Dead Roses
11 Oceans of Dead Roses
Notas iniciais
Ilha de Fernando de Noronha — Brasil — Sexta-feira, 06h00
Viktor hospedou-se em um dos bangalôs mais luxuosos da região, com vista para o mar e era só sair do local que já estava na praia. Deitado na rede da varanda, ele observava o findar do nascer do sol e refletia profundamente sobre a cena; na verdade, o fotógrafo imaginava como seria estar ali com Yuuri, pois Nikiforov reservou esse local por recomendação do ator, quando ele ainda estava vivo e conversaram sobre Fernando de Noronha — no fatídico dia seguinte à madrugada em que foi para cama com o ídolo. Mentalizava os possíveis abraços, beijos, as prováveis palavras, como ele reagiria ao ouvir a peculiar música que tocava na rádio, chamada Sete Cidades da famosíssima banda local dos anos 80 e 90 Legião Urbana.
"Já me acostumei com a tua voz
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade
Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu (…)"
O fotógrafo sabia quase nada de português, entretanto mal poderia imaginar que a música refletia todos os questionamentos e dores da sua alma. Ao contrário do que Renato Russo — vocalista da banda — cantava, Viktor não teve tempo de se acostumar com a voz, o rosto, os olhares, as expressões de Yuuri Katsuki; o destino tirou esse direito de Nikiforov da forma mais cruel possível e restou apenas a imensa falta que o ator fazia em sua rotina, mesmo na época que a admiração e, de certa forma, o desejo eram somente à distância. Portanto, as lágrimas que encharcavam o rosto do russo eram o seu subconsciente, de alguma forma, conectado com a triste canção.
Quando ela terminou e o rádio desligou automaticamente, Viktor desceu da rede, caminhou para dentro do quarto até a televisão estilo Smart TV, ligou-a, sintonizou no canal japonês a cabo especializado em animes AT-X — a única exigência de Nikiforov com o hotel foi a inclusão dos principais canais da TV aberta japonesa, junto com os canais fechados de animes e música de lá. — e deitado na cama, passou a assistir a reprise de um dos seus animes e mangás favoritos, Elfen Lied. Viktor se identificava profundamente com a personagem principal, Lucy, mas não pelo lado assassino dela. Ele se identificava totalmente com a luta da mulher contra tanto preconceito por ela ser quem ela era, igual ao fotógrafo na adolescência. Além disso, a ligação de Nikiforov com a obra era muito além da pura identificação com a protagonista: várias vezes os episódios dela fizeram o adolescente Viktor esquecer as vontades de se cortar, por outro lado, Lilium — a música de abertura desse — foi também muitas vezes a trilha sonora para abafar o choro do rapaz, enquanto ele fazia automutilação nos braços e coxas. Por causa disso, era comum o fotógrafo olhar para as cicatrizes do seu corpo e chorar por elas, tanto de orgulho por ter conseguido superar a automutilação, tanto de pesar, pois os anos passaram, mas o mesmo vazio desesperador da adolescência nunca, de fato, desapareceu.
Após assistir ao episódio, Nikiforov pegou o controle remoto, desligou a televisão, tomou seu antidepressivo com água do frigobar, pegou o interfone e solicitou o café da manhã. Aguardou uns dez minutos, a refeição chegou e o fotógrafo ficou maravilhado com o que viu:
“Bem que o Yuuri falou que a diferença do café da manhã brasileiro para o russo e principalmente para o japonês é absurda. É muita coisa! Olha essas geleias, frutas típicas brasileiras, granola com castanhas típicas do Brasil… Deixa eu ler o cardápio e ver do que é feito este bolo aqui: bolo de açaí com cobertura de banana da terra flambada na cachaça. Deixa eu provar isso agora… Hmmm, divino!” — Viktor devorou com gosto o farto café da manhã (com direito até a sentir uma pequena moleza depois da comilança), ao mesmo tempo em que, de vez em quando, pausava ele para tirar várias fotos, tanto informais com o celular quanto formais na câmera.
Após deixar a bandeja no local apropriado na porta para os funcionários recolherem, Viktor voltou para a cama, tirou uma soneca e mesmo naquele descanso, as lembranças de Yuuri Katsuki não deixavam sua mente. Seu sonho reproduzia as memórias eróticas daqueles tórrido dia, desde o eros de Yuuri ao máximo na madrugada até a sensualidade tímida do “verdadeiro eu” do ator. Obviamente, Viktor teve polução noturna, mas a sorte era que o homem estava nu, deitado para cima e sem nada o cobrindo quando ela ocorreu, portanto era só tomar banho e pronto.
“Quando foi que eu tirei minha cueca? Bom, não importa. Agora é tomar banho antes que isso comece a feder.” — e assim o fotógrafo o fez. Depois de tomar um bom banho, já enxugado, Nikiforov andou com o celular até o ofurô pronto para uso, localizado na varanda do bangalô, e entrou na relaxante banheira. Segurando o celular, Viktor acessou uma pasta secreta, cheia de fotos, vídeos e áudios íntimos que ele e Yuuri produziram juntos naquela madrugada. Acessou a parte de áudios e ouviu um áudio de uma masturbação solo do ator que, obviamente, depois virou sexo.
“Yuuri, como meu corpo e minha alma sentem sua falta! Ah, como era sexy você falando meu nome, desejando meu corpo junto ao teu, suas expressões, seus gemidos… nossos gemidos, nossos corpos se fundindo… por que você tinha que partir? Por que eu não percebi a tempo seu pedido de socorro, por quê?” — refletia o fotógrafo. Depois, passou a assistir os antigos vídeos do ator baixados do ex-Snapchat dele: vídeos dele brincando com Yuri Plisetsky, Minami, outros amigos mais colegas deles em comum, até um vídeo perdido com Lisa, e o vídeo deles na festa do tatuador, onde tudo começou. Pausou o vídeo, saiu do ofurô carregando o celular, pôs o celular na cama, foi enxugar-se, trocar de roupa e já pronto, pegou seus pertences essenciais, fechou o bangalô e andou até a recepção do hotel.
Lá, Viktor contratou o serviço de concierge do local e pediu um motorista particular que pudesse levar ele à praia menos frequentada do local. O coincierge deu um jeito do fotógrafo ir para uma praia isolada protegida pelo Projeto Tamar, explicou para o russo o que o Projeto mais os objetivos deste, porém deixou-se ciente para ele que a condição para Nikforov ficar por lá era, de alguma forma, divulgar o projeto. Ele ficou tão maravilhado com o trabalho do Tamar que na hora autorizou abrir mão do seu cachê para ajudar no Projeto, além da divulgação em si, é óbvio.
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Nikforov ficou encantado ao chegar naquela praia praticamente intocada pelo homem, após fazer um tour básico pelas instalações do Projeto. Pediu gentilmente para uma das biólogas do local um equipamento de mergulho, pois ele queria fotografar as tartarugas residentes e usá-la para fazer a divulgação, de fato. Como Viktor fez estágio na faculdade com um fotógrafo marinho, especializado em cobertura de competições de mergulho competitivo e treinamento de mergulho autônimo, obviamente ele teve que fazer curso de mergulho para cumprir o estágio.
Estar em um barco novamente, vestir de novo o equipamento completo de mergulho, sentir novamente um cilindro de ar comprimido nas costas era uma sensação nostálgica para o fotógrafo. Lembrar dos tempos de faculdade, os poucos, mas fiéis até hoje, amigos, os professores, os primeiros contatos profissionais, a felicidade da formatura… os bons tempos de fama de nicho que não voltam mais. Fez os procedimentos de segurança antes de mergulhar, posicionou-se e foi explorar os segredos daquele local junto da bióloga chefe do local.
No fundo do mar, Viktor ficou maravilhado com a diversidade da flora e fauna marinha brasileira: corais e algas de vários tipos, peixes nunca vistos antes, lagostas, polvos, as tartarugas e até mesmo os golfinhos, tudo em águas cristalinas, cujo sol refletia ao máximo no local.
“Um paraíso perdido na Terra, é tão ou mais lindo e surreal do que a referência que o Akio Tanaka desenhou em Glaucos. Yuuri, quando você veio para cá, você teve a oportunidade de mergulhar? Se mergulhou, o que você viu? Era tão lindo quanto aqui?” — refletiu o fotógrafo, enquanto tirava várias fotografias, tanto com a câmera profissional própria para mergulho quanto com o celular, também envolvido em uma capa especial para suportar profundidades imensas.
A fotografia escolhida para divulgar o projeto no Instagram, foi justamente uma feita na fase inicial, de carinhos, do acasalamento entre tartarugas marinhas. Imediatamente, a foto recebeu milhares de favoritos e comentários positivos, torcendo pela volta à ativa do fotógrafo, perguntando maiores detalhes para doação e até colegas distantes de profissão de Viktor perguntando sobre como ter contato profissionais com eles, ou seja, todos saíram ganhando com a divulgação.
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Durante o intervalo de gravação de um programa musical, Yuri observou a foto de Viktor, encantado com a beleza da foto e da divulgação do Projeto, brincou com ele em um comentário na rede social: “Nem dando um tempo para si próprio você não fica parado, hein?! Desliga o botão, workaholic!” para depois enviar a seguinte mensagem em russo no LINE: “Quero fotos exclusivas, hein, (risada em internetês russo)” e voltou para o trabalho.
