios legados para cada um senti-los como quiser. Afinal, controlamos o nosso expressar, jamais o sentir alheio e a lição de jamais desistirmos dessa peculiaridade chamada vida.

Adeus, Rosas Negras, e agradecemos suas lições.

“(…) Desidratado o quanto pude ser

A vida se foi para mim

Desidratado se desidratado é livre

Se ao menos pudesse respirar

Cheirando rosas mortas

Mas não cairei

Não, não cairei (…)”

(Roses — Silverchair)

Notas finais
Link das Músicas: God Am - Alice In Chains: https://www.youtube.com/watch?v=c1ebCHFNeMo Human Behavior - Björk: https://www.youtube.com/watch?v=KDbPYoaAiyc (a música citada por Lisa) Changes - Black Sabbath: https://www.youtube.com/watch?v=nPtorZ2k7Ak Dissolve - Imperative Reaction: https://www.youtube.com/watch?v=7Y08oe8VEiE Thanks for Your Cooperation - Angelspit: https://www.youtube.com/watch?v=k4GBdtv7QcI Moskau - Rammstein só tem link em Dailymotion agora e como o PC está ruim, colocarei depois Du Hast - Rammstein: https://www.youtube.com/watch?v=W3q8Od5qJio Edge - Triangle Mix, Perfume: https://www.youtube.com/watch?v=L4VXvAg3IGg Game - Perfume: https://www.youtube.com/watch?v=OSYsODSNfhw Magick - Klaxons: https://www.youtube.com/watch?v=N4b0E42RyOc Ready or Not - The Fugees: https://www.youtube.com/watch?v=aIXyKmElvv8 Army of Me - Björk: https://www.youtube.com/watch?v=ejk1upHi-xs I AM THE BEST - 2NE1: https://www.youtube.com/watch?v=ctSK7zyuLi8 STAY - Black Pink: https://www.youtube.com/watch?v=FzVR_fymZw4 Roses - silverchair: https://www.youtube.com/watch?v=x6H9ulh8x_c Recado IMPORTANTE: Quando eu disse, no primeiro capítulo, que esta fanfic não teria final feliz, fui o mais sincera possível com vocês, pois eu sabia o quanto ela seria nada fácil de escrever. "Dead Roses" veio em um momento extremamente difícil, pois nem fazia um mês direito que meu padrasto tinha morrido e como já tinha escrito tanta coisa para tentar expressar o luto que não conseguia em expressões faciais, lágrimas na frente dos meus amigos que não conseguia sair, veio naquele conjunto de fatores, naquela necessidade de angst que me fizesse sofrer para valer no fandom de YOI, esse escritos que vocês acabaram de ler. Sendo sincera? Eu não esperava tamanho apoio assim, eu não esperava que tantas pessoas sentissem tantas emoções junto com ela, por isso eu ajoelho-me e agradeço de coração o carinho de todos vocês. Não preciso citar nomes, porém saber que uma fanfic com temas tão complicados me deu os leitores mais incríveis, com suas dores, sabores, dissabores, desabafos, textos de incentivos, análises incríveis, a fanart, os aesthetics, as referências que alguns leitores meus fazem nas suas fanfics e até as mensagens de quem não aguentou tamanha tragédia e deu adeus a "Dead Roses", mas fez questão de me agradecer pela experiência... meu MUITO OBRIGADA DE CORAÇÃO, eu não seria NADA SEM VOCÊS! Sim, desde o planejamento de capítulos inicial dela o final era esse. Meu objetivo inicial com "Dead Roses" era fazer a angst realística que sempre quis mas do meu jeito, alertando o quanto temas como anorexia, depressão, baixa auto estima e afins são necessários os debates e mostrar, através da tragédias deles, que você pode superar isso. Conforme fui escrevendo "Dead Roses", fui percebendo que ela se tornou um ambiente seguro para leitores meus que sofrem disso poderem fazer ouvir sua voz. Por isso, sempre fiz questão de deixar os comentários o ambiente mais seguro possível nesse sentido. "Dead Roses", do seu jeito, me ensinou a praticar ainda mais a empatia. O que cada um de vocês levaram para si dessa fanfic, é algo de vocês e se vocês quiserem compartilhar, fiquem à vontade. Entretanto, o principal é: que as dores de Yuuri Katsuki, Viktor Nikiforov, Yuri Plisetsky, Kenjirou Minami e Lalisa Manoban, a gente tenha aprendido a nunca desistir desse trem meio estranho chamado vida, pois, apesar dos dissabores e de tudo, sempre há uma luz no fim do túnel e não é errado perecer no meio do caminho, parar, reconstruir e voltar. A vida é feita de começos, meios, fins e principalmente... recomeços! Nunca desistam do mais precioso: nós mesmos. (caramba, estou até chorando aqui) Beijos! P.S 1: Eu sei que o passado da família da Lisa ficou em aberto. Foi de propósito, pois pretendo escrever futuramente um spin off trabalhando todo o passado dela no formato de desabafo. Sim, a nossa própria Lisa contando sua história de luta! P.S 2: Futuramente teremos spin off do Yurio e do Minami, pois eu sei que há muitos leitores que adoram eles. Aguardem! P.S 3: Eu sei que deixei o final de um monte de gente em aberto, mas é para para poder mostrar tudo direitinho, dentro do possível, no epílogo. Ah, e ele poderá, no máximo, atrasar em uma semana, pois estou também participando da "Rare Pair Week" de Yuri on Ice ^~^ P.S 4: Eu vou voltar para os meus fandons que escrevia antes de YoI (KnB, Haikyuu, Marvel, KPop e afins) após a Rarepair Week, porém não se espantem se, nesse meio termo, os spin offs saírem "do nada", participar de uma "Victuuri Week" e afins. P.S 5: A TIA ADOOOOOOOORA VOCÊS!!!!!! Agora sim... Beijos e muito obrigada a todos que acompanharam até aqui ♥