De todos os loucos do mundo...
5 Saias e jornais
Notas iniciais
Os quatro jovens eram observados de longe por todos que passavam, porém nenhum olhar se atrevia a durar por mais de alguns relances. Quem teria coragem de manter contato visual com algum deles? Quem poderia sobreviver caso eles não fossem com a cara de algum observador?
Nesse meio tempo, Peter estava preso abaixo do olhar intenso do delinquente conhecido como Venom, que sequer mesmo piscava tamanha era seu interesse pelo jovem herdeiro da família Stark.
Ele vai me matar, com certeza. Ele está planejando minha morte. Peter se encolhia mais e mais na curva do corpo de Wade, que apenas lhe sorria e passava o braço por seus ombros para lhe acalmar. O loiro estava muito satisfeito, radiando sua felicidade com aquela intimidade através de um pequeno sorriso persistente se formava em seus lábios.
— Venom, não. – Eddie disse, do nada, cortando o assunto com o outro loiro e fazendo que o mesmo ficasse ainda mais confuso do que normalmente se sentia.
— Mas, amor… – O de cabelos pretos insistiu e era como se eles finalmente houvessem verbