Dead Paradise (RKKT - Season 2)
3 You'll never be safe
Notas iniciais
HELENA
PRAIA DO HOTEL
11h34
Helena estava com a água do mar na cintura. Segurava seu chapéu com a mão esquerda, e com a direita, segurava seus óculos de sol, tirando-os do rosto, analisando a paisagem do horizonte que se estendia pelo oceano.
Andava mais para o fundo do mar. A água batia agora em sua clavícula. Resolveu mergulhar. Seus cabelos castanhos faziam uma coroa em sua cabeça. Voltou à superfície e deu meia volta, para encarar o prédio gigante que era o hotel Pacific Paradise Ocean. A fachada de vidro reluzia o sol da manhã, cegando-a.
Lembrou-se de uma cena que tinha presenciado antes de ir para a praia: policiais, enfermeiros e hóspedes amontoados em volta de alguma coisa. Ela se aproximou parar ver, em seu desgosto, duas metades de um corpo de uma garota. Helena se lembrava dela, as duas já tinha jogado uma partida de pôquer no salão de jogos. Zayday. Era esse seu nome. Ela tinha sido brutalmente assassinada por um maníaco. As câmeras de segurança não pegaram nada. Apenas o corpo da menina sendo arrastado pelo... vento. Era isso. Nada mais, nada menos. A câmera não registrou o assassino.
Duas meninas, que se denominavam Chanel #2 e Chanel #4 (o que Helena achava bem esquisito e infantil, honestamente). As duas choravam e se agarravam às metades do corpo da amiga. Uma adulta, chamada Gigi estava chocada, mas parecia bem tranquila, como se já tivesse presenciado aquilo milhares de vezes.
Helena não conseguiu não sentir pena das garotas. Tão jovens, sofrendo tanto. Ela sabia que aquele hotel tinha algo estranho, só não sabia o que. Gostaria de investigar.
Em segundos, esqueceu-se da investigação. Um menino, com cabelos pretos, sem camisa e de shorts de banho, passou correndo pela praia. Acompanhou os movimentos do menino, olhando seu corpo que era musculoso.
Ele desacelerou e parou. Helena achava que estava apaixonada. Não, não era possível. Ela já tinha vinte e três anos. Sabia que não existia amor à primeira vista. Mas aquele garoto, na opinião dela, era lindo.
Claro que não tanto quanto eu. Eu sou rica, posso fazer o que quiser. Posso ter o que eu quiser, pensou.
Antes que pudesse pensar em mais qualquer outra coisa, correu até o garoto. Era uma atitude idiota, ela sabia. Mas queria saber apenas o nome dele. Só o nome.
– Oi. – disse ela, agindo com naturalidade.
O menino pareceu assustado em vê-la.
– O-oi. – gaguejou. Helena percebeu que ele admirava o belo corpo dela. Claro que ela usava seu melhor biquíni, que era muito elogiado por todos... os homens.
– Você esta hospedado nesse hotel? – ela apontou para o grandioso hotel, que se levantava ao lado deles.
– Sim. – ele desviou o olhar do corpo de Helena para o hotel.
– Qual o seu nome? – ela foi direto ao ponto.
– James. James Valentine.
– Que nome lindo. Sou Helena McNamara.
– Prazer em conhecê-la, Helena. – ele beijou a mão dela.
Por mais clichê que isso fosse, Helena gostou. Até ficou um pouco corada. Ela era melhor do que isso. Claro que era. Mas um pouco de diversão não mata ninguém, não é mesmo?
Encarou o rosto do menino. Ele parecia ter a mesma idade dela.
Ótimo!, pensou.
–O que você acha de sair essa noite? – ela perguntou, deixando bem claras as suas intenções.
– S-sim. – ele gaguejou de novo.
– Me espera às sete no saguão. Te vejo lá.
Ela piscou para ele e saiu, desfilando pela praia, até a espreguiçadeira em que estava antes de ir para a água.
Helena tinha marcado um encontro com um menino que ela nem conhecia. Isso era uma loucura. Ela amava loucuras.
***
HUNTER
PRAIA DO HOTEL
15h56
Hunter estava nadando pelo fundo da água, observando os peixes e corais, através de seus óculos de mergulho. Vestia uma roupa adequada para mergulhos e tinha dois tubos de oxigênio nas costas.
Ele gostava de mergulhar, mas, depois de tudo o que ele tinha passado, até aquilo era sem graça. Diversos peixes passavam perto de seu corpo. A luz do sol da tarde tremulava acima dele. Estava a uns sete metros da superfície.
Percebeu que em alguns minutos, seu oxigênio acabaria então resolveu voltar para a lancha, em uma missão para buscar mais tubos. Queria passar o resto do dia mergulhando.
Começou a nadar em direção à superfície.
