Dead
1 Capítulo 1
Notas iniciais
POV Zachary
A minha vontade era de apressar o tempo para que chegasse logo amanhã e então, finalmente pegaria o resultado do exame. Mesmo já ciente do que viria pela frente.
Resolvi então, aproveitar desde hoje os meus dias de vida.
Ao sair da clínica, fui direto para casa. No caminho, tentei pensar somente em coisas boas e como eu poderia aproveitar.
Abri a porta me deparando com Jimmy, meu cachorro ou melhor dizendo, meu melhor amigo. Ele e apenas ele me fazia sorrir em qualquer momento. Jim se jogou nos meus pés e não pude deixar de rir.
– Abusado, folgado. Vem cá. – Peguei ele com uma mão enquanto fechava a porta com a outra.
Andei até o sofá e ao me sentar no estofado, fiquei brincando com o cão que agora já estava no meu colo, pulando, balançando o rabo e algumas vezes latindo.
Deixei Jimmy no chão, para ir tomar banho.
Demorei quase meia hora, imagino. Depois de ficar bem razoável, desci as escadas e ao encontrar mais uma vez meu cachorro, abracei-o bem forte enquanto falei que o amava. Logo deixei-o dentro de casa e parti para rua.
Caminhei por ruas bem calmas e sem tanto movimento. Percebi uns garotos ao longe, fazendo besteiras, zoando uns aos outros e todas essas coisas que fazem. Acabei por me bater com alguém. Sim, me bater com alguém. Que coisa clichê.
– Caralho, desculpa. Eu acabei me distraindo com o celular, não percebi ninguém na minha frente e acabou nisso. – Ele riu sem graça, depois de se desculpar um tanto desesperado. Ao finalmente virar seu rosto para mim, pude perceber sua beleza estampada com toda a força. Os seus olhos num tom verde marcante e seus lábios inferiores carnudos foram o que mais me chamaram atenção. Já recuperando o fôlego, ele disse. – Zachary.
– Joseph. E, fica calmo, ta? – Deixei um riso breve escapar. – Tá tudo bem.
– Ok... – Ele foi interrompido por aqueles mesmos garotos que me distraíram.
– Já de casinho, Zachary? Olha que vão acabar te achando uma vadia. – Disse um fortão.
– Mas isso ele já é, né? Uma vadia. – O menor de todos disse, fazendo os outros rirem.
– Uma vadia que você já implorou pra chupar. – Ele voltou, andando na mesma direção em que tinha aparecido.
Os meninos deixaram Zachary em paz e eu fiquei preocupado com o mesmo. Resolvi segui-lo, sem que me percebesse.
O garoto passou por dois portões bem grandes. Era o parque que eu tanto freqüentei, nos meus dias de “não tenho nada pra fazer”. Ele sentou perto da minha árvore preferida e se encostou ali.
– Tá tudo bem? – Sentei de frente pra ele, (acredito que) acordando-o dos seus pensamentos.
– Desculpa por aquilo, ta? E por eu ter saído sem nem te explicar nada, fazendo os meninos acharem que você ta de caso comigo. Mas se eu te puxasse pra cá, ou sei lá, tentasse resolver qualquer coisa contigo, eles continuariam com as zoações e poderia cair pra você.
– Eu perguntei se ta tudo bem com você... Não comigo. – Formei um sorriso confortante nos lábios.
Ele riu olhando para baixo e eu não pude deixar de rir também.
Passamos um tempo apenas olhando para coisas aleatórias. Nunca um para o outro.
– Por que eu sinto vontade de cuidar de você? Sabe, “acabei” de te conhecer.... – Ele finalmente disse, fazendo aspas com os dedos.
– Talvez porque eu sinta a mesma coisa. – Olhei para baixo, meio nervoso por aquele embaraço. Mesmo eu sabendo que não estaria mentindo em nenhum segundo.
Levantei meio desajeitado, estendendo a mão para Zachary que sem demora, segurou-a. Logo, estávamos em pé. Um de frente para o outro.
