De volta ao Clã
8 Cap. 8 - Assalto
Notas iniciais
O dia estava nublado e uma garoa fina caia na manhã fria. Fiona fumava um cigarro a frente da janela de seu quarto enquanto Lisa e Elise ainda dormiam. Dianna fazia ovos mexidos. O barulho da campainha ecoou-se pela mansão, o fogo foi desligado e Dianna caminhou até a porta, olhou pelo olho mágico e gostou do que viu. Um homem alto e barba por fazer estava parado com as mãos no bolso.
– Como posso ajudá-lo ? — Dianna sorriu gentilmente.
– Pode me dizer se é aqui que LauLaurie mora ? — O homem olhou atento.
– Sim, é aqui — Dianna franziu a testa — O que quer com ela ?
– Nada, deixa pra lá, valeu! — O homem acenou e saiu caminhando pela calçada.
– Estranho — Dianna murmurou e fechou a porta, voltou para a cozinha para tomar o café da manhã.
Hospital público, 2015...
Megan segurava a mão de Beatrice e a encarava com tristeza.
– Nossa vida só deu errado desde que entramos na mansão, me culpo por te trazer aqui...desculpa — Megan sussurrou e abaixou a cabeça.
– Nada...aqui...culpa...sua — A voz da garota era pausada e carregada, os olhos ainda estavam fechados por causa da sedação, totalmente lerda.
– Beatrice! Como se sente ? — Megan beijava sua mão.
– Dor forte...cabeça — Beatrice respirou fundo e deu um gemido baixo.
– Pela amor de deus! Não faça esforço — Megan balançava a cabeça freneticamente.
– Eu só respirei...não pode ? — Beatrice esbouçou um sorriso porém queria mesmo era dar uma gargalhada.
– Só não respire tão forte — Megan riu, tentando afastar a tensão.
– Eu quero água... — Beatrice estava tentando levantar porém seu corpo não obedeceu.
– Você ainda está lerda por causada da sedação — Megan suspirou.
– Que legal... — Beatrice bufou.
– Ela finalmente acordou! Bom dia bela adormecida — Laurie adentrou o quarto com um vaso de rosas em mãos e um sorriso no rosto.
– Bom dia — Beatrice esbouçou um sorriso e fechou os olhos, escapando da luz forte do quarto.
– Você parece muito bem — Laurie parou ao seu lado.
– Pareço mesmo ? — Beatrice olhou para Megan, a mesma balançou a cabeça negativamente — Você mente muito mal, Laurie.
– Fiona aprisionou o espírito que estava na casa — Laurie colocou o vaso na pequena cômoda ao lado da cama.
– Boa notícia — Beatrice sussurrou, sentiu as pálpebras pesarem e fechou os olhos, pegando rapidamente no sono.
Salão de Marie Laveau, 2015...
– Tem certeza Ellie ? — Marie estava sentada em seu trono feito de ossos, bonecos de pano, folhas e sangue, encarando a sobrinha com ódio.
– Sim, o espírito saiu dessa dimensão — Ellie balançava a cabeça — Os vasos se partiram ao meio e as velas se apagaram.
– Eu cansei de ser pacífica com as bruxas — Marie se esticou e abriu uma gaveta da cômoda ao lado, pegou uma agulha e uma boneca de pano que se assemelhava a Ellie — Elas precisam sofrer — Marie furou a boneca nas costas, fazendo com que a sobrinha sentisse uma forte pontada e caísse de joelhos ao chão — Não acha que eu deveria fazer isso com elas ? Quero ver todas sofrerem — Marie tirou a agulha da boneca.
– Não faça isso comigo — Ellie se levantou derramando lágrimas — Eu apoio você, faça isso com elas...
– Comece a costurar as bonecas, deixe elas o mais parecido o possível — Marie respirou fundo.
– Com licença — Ellie balançou a cabeça e saiu.
– Fiona está tão convencida que venceu! Ela não tem um forte aliado ao seu lado — Marie gargalhou e acenou brevemente em direção a parte não iluminada do quarto.
Uma grande forma estava parada no canto, o corpo vermelho era brilhantes reluzente, os chifres eram grandes, a calda balançava como a de um gato a espreita e cheiro de enxofre era forte. O próprio diabo era o aliado de Laveau.
Mansão Goode, 2015...
Mais uma noite chegava e o frio era ideal para sentar a frente da lareira.
– Vou tomar algo quente! — Fiona avisou e levantou-se.
– Chocolate quente ? — Lisa perguntou animada.
– Não, whisky — Fiona riu e caminhou em direção a cozinha.
– Adorei esse casaco felpudo, apesar de velho — Elise sorriu.
A campainha tocou rapidamente e uma única vez. Lisa levantou-se do sofá e foi até a porta, viu pelo olho mágico uma garota que tremia por causa do frio e vestia um casaco grande. Abriu meio ressabida.
– Vocês poderiam me servir uma sopa ? Ou um pedaço de pão duro, estou com fome e com frio — a garota suspirou e abaixou a cabeça.
– Verei o que posso te arrumar — Lisa sorriu fraco.
– Você vai calar a boca antes que leve um tiro, vadia — a garota abriu o casaco e revelou uma pistola de forte calibre preso na cintura — Entre, sem gritar — a garota apontou a pistola para Lisa e entrou na mansão, fechou a porta devagar e a trancou — OUÇAM TODAS, ISSO É UM ASSALTO, SE TRAMAREM ALGO EU ATIRO NESSA CACHORRA — a garota deu uma chave de braço em Lisa e colocou a pistola em sua cabeça.
Dianna surgiu e correu em direção a garota, o plano era tirar sua arma e colocar fogo em suas roupas. Tudo foi por água a baixo, a garota soltou Lisa e esticou o braço livre em direção a Dianna. A bruxa parou, ficou imóvel e olhava para o nada, enxergava um mundo diferente, outra dimensão, era uma ilusão, uma mesa grande e um belo banquete, ela se sentava e comia tudo com rapidez, sem pausa e sem respirar. Em determinado momento ela se sufocava e caia ao chão, assim fez seu corpo no universo real. Caiu ao chão se contorcendo.
– O que está fazendo com ela ? — Lisa se desesperou.
– Uma bela visão — A garota gargalhou.
Fiona levantou a garrafa whisky e a quebrou com força na cabeça da garota, a mesma cambaleou e soltou a arma, a cabeça girava e o corpo cedeu, caindo ao chão molhado de whisky.
– Você acabou de fuder com o whisky — Fiona estava furiosa, Dianna desacordada, enquanto Lisa e Elise se entreolhavam assustadas.
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