Dead Love
1 Capítulo 1 de 2
Notas iniciais
Aviso: Não se desesperem, NÃO é uma fic cana e bacchus, ele só apareceu aqui pq eu precisava de alguém nesse inicio!!!
Boa leitura...
Deadlove
Sabe todas aquelas coisas bonitas que falam sobre o amor? Sobre como amar uma pessoa é bom e faz bem a alma? Sobre borboletas no estômago e felizes para sempre? Pois bem, esqueça isso, amar é doloroso. O amor deveria ser rotulado como o maior instrumento de tortura de todos os tempos. Então ela resolveu levantar a bandeira, morte ao amor, bem... Pelo menos os seu.
Capítulo único
Tudo começou com um pouco de bebida e conversa descontraída. Não era para ter terminado assim. Não era para estar com esse buraco do peito. Não era para ter o coração partido. Não era para tê-lo amado. Os termos daquela relação foram muito bem definidos, uma amizade colorida. Além da amizade só haveria sexo. Nada de borboletas no estômago, nada de encontros, nada de saudades, nada de se apaixonar.
Entretanto, entre alguns drinks, madrugadas em claro e conversas descontraídas... Em algum momento entre o sexo e a amizade, ela havia se apaixonado. Até então nenhum problema, afinal, nem mesmo tinha notado tal fato. Ou talvez tivesse sido por conveniência, seu coração resolveu se abster de tal situação. Muito tempo passou e aquele sentimentozinho ficou escondido em algum lugar escuso, mas de repente um olhar, uma palavra de carinho e um momento mal interpretado trouxe a tona tudo aquilo que estava guardado.
E de repente, somente sexo deixou de ser o bastante.
Maldito amor. Maldita paixão. Maldito mundo e suas mentiras sobre amor. Nada de engrandecer, nada de libertar, nada de fazer nada de bom. Deveria ter aprendido com o exemplo da mãe, o amor só trazia problemas. Deveria ter aprendido comMacao, nenhum homem ama uma mulher. Deveria ter aprendido com todos os outros relacionamentos fracassados que teve, o amor não era para si.
Definitivamente tinha que parar de se apaixonar. Porque paixão levava ao amor e ela não queria mais amar. Não queria mais aquela droga de dor no coração. E agora estava num bar no meio de lugar nenhum bebendo para afogar as mágoas e como se não pudesse piorar, nem bêbada para esquecer os problemas conseguia ficar. Dose após dose de qualquer coisa alcoolica e mundo nem havia começado a girar. Caiu com a cabeça sobre a mesa no mais profundo tédio da depressão.
Fechou os olhos e quando abriu-os novamente ouviu uma voz máscula e debochada atrás de si.
- Olha quem eu acho perdida aqui... Nee-chan!
Ergueu o corpo, virou a cabeça e encontrou a figura de Bacchus, o classe S da QuatroCérberos. Ele continuava igual a última vez que o viu nos jogos mágicos, peito desnudo, brinco nas orelhas, cabelos presos e aquele olhar predador debochado.
- Bacchus... – disse sem muita animação –
Sem convite ele sentou-se a sua mesa começando a beber de sua bebida, em outro momento teria havido problemas, mas hoje pouco importava.
- O que houve? Não me acompanha?
Levou uma dose de whisky para dentro e sorriu para ele.
- Satisfeito?
O homem ergueu a sobrancelha e continuou a beber.
- O que uma nee-chan faz sozinha nesse lugar? Pode ser perigoso...
- Cão que ladra não morde. – virou outra dose –
- Nem sempre... – ele acompanhou –
- Tsk... Não quero voltar para casa.
- Oh... Problemas do coração. Nee-chans sempre ficam deprimidas com essas coisas...
- Hum... Afinal idiotas como você existem aos montes...
Ele sorriu.
- E a culpa é sempre dos pobres cafajestes. Ninguém manda vocês se interessarem por quem não devem!
A morena estendeu um olhar de esguelha ao mago que sorriu.
- Nisso devo concordar, os corações das idiotas só batem por quem não devem! – mais uma dose –
- Que tal um brinde para animar as coisas?
- E vamos brindar a quê? – indagou incrédula –
- Que tal aos corações bobos das nee-chans?
