Notas iniciais
Esse capitulo é só um passeio pelo circo mesmo, para vocês terem uma ideia de como ele é.

"Milagres não são de graça, para um desejo ser realizado você tem que dar algo em troca. Estaria disposto a viver em desespero pelo seu desejo?"

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Dead Line Circus.

A grande e imponente placa na entrada do parque tinha essas três palavras escritas em dourado com as bordas vermelho vinho. O nome realmente não combinava com o lugar. Em todo canto havia cores e sorrisos, crianças passeavam de mãos dadas com seus pais e artistas desfilavam pelo lugar chamando a atenção e curiosidade das pessoas que os viam.

O circo era dividido em várias seções, como uma feira enorme ou um zoológico, os corredores eram bem espaçosos e vez ou outra davam em praças a céu aberto, havia engradados que dividiam uma atração da outra e portas diferenciadas que permitiam o acesso dos convidados. Cada espaço para atrações possuía algo que o diferenciasse do outro.

O malabarista de facas, por exemplo, tinha várias lâminas penduradas na entrada, um boneco com as mãos pregadas na parede e um sorriso alucinado paralisado eternamente em sua face.

O aquário tinha a porta semelhante aos tentáculos de um polvo, que ao ser empurrada dava acesso a um extenso e longo corredor, onde havia água abundante tanto do lado esquerdo quanto direito de sua extensão, e criaturas únicas apresentavam seus números particulares para os expectadores que tivessem coragem de entrar no corredor.

O circo possuía várias apresentações que iam além da imaginação dos convidados, ninguém nunca tinha visto espetáculo semelhante. O dono era um sujeito que realmente sabia escolher seus artistas, críticas maravilhosas ficavam presentes nos jornais e comentários eufóricos eram ouvidos quando o espetáculo terminava.

Uma velha senhora caminhava por aquele fantástico e colorido evento de mãos dadas à sua neta. Ela possuía 72 anos, seus cabelos já estavam completamente grisalhos e várias rugas estavam presentes em sua face, mas seus olhos continham um brilho vívido de quem ainda tinha muita coisa para viver. A garotinha de aproximadamente 8 ou 9 anos, segurava a mão de sua avó e apressava-a para ver as atrações do circo, ansiosidade e impaciência transbordavam de seu olhar alegre. Ela queria ver o máximo possível que conseguisse daquele lugar, sentimento que sua avó também compartilhava, mas que não podia realizar na velocidade que a criança desejava, afinal, já estava muito velha.

Ambas entraram no mágico ilusionista e sentaram-se nos assentos estofados da arquibancada. A garotinha dividiu seu algodão doce com a avó, que tinha comprado quando chegou ao lugar e mirou seu olhar no homem do palco: um mago com um terno impecável bem diferente do usual, composto por um colete vermelho com botões dourados e cauda de andorinha, botas de combate negras que pareciam do exército e uma cartola vermelho vinho com um ás de copas enfeitando o chapéu. Ele tinha cabelos negros e olhos escarlates, uma marca de X preenchia sua bochecha direita e um tapa olho escondia seu olho esquerdo. A velha senhora achou que havia alguma coisa errada com o olhar que o mago possuía, mas depois dele abrir um gentil e bondoso sorriso ignorou sua sensação vaga.

O espetáculo foi incrível. Ele fez o teto da lona desaparecer e dar lugar a um céu estrelado, cujas estrelas desciam até os espectadores e brincavam ao redor das cadeiras como se tivessem vida própria, cartas voavam pela platéia e se transformavam em pássaros dourados, flores apareciam e desapareciam do nada, pessoas feitas de névoa dançavam ao redor do mago como num ritual fantasmagórico e o mago matava sua assistente inúmeras vezes, mas ela sempre aparecia novamente e sem nenhum arranhão. Ao final do espetáculo, o ilusionista lançou algumas rosas à platéia e a menininha conseguiu pegar uma. Ele fez um sinal de silêncio enquanto piscava um dos olhos, pedindo que guardassem segredo sobre o que viram com um sorriso sedutor, as jovens que conseguiram uma rosa coravam com o gesto e as crianças batiam palmas e assobiavam para agradecer. No final ele desapareceu como se nunca tivesse estado ali e a garotinha foi puxando sua avó até a saida.