Chegando na lancha, deu de cara com Connor, seu melhor amigo. Ele estava com seus cabelos loiros molhados, evidenciando que acabara de voltar de seu mergulho também.
Eles dois sempre mergulhavam juntos. Desde que tinham idade suficiente para usar esses equipamentos sozinhos. Seus pais foram dois grandes amigos, então nada mais justo do que os dois serem também.
– Isso foi incrível! – disse Connor, vindo na direção de Hunter fazendo um cumprimento com as mãos.
Hunter gostava do amigo. Só que às vezes, ele irritava...
... e muito.
Connor não tinha opinião própria. Sempre copiava Hunter. Isso irritava o garoto, porque ele não queria um espelho. Só um amigo.
Mas, claro, ele não falava nada com Connor, pois sabia que o amigo diria que era delírio da mente dele.
Os dois renovaram os estoques de oxigênio e ficaram esperando o orientador principal da lancha, Smith, voltar de seu mergulho, para que fossem os três juntos.
– E então? Você vai ver o jogo hoje à noite? – Connor tentou puxar assunto.
– Claro! Não perco esse jogo por nada! Vai ser um clássico!
– Sim, sim.
Os dois conversaram por um bom tempo, até Smith aparecer, segurando um peixe bem grande.
– Encontrei esse na reserva aqui perto! – disse.
Os dois rapazes o parabenizaram pela pesca um tanto quanto... Aleatória para o momento.
Depois de alguns minutos, voltaram para o mar, ficando a dez metros da superfície. Observavam a diversidade do oceano.
Hunter sempre ficava impressionado com a vida em baixo d’água. Após horas, o oxigênio estava quase no fim, novamente. Então, os três subiram para a lancha.
– Sem mais mergulhos para mim hoje. – disse Smith.
– Tudo bem. Vou mergulhar m ais uma vez. Aí podemos ir embora.
– Eu também vou. – disse Connor.
Os dois amigos renovaram o estoque de oxigênio, pela terceira vez no dia. Pularam na água.
Após mais algumas horas, subiram à superfície e perceberam algo estranho.
– Cadê a lancha? – perguntou Hunter.
Olharam em volta. A lancha tinha sumido.
– E agora? – perguntou Connor.
– Não sei. – ele se virou para ver a costa. Estavam a muitos metros da praia. Será que Smith tinha ido embora?
A pergunta foi logo respondida quando avistaram o corpo de Smith boiando na água. Seus olhos estavam arregalados. Sangue escorria de sua boca. Ele estava morto.
Connor virou o instrutor e viu um machado em suas costas. Isso era realmente estranho. Lembrou-se do assassinato que tinha ocorrido no hotel, na noite passada. O desespero cresceu dentro de seu peito.
– Você acha que...
Ele nunca terminou a frase. O ronco do motor da lancha surgiu em algum lugar. Hunter olhou para Connor. Será que era a guarda marinha vindo resgatá-los?
A lancha entrou no campo de visão de Hunter. Ele enxergou quem estava dirigindo. Era um vulto totalmente preto, parecendo fumaça. Balançava o volante e ia em direção a eles. Aquilo era estranho.
– CONNOR! NADA! O MAIS RÁPIDO QUE CONSEGUIR! – gritou.
Eles nadaram. Hunter arriscou olhar para trás, para ver se ainda os estava seguindo. Viu que a lancha estava sem motorista, vindo desgovernadamente na direção deles.
Connor parou para olhar também.
– CONNOR! NÃO!
– O quê?
Connor nunca conseguiu uma resposta. A lancha passou em cima de sua cabeça, a hélice embaixo do casco, arrancando-a do corpo do rapaz.
A água adquiriu um tom de vermelho. Hunter sabia que ali tinham tubarões. Seu desespero cresceu. Nadou em direção à praia, se sentindo inútil, deixando o corpo do amigo ali, para ser comida de tubarão.
Lágrimas vieram aos seus olhos. Chorou. Ele não chorava desde a morte do pai. Era uma sensação estranha.
No meio do caminho, por questão de sorte o não, encontrou um Jet-skii, ligado. Montou nele e marchou em direção à praia, com a imagem da cabeça do amigo boiando longe do corpo ainda na mente.
***
GIGI
CORREDOR DE SEU QUARTO
16h56
Gigi estava com seu maiô rosa, segurando um pote de filtro solar, que passava pelos braços, enquanto caminhava pelos corredores do hotel, em direção à praia.
Era o dia mais quente do ano. Nada melhor do que passá-lo na praia. Apertou o botão do elevador. O mesmo elevador que Zayday tinha morrido. Ela estremeceu. Sentia falta da amiga, mas depois do caso da Wallace, mortes tinham se tornado algo normal para ela.
A porta do elevador se abriu e Gigi entrou, apertando o botão “T”, que a levaria para o térreo. Pegou seu celular e colocou seus fones de ouvido, selecionando uma playlist que a fazia lembrar do verão.
