Dead Is Alive

2 Capítulo 2


Os polícias conseguiram escapar a uma morte quase certa mas o perigo ainda mal começou. Os zombies, pelo que sabem, também estarão em grande número naquele local. E para piorar algo lhes diz que não serão apenas zombies os seus inimigos. Alexander propõe que se mantenham juntos, juntos são mais fortes e mais facilmente conseguiram resistir a um ataque repentino. O plano inicial exige ser reformulado. As condições mudaram. Patrícia, a responsável pela equipa, começa a formular um plano B mas as dúvidas persistem. Devem eles procurar Dave, apesar de ser pouco provável que esteja vivo, ou devem prosseguir com o motivo que os levou ali? A equipa está dividida. Voltar atrás será extremamente perigoso. Se Dave estiver vivo, provavelmente chegará à mansão e, mais tarde ou mais cedo, encontrará os colegas. É este pensamento que os leva a prosseguir com a sua missão.

De repente ouvem um grito, este não está muito longe, mas é o suficiente para ser imperceptível. Tanto pode ser de uma mulher como de uma homem ou até mesmo de uma criança. Tudo o que sabem é que esta pessoa ainda está viva mas pela aflição sentida não será por muito tempo. Patrícia e Joana rapidamente se apressam a seguir o som dos gritos, deixando para trás os dois colegas. À medida que se iam aproximando, correndo de corredor em corredor, de porta em porta, apercebem-se que a figura que gritou era de uma jovem mulher. A rapariga acabara de ser mordida por um dos zombies. Rapidamente as irmãs aniquilam as duas criaturas que a haviam atacado mas já é tarde demais. A rapariga está inconsciente, os sinais vitais demasiado baixos. A morte é quase uma certeza. Patrícia tenta de tudo para tentar salvá-la estancando a hemorragia mas a ferida é demasiado profunda. A rapariga acaba por morrer nos seus braços. Joana baixa a cabeça, demonstrando a sua tristeza, Patrícia, por outro lado sente uma raiva a percorrer-lhe o seu interior. Subitamente sente o corpo da rapariga, a respiração fraca. Afinal ainda pode haver uma réstia de esperança. Patrícia tenta levantá-la mas algo não está bem, a rapariga tenta morde-la e é Joana quem acaba por salvar a pele da irmã. A chefe da equipa está extasiada, petrificada, confusa com o que acabara de presenciar. Joana, pior está, acabou de espetar uma bala no crânio de uma jovem rapariga sem se ter apercebido de tal. Aquela situação mexe de tal maneira com elas que os sentidos se apagam, o universo fica mais pequeno, o silêncio abafa tudo o resto. Nem se apercebem que um bando de zombies se aproxima de rompante. Joana está prestes a ser atacada quando surge um desconhecido, que lhe salva de uma morte certa. Steve é como se apresenta, referindo que não estão seguras ali. Patrícia continua estática. Joana tenta levá-la dali, um grupo de zombies aproxima-se e não saíram vivas da mansão se continuarem ali paradas.

Patrícia retoma os sentidos e os três começam a correr. Acabam por voltar ao hall principal, o suor escorre-lhes pelo rosto. As irmãs há muito que não sentiam um esgotamento tão profundo. Ambas tentam perceber quem é aquele indivíduo que as socorreu e qual o motivo da sua presença ali. No entanto, isso não é o mais importante no momento. Alexander e John desapareceram. A equipa está completamente fragmentada. A chefe não sabe o que fazer mas não perde a calma e sugere que prossigam o seu caminho. Steve, o indivíduo misterioso, acaba por confessar, sob persuasão que faz parte da equipa dos S.T.A.R.S., que veio resgatar possíveis sobreviventes e tentar descobrir a causa do vírus que se espalhou pela cidade. As mesmas questões são feitas às duas agentes que se mantêm em silêncio. Revelar a sua identidade está fora de questão. O F.B.I. tem de estar atento, um grupo de polícias está presente no mesmo local que eles e poderão chegar primeiro às respostas que eles vieram procurar. Algo inaceitável, na perspectiva destas.

