De volta ao Jurassic World
2 A chegada à ilha
Notas iniciais
Mike sentia seu quadril doer. Abriu os olhos, mas não enxergava muito bem. Semicerrou os olhos para ver melhor, se sentiu tonto e logo se deu conta de que estava de cabeça pra baixo.
–Minha cabeça... — Ele vomitou, olhou para cima e percebeu que estava preso em uma janela quebrada do avião. Tentou alarga-la, sem sucesso.
–Eu vou ficar aqui até minha bexiga explodir – Mike só queria dormir, até que percebeu um galho quebrado e pegou ele. Tentou alargar de novo, mas o galho quebrou.
–Droga – ele se irritou e socou o avião numa parte frágil, que abriu um buraco enorme e fez Mike cair em um galho.
Ele rolou um pouco para o lado, sentiu um cheiro podre e olhou para o chão. Viu pequenos lagartos verdes comendo os restos de uma pessoa jogada na grama. Ela estava ensanguentada, não dava pra ver nem a cor de seu cabelo. O galho começou a se entortar lentamente, Mike tentou se segurar, mas caiu e foi parar em outro galho. Os lagartos olharam curiosos para cima, mas logo voltaram a comer a carniça. O galho também não aguentou o peso de Mike e se entortou, fazendo Mike cair no chão.
Ele caiu perto dos lagartos. Os próximos fugiram, mas os distantes olharam curiosos para ele. Ele se arrastou para trás com medo, mas os lagartos continuaram o olhando.
“São só abutres” pensou Mike. “Abutres que parecem lagartos e que andam sobre as patas traseiras”
Mike já viu aquilo em algum lugar. Seriam dinossauros? Era um sonho, tinha que ser. Ele se levantou e se afastou tampando o nariz por causa do cheiro.
Ele já estava caminhando há alguns minutos; estava muito dolorido, precisava de água. Foi quando ouviu barulhos no mato.
–Quem está aí? – Mike ficou com medo. Perguntar isso não era a melhor opção. Mas ele estava muito tenso. Ouviu o barulho de algo se chocando com algo. Ele se aproximou do barulho, abriu passagem entre as folhas e viu dois lagartos tontos, com um tipo de escudo na cabeça. Percebeu que andavam sobre as patas traseiras também. Eram dinossauros mesmo?
Não ficou perto, estava com muito medo. Seguiu a luz e chegou a um campo aberto.
–Wow – Ele se impressionou ao ver lagartos gigantes pastando perto de um lago. Eram dois gordos com estacas na espinha dorsal, três “rinocerontes”, e um realmente gigante, com o pescoço enorme e abaixado. Viu também ao fundo alguns bípedes com cristas na cabeça. Estava boquiaberto, se aproximou passando por baixo de um monotrilho, mas nem deu importância para o mesmo. Chegou cada vez mais perto e finalmente aceitou que eram dinossauros. Abaixou-se na beira do lago e bebeu um pouco de água, estava exausto. Deitou-se e olhou para os dinossauros. Será que ele era o único sobrevivente?
Quando se deu conta estava dormindo. Até que foi acordado por rugidos e passos estrondosos. Levantou-se e viu todos correndo para leste. Algo quebrou as árvores e um infeliz pescoço longo foi pego. O dinossauro era marrom, tinha os braços pequenos e a mandíbula grande. Ele começou a comer o pescoço longo. Mike vendo aquilo fugiu para onde foram os herbívoros.
Mike entrou em um lugar paradisíaco. Viu folhas que nunca viu antes. Estava em uma floresta pré-histórica. Andou com um pouco de dificuldade até que achou algo caído no meio do mato. Mas não era algo, era alguém.
–Você está bem? – Mike perguntou, ajudando o homem com camisa branca rasgada. Seu cabelo estava bagunçado. Ele tentou se levantar e conseguiu.
–Eu estava tentando fugir, entrei aqui, mas aqueles dinossauros quase me esmagaram – Ele falou meio rouco.
–Fugir de quem?
–Dos raptores.
–Raptores?
–Nós nos separamos no momento do ataque deles.
–Nós quem?
–Precisamos encontrá-los.
–Quem? Aliás, qual seu nome?
–Jonathan...
–Está bem, Jonathan, nós vamos encontrá-los, mas você precisa se acalmar.
–Eu—eu vou tentar. E qual seu nome?
–Mike.
Mike olhou para o lado e viu que poderia estar seguro. Além de ser um lugar fechado, aqueles dinossauros protegeriam o lugar. Eles não iriam cometer o mesmo erro novamente, estavam quase todos protegendo as bordas. Alguns bebiam da nascente que estava por perto. Mike afastou as flores e sentou no chão.
–Como você se separou dos outros? – Mike perguntou.
–Bem – Disse Jonathan. – Eu estava sentado na cadeira de um avião, tinha um cara dormindo com a cabeça encostada na janela. Algum tempo depois de um aviso de desvio de caminho, eu vi vários pássaros gigantes indo na direção do avião. Um deles quebrou o vidro da janela e pegou o cara do meu lado pela cabeça com o bico que parecia ter dentes pequenos. Eu pulei da cadeira e vi o avião em caos. Eram tantos atacando que de alguma maneira o avião começou a cair. Acho que não foi o piloto que foi pego, porque o avião descia como se alguém estivesse tentando coloca-lo pra decolar. Os pássaros começaram a recuar e fizeram um buraco no avião. Todos que conseguiram ser rápidos pularam na direção de um rio. Mas alguns se afogaram e outros caíram no chão. Só sobraram três pessoas e eu. Fomos até um tipo de pronto-socorro. Pegamos algumas coisas e dormimos lá.
–Espera. Eu estava a um dia pendurado naquele avião?
–Você se prendeu nele?
–Eu caí em um buraco pequeno. Ele me impediu de cair.
–Impediu?
–O avião se prendeu em algumas árvores. Acho que tenha mais alguns sobreviventes. Sabe quantas pessoas estavam no avião?
–Cerca de vinte ou trinta.
–Mas e os “raptores”?
–Ah, sim – Jonathan se lembrou. –Quando acordamos e fomos até a saída, ouvimos alguns barulhos. Um de nós deduziu que era um raptor. O miserável acertou. Eles quase nos cercaram, mas nós conseguimos fugir. Eu acabei me separando deles e vim parar aqui. Foi quando aqueles animais apareceram e quase me esmagaram. Um deles me acertou com a cauda quando foi dar uma curva.
–Acho que podemos ficar aqui por hoje. Amanhã começaremos a procurá-los.
–Se essas frutas não forem venenosas, esses dinossauros não se importarem com a gente e nenhum predador aparecer; acho que sim.
–Vamos torcer pra isso.
Continua...
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