- Tsk... Eu prefiro brindar ao fim do amor. As coisas seriam melhores sem ele.
- Então... kanpai! – os copos tilintaram – Um brinde ao fim do amor e suas complicações...
As garrafas foram se esvaziando, a conversa acontecendo e no final da noite terminaram em uma confusão de lençóis, braços, pernas e bebidas. Que se danasse seu coração estraçalhado por aquele loiro maldito. Não queria mais pensar nele, não queria mais amá-lo, não queria mais nada além de distância. Tudo o que desejava era a morte do amor, a morte de seu amor.
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A manhã seguinte não teve constrangimentos. Apenas conversa fresca e café forte. Ele estava a caminho de um trabalho e ela tinha que voltar a sua guilda. Estavam na estação de trem prontos para seguirem cada um seu caminho quando uma proposta inusitada veio entre o cheiro de fumaça e o barulho do apito.
- Por que não vem comigo? – disse com naturalidadecomo quem chamava para ir a um bar –
- Hã? – indagou –
- Você disse que não quer voltar para sua guilda agora, eu estou indo fazer um trabalho, podíamosterminá-lo e beber a recompensa juntos.
Aquela era uma proposta deveras inusitada. Um: porque a recompensa de missões classe S eram altíssimas. Dois: por que quem diabos queria dividir uma recompensa? Sem dizer que já estava afastada de magnólia há algumas semanas, já passava da hora de voltar para casa. Tudo bem que a última coisa que desejava era estar naquele lugar vendo seu coração ser mais e mais pisoteado.
Todos ficariam preocupados...
Uma balança de prós e contras montou-se em sua mente e de repente veio a vontade de chutar o balde. Se amar não estava lhe fazendo feliz, precisava de novas experiências. Então que viesse a adrenalina de perigos e a entorpescencia do álcool.
- Por que não? – sorriu faceira arrancando um sorriso ainda pior do mago que estendeu a mão –
Que se acabasse o mundo, não queria mais saber daquelas idiotices que só a deixavam para baixo. Magnólia podia esperar. Era hora de tirar o coração de campo e cair no mundo. No final das contas, viver viajando estava em seu sangue e tinha funcionado para Gildarts. Se seu pai podia viver bem sem amarras, ela também podia.
Sem dizer que Bacchus era o típico homem que jamais se apaixonaria e muito menos por ela. Então não precisava ter medo de machucar ninguém.
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O tempo passou e depois daquela missão e duas semanas num resort bebendo e curtindo o que a vida tinha de melhor, ele a chamou para outro trabalho. Chutavam o traseiro de ladrões, arrancavam o couro de bichos feios, faziam escoltas, levavam objetos... Formavam uma dupla eficiente de boêmios. Fizeram um mapa de todos os botecos ou qualquer lugar onde houvesse bebida atravessando o reino.
Muita adrenalina correndo pelas veias. Muita bebida e jogatina nos dias. Muitas noites quentes nos lugares mais inusitados. Há muito havia deixando de pensar, estava apenas vivendo o momento. Depois de mandar um sinal de vida a guilda, relaxou e pôde curtir tudo o que havia para ser curtido sem pesos na consciência.
Nada de amarras. Nada de comparações. Nada de pesos. Nada além de boa bebida e companhia. Mas o que mais era assustador era a ausência de sentimentos. Cana Alberona não sentia mais nada. Colocar o coração rachado em standyby havia sido muito mais eficiente do que qualquer porre ou fossa poderia ser.
Estava vazia e seca por dentro. Uma árvore morta sem raízes.
E assim o tempo foi passando e passando... As semanas viraram meses... E os meses estavam quase completando um ano. Tudo havia passado sem que notasse. Com tanta bebida e boemia tinha parado a muito de contar os dias. Atualmente estavam na sede da QuatroCerberos, todo mundo ali era muito divertido e animado, recepcionaram-na como se fosse de casa. Bebiam todos os dias juntos falando abobrinhas e tinha ótimas fotos divertidas.
O que a Alberona não esperava era que voltar a estar numa guilda lhe trouxesse lembranças. A maneira como todos ali tentavam ser selvagens e por selvagem em tudo o que diziam lhe lembravaElfman e suas coisas de homem. A jovem garota que cuidava do bar com uma aparência fofa e que adorava bancar a intrometida lhe lembravaMirajane. O mestre de coleira sempre com um sorriso sincero nos lábios que cuidava de todos lhe lembravaMakarov... Cuidando de seus filhos.