Os andares passavam pelos olhos dela. Observava a vista do elevador panorâmico, quando ele parou, para outra pessoa entrar. Gigi estava se olhando na câmera frontal de seu celular e quase o deixou cair quando viu quem estava entrando no elevador.
Era Wes.
Seu ex-namorado.
O pai de sua filha.
– Boa tarde. – ele fingiu não reconhecê-la.
– B-b-oa. – gaguejou.
Ela observava, pela porta aberta, as pessoas passarem pelos corredores.
As portas do elevador se fecharam, deixando-os soinhos. A máscara de Wes caiu.
– O que você estava pensando? – exclamou o homem.
Ela se assustou.
– Pensando com o quê, exatamente? – ela tentou esconder a surpresa que sentia.
– Você permitiu que nossa filha morresse!
– Não permiti! Você a escondeu de mim! Não permitiu que ela soubesse que eu era a mãe dela! E disse que eu estava morta! – ela o empurrou. – Você é um doente!
Gigi vociferava como nunca. Tinha guardado aquelas palavras para si desde que Grace tinha morrido alguns meses atrás.
Wes a encarava com ódio. Ele não tinha mais argumentos para debater Gigi.
– Você tinha que tê-la reconhecido! Além de que você se tornou a decana da universidade! Era seu dever zelar pela vida dos estudantes!
– Mas quando se tem um serial killer à solta, fica meio difícil de garantir a segurança deles.
O elevador estava se arrastando pelos andares. Faltavam muitos andares ainda. Ela decidiu apertar qualquer botão, rezando para que fosse o próximo andar. E assim que apertou, a porta se abriu e ela saiu.
Wes a acompanhou.
– Não fuja do assunto, Gigi!
Ela apenas o ignorou. Andava depressa para as escadas. Descia praticamente correndo. Queria que alguém chegasse. Os corredores, por incrível que pareça, estavam vazios. Todos deveriam estar na praia.
Ela parou um andar antes do térreo, quando Wes puxou seu braço e a jogou contra a parede. Ela arfou de dor. Não se lembrava que Wes fosse tão violento.
– Não vire as costas quando eu estiver falando com você. – ele apontou o dedo para a cara dela e deu-lhe um tapa. – Se isso acontecer de novo, será pior.
Gigi tentava se soltar, mas Wes era muito forte para ela. Ele pressionava seu pescoço contra a parede.
Passaram-se alguns segundos até que ela percebesse o que Wes estava tentando fazer. Ele estava tentando enforcá-la.
Ela se debateu ainda mais. Ele segurou seu pescoço com mais força.
– Quando mais você se mexer, pior será.
Gigi não lhe deu ouvidos e chutou a região baixa de Wes. Ele caiu para trás, com a surpresa. Ela se distanciou dele. Apertou o botão do elevador com urgência. O elevador demoraria muito para chegar.
Wes se levantou e foi atrás dela.
– Por favor, não. – ela disse.
– Não me peça piedade!
Ele puxou um canivete de seu bolso.
– Sabe por que eu sempre ando com isso no bolso? – perguntou ele.
Ela não se atreveu a responder.
– Fique quieta mesmo. Boa menina. – ele abriu a faca do canivete. – Continuando... Eu sempre ando com isso no bolso porque nunca sei quando terei a chance de matar uma vadia estúpida que nem você!
Wes estava maluco. Estava caindo aos pedaços. Ele precisava ser internado.
Gigi se esquivou dele e partiu para as escadas. Wes foi atrás. Ele puxou o braço da mulher, jogando-a escada abaixo. Gigi caiu no chão, com o nariz sangrando. Ele ficou por cima dela, brandindo a faca, perto de seu pescoço.
– Não se preocupe, vai ser bem rápi...
Ele nunca terminou a frase. Um vaso de plantas bateu em sua nuca, apagando-o. Gigi se levantou, jogando o homem desacordado para o lado, fazendo-o rolar escada abaixo. Pegou o canivete do chão e o guardou no bolso. Olhou para frente e quase não acreditou no que viu. Ou melhor... Quem viu.
Hester havia jogado o vaso de plantas em Wes.
– H-H-ester?
Ela fez sinal de silêncio para Gigi.
– Esse será nosso segredo.
Gigi apenas concordou.
– Mas como...? – perguntou.
– Existem câmeras de segurança aqui. — Hester ajeitou os cabelos. – Vamos logo antes que o Senhor Serial Killer do Paraguai aí acorde – ela apontou para Wes.
Gigi concordou e as duas foram para o elevador, deixando Wes desacordado para trás.
– Muito obrigada. Não sabia que você seria capaz de desacordar alguém.
– Querida, ninguém aqui sabe do que eu sou capaz.
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