Notas iniciais
Estou impressionada com os leitores que eu ganhei. Recebi fichas tão boas que estou até com medo de não apresentar os personagens apropriadamente. Esse capitulo é mais um tipo de introdução, para apresentar o personagem que irá procurar vocês e a apresentação da primeira personagem 'capturada'. Ia colocar mais personagens nesse, mas fiquei com medo de ficar longo demais, no próximo vou compensar com mais gente.

"Coisas que tomam forma, um dia irão desaparecer"

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— Cabeça enfiada em uma estaca.

— Morto acidentalmente por leões.

— Queimado sem querer até a morte.

— O que vocês acham que estão fazendo?

Três pessoas discutiam, cada uma em seu próprio canto. Havia uma mulher de cabelos ruivos que ficava se equilibrando em cima de uma bola grande e colorida, ela tinha a pele clara, com exceção de algumas manchas roxas no pescoço (marcas de beijos fortes), dona de vívidos olhos alaranjados e um sorriso que fazia qualquer um cair de quatro no chão e implorar por um pouco de sua atenção. Seu nome era Ivie, a garota que fez o comentário dos leões; estava usando um vestido bem justo em seu corpo cuja saia imitava uma nuvem negra e deixava pouco para a imaginação, luvas que iam até um pouco abaixo dos ombros e meias 7/8 brancas.

Um homem de longos cabelos purpúreos estava sentado na barra de trapézio, em uma altura realmente perigosa, mas se balançava na barra como se ela fosse um balanço, este era Arman. Seus cabelos roxos iam até a cintura e ele deixava-os soltos, balançando conforme a direção do vento. Usava um casaco aberto que expunha sua blusa negra e botas de montaria. Tinha um tapa olho preto que escondia seu olho direito e seu único olho visível era violeta. Ele foi o dono do comentário sobre a morte por fogo.

No outro canto, um homem loiro de olhos violeta, seu nome é Cain, ele era o mais charmoso entre os três (até mesmo mais que Ivie), usava um colete castanho por cima de uma blusa branca, botas de montaria e uma gargantilha de tecido negro cravejada de quadrados metálicos, seus olhos violeta pareciam animados a cada vez em que lançava um novo dardo. O alvo era um círculo com seis faixas de cores, onde tinha um cadáver fincado bem no meio, sustentado por tesouras enfiadas em suas mãos.

— Então, o que acham que estão fazendo? — Repete a pessoa que tinha chegado ao palco à pouco tempo, pegando apenas uma parte da conversa entre os três.

— Discutindo de que modo você vai morrer, nada com o que se preocupar Michael — disse Cain sem tirar os olhos do alvo, acertando um dardo no olho do morto.

Michael, o encarregado dos novos membros, suspirou de modo longo e cansado. Ele tinha cabelos loiros, não, seria mais correto chamá-los de dourados, pois quando a luz batia neles refletiam um brilho que parecia iluminar fios de ouro puro. Tinha uma estatura forte e bem definida, lembrava muito o corpo de um soldado ou general, o que passava a leve impressão de superioridade a quem o olhasse, o que não era culpa dele. Usava um colete negro por cima de uma blusa branca, calças sociais, um casaco preto que cobria suas vestes superiores e botas de combate. Seus olhos azuis escuros encararam seriamente Cain, o que causou um arrepio involuntário na espinha do mesmo.

— Onde ele espera que eu ache novos membros? Acham que eu pareço uma babá? — Michael pergunta levemente irritado.

— Era o que estávamos discutindo, pra trazer gente nova tem que ser muito persuasivo, coisa que você não é — responde a ruiva. — E já que você não vai conseguir trazer ninguém, estávamos pensando como você ia morrer. Quando você morrer posso ficar com seus CDs?

— Eu quero os cobertores — adianta-se Arman enquanto se balançava.

— Posso ficar com suas roupas? — pergunta Cain sem desviar os olhos do morto — Se seu corpo ainda estiver com uma boa aparência quero ficar com ele também.

— O que você faria com meu corpo? — Michael pergunta achando graça.

Cain desvia seus olhos do alvo e endireita seu corpo em direção ao outro loiro. Fica em silêncio alguns minutos girando o dardo entre os dedos pensativo, avaliando Michael com o olhar, lambendo os lábios de forma maliciosa quando termina sua avaliação.

— Chega, eu não vou morrer — ele diz já imaginando o que aconteceria com seu corpo nas mãos de Cain. — Tem um mundo inteiro para olhar, com certeza deve ter mais gente desesperada.

— Pode até ser. Onde você vai primeiro? — pergunta Arman com ironia.