E foi quando de repente notou que fazia séculos que não se lembrava deles. Enquanto se embebedava pelos quatro cantos do reino tentando esquecer seu coração, havia se esquecido também de um monte de coisas importantes... Como estariam Lucy e o time mais forte da guilda? Riu. Deveriam continuar quebrando as coisas. E Mirajane? Será que continuava tentando bancar a cupido, ou será que o cupido a encontrou primeiro mostrando o interesse de um certo mago de cabelos verdes? E Juvia? Stalkerando como sempre? Seu pai deveria estar preocupado...
O vento que balançava suas longas melenas castanhas a sua vontade trouxe um cheiro de álcool que ela conhecia bem...
- O que faz aqui sozinha, nee-chan? – ele não conseguia chamá-la pelo nome, era incrível –
- Pensando...
O sol se punha e ambos tinham uma vista privilegiada da estrela mor e seu alaranjado que brincava com o azul da tarde e a escuridão da noite. Cana gostava de às vezes ver o pôr do sol sobre o telhado da guilda, como estava fazendo ali.
- E sobre o que está pensando? – o mago deitou-se de lado com sua cabaça apoiada na mão –
- Na Fairy Tail... Já fazia um tempo que nem me lembrava deles... – disse um pouco amargurada –
- Acho que já estava na hora, estava quase achando que tinha pegado a nee-chan de uma outra guilda...
- Nani? – a morena ergueu uma das sobrancelhas –
- Eu conheço Erza de muito tempo e todos os magos da FairyTail que vim a conhecer depois dela sempre tinham o mesmo orgulho de ser dessa guilda. Sempre prontos a voltar para casa depois de uma missão.
- Estar aqui... Não sei... – os cabelos balançavam e bacchus olhava já imaginando o que viria a seguir – Me trouxe pensamentos... mas é que...
- O quê?
- Se eu voltar... Se eu voltar tudo vai voltar a ser como antes... – um sorriso amargo pintou o belo rosto da mulher –
- Entendo. Mas não voltar vai continuar mantendo tudo como era antes da mesma maneira, você só vai continuar fugindo...
Cana arregalou os olhos olhando aquele homem falando. Nem parecia o mesmo Bacchus debochado e bêbado de sempre. Quem era aquele homem ali? Alguém tinha colocado alguma coisa na bebida dele? Com certeza era não esperava ser dele a vir uma lição de moral, talvez do mestre da guilda, talvez de um dos rapazes... Mas de Bacchus? Logo de Bacchus?
A risada sonora dele acordou-a de seus pensamentos e a mulher o viu com um sorriso ameno nos lábios.
- Hey, só porque sou um bêbado, cético e debochado não significa que eu não veja as coisas como elas são. E eu vejo você como você é,nee-chan. – ele sorriu e piscou –
- Do que está falando?
- Eu a encontrei de coração partido num bar no meio de lugar nenhum. Você precisava extravasar, sumir por uns tempos, curtir a vida sem pensar em nada... E foi o que fizemos, só que você não é como eu... A nee-chan precisa de um lar para voltar. Uma hora teria que enfrentar seus problemas...
- Bacchus...
- Não estou te mandando embora, fique quanto quiser. Eu e os rapazes adoramos você... – ele riu malicioso – Eu principalmente, mas seu lugar não é aqui e você sabe disso.
Um silêncio estranho se instalou e quando o sol sumiu do horizonte, a maga tomou a cabaça das mãos dele e bebeu do sake forte que havia ali. Sorriu gatuna.
- Eu prefiro você bêbado, sóbrio tende a falar idiotices...
Os dois riram.
- Tem razão, sobriedade é uma aberração se tratando de mim. Aí quando acontece coisas estranhas ocorrem...
Bacchus sabia que ela iria embora. Cana sabia que iria embora. Só que nenhum dos dois queria discutir mais a fundo aquele assunto. Corações partidos nunca mais são os mesmo e o falcão bêbado estava descobrindo isso.