O próximo evento que queria ir era o aquário. A porta de tentáculos de polvo se abriu com um empurrão e deu espaço a um corredor que parecia infinito. O aquário parecia ser infinitamente maior por dentro do que por fora.

A avó se aproximou do vidro tentando ver o que havia do outro lado e um rosto humano apareceu em sua visão de forma repentina, tanto a senhora quanto a menina deram um passo para trás com o susto. Tratava-se de uma atração contorcionista. A mulher do outro lado do vidro possuía a pele esverdeada, longos cabelos verde escuro bem lisos e olhos que lembravam o de repteis, mas tirando isso, que já é bem anormal, da cintura para baixo ela possuía a cauda de uma serpente marinha.

A criatura se afastou do vidro e formou uma bolha de ar com a boca, prendendo ela embaixo de seu dedo indicador enquanto mostrava o seu número. Aparentemente ela torceu toda a sua cauda enquanto se equilibrava em cima da bolha de ar, sorrindo debochadamente para o público. A criança observava a mulher com os olhos brilhando e as outras criaturas também não ficaram para trás. A maioria pareciam mulheres que lembravam criaturas marinhas: uma raia, um cavalo marinho, um peixe-palhaço, existiam de diversos tipos. A menininha correu com sua avó pelo longo corredor cada vez mais animada com o que via no circo e a velha senhora sentia-se jovem novamente ao seguir aquela figura tão entusiasmada por um território fantástico e colorido como aquele.

A garotinha escolheu entrar no "Jardim dos monstros" e sua avó apenas a acompanhou no passeio. Pessoas deformadas e vestidas com cores vibrantes estavam enjauladas em grades de ferro naquele lugar, cercadas por um jardim lírico e exótico. Tinham vestidos bem estampados, blusas e calças cheias de acessórios e a pele marcada com detalhes de renda para enfeitar seus corpos. Um homem de cinco metros de altura dançava com uma mulher de quatro metros, uma linda garota com dois buracos no lugar dos olhos e as mãos com formatos de garras cantava uma música junto com uma garota com duas cabeças; uma das cabeças tinha longos e lisos cabelos verdes e a outra tinha longos cabelos rosa ondulados, e essas duas (ou melhor três) garotas eram acompanhadas por um homem de terno negro impecável e sem rosto. Ele não tinha nada em sua face, nem nariz, nem boca, nem olhos, era completamente liso. A música parecia soar mecânica pela voz deles lembrarem máquinas, o que fez a avó pensar se eram robôs cantando, o que seria óbvio para a maioria, mas uma lágrima rolou pelas órbitas vazia da cantora principal, o que fez a avó ficar confusa e querer sair dali o mais rápido possível. Ambas saíram contra a vontade da pequena, que estava gostando de ver os monstros cantando.

Ainda havia tanta coisa para se ver no circo, não sabiam nem pra que lado ir. Até que um malabarista as convidou para o espetáculo de facas, onde as duas entraram ansiosas na tenda. O malabarista achou a expressão delas adorável, tanto que não conseguiu reprimir um sorriso de puro escarnio antes de fechar a porta. As duas nunca mais saíram de lá.

No mesmo dia, o corpo de uma idosa completamente desfigurado e com o pescoço cortado foi encontrado abraçando uma menina afogada e com sinais de estupro perto do lago da cidade, o assassino não deixou nenhum sinal que pudesse ser identificado pelos policiais e houve vários outros casos de pessoas desaparecidas e encontradas mortas naquela região. O circo foi investigado assim como outros estabelecimentos e atrações turísticas, mas nenhum sinal suspeito foi encontrado.