— ... — Michael fica pensativo — Não faço ideia. — admite derrotado.

— Você devia perguntar para aquela pessoa... — comenta Cain ficando tenso de repente — Aquela que não quero comentar. Provavelmente ele vai te dizer o que fazer.

A bola em que Ivie brincava estoura, soltando todo o ar que tinha armazenado. A ruiva que estava em cima da bola cai de pé com o corpo rígido, as mãos fechadas e a franja cobrindo seus olhos. Arman para de se balançar, tem uma expressão séria em seu rosto, salta do trapézio com uma acrobacia bem elaborada e cai com maestria no chão, colocando as mãos no bolso do casaco e saindo do local. O clima fica bem tenso por ali e o silêncio também não ajuda muito a se acalmar. Cain estava se preparando para jogar o último dardo, mas desiste no meio do caminho, fica desanimado com o rumo que a conversa tomou. Ninguém gostava de falar dele, a pessoa mais próxima do dono do circo, o único que viu o rosto do dono daquele maldito lugar e que não queria dividir nenhuma informação, pelo contrário, caçava os que sabiam demais. Ele nem podia ser considerado uma pessoa.

Cain sente uma mão enluvada pousar sobre sua cabeça.

— Relaxa imbecil, a existência dele não tem nada a ver com você — Michael diz afagando com força os cabelos do colega.

— Obrigado. Tratarei bem seu cadáver quando o receber — Cain diz e abre um sorriso travesso. — Se você não se importar de ficar por baixo.

— Seu-... — Michael ia esmagar a cabeça de Cain quando este se afasta correndo, rindo como alguém que aprontou uma travessura.

O loiro pega o dardo que seu 'amigo' deixou cair e mira no cadáver cravejado de dardos. Lança o objeto e acerta no coração.

— Bingo.

~ ❖ ~

O loiro para em frente a uma porta onde há esculpido o desenho de uma xícara de chá. A porta é de carvalho, esculpida inteiramente à mão, a única pintura presente é o branco do bule e da xícara esculpidos na porta. Michael ficou parado em frente a porta sem se mover, igual uma estátua, não conseguia bater de leve na porta e nem mesmo entrar sem bater, a expectativa de ver aquela pessoa abrir a porta e o convidar para entrar era um fardo muito pesado, mas seria pior ainda se não cumprisse as ordens do dono, o mestre de todos os artistas. Levantou a mão com rapidez para bater na porta antes que sua coragem fosse embora e ao bater três vezes ela foi aberta pelo dono do espaço.

Uma fumaça fria e com cheiro doce irrompeu seu campo de visão, parecia quase uma névoa.

— O que está fazendo aqui? Já deveria estar em outro país a essa hora.

Michael congelou ao ouvir a primeira palavra, o que lhe dava coragem era o fato de não conseguir ver o rosto dele no meio de toda aquela fumaça.

— A-Apenas queria confirmar que tipo de pessoas nosso mestre quer, e é claro, por onde eu deveria começar — forçou um sorriso a si próprio tentando aparentar calma.

— Então é isso? Entre — o outro diz e dá espaço para o companheiro entrar.

Michael não queria entrar de jeito nenhum, mas desobedecer tão diretamente o "Entre" proferido era o mesmo que colocar um alvo no peito e dar uma arma para um atirador profissional. Entrou depressa para não se arrepender depois e querer voltar no meio do caminho. O loiro odiava aquele lugar, quase todos odiavam, a primeira vista parecia uma simples casa de chás. Mesas arrumadas e decoradas para um jantar formal, um balcão cheio de especiarias e é claro, bules de chá com o precioso e acolhedor líquido dentro, só esperando para serem servidos. Não havia nada de anormal, nenhuma mancha, nenhum piso solto, nenhum esconderijo, nada, mas aqueles que já estiveram ali durante o horário VIP, sabiam a verdade.

O dono da casa de chás, serve uma xícara para Michael quando este se senta em uma das mesas. Ele só conseguiu ver as mãos enluvadas segurando o bule com perfeição enquanto serviam o líquido na xícara. Sempre perfeito, sempre dedicado, sempre leal, esse era o mordomo do mestre do circo.

— Eu imaginei mesmo que você passaria por aqui. Aquela pessoa não conseguiria dar o recado decentemente nem se sua vida dependesse disso. Beba. É chá de camomila, acabei de preparar.

— O-Obrigado — Michael agradece tomando um golinho.

— Nosso mestre quer que você procure pessoas para substituir as que eu-... — deu uma pausa pensando melhor. — As que sumiram misteriosamente. Ao todo são vinte pessoas, dezesseis artistas e quatro empregados.

Michael cospe o chá ao se engasgar com a notícia. O mordomo dá leves tapinhas nas costas dele.

— Vinte? Desde quando é vinte? Eu esperava voltar com quatro ou cinco pessoas.

— Pensou errado — mesmo com sua visita não podendo ver, o mordomo estava sorrindo. – Preparei uma lista de lugares aos quais você deve ir. Procure pessoas nesses lugares. E para não perder tanto tempo, eu sugiro que você os ligue no momento que os encontrar.

— Ligá-los? Do que está falando?

— Pretende ir em um avião até a América, voltar aqui para entregar a pessoa, viajar para a Rússia de navio, entregar a pessoa e ir para outro lugar? Será mais simples ter um acesso direto entre os dois lugares. Não acha?

— Sim, de fato é melhor.

O mordomo entrega um envelope cheio de adesivos a Michael junto com uma lista de lugares e um mapa. E este, ao pegar essas coisas levanta-se para sair, até ter sua mão fincada por um garfo junto a mesa. Michael não gritou, ele mordeu os lábios com força e impediu qualquer grito de sair, todos sabiam que não deveriam fazer esse som perto daquela pessoa, gritos o animavam, ele sentia prazer em ouvi-los, gritar perto dele é o mesmo que pedir por mais.

— Antes de sair, quero que me responda uma coisa.

Michael voltou seu olhar para o mordomo e percebeu que parte da névoa se dissipara, conseguiu ver o rosto dele, justo o que não queria. Olhos cristalinos tão frios e cortantes quanto gelo, lábios que imitavam o voo de um pássaro e cabelos tão negros quanto as asas de um corvo. Os olhos de cristal do mordomo miravam os azuis de Michael com o olhar de um predador.

— Por que ele escolheu você ao invés de mim para ir buscar essas pessoas? Fez alguma coisa que não estou sabendo?

Ele não sabia. Não fazia ideia da resposta, nunca viu o dono do circo, estava até torcendo para que ele tivesse esquecido de sua existência e de repente, ele manda uma pessoa lhe avisar sobre seus planos e ainda tem que encarar seu mordomo particular.

— Eu não sei — responde com sinceridade.

Uma sobrancelha do mordomo se curva levemente e um sorriso fantasma transpassa seus lábios de forma gélida, desaparecendo em meio a névoa. Já sabia o que viria a seguir: Dor. Muita dor.

~ ❖ ~

Uma garota de dois longos rabos-de-cavalo laterais corria rapidamente como se sua vida dependesse disso. Ela tinha cabelos bem longos que iam até sua cintura, presos em dois rabos-de-cavalo com fitas vermelhas num penteado infantil, que se agitavam a cada passo apressado que ela dava. A mesma usava um vestido muito feminino e leve, mas o mesmo encontrava-se rasgado em vários lugares e sujo. Provavelmente ela tinha caído em vários lugares para ele se encontrar naquele estado e suas pernas também tinham vários cortes superficiais, o que comprovava essa teoria. Passos apressados eram ouvidos próximo a ela e eram de pelo menos sete pessoas. A expressão que a garota fazia ao correr era impossível de identificar. Seu rosto estava coberto por uma máscara de pierrot branca, máscara esta que escondia o rosto inteiro, até os olhos que eram duas órbitas pintadas de preto e detalhes em amarelo, cujo sorriso vermelho estava paralisado na máscara em uma expressão alegre e cômica.

A garota tropeça em uma garrafa de vinho vazia e cai em uma poça de lama no chão, enquanto tenta se levantar rapidamente é acertada por uma tábua de madeira nas costas, o sorriso da máscara ainda presente em sua face enquanto tenta se levantar novamente e recebendo o mesmo tratamento forte no corpo.

— Achou que poderia fugir da gente? Sua ladra — um homem gordo de avental era o portador do pedaço de madeira, sua cara redonda estava vermelha pela raiva e o cansaço de ter que correr atrás da pierrot pela cidade.

— Você bateu muito fraco, nem ouvi ela gritar — um garoto de dezessete ou dezoito anos incentivava a raiva do mais velho, ele havia contado a seu pai que vira a nova empregada roubar o estabelecimento em que trabalhava, ato que ele próprio fez, mas alguém tinha que levar a culpa.

— Ingrata. Abrigamos você, demos trabalho para você ganhar o seu sustento e é assim que nos retribui? — um homem magro e alto fala quando consegue alcançar os dois primeiros com o resto do pessoal, estava mais corado que o homem gordo, se pela bebida ou a corrida até ali, ninguém saberia dizer.

— Foi você que nos roubou não foi? ANDA! FALA! — o gorducho manda.

A pierrot permanece calada, jogada na lama, ainda se recuperando do golpe, seu pequeno corpo de treze anos era frágil demais para seu próprio gosto.

— Quem se cala, consente. — diz o filho do gordo diz dando de ombros.

O gorducho continua a dar golpes com o pedaço de madeira e os outros homens reunidos ali o acompanham com pontapés na pequena ladra. O frágil e pequeno corpo da garota recebia golpes dolorosos em todos os lugares que podia sentir, marcas roxas se formavam a cada novo golpe e ela sentia sua vida se esvair do corpo, mas não emitiu nenhum som, nem mesmo um gemido. A máscara alegre em seu rosto definitivamente não combinava com a situação.

— Quer saber? Ela devia é nos pagar por ter traído nossa confiança e nos roubado — falou o homem alto e magricela. — Um servicinho que as mulheres fazem para os homens.

— E não é que é uma boa ideia? — diz o verdadeiro ladrão com um sorriso malicioso.

Pânico, a pierrot de treze anos sentia pânico em todos os poros de seu corpo. Usando a energia do seu medo para se arrastar desesperadamente pelo chão em meio a lama ela tenta fugir, tentando inutilmente se afastar deles.

O garoto ri do ato desesperado dela, colocando uma mão na barriga que começava a doer por causa das risadas.

— Vamos — diz alguém no meio dos outros se interessando pelo ato inútil e desesperado da pequena.

A garota que havia chegado em um canto do beco coloca os seus frágeis braços em frente ao rosto e ao seu corpo, como última tentativa de defesa, e então... nada. Nada acontece, um silêncio anormal impera naquele momento. Com medo de olhar, ela tira vagarosamente os seus braços em frente ao rosto e encontra um belo homem desconhecido.

— São tão brutos, não é assim que se trata uma dama — ele diz de modo severo batendo uma mão na outra para limpar uma sujeira invisível.

Uma nuvem libera um raio de sol e ilumina o desconhecido que direciona seus olhos à garota. Tinha olhos azul escuro e cabelos dourados que brilhavam como ouro ao refletirem aquela luz. A cabeça da garota se moveu levemente, como se tivesse arregalado os olhos por trás da máscara. O homem a olhava de cima abaixo, sua figura com vestes rasgadas e coberta de lama, marcas roxas pelo corpo e uma máscara de pierrot alegre.

"Eu parecia tão miserável assim?" — ele se pergunta mentalmente, estendendo uma mão em direção a menina.

A garota volta a colocar os braços em frente ao seu rosto por reflexo, o corpo voltando a tremer.

— Calma, não vou fazer nada com você — ele diz com um sorriso gentil.

"Por enquanto" — completa em seu pensamento.

A garota tira os braços vagarosamente de suas posições, ainda desconfiada em relação ao estranho.

— Qual seu nome? — ele pergunta.

Ela coloca as mãos em torno do pescoço como se estivesse se enforcando, parecendo contar algo muito sério para ele, fazendo gestos exagerados em torno do corpo mas sem emitir nenhum som. Michael não entende nada, acha que ela bateu a cabeça em algum lugar, mas depois de ficar algum tempo observando os gestos em torno do pescoço pergunta:

— Você é muda?

E ela afirma movendo a cabeça.

— Nesse caso... — ele usa o indicador de sua mão enluvada e começa a fazer contornos na lama, formando a palavra "Michael" em uma letra cursiva muito bem feita e elegante. A garota entende o que ele quer dizer e usa seu próprio indicador para escrever algo na lama, como ele.

— Alma Chaos — ele lê o nome escrito em cima do seu, com uma letra de forma tremida e infantil. — É um nome bem apropriado — Michael diz concordando com a cabeça.

Alma faz um desenho ao lado do nome de Michael com uma pressa incomum para uma garota. É o rosto dele, com uma auréola e asas de anjo atrás. O que o faz engolir em seco.

— Não, eu não sou um anjo, se é o que você está perguntando. Sou um artista — ele diz com um sorriso forçado, o que a faz inclinar a cabeça para o lado. — Trabalho em um circo próximo daqui. Dead Line Circus, já ouviu falar?

Ela nega com o cabeça, o que o faz se perguntar mentalmente quanta sorte ele tinha. Encontrar uma garota com máscara de pierrot pelas ruas de Londres foi realmente um golpe de sorte absurdo. Estava atravessando a rua quando viu a garota de máscara passar correndo em sua frente, sendo seguida por sete outros homens armados de pedaços de paus e punhos cerrados. É ridículo encontrar sua primeira vítima com tanta facilidade, chegou a nem acreditar que aquilo estava acontecendo, achando que tinha morrido e estava sonhando com algo absurdo.