Já Minami estava descansando de um workshop que acabou de fazer. Após falar com Yuri por telefone, matar saudades da voz do namorado, o tatuador foi até o Instagram, viu a foto de Viktor. Um aperto no peito estranho atingiu o homem, era como se a foto fosse uma despedida, um grito desesperado pela falta de Yuuri diante de um gesto tão bonito. Apenas comentou em inglês: “É normal você chorar vendo uma foto de ritual de acasalamento de tartarugas marinhas? (emoticon de risada com choro)”. Escreveu no LINE em japonês: “Viktor, precisando desabafar, estou aqui, tá!”. Teve que voltar para o trabalho, cumprir uma extensa sessão de autógrafos.
Lisa estava na cama do hotel, entre os lençóis e aninhada nos braços de Shownu. Via com um sorriso no rosto a foto Viktor, junto com seu comentário com um trecho da música Oceans da banda grunge norte-americana Pearl Jam. Enviou para ele a seguinte mensagem no LINE: “Ah, Viktor, que bom que você está tentando se recuperar de algum jeito! Não há nada mais revigorante do que trabalho voluntário, falo isso, pois toda vez que vou para a Lotus Flower, a ONG feminista em Bangkok na qual eu ajudo e acolhe mulheres e meninas vítimas do tráfico humano, turismo sexual e vítimas de violência sexual, eu me sinto revigorada em saber que, de certa forma, eu ajudei a fazer um mundo melhor, entende?! Então, eu incentivo mesmo a você se dedicar ao Projeto Tamar, ajudar os outros faz bem para alma e inclusive já fiz minha doação para eles (enviou pdf do comprovante de doação online). Aproveita muito a viagem e antes que eu me esqueça, eu já comprei minha passagem para Bangkok (emoticon de sorriso), vou embarcar às 19h30. Portanto, só depois da meia-noite que meu celular estará com sinal. Vou parar por aqui, porque o Hyunwoo está acordando. (emoticon de beijo), boa viagem e não esquece de pegar uma lembrancinha para mim, hein?! (emoticon de risada forte).”
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Viktor respondeu, já de volta ao barco, todas as mensagens, porém a mensagem de Minami tocou fundo na alma de Viktor, pois queria realmente desabafar com alguém…
“Mas e se for apenas da boca para fora, como as pessoas sempre fazem?” — refletiu Viktor com medo de acabar se magoando ou ser incompreendido novamente. Ele não queria palavras bonitas, Nikiforov queria apenas alguém que se esforçasse a ser empático com as dores dele próprio e desse apoio sincero quando pudesse. Algo que, na mente de Viktor, somente Yuuri o fez, tanto através da sua arte quanto como pessoa, mesmo tão ou mais ferrado quanto ele próprio.
Depois de um tempo, o barco chegou em terra firme, Viktor aproveitou para tirar várias fotos em terra firme, além de ter a permissão para fazer um mergulho utilizando apenas o snorkel, guiado pela bióloga, e fazer um snap na sua conta privada do Snapchat. O post fez muito sucesso, com direito a Lisa comentar que queria estar no lugar dele. Após o mergulho com snorkel, Nikiforov começou a sentir fome, hora de encerar o passeio. Agradeceu a recepção exemplar do Projeto, enviou para o e-mail deles todas as fotos retiradas (a câmera possuía wi-fi, por isso o fotógrafo conseguiu transferir tranquilamente as fotos para o celular), pegou muitas dicas com os funcionários de locais para visitar e despediu-se daquele lugar mágico.
No lado de fora do local, Viktor preferiu dispensar o serviço de concierge, contratou um serviço de motorista particular para estrangeiros, lembrou do nome de um recomendadíssimo restaurante da região chamado Mergulhão, pois ele foi uma dica de Yuuri sobre onde comer na ilha antes de morrer, mas antes de ir para o local, Nikiforov deu uma passada no hotel para colocar seu disfarce de “gente comum” para depois ir, de fato, até o restaurante.
Dentro do local, quase lotado, o fotógrafo conseguiu uma das poucas mesas restantes e agradeceu pelo destino pela mesa — uma confortável tenda com quatro puffs localizada no jardim do restaurante — apresentada pelo garçom ser bem reservada. Cardápio bilíngue (inglês e português) em mãos, Viktor preferiu dispensar os pratos internacionais que o restaurante servia e arriscar-se nos pratos regionais acrescidos de um toque gourmet.
Viktor pediu de entrada os famosos bolinhos de bobó de camarão, acompanhados de molho de tomate apimentado regional e ao provar aquele prato de sabor único, somente conseguiu expressar para o garçom o quanto achou o prato gostoso, porém ele expressou em russo; o que levou o funcionário a perguntar em inglês:
— O Senhor é russo?
— Um legítimo petersburguês, meu resquício de sotaque não nega, pode falar.
O garçom riu um pouco com a tirada do cliente e concordou com Nikiforov, mesmo sem saber que falava, de fato, com o renomado fotógrafo. Depois, sugeriu enquanto o cliente decidia o prato principal:
— Caso o Senhor queira, eu posso sugerir para o chef fazer um borshch revistado com o melhor da culinária brasileira.
— Fico muito agradecido pela sua gentiliza, mas, por enquanto, não pedirei. Já decidi o prato principal, vou pedir esse peixe coberto por castanhas, de sobremesa vou pedir essa banana mil folhas e para acompanhar tudo, vou pedir essa caipirinha de caju com cachaça especial, mas, por favor, entregue ela só no final. Para acompanhar o prato principal e a sobremesa, vou querer apenas água, tudo bem?!
— Anotado, Senhor. Pelo restaurante estar lotado, seu prato vai demorar um pouco, mas faremos de tudo para não demorar muito, tudo bem?!
— Relaxa, eu não estou com pressa. Como dizem por aí: a pressa é inimiga da perfeição e no caso de vocês, o demorar faz parte da perfeição. — o funcionário ficou meio sem graça com o elogio de Nikiforov, porém agradeceu-o pelo dito e foi providenciá-lo para o chef.
Viktor ficou até espantado pelo seu pedido ter chegado rápido, pois pensou que demoraria bem mais. Agradeceu novamente o garçom, provou o prato principal e ficou encantado com o equilíbrio do adocicado da castanha com a carne firme do peixe, acompanhado da farofa regional, a mistura de sentidos era potencializada e as batatas douradas no azeite de ervas ajudavam a criar um sabor único.
“Divino! Bem que o Yuuri falou que eu ia provar o melhor prato do mundo aqui. Sério, isso aqui chega a ser até surreal de tão maravilhoso que é!” — refletiu o fotógrafo, enquanto degustava com vontade o peixe na castanha e rasgava elogios do prato para o garçom. Após comer o prato principal, chegou a conclusão que não dava para dispensar a sugestão do funcionário e pediu o borshch revisado.
Uns vinte minutos depois, o garçom apareceu com a típica sopa fria russa, mas com beterrabas e legumes regionais, um pouco de castanhas mais creme de cupuaçu. Viktor praticamente surtou diante da perfeição do prato, pois nunca poderia imaginar que comeria o melhor borshch da sua vida no Brasil e não cansava de elogiar o prato para o garçom. Após a sopa, o fotógrafo comeu a sobremesa divina para o seu paladar e ao tomar a caipirinha para finalizar, Viktor quase soltou lágrimas diante do sabor peculiar e maravilhoso da bebida.
“Yuuri, muito obrigado pelas dicas. Agora eu entendo o porquê você falava com tanto entusiasmo sobre a comida daqui. Se a comida dos deuses existe, ela é feita aqui. Como seria você provando o seu prato favorito daqui novamente, isso se… deixa para lá. Ah, Yuuri, como eu queria que você estivesse aqui comigo!” — pensou o fotógrafo ao sair do restaurante, porém antes de deixá-lo, Viktor fez questão de elogiar pessoalmente o chef e sua equipe mais os administradores do local, além de, obviamente, ter tirado algumas fotos da comida com o celular e postado elas no Instagram durante sua estadia.
Após o almoço janta, o fotógrafo resolveu explorar um pouco o local, onde tirou várias fotografias, algumas no celular e postadas em suas redes sociais, porém sentiu a necessidade de curtir um pouco a vida noturna do local. Por isso, voltou para o hotel, tomou um bom banho, cantando no chuveiro uma das suas músicas favoritas do Pearl Jam, Even Flow.
“(…) Fluxo constante, pensamentos chegam como borboletas
Oh, ele não sabe, então ele os expulsa
Algum dia ainda, ele começará sua vida novamente
Mãos sussurrantes, o conduzem gentilmente para longe
Para longe, para longe
Yeah! (…)”
Em seguida, já trocado com as roupas, óculos e peruca do disfarce novo, pois o usado antes para ir até o restaurante estava sujo e já foi para a lavanderia do hotel, Viktor escreveu uma peculiar carta, colocou-a embaixo do abajur da penteadeira do quarto, pegou suas coisas, trancou o bangalô e andou rumo à saída do local.
No lado de fora, Viktor recorreu novamente às suas lembranças daquele dia fatídico com Yuuri e lembrou do nome de um rock bar bem alternativo da região chamado Sol Vermelho. Pesquisou o local no Google, solicitou pelo telefone celular novamente o serviço de motorista particular para estrangeiros e foi até a famosa Vila dos Remédios, famoso ponto de vida noturna da ilha.