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Uma manhã preguiçosa e nublada de janeiro foi o dia que a morena decidiu voltar. Levantou na ponta dos pés e colocou as coisas em uma pequena mala de mão. Vestiu-se com uma calça legging estampada de pele de leopardo, botas sem salto, uma blusa branca mais larga e comprida que caia no ombro direito e um cinto na altura dos quadris.
Havia sido ótimo aquele período. Realmente precisava descansar a mente. Talvez tivesse descansado até demais descobrindo mais uma vez o quão egoísta conseguia ser... Era hora de enfrentar a realidade. Bom... Um ano era muito tempo, talvez não sentisse mais nada quando o visse.
Estava sentada no sofá do pequeno apartamento que dividiu com Bacchus em sua estadia na cidade da QuatroCerberos. Olhava pela janela enquanto tomava uma xícara de café bem forte para espantar qualquer resquício de ressaca, o bilhete para Magnólia descansava sobre a mesinha de centro e a morena olhava ao redor.
Tinha passado bons momentos ali.
Ouviu barulhos e descobriu um homem corpulento com samba canção de pandas na porta para a sala. Os cabelos estavam soltos e esfregava os olhos. Nem parecia aquele bêbado debochado de sempre.
- Muito cedo para estar de pé, Nee-chan...
Então ele vê a mala e as passagens.
- Bacchus...
- A que horas é o seu trem? – ele perguntou indo pegar uma caneca de café –
- Meio-dia. Eu queria que desse tempo de me despedir de todos.
- Certo, vou tomar esse café e vamos para guilda... E talvez beber alguma coisa? A saideira?
- Eu acho que posso tomar uma última dose com você. – ela sorriu –
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Antes do embarque, a situação na estação era hilária. Aquele monte de marmanjos selvagens com coleiras de spikes chorando com nariz escorrendo por causa da amiga que ia embora. Cana havia se divertido muito ali com eles, todos eram muito engraçados e receptivos. Tinha a impressão de ter feito amigos para o resto da vida.
- Não se preocupem, eu volto para bebermos! – a Alberona sorriu e uma sequencia de choros aconteceu –
O mestre sorriu e acenou com a cabeça.
- Volte mesmo, Cana-san. E não esqueça de mandar minhas saudações ao Makarov.
- Pode deixar!
E o fim da fila estava com o grande e bêbado falcão. O apito do trem soou. Precisava embarcar. Ficaram parados em frente ao outro e terminaram com um abraço. Um abraço de urso que a tirou do chão.
- Foi selvagem estar com você, nee-chan! Boa sorte!
A morena sorriu. Sim, havia sido selvagem, aquela era a primeira vez que concordava com aquela palavra em uma frase dele.
- Obrigada...
Uma última troca de olhares. Fatalidade.
Cana viu naquele olhar sempre tão leve e debochado algo que sabia o que significava. Nunca tinha esperado aquilo dele. Logo dele. Bacchus, o falcão bêbado tinha um coração também. Foi horrível ver nos olhos dele a mesma coisa que havia em seus próprios quando olhava para Laxus.
- Vai perder seu trem, nee-chan...
O penúltimo apito tocou. A maga continuava olhando para ele. Quando? Por kami, quando aquilo tinha acontecido? E céus? Como não tinha notado?
- Bacchus... Não... Desculpe... Eu não percebi...
Ele a olhou e sorriu.
- Esqueça isso, Cana, eu sabia quando te fiz aquele convite...
Era a primeira vez que ele chamava seu nome.
- Bacchus...
- Não se preocupe comigo...
E o último apito tocou. Era hora de ir embora. Foi com um peso no coração que a filha de Gildarts deu as costas, ela tinha acabado de matar o amor para mais uma pessoa. Isso não fazia dela uma pessoa muito melhor do que Laxus, certo?
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Magnólia mesmo depois de um ano inteiro continuava a mesma cidade. Respirou fundo sorvendo o cheiro das ruas e percebendo que aquele lugar tinha cheiro de casa. Finalmente estava em casa. Sorriu um pouco triste lembrando-se de Bacchus. Realmente nunca poderia ter imaginado que ele se apaixonaria por ela, mas o que fazer, aparentemente, todos tinham um coração?