Sem hesitar, segurei firmemente a cintura do garoto e caminhei com ele, até encostá-lo na árvore. Ele levou seus braços até meu pescoço e os envolveu ali. Aproximávamos nossos rostos cada vez mais. E quando me dei por conta, já tínhamos lábios colados em movimentos lento.
Zachary passou a ponta de seus dedos por meu pescoço enquanto eu massageava sua cintura sem força. Nosso beijo era calmo e sem língua.
Ao separar nossos lábios, abracei o menor com toda a minha força. E felizmente, foi retribuído.
Poucos momentos ali e já senti como se precisasse dele.
Mais uma vez, soltamos risos nervosos enquanto continuávamos abraçados. Ele levou sua mão até o meu cabelo, entrelaçou seus dedos e passou a movimentá-los ali. Eu passava minhas mãos por suas costas, num toque bastante leve. Resolvi distribuir alguns beijos também leves e breves pelo ombro dele.
Segurei sua mão e caminhei mais um pouco, até sentarmos num banco, um de frente pro outro.
– Te achei lindo desde que te vi, Zachary.
– Vem dar uns beijinhos no lindo então...
Ri alto enquanto o puxava para perto de mim. Envolvi seus braços no meu pescoço e mais uma vez, envolvi meus braços em sua cintura. Passei a dar beijos por sua bochecha, não deixando de mordê-la algumas vezes.
Zacky ria e no momento em que o mordi, ele então beijou a ponta do meu nariz e mordeu meu queixo. Senti seus braços se retirando do meu pescoço, o que me deixou um pouco desesperado. Acalmei-me ao sentir seus dedos fechando meus olhos.
– Dizem que quando a pessoa beija os olhos da outra, ela tá querendo chegar na alma da outra... – Após isso, senti cada um dos meus olhos sendo beijados.
Não pude conter um sorriso bastante largo que me veio.
Eu queria viver para sempre com você, Zachary...
“Don't wanna be an American idiot…”
– Caralho! – Gritou ele enquanto pegava seu celular.
Rimos.
“- Ok, mãe. – Entendi. – Pode deixar. – Tchau. – Tá, mãe.”
– Sou um americano idiota por ter uma mãe chata. Eu preciso ir. Ela faz questão de me “convidar” para esses encontros familiares. Eu até te convidaria... Mas minha mãe ta impossível esses dias.
– Tudo bem, Zacky. – Eu ri. – Então... Vamos indo?
– Não... – Ele formou um bico com os lábios, dando um beijo rápido na minha bochecha.
– Sh, para... Vamos.
– Vamos ficar. – Ele deu mais dois beijos na minha bochecha e um terceiro no meu pescoço.
– Vaamos... – Eu ri enquanto levantava e puxava Zachary para levantar e ficar ao meu lado.
Andamos assim, trocando beijos rápidos e mordidas até o portão.
POV Zachary off
Os garotos se abraçaram forte mais uma vez e cada um partiu para seu destino. Partiram, para nunca mais se verem.
POV Jack
Depois daquele encontro com o otário do Zachary e seu novo namoradinho viado, eu e meus amigos fomos beber.
Já cheios, fomos dar uma volta com o meu carro. Nathan tinha afirmado não estar bêbado. Deixei então que dirigisse o veículo.
Ele correu demais enquanto só fazia brincadeira. Gritei pra ele parar, mas não adiantava. Até eu gritar por ver uma pessoa bem na nossa frente. Ficamos em silencio e quando vimos, o pior tinha acontecido. Desci do carro correndo, já ligando para a ambulância.
Não acreditei no corpo que vi estirado no chão. Todo ensangüentado. Era aquele namoradinho do Zachary. Saímos correndo, enquanto já ouvíamos o som de ambulância.
POV Jack off
O nome tão citado, andava sorrindo pro nada ao lembrar dos seus momentos com Joseph. Passou por um local cheio de gente, com uma ambulância. Preferiu não se meter. Apenas desejou que tudo estivesse bem.
Mal sabia ele, que ali estava o seu amor. Mal sabia ele, que o dia com Joseph, criado na sua mente, nunca se realizaria. Mal sabia ele que além de seu amor, o maior virou seu anjo.
Mal sabia Joseph, que seu exame do câncer, dera curado.
Fale com o autor