Após aproximadamente cinquenta e cinco minutos, Nikiforov chegou ao local. Realmente, ninguém dizia que ali abrigava um rock bar, pois a fachada do local se resumia a uma porta de madeira e uma placa rústica escrita Sol Vermelho, mas assim que abriu a porta, a impressão se desfez. Somente um rock bar tradicional tocaria Crush, Kill, Destroy, clássico da banda de Death e Black Metal brasileira dos anos 80, porém com alto prestígio no exterior Sarcófago e coincidentemente uma das músicas favoritas do fotógrafo. Sem pensar duas vezes, Viktor entrou na pista e agitou a pesadíssima música com os típicos air guitar, fora as vezes em que ele se jogava sem dó na roda de mosh formada ali. O fotógrafo praticamente gritava o refrão da música que, de alguma forma, refletia as suas dores na sua árdua luta diária.
“(…) Esmague, mate, destrua!
Esmague — os invejosos;
Mate — seus inimigos;
Destrua — as fronteiras (…)”
Entretanto, a ligação de Nikiforov com a banda brasileira era muito além de várias bandas que ele descobriu e passou a gostar ou amar com o tempo. As lembranças de Viktor com a banda eram intimamente ligadas a Yuuri, pois foi através de um dos vídeos dos tempos de vlogger do adolescente Yuuri Katsuki que o também adolescente Viktor Nikiforov conheceu a banda. Curioso em conhecer mais sobre ela, o russo mandou uma mensagem privada para Katsuki, querendo saber mais sobre a banda e recebeu de volta uma mensagem enorme do japonês explicando tudo sobre ela, além de vários links de vídeos, apresentações ao vivo, entrevistas e até mesmo acesso à discografia da banda.
Depois, a playlist da jukebox foi variando, com direito a tocar bandas escolhidas por Viktor, e cada banda que tocava ali era cada vez mais interligada a todos os momentos passados com o ator, independente da forma: desde os tempos de apenas fã do vlogger Yuuri na adolescência, passando pelos tempos de fã do vlogger e trainee Yuuri quando era estudante universitário, trabalhador comum e fotógrafo quase amador, mas “famosinho” em redes sociais, depois pelos tempos de fã do Yuuri ator iniciante, mas que teve a fama e o auge profissional rápido, assim como ele próprio alguns anos antes, até o primeiro e único encontro de verdade com o ator, que marcou o corpo e a alma do fotógrafo. Rainbow, The Runways, Carcass, Saxon, Annihilator, Helloween, Nekromantix, Girlschool, Ammon Amarth, Dead Kennedys, Bikini Kill, Joy Division, Talking Heads, Alice in Chains, passando por bandas brasileiras como Angra, Nervosa, Shadowside, Ratos de Porão, por até algumas bandas japonesas como Galneryus, Malice Mizer, X-Japan, Aldious e até por bandas russas como Katalepsy, Louna e Tears of Manking, absolutamente tudo lembrava Yuuri Katsuki… e com ou sem Yuuri, Viktor estava acompanhado sempre do seu pior inimigo: ele próprio.
Por mais que trabalhasse, tivesse dinheiro, fama, vida social de dar inveja a muitos, pessoas que realmente se importavam com ele, tratasse adequadamente com psicólogo, psiquiatra e por mais que aparentemente tivesse uma noite de diversão naquele rock bar, Nikiforov sentia cada vez mais que perdia essa batalha travada desde a adolescência. Era horrível a sensação de vazio permanente, onde quer que esteja e os últimos acontecimentos pioravam essa sensação:
“Todas estas pessoas batendo cabeça, bem felizes, sentindo genuinamente o poder escapista da música e se divertindo de verdade… vocês, eu invejo vocês, pois acho que nunca soube o que é isso. Se tiraram de mim até a pessoa que me salvou de mim mesmo, para quem e para que ainda tento me salvar?” — questionava-se o fotógrafo para si mesmo, enquanto tomava a saideira e segurava as lágrimas, ouvindo coincidentemente (ou não) os versos de Big Empty da banda norte-americana dos anos 90 Stone Temple Pilots.
“(…) Muitas caminhadas, meu sapatos estão gastos
Muitas viagens e minha alma está desgastada
É hora de pegar uma carona, deixar o dia de hoje,
o nome dela nome é tudo o que importa
Muitas caminhadas e meus sapatos estão gastos
É hora de levá-la pra casa, sua cabeça confusa deixa sua consciência pesada
É hora de dar uma volta, isso evitará conversas hoje (…)”
Após tomar a última cerveja, Viktor foi até o caixa do local, pagou a conta, saiu do bar, mas desta vez contratou o serviço de concierge do hotel. Informou a eles onde estava, solicitou um motorista particular para levá-lo até o porto mais próximo dali, pois queria fazer um passeio noturno rápido de canoa por lá. Meia hora depois, o motorista chegou, Viktor o cumprimentou, entrou no carro e partiram para o destino solicitado.