Lembrando-se de sua despedida enquanto caminhavacomeçou a divagar. Será que a aquela consternação e carinho que sentia pelo falcão era a mesma coisa que Laxus sentia por si. Porque teve a impressão de ter olhado para ele, da mesma maneira que o loiro havia olhado-a quando se declarou em uma noite qualquer. Era tão difícil saber que alguém gostava de si e não poder retribuir da mesma maneira. Sentia-se um tanto quanto monstruosa.
A vida não era mesmo justa.
Quando reparou, seus passos a esmo haviam levado sua pessoa até a guilda. Ainda alguns metros distante da porta já podia ouvir os barulhos tão típicos da Fairy Tail. Como céus havia conseguido passar tanto tempo longe? Suspirou e caminhou até a entrada, depois adentrou com a melhor expressão de tranquilidade, notando que o silêncio se formava conforme passava.
Havia passado um ano fora. Um ano inteiro. E sinceramente não lembrava de ter dado notícias mais do que três vezes. Soltou sua pequena mala perto do balcão e sentou sobre o banquinho presenciando o susto de Mirajane ao virar e vê-la. Os olhos azuis se arregalaram e depois antes de notar já estava presa em um abraço.
O que desencadeou um efeito dominó. Em seguida todos seus amigos estavam a sua volta abraçando-a e falando ao mesmo tempo. Lucy e Levy praticamente se penduraram em sua pessoa dando gritinhos de pura alegria. Ouviu Elfman falando que a volta de um amigo era coisa de homem. Macao e Wakaba apareceram e confessaram que sentiram sua falta nas bebedeiras. Gray, um amigo de longa data, apareceu meio despido e a abraçou, nesse instante, Cana havia entrado oficialmente para o hall das rivais do amor.
Realmente estava surpresa com toda aquela comoção. Não esperava que seu sumiço tivesse afetado tanto seus amigos. Mais uma vez estava se sentindo uma grande vadia.
- E não é que é verdade que o bom filho a casa torna? – era a voz de Makarov caminhando sobre o balcão – Já estávamos com saudades Cana. – ele sorriu –
- Acho que fiquei tempo demais longe de casa, mestre... – sorriu um pouco sem-graça –
- O importante é ter voltado, não importa quanto tempo tenha ficado distante!
Realmente, sua guilda era o lugar mais reconfortante do mundo. Não poderia deixar esse lugar para trás nunca. Foi engraçado ver como sua chegada se tornou o motivo de mais uma festa maluca com direito a bebida, brigas e karaokê. Só agora estando ali tinha noção do quanto sentiu falta de estar em casa.
Conversava animadamente com Lucy, Levy, Lisanna e Mira que queriam saber todos os detalhes de sua estadia fora. A Alberona não podia dizer toda a verdade, então contava fragmentos de suas viagens por Magnólia, dos lugares que conheceu, dos bares, das missões. Levou sua caneca de cerveja a boca e virou para Makarov.
- O mestre da Quatro mandou recomendações!
- Oh... Esteve na QuatroPuppys recentemente? – o velho sabia exatamente de todos os passos de Cana, tinha ficado preocupado com suas atitudes e então resolveu verificar se ela estava realmente bem –
- Eu vim embora de lá, sabe como é... Tinha que lavar minha honra.
Deu uma risadinha.
- O que??? – alguém gritou ao fundo –
- Você bebeu de novo com aquele cara? – Macao apareceu acompanhado de Wakaba –
- Sim e ganhei! – a morena riu, na verdade, havia ganhado de bacchus há muito tempo e depois disso haviam entrado em um acordo de beberem juntos e não por competição, mas isso não dizia respeito a mais ninguém –
- Nossa!! E recuperou seu sutian?
- Infelizmente não... O Bacchus deve tê-lo perdido em algum bar por aí...
A festa foi animada até altas horas, houve música e a Alberona dançou com as amigas até não conseguirem mais balançar os quadris. Por fim, quando quase todos já estavam desmaiados ou bêbados demais para fazer qualquer coisa, decidiu ir para seu velho e pequeno apartamento. Caminhou boa parte do caminho com Lucy e depois de deixa-la em casa foi seguindo sozinha pela beirada do rio.