Dead line Circus desapareceu num dia de Abril, da noite pro dia, como se tivesse virado fumaça, até mesmo a grama em que ele tinha sido assentado foi encontrada intacta e sem uma folha quebrada.

~ ❖ ~

Uma figura misteriosa, escondida entre as sombras de grossas e antigas árvores, observava um circo itinerante que havia surgido misteriosamente nos arredores de Londres. Ninguém tinha visto ele ser montado, ninguém notou quando chegaram, ninguém ouviu o circo ser armado e se estabelecer nos arredores da cidade, era um dia comum quando notaram de repente a atração. O circo apareceu naquele lugar da noite para o dia, sem ninguém ter notado, mas como isso não era importante, esqueceram essa preocupação e foram se divertir com as apresentações que o circo propunha. A figura oculta pelas sombras das árvores observava o espetáculo de cores do alto de um morro enquanto comia uma maçã.

— Você sabia? Estão dizendo por aí que o dono do circo nunca foi visto — ela diz e morde a fruta vermelha enquanto observa a atração colorida. — Mas também dizem que ele pode realizar um desejo se você aceitar trabalhar para ele. Estranho não é?

— E quem disse isso? — outra voz é ouvida pela figura

Um homem encontrava-se encostado em uma grossa árvore perto da primeira figura, seu rosto estava oculto pelas sombras dos galhos, dificultando um melhor reconhecimento.

— As pessoas — ela diz e joga uma maçã para o estranho. — Ouvi boatos de que se você dedicar sua vida para trabalhar no circo ele vai lhe conceder um desejo, mas isso apenas se ele gostar de você. É o que as pessoas estão comentando, não sei como isso chegou a elas.

— Boatos... — o desconhecido diz ponderando — Ele nunca foi visto. Acredita mesmo que haverá pessoas que jogarão sua vida fora apenas por um desejo?

A figura olha para sua companhia e pousa seus olhos na maçã. A essa altura a fruta outrora vermelha e suculenta ficou cinzenta e seca, estava completamente podre, chegando ao ponto de virar cinzas que caíam pelas mãos do possuidor.

— Você jogou. — o primeiro sorriu de modo sarcástico — Sempre existe alguém. Sempre existe um desejo que vale mais que uma vida inteira, agora só falta saber qual desejo é mais interessante. O seu foi bem divertido. Eu gostei de te ver implorar pelo seu desejo quando estava caído na lama, aquela criança chorona com os ossos quebrados e o sangue se misturando a sujeira e ao lixo. Seus olhos tinham uma determinação tocante, chegou a me comover.

Gritos em conjunto podiam ser ouvidos ao longe, o vento trazia o som até os ouvidos dos dois.

— Ora, ora, o espetáculo VIP já começou. Vamos embora? Temos coisas mais importantes a fazer.

— Como quiser.

— Ah! A propósito, alguns membros enlouqueceram e acabaram "sumindo", se é que você me entende, quero que procure por novas pessoas.

— Novas pes-...

— Não precisa perguntar. Apenas traga mais gente, pessoas que durem aqui. Ele quer isso. — ele diz e olha para sua companhia com um sorriso que vai de orelha a orelha. — Você entendeu o que eu disse Michael?

— Sim, senhor. — o segundo diz e se curva em um reverência, com um olhar melancólico que não foi percebido pelo primeiro.

Notas finais
As fichas estão aqui: http://www.tfaforms.com/312003 Avisem nos comentários se vocês enviarem. Para quem tiver curiosidade, o Mago é este aqui: http://orig00.deviantart.net/7c47/f/2010/052/2/9/29bb31de6acd3f614b6dec880b4433eb.jpg E a contorcionista aquática que as duas viram é assim: http://fc03.deviantart.net/fs21/i/2007/308/8/4/Circus_Contortionist_by_Rowen_silver.jpg Caprichem nas fichas.