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Dentro do porto, o fotógrafo fez os procedimentos necessários mais o pagamento pelo serviço. Em seguida, entrou na canoa, agradeceu e despediu-se do funcionário que desamarrou ela e começou a remar mar adentro.
Conforme ele remava e se afastava do porto, Viktor ficava cada vez mais surpreendido pela beleza natural única do local: a lua crescente vívida, o céu estrelado com poucas nuvens mais a imensidão do mar. Agradecia por ser dia de maré baixa, portanto teria uma canoagem tranquila.
Após um bom tempo remando, bem afastado do porto, onde havia apenas somente o horizonte à vista, Nikiforov parou de remar, recolheu os remos para dentro do barco cuidadosamente e com ainda mais cuidado, deitou-se na canoa. Pegou o celular, colocou os fones de ouvido dele em suas orelhas, apertou o play, tirou uma foto do céu estrelado mais a lua, postou a foto no Instagram com a seguinte legenda em inglês, russo e japonês: “Desta vez, eu poderia pedir ao mar respostas”, um trecho do refrão da música Ask for Answers do Placebo. Guardou o aparelho no bolso e deixou as lágrimas soltas exporem os seus sentimentos mais sinceros sobre… tudo:
“Tudo o que eu mais quero na vida é ser feliz (feliz)…
Parece tão engraçado para mim
(Tudo o que eu mais quero na vida é ser feliz)
Como as coisas podem ser tão fodidas
(Tudo o que eu mais quero na vida é ser feliz)
Toda vez que eu sigo em frente
(Tudo o que eu mais quero na vida é ser feliz)
Eu me sinto mais morto
(Tudo o que eu mais quero na vida é ser feliz)”
(Dead — Korn)
— Tia… pai… mãe… Yuuri… — murmurou o fotógrafo em um choro pesado, alto e descontrolado com as duas mãos fechadas sobre o peito, enquanto a música repetia em seus ouvidos. Viktor, chorando muito, tirou os fones de ouvido, retirou o celular do bolso, colocou o aparelho com o GPS ligado e bateria cheia em cima dos remos, cuidadosamente levantou-se da canoa e pulou no mar.
Dentro do mar, o fotógrafo não fez nada, além de deixar seu corpo afundar cada vez mais. Somente se debateu e prender a respiração por puro reflexo do corpo, no caso, para não entrar água no pulmão, não tinha mesmo a mínima vontade de lutar contra a água, somente deixou a água tomar conta do seu corpo até resolver abrir os olhos. Ali, Viktor viu Yuuri nadar em sua direção e dar um beijo mais um abraço cheio de saudades e subi-lo para a superfície.
“Yuuri, eu vim te encontrar…” — foi a última visão e pensamento de Viktor Nikiforov. O corpo, sem vida, já estava parado em cima de uma barreira de corais, que ficava a cinquenta metros de profundidade da superfície.
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Duas horas além do contratado por Viktor e ele não voltou, o celular somente chamava, os funcionários imediatamente foram até onde o aplicativo de radar marítimo do celular do fotógrafo apontava ser a localização dele. Ao chegar lá e ver somente os remos e o celular do fotógrafo, eles já começaram as buscas no fundo do mar e assim que acharam o corpo de Nikiforov, subiram ele para a superfície, fizeram os procedimentos necessários em casos como esse e comunicaram os superiores em terra, as autoridades locais e o hotel.
Imediatamente, eles descobriram que o caso de Viktor Nikiforov tratava-se de suicídio e ficaram ainda mais assustados com a carta do homem, escrita em inglês.
“Favor ligar para Mira Babicheva, ou Georgi Poppovich, ou Christophé Giacometti nos seguintes telefones XXX para acertarem tudo que eu deixei. Caso não consiga entrar em contato com nenhum deles, contate Sara ou Michéle Crispino nos telefones XXX e caso não consiga contatá-los também, contate Kenjirou Minami, ou Lalisa Manoban, ou Yuri Pilsetsky nestes respectivos números de contato XXXX.
Sara e Michéle, sinto muito, eu perdi a batalha, mas eu agradeço por ficarem ao meu lado desde os meus dezenove anos e por tudo o que vocês fizeram por mim.
Georgi, Mila, Chris, Yuri, Lisa, Minami… — uma lista enorme de amigos e colegas de Viktor seguiu-se — por favor, me perdoem por ser fraco, porém eu agradeço todos os momentos que tivemos juntos.
Eu fui encontrar minha família e o Yuuri.
Adeus.
“(…) Agora eu percebo como os tempos mudam
Partir não me parece tão estranho
Espero um dia poder encontrar
Onde deixar minha dor para trás
Toda essa merda que pareço suportar
Sozinho pareço quebrar
Tenho vivido o melhor que posso
Isso não faz de mim um homem? (…)”
(Alone I Break — Korn)”
— Desde o início ele veio para cá com intenção de suicídio. — falou uma funcionária do hotel, chorosa.