Steve encaminha-as até a uma pequena sala onde está grande parte da equipa. Dos dez membros que foram convocados estão presentes seis. Os restantes vagueiam pela mansão. Jill, Chris, Barry, Rebecca e Billy tentam perceber quem são as figuras que se apresentam diante deles. Pelas roupas que vestem concluem que são agentes. Mas que companhia servirão? O silêncio divulga uma entidade que não pode ser revelada, CIA, FBI ou algo do género. Apesar das imensas questões nada conseguem retirar das irmãs que acabam por se retirar do local, apesar das afirmações em contrário. Steve e Chris oferecem-se para as acompanhar mas estas recusam. Ainda têm um longo caminho pela frente e não vieram com o intuito de fazer amizades, nem tão pouco querem que estes sejam um fardo ou uma responsabilidade para estas.

O tempo vai passando e as respostas parecem estar cada vez mais distantes. Um longo corredor avizinha-se e os sons actuam como um alarme. Zombies estarão certamente ao virar da esquina. Patrícia vai na frente seguida por Joana e ao virarem a esquina com atitude apercebem-se que estavam enganadas. Um corpo estendido no chão, também ele ferido, assustado. Patrícia recorda-se do sucedido anteriormente e aproxima-se reticente. O indivíduo pede auxílio mas Joana hesita puxando a irmã para trás. Patrícia analisa-o e percebe, através das suas roupas, que ele é um dos polícias dos S.T.A.R.S. e aproxima-se cautelosamente. O jovem apresenta-se, Richard, agente dos S.T.A.R.S.. Patrícia interrompe-o revelando saber a sua missão e tentando compreender o que o tinha atacado. Esta lembrava-se das marcas deixadas pelos zombies e podia afirmar fortemente que não eram iguais nem sequer semelhantes às que este apresentava. Uma cobra gigante é a resposta que Richard lhe dá. Joana nega dizendo que provavelmente está a delirar. No entanto tudo é possível naquele momento, aliás se nada lhe fosse dito Patrícia teria essa mesma conclusão.

O polícia movimenta-se exaltado, assustando ambas. O nervosismo leva Patrícia a questionar-lhe o que se passa. Este começa a delirar e apenas aponta para a porta que se encontra perto destes. Acaba por desmaiar com o esforço. Patrícia diz que vai investigar e pede a Joana que não abandone aquele local. Num primeiro instante esta recusa-se mas acaba por ceder. O que será que espera a chefe da equipa? Certamente algo de bom não será.

Patrícia percorre, sozinha, um local que há muito não via. As memórias de acontecimentos vividos estão cada vez mais presentes. Esta começa a recordar-se do local, dos tempos de criança, das descobertas que faziam naquela casa. Um sótão sombrio segue-se após uns quantos degraus. Tiros acabam por interromper-lhe o pensamento, alertando-a para o perigo. Patrícia apressa-se a subir as escadas e fica perplexa com a dimensão do monstro que encontra à sua frente. No entanto não há tempo para pensar, o tempo é precioso e existem pessoas em risco. Um S.T.A.R. encontra-se um pouco aflito e nem se apercebe da presença da agente. A cobra gigante prepara-se para ataca-lo quando surge Patrícia e lhe corta a língua. Atordoado o monstro acaba por se retirar. O corpo de Patrícia treme por todo o lado, por momentos esquece-se que não está sozinha. Acaba por reagir quando ouve um — Obrigado por parte do desconhecido. O olhar destes cruza-se e o coração de ambos dispara. Patrícia tenta disfarçar a atracção sentida tal como o agente. Um momento embaraçoso segue-se quando ao mesmo tempo estes questionam o nome. Patrícia responde com um sorriso e obtém a resposta, também ela com um leve sorriso – O meu nome é Leon!