De um a dez outra vez
2 Freddy está atrás de você!
Notas iniciais
Quando Steve Parker optou por aquela ilha na agência de viagens, é claro que ele não estava pensando apenas na diversão ao ar livre, mas na economia massiva que havia feito ao adquirir aquele pacote.
O voo pelas companhias fretadas KoAnKa não havia sido dos melhores (a comida havia sido de péssima qualidade e uma das aeromoças tinha o péssimo hábito de coçar o ouvido com o mindinho), mas pelo menos tinham pousado em segurança nas ilhas Misaki. Muitas das pessoas se dirigiam para as Ilhas Korassaum—altamente cogitadas por Nora—, mas o preço do pacote era quase o dobro! Um roubo para um pobre estudante de humanas como ele. E, por alguma razão, a Sunshine Island não estava permitindo a entrada de mulheres.
Então, não era uma opção.
Haviam caminhado um pouco na ilha, o terreno arenoso não facilitava em muito a caminhada no início da trilha, mas logo chegaram a uma floresta densa que levava para o epicentro. Com um mapa em mãos, adquirido por um preço espacial nas mãos do capitão, Steve buscava as referências para as promessas incríveis que apenas as Ilhas Escuridown têm para você!
− Meus pés doem, Steve! – Nora reclamou pela décima quarta vez desde que ele havia começado a contar. – Será que não podemos parar um pouco?
Tinham chegado até uma clareira. Segundo o mapa, havia um rio corrente perto dali, mas Steve não ouvia o barulho de água. No entanto, sentia-se exausto também e acabou por concordar.
− Nós vamos continuar mais um pouco. – Alex disse, ao lado da namorada. – Vocês vêm?
− Acho melhor acharmos o rio ou teremos problemas com água logo logo, Steve. – Mike era seu irmão mais novo. Havia acompanhado a dupla de casais até ali na esperança de descolar alguém. Mas o restante das pessoas presentes no navio havia debandado para uma direção completamente diferente. E ele não queria ficar de vela na companhia do irmão.
− O que acha, Nor? – perguntou à garota, que já havia descalçado os tênis de caminhada.
− Não podemos alcançar eles depois, Steve? Eu realmente não aguento mais! – A morena fez um biquinho, e matou um inseto que havia repousado em seu joelho. Estava sofrendo com o clima tropical da ilha, um calor intenso que trazia insetos incômodos. Além disso, caminharam sem parar por cerca de duas horas! Tudo o que queria era um banho e descanso!
Mike encolheu os ombros. Sabia desde sempre que a cunhada não gostaria daquela aventura. Se o irmão tivesse poupado um pouquinho mais de dinheiro, teriam ido para as Ilhas Korassaum. Mas ele insistira naquele pacote econômico—até mesmo tinha chamado os amigos para isso.
− Nos vemos mais tarde então. Te mando mensagem?
− Sem sinal, cara. – Steve se lamentou. Não podia dizer que estava arrependido de sua escolha, pois possuía alma de aventureiro. Mas pela expressão de Nora, imaginava que a garota ficaria sem falar com ele por um bom tempo a não ser que encontrasse algo maravilhoso por ali.
Logo, o irmão desapareceu na trilha, acompanhado por Alex e Carol. Talvez tivessem a sorte de encontrar pessoas que tinham chegado antes deles na ilha, mas Steve não tinha muitas esperanças. Aquele parecia o primeiro barco em muito tempo a partir para Escuridown.
− Diz aqui no guia turístico que existe uma caverna que possui suas próprias estrelas! Dá pra acreditar nisso, Nor? – Steve tentou atrair a atenção da namorada esmorecida pelo clima. As íris douradas se fixaram na imagem estampada no papel. Foi a primeira vez que ela pareceu dar atenção a algo.
− Fica aqui perto? – perguntou ela.
− Acho que podemos encontrar amanhã pela manhã. – O sorriso estampou-se em seu rosto. Steve sabia do interesse da namorada por coisas exóticas. Parte do passeio fora motivado por isso mesmo que ela não possuísse seu espírito selvagem e esportivo.
Nora cursava biologia na mesma faculdade que Steve. Era como tinham se conhecido, afinal, em um evento onde Nora apoiava a proteção de um monumento histórico apenas por conta da fauna e da biologia ao redor dele. Os interesses de Steve eram pela obra. Acabaram se apaixonando pela paixão que ambos possuíam; amor à primeira investida de Steve para que Nora saísse com ele.
Agora, já faziam três anos desde que os dois tinham começado a namorar. E Steve sentia-se como da primeira vez em que havia visto aqueles olhos dourados capturarem sua atenção.
Estava prestes a beijá-la, os rostos tão próximos, quando o irmão mais novo, idêntico a ele, saiu de dentro do matagal, gritando e com uma expressão assustadora. Nora também gritou, mas de pavor.
− Mike! – Steve ralhou com o gêmeo mais novo, os olhos azuis se encontrando de maneira tempestuosa.
− O quê? Vocês estavam muito calados aqui! – Fez um biquinho. – Alex encontrou água! É um lago maravilhoso. Acho que será melhor para acampar lá do que nesse ambiente cheio de insetos!
− E lá está melhor? – Nora ainda estava furiosa com o susto que o cunhado havia lhe dado. Diferente da doçura de Steve, Mike sempre parecia brincalhão demais, despreocupado demais. Motivo pelo qual, enquanto Steve encontrava-se no quarto ano da faculdade, Mike encontrava-se no quarto curso.
− Acho que a água corrente espanta eles um pouco. De toda forma, Carol trouxe aquelas lâmpadas que fritam insetos. É a base de bateria. Deve aguentar por algumas noites. – Mike encolheu os ombros.
Para a maioria das pessoas, poderia ser difícil discernir os dois irmãos. Mas Steve era um pouco mais alto, e tinha uma cicatriz embaixo da boca que era um charme. Mike era mais dado a esportes radicais, embora os dois costumassem fazer tudo juntos porque Steve era protetor demais com o irmãozinho.
− Ah! – Lembrou Mike. – Encontramos uma pessoa lá por perto. Parece que se perdeu do restante do grupo. Ofereci para que ficasse conosco.
Steve arqueou as sobrancelhas e os dois se encararam em uma conversa muda de gêmeos.
− Oi! Será que podem falar a minha língua? – Nora chamou a atenção dos dois.
Os gêmeos encararam Nora ao mesmo tempo. Assim, inclinando o rosto para o lado, pareciam exatamente iguais. Ainda mais quando gargalhavam juntos.
— Desculpe, Nor. Acho que Mike encontrou um crush.— Steve respondeu.
— Um?— Nora sabia dos gostos peculiares do cunhado, e um sorrisinho cúmplice se apoderou dela quando passou um dos braços ao redor de seus ombros, já esquecendo-se do susto que havia levado. – Conte-me mais.
— Ah, acho melhor você ver com seus próprios olhos. – Piscou para ela. Steve acompanhou os dois, olhando brevemente para trás. Não viu os olhos brilhantes na escuridão que sorriram quando os dois se afastaram dali.
“Manto brilhante
De estrelas fascinantes
Céu noturno
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Sou um ser soturno
Fique atento!
Essa pode ser a sua última noite”
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