Uma brisa fresca batia contra seu corpo e a morena sentia-se realmente feliz por estar de volta. Fechou os olhos por alguns segundos e quando os abriu sentiu uma presença as suas costas.
- Então que resolveu dar o ar da graça, Cana?
Aquela voz seria reconhecida até debaixo d’água. Sentiu todos os pelos de seu corpo se eriçarem. E o coração, o maldito coração disparou. Isso definitivamente era um mal sinal.
- Laxus. – disse sem se virar –
- Pensamos que tinha ido embora, afinal, dar satisfação aos amigos é dispensável.
A maga suspirou e se virou para ver depois de longos doze meses a razão de seus problemas. Laxus continuava lindo, alto e sexy. Estava com uma camisa roxa e calças pretas, sem contar seu casaco fiel jogado sobre os ombros. O coração começou a bater freneticamente como se não houvesse amanhã. Nada havia mudado. Ou melhor, a única coisa que mudou foi o fato de não estar mais com raiva dele. Afinal, ele não tinha culpa de não ser reciproco.
- Eu precisava de um tempo para pensar na vida, mas então... Não te vi lá na guilda... – disse despretensiosa –
- Cheguei no final da tarde e fiquei no segundo andar, tinha um monte de gente te cercando resolvi esperar a poeira baixar.
- Hum... Estou indo para casa... Me acompanha?
Os dois começaram a caminhar lado a lado e o homem pega a mala dela. Conversam coisas amenas durante o trajeto, por fim chegaram a porta do prédio onde ela morava. Ficou um clima meio estranho, mais ou menos como se fosse um primeiro encontro.
- Eu acho que chegamos... – olhou para os lados – Obrigada por me acompanhar, não te chamo para entrar porque faz um ano que não venho aqui e deve estar só o mofo... – riu – Então... Até amanhã?
Os olhos azul-acinzentados piscaram algumas vezes e antes de ela entrar no prédio sentiu uma mão se fechar em torno de seu braço.
- É sério que você não vai falar nada... Nenhuma desculpa, nenhuma explicação... Você sai em missão, não volta durante um ano inteiro, não dá notícias e quando volta não tem nada para me dizer?
Ele riu sem humor. E a morena ficou chocada com sua sinceridade. Se tivesse sido posta contra a parede assim alguns meses atrásprovavelmente já estaria gritando e falando um monte de impropérios para o mago, mas hoje, depois de tanto tempo e de colocar as ideias no lugar, era claro que ele estava certo. Tinha agido como uma idiota sumindo sem dar satisfação. Virou para olhá-lo, como estava no alto da escadinha que dava para o prédio, estava da altura dele.
- Você está certo, Laxus, eu fui uma grande idiota fazendo isso. Não tinha o direito de deixá-los preocupados com meus problemas. Eu estava muito confusa e irritada... mas isso não me dava o direito. Me desculpe, eu não queria magoar ninguém.
Colocou a mão no rosto do loiro e deu um beijo em sua testa. Uma atitude que o deixou sem reação. Cana tinha agido da última forma que ele pensou que ela pudesse fazer. Ela estava diferente, alguma coisa tinha mudado no olhar e no jeito com que ela o tratava. A maga estava mais amena, mais tranquila, mais madura. Nem parecia aquele furacão de emoções que havia se declarado muitos meses atrás.
Então ela se virou e entrou no prédio. Deixando o mago sem reação parado durante bons minutos tentando compreender o que havia acontecido. Aquela era mesmo Cana Alberona?
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Já fazia quase duas semanas que Cana havia voltado e agora nem parecia mais que ela tinha se ausentado tanto tempo. Tudo estava de volta a normalidade. E naquele dia a guilda estava em polvorosa, seria o anuncio dos magos candidatos a Classe S. A morena nem se dignou a levantar de onde estava, sabia que esse ano não seria indicada, afinal, não tinha estado na guilda para ser avaliada.
E sinceramente, estava pouco se importando com isso. Ser uma maga classe S nunca havia sido seu sonho, tinha se empenhado para se sentir digna de Gildarts. Realmente, um ano fora tinha mudado muito sua cabeça. Levou sua taça de vinho aos lábios quando o som do microfone chamou seu nome e isso levou-a a cuspir sua bebida fora.