— Suicidou-se por depressão provavelmente. Esses famosos… possuem tudo, menos a real felicidade. Uma tragédia. — comentou um perito.
Continuaram a fazer os procedimentos, conforme a carta, porém o mais difícil, de longe, foi avisar a primeira citada na carta sobre o suicídio de Viktor. O desespero de Mila ao telefone era algo terrível, dolorido mesmo, com direito a autoridade que avisou para ela segurar as lágrimas durante a chamada.
Após a chamada terminar, Mila avisou para Georgi e Chris, fotógrafos amigos de Viktor desde os tempos da faculdade, assim como ela própria. Os homens, assim que receberam a notícia, foiram de encontro a mulher para abraçá-la forte. Todos choraram muito, muito o suicídio do amigo. Eles sabiam da luta de Viktor contra a depressão, porém, na mente deles, o tratamento que ele fazia com o psicólogo Michéle e a psiquiatra Sara foram suficientes para ele ter forças para encarar bem o luto de Yuuri Katsuki. Além de tudo isso, eles só puderam comparecer para a festa de lançamento do último trabalho de Nikiforov e por pouquíssimo tempo, por motivos profissionais. Os mesmos motivos que não permitiram eles estarem com Viktor no funeral e cremação de Yuuri Katsuki.
— Se eu soubesse que o Vitya estava tão desesperado, que a crise dele chegou ao ponto do insuportável… — lamentou a fotógrafa.
— O que a gente faz, Mila, o que a gente faz? — gritou Georgi tão inconformado quanto os outros.
— É foda pensar no que fazer… mas acho que primeiro de tudo, nós devemos avisar a psiquiatra, o psicólogo, o advogado dele para tirarmos o Vik do Brasil o mais rápido possível, resolver as pendências jurídicas e a assessora de imprensa dele para evitar que devastem a privacidade do Vik. Depois, acho que devemos contatar todos os amigos deles e após… — Christophé mergulhou em lágrimas. Ainda era muito dolorido falar sobre o suicídio do amigo.
Depois, eles respiraram fundo e avisaram Sara, a psiquiatra de Viktor, o Michéle, o psicólogo dele, o advogado e a assessora de imprensa sobre o ocorrido. Em seguida, eles avisaram os outros amigos e colegas de Viktor, como Minami, para depois irem para o apartamento do fotógrafo, ajudarem o advogado a reunir documentos necessários para cuidar do translado do corpo e o restante da parte jurídica.
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Dentro da casa dos Crispino, italianos naturalizados japoneses, o psicólogo Michéle lamentava o suicídio de um dos pacientes mais fiéis ao tratamento para a irmã, a psiquiatra Sara:
— Irmã, por que o Viktor, justo ele que tinha um quadro… Por que, por quê?
— Talvez a morte do ídolo, justamente o ídolo que salvou ele da segunda tentativa de suicídio, foi um fardo pesado demais para suportá-lo… Principalmente após a Mila contar que ele foi para cama com o ídolo, porém… apesar de, infelizmente, pacientes suicidas que partem ser algo recorrente em nossa profissão… Nós somos humanos, dói saber que não conseguimos fazer alguém se salvar de si próprio. Por que não insistimos? Viktor… — dizia Sara, bem abalada pela morte do paciente e, de certa forma, amigo.
— Agora… é a gente se aprontar e encontrar eles para ajudarmos a agilizar tudo… eu acho. — declarou o psicólogo.
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Kenjirou Minami tremia ao telefone no banheiro da Convenção, ainda estava em choque com a notícia do suicídio de Viktor. Somente conseguia pensar
“Aconteceu de novo, de novo eu não percebi. Minha intuição estava certa, aquele discurso do Viktor era o último pedido de socorro dele e eu não percebi. Nenhum de nós percebemos. Merda!” — chorava alto o tatuador.
Como Yuri Plisetsky estava dentro de um avião para Moscou, o celular dele estava em modo avião, portanto só ligaria para o namorado quando ele avisasse que chegou em Moscou. Entretanto, Lalisa Manoban já havia chegado em Bangkok. Respirou fundo, ligou para a mulher. Lisa atendeu no mesmo instante:
— Oi, Kenjirou, tudo bem?! E aí, o que você conta de novo?!
— Lisa, primeiro de tudo, onde você está?
— Estou aqui na casa da minha amigona dos tempos de orfanato, por quê?
— Que bom que você não está sozinha, porque o que eu vou te contar... é foda, Lisa. — a cantora percebeu pela voz trêmula de Minami que não era uma notícia boa. Ela segurou a mão da amiga e autorizou o tatuador a falar.
— Lisa, se lembra das palavras do Viktor na despedida e aquele último post no Instagram...