— Você daria uma boa pierrot. Gostaria de vir para o circo comigo? — ele diz com um sorriso gentil estendendo sua mão em direção a garota.

Alma se encolhe por um momento, parando para pensar melhor. Mas no que ela tinha que pensar? Não tinha nada, nenhum lugar pra ir e nenhum para voltar e agora tinha um homem muito gentil que salvou sua vida e estava disposto a lhe dar um lugar para ficar. Receosa ela pousa sua mão na mão enluvada que ele estende para ela, tentando ficar de pé mas caindo imediatamente na primeira tentativa.

— Você não vai conseguir andar até lá desse jeito.

Michael passa o seu braço em volta da cintura da garota e a pega no colo, fazendo-a se segurar em seu pescoço para não cair, confusa com o que está acontecendo.

— Boa menina — ele diz e cola um adesivo com formato de lágrima em sua máscara.

A garota consegue dar uma última olhada para o beco em que estava, vendo sete cadáveres apodrecidos ao seu redor. Eles estavam tão podres que pareciam estar naquele lugar à anos, virando carcaças magras e escurecidas pelo tempo. A garota chegou a arregalar os olhos por trás da máscara antes de desaparecer com o estranho.

~ ❖ ~

— Bem vinda a Dead Line Circus. — Michael diz com um suspiro, satisfeito e arrependido ao mesmo tempo.

Um espetáculo de cores atravessa os olhos da garota, luz, sorrisos, vida, animação, aquele seria o paraíso? Ela olhava para todos os lados absorvendo tudo antes que sumisse, se era um sonho queria aproveitar o quanto podia antes de acordar.

— Por ser uma boa menina vou deixar você ver uma atração antes de descansar o que acha?

Alma direciona seu rosto de modo abrupto para seu salvador, ele estaria falando sério? Concorda com a cabeça e move seu rosto procurando por um lugar para ir. Aponta para um lugar adorável que adoraria entrar.

— Ah, você quer ir-... — Michael interrompe sua fala pela metade. Ao seguir o dedo indicador na direção que ela apontava vê uma porta de carvalho com um bule de chá e uma xícara branca pintados na porta. — P-Pensando melhor, é a sua primeira vez aqui, seria muito injusto te mostrar só uma atração. Você tem todo o tempo do mundo para explorar esse lugar. — ele diz e dá meia volta andando apressadamente para a direção oposta.

Alma não entendeu a atitude de Michael, mas isso não importava, ele era melhor que os sete homens que queriam lhe machucar. Seus pensamentos foram interrompidos quando ela entrou em um espaço que era tão colorido quanto uma árvore de natal. Cristais de variadas cores estavam pendurados no teto e refletiam luzes coloridas por todo o cômodo, havia uma cama bem grande no centro com uma colcha nas cores vermelho, laranja, azul, verde e amarelo. Fitas de cetim estavam penduradas nas paredes com guizos nas pontas. Havia fantasias jogadas de qualquer jeito pelo lugar e objetos tão brilhantes e coloridos espalhados que davam ao lugar um toque de fantasia. Michael colocou ela delicadamente na cama do centro.

— Esse vai ser o seu quarto, ele costumava ser um quarto masculino, espero que não se importe — ele diz se sentando na ponta da cama, no que ela negou com a cabeça. — Que bom. Quando você se recuperar vai começar a trabalhar aqui, mas já vou avisando: nem tudo é o que parece, é melhor tomar muito cuidado.

Michael de levanta e caminha até a porta, retirando um X vermelho que estava colado ali com uma fita adesiva.

— Boa noite Alma — ele fala fechando a porta atrás de si, tendo a impressão que fechava a tampa de um caixão com a garota lá dentro.

Alma levou uma das mãos até o colar que carregava no pescoço e apertou a pérola do pingente entre os dedos. Iria trabalhar no circo até o fim de seus dias se fosse preciso, para pagar a dívida que fez com Michael por ele ter salvado sua vida. E com esse pensamento em mente ela adormeceu, aconchegando-se na cama quentinha e embarcando para um sono sem sonhos como a muito desejava.

Notas finais
Para os curiosos, essa é Alma Chaos: http://i1.sndcdn.com/artworks-000029333862-y5qvp9-original.png?d53bf9f Escreverei logo o próximo capitulo, aguardem, vocês não precisarão esperar muito.