- Nani?? – a maga se levantou de olhos arregalados – Hey mestre, eu não posso ser indicada! Não estava na guilda!
No palco estavam Mirajane, Laxus e Erza, sendo que os três olharam-na, assim como todos os presentes. Afinal, que tipo de pessoa reclama de uma indicação? Makarov pigarreou e a olhou.
- Eu estive informado de suas participações em missões, Cana. E na verdade, você foi o indicado com mais missões de alto nível realizadas com sucesso durante esse ano.
Novamente todo mundo olhou para a morena e nesse instante ela quis sumir. Como assim o mestre sabia de suas missões com Bacchus? Não era nada oficial. Ele pegava as missões de sua guilda e ela ia junto como acompanhante. Não havia nenhuma menção oficial de seu nome.
Tudo bem, aquilo era deveras inesperado.
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Após uma semana na ilha Tenrou, desta vez sem interrupções externas, a mais nova maga de nível S havia sido escolhida. E era exatamente ela. Aquilo era muito, mas muito estranho mesmo. Depois de cinco tentativas fiasco, ela havia conseguido e o pior de tudo, havia passado por Erza. O mundo realmente deveria ter enlouquecido naqueles doze meses. Tudo bem que ela e Bacchus só faziam missões de alto nível e que isso requeria uma melhora de suas capacidades, havia aprendido um ou dois truques novos. Mas passar pelo exame foi a última coisa que pensou que aconteceria em sua vida. Na verdade, nem pensava mais nele.
Estavam todos no acampamento bebendo e comendo, visto que o barco havia voltado para o continente para levar alguns candidatos que saíram na primeira prova e ainda não tinha voltado. A morena estava ali, bebendo muito pouco, ainda não acreditava que ela havia passado. Não era possível. Olhava os amigos a sua volta rindo e conversando sem realmente fazer parte daquele festa.
Precisava de um pouco de ar.
Saiu discretamente e seguiu pela trilha até um barranco que dava vista para o oceano e as estrelas. Sentou-se ali bebendo água de um côco estranho que brotava em Tenroujima e ficou observando o céu límpido. Como tanta coisa podia acontecer em um ano inteiro, essa era a primeira vez que se tocava sobre isso.
Imagine em sete anos.
Foi então que a Alberona se deu conta de algo que nunca havia reparado antes, o quemais ela havia perdido naqueles sete anos. Como seria hoje se tivesse vivido aqueles anos como todos os outros? O mundo havia seguido seu curso e ela assim como os amigos ficaram parados no tempo. Em nenhum momento tinha se dado conta desse detalhe, estava tão presa a si mesma e a seus próprios problemas que tinha deixado passar como se não fosse nada.
O grande problema era que sete anos eram muita coisa.
Perdida em seus devaneios, não notou os passos que a seguiram depois de vê-la se esgueirando para longe da confusão dos nakamas. Só realmente se deu conta quando um corpo grande colocou-se a seu lado.
- O que foi? Por que não está lá com todos? Achei que fosse encher a cara até o sol nascer para comemorar... – o loiro sorriu de canto –
- Estou um pouco chocada ainda. – tomou sua água de côco – Eu finalmente passei e eu realmente nem esperava ser chamada. É estranho ver quanta coisa pode acontecer num ano... E em sete... Nem posso imaginar...
- Realmente um ano é muito tempo. Muito tempo... Principalmente quando se está esperando...
- E o que o grande LaxusDreyar esperou? – indagou divertida –
- Você. Notícias suas. – disse tranquilamente –
A morena abriu e fechou a boca algumas vezes antes de ficar calada novamente.
- Nós erámos amigos, estávamos tão próximos e um dia eu volto de missão descobrindo que você avisou que não pretendia voltar depois do trabalho. Nenhuma explicação, nenhuma notícia, nada durante tanto tempo...
Amigos. Amigos muito próximos. Uma facada no coração será que doeria mais ou menos? Por um minuto Cana teve esperanças e agora estava a deriva de novo. Um suspiro longo para tentar conter toda a frustração de não tê-lo esquecido e um sorriso falso, afinal, amizade era melhor do que nada.
- Eu já pedi desculpas, Laxus...
- Desculpas? – ele riu – O que aconteceu com você? O que aconteceu com a Cana Alberona que eu conheço?