— Claro que eu lembro, Kenjirou! Assim que eu vi aquilo, eu mandei uma mensagem para ele implorando para ele desabafar comigo! Era um aviso, né… — as lágrimas já brotaram no rosto da cantora.
— Sim… era um aviso. Era o pedido de socorro do Viktor e a gente não percebeu. Aconteceu de novo. O Viktor se matou no Brasil, se jogou no mar. Acharam o corpo dele no fundo do mar e ele ainda escreveu um bilhete pedindo desculpas para gente, falando que ia encontrar o Yuuri e a mãe dele. Isso, segundo a amiga dele que foi quem recebeu a ligação direto da polícia no Brasil… e ela me revelou que o Viktor lutava há anos contra a depressão. — em seguida, ele falou para Lisa detalhes importantes do passado do fotógrafo, revelados pela amiga de Viktor, Mila. — Por que a gente não percebeu, por que, por quê?
Lisa deu um grito desesperado no telefone pelo nome de Viktor, as lágrimas da cantora eram desoladoras. A amiga da mulher abraçava ela forte, tinha empatia pela dor dela, pois perder o ídolo e depois perder alguém querido pela cantora. Era muito triste o luto duplo. Desabafou:
— Por que, por que de novo, Kenjirou? O Viktor sempre pareceu tão alegre, tão vívido e na verdade, ele escondia uma dor terrível, uma batalha árdua e… ficamos tão concentrados nos nossos lutos que… A gente poderia ter salvado o Viktor, apenas se naquele discurso dele algum de nós falasse: “Desabafa, desabafa como você nunca desabafou com ninguém antes!”. Droga! Não dá para aceitar, não dá!
Minami soltou todo o choro engolido para falar com ela. Lisa também chorava muito, dizia:
— Eu queria tanto estar aí com você, cara! Dar um abraço em você e o pior que você nem pode sair daí, né?! Mas não se preocupa, eu estou indo agora pedir um jatinho para me mandar para São Petersburgo. Eu me recuso a não prestar minha última despedida para o Viktor. Você tem o telefone desses amigos dele, pois eu me prontifico a ajudar a pagar as despesas funerárias e o translado. E o Yuri como está? — peguntou Lisa também preocupada com o cantor.
— Ele está no avião nesse momento, ele só vai ligar o celular lá para as cinco ou seis da manhã. Só de pensar em dar essa notícia… Droga! Sabe, você não existe, Lisa… — respondeu o tatuador, ainda mais admirado com a generosidade da cantora, igual ao funeral de Yuuri, no qual a mulher depositou uma boa quantia para ajudar a família Katsuki. Continuou. — Você é uma pessoa muito boa, seu coração é de ouro. Eu vou passar agora é a conta-corrente mais os dados para você depositar e os telefones deles, pois eu também fiz uma transferência online para eles. Eu talvez não possa conseguir me despedir do meu amigo, mas faço questão de ajudar ele até os últimos momentos… Merda, estão me chamando!
— Kenjirou, força nesse momento e sendo sincera? Você perdeu um dos seus amigos próximos, é injusto você ficar aí. Sabe aquele conselho da tua falecida mãe? Segue ele, cara! Seu coração não está mesmo pedindo para ficar nessa Convenção, vai para Moscou e depois para São Petersburgo, vai dar apoio para o teu namorado e se despedir do seu amigo! Tenha a certeza: se acontecesse qualquer coisa nesse sentido com você, que eu sinceramente espero que nunca, o Viktor e principalmente o Yuri viriam até da casa do cacete para se despedirem de você. Segue seu coração! Grana, obrigações… véi, quando é a morte de alguém querido que está em jogo, o que isso significa? A gente se vê em São Petersburgo, mesmo que isso signifique eu fazer barraco com a organização e te levar à força para Moscou! Você não está sozinho, Kenjirou, nunca se esqueça disso! — Minami não sabia o que falar, apenas agradecer a cantora por falar exatamente o que precisava ouvir. Agradeceu Lisa pelas palavras e devido a ouvir novamente o chamado, o tatuador teve que se despedir dele e desligar o telefone. Colocou o celular de volta no bolso, lavou o rosto, enxugou-o e ao abrir a porta, tomou um susto: seus amigos e colegas tatuadores esperaram ele, segurando uma passagem:
— Bora para Moscou para ajudar o namoradão nesse momento difícil e… justamente por ser um momento de vocês, a gente se encontra em São Petersburgo. Diante da tragédia que aconteceu com o Viktor, a Convenção foi cancelada. Você está precisando de um abraço, né?!
Minami não pensou duas vezes: aceitou o abraço coletivo e chorou mais ainda tudo o que tinha que chorar: “Eu não estou sozinho… Muito obrigado, Lisa!”
Um amigo em necessidade é um amigo de verdade.
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