- Ela cresceu. Bem... Eu acho que é isso... O mundo seguiu sem a gente e voltando não poderíamos ficar estagnados. Talvez eu só tenha aprendido o que era para ter sido nesses anos vazios.
- E o que exatamente aprendeu?
- Eu era uma menina assustada, não conseguia lidar com os meus sentimentos. Estava sempre me escondendo, sempre com medo de ser machucada, sempre a mercê de qualquer um que pudesse tampar aquele vazio nem que fosse por um minuto. Culpava o mundo pelo que me faltava...
O loiro olhou para a maga olhando para o horizonte, realmente aquela era uma Cana diferente.
- E ficar sozinha te mostrou tudo isso? – ele sabia muito bem o poder da solidão sobre uma pessoa –
- Não, o que me mostrou tudo isso foi minha própria capacidade de anular meus sentimentos quando não estou satisfeita com eles. Sabe o que é passar doze meses sem sentir nada, eu estava vazia, correndo o reino atrás de adrenalina e bebida sem me importar com mais nada... É assustador o quão egoísta e mesquinha consigo ser. E um dia eu acordei e vi o que estava fazendo comigo e com todos que gostavam de mim. Sem dizer que levei um sermão da última pessoa que poderia imaginar...
A Alberona deixou o corpo cair contra a grama para olhar para cima, enquanto Laxus continuou sentado com um braço apoiando o corpo e também olhando para cima.
- Então tinha alguém com você?
Um ciúme começou a subir pelas veias dele. Então ela tinha encontrado uma pessoa nesse ano? Uma pessoa que a ajudou mais do que ele?
- Um bom amigo. Ele me deixou curtir minha raiva e frustação até que eu pudesse enxergar além deles e me mostrou que eu não consigo ficar longe da Fairy Tail. Eu preciso de um apoio, um lugar para voltar... Então finalmente notei que o meu sofrimento não é culpa do mundo. Eu sofria porque queria ser forte demais... Poderia ter me poupado de tanta coisa se tivesse simplesmente falado.
- Cana...
Ela o olhou. Com olhos tranquilos.
- Sim?
Laxus não sabia o que dizer para ela. Simplesmente tinha sentido a ausência dela como algo que desestabilizou sua rotina. Havia se habituado a beber com ela, conversar, rir de idiotices, discutir abobrinhas, abraçá-la, beijá-la... E de uma hora para outra ela sumiu. Deixando para trás uma confissão e um medo. Tinha se assustado tanto ao ouví-la dizer eu te amo que travou, mas o pior disso tudo foi notar que também a amava quando ela não estava mais lá para ouvir.
Haviam se conhecido há muito tempo, tiveram um período longo de boa convivência e amizade, seguido de um vazio, então quando voltaram a estar juntos tudo era tão natural que entre conversas e companhia passaram a estarem juntos como um casal. Simples e natural, como se fosse a coisa mais normal acontecer. O problema veio quando foi preciso classificar. As palavras estragaram tudo.
Cana tinha um histórico desastroso com o amor. Seja o fraternal, seja o romântico, seja qual fosse o amor... Ele imaginava o quanto havia sido difícil assumir e sentiu-se um monstro idiota por ter travado. E agora essa Cana que voltou era uma pessoa que ele não compreendia bem... Sem dizer que talvez ela nem o amasse mais.
Uma chuva de estrelas inesperada começou tirando a atenção do casal para o céu. Estrelas cadentes realizam pedidos e Cana fechou os olhos por um segundo. Um ano havia passado e havia uma coisa que ela ainda desejava apesar de tudo. Morte ao amor, morte ao seu amor.
Fim parte um.
Notas finais
Bacchus "- Hey, só porque sou um bêbado, cético e debochado não significa que eu não veja as coisas como elas são. E eu vejo você como você é,nee-chan. ele sorriu e piscou " Foi só eu ou vocês também tiveram pena dele?
Eu amo Cana e Laxus, não se preocupem, não vou virar a casaca!!! kkkk
Enfim, espero que gostem do presentinho!!!
PS: Preciso urgente de um betareader, alguém ai conhece alguém? Favor se souber me mandar MP!!!
Kisskiss, Anny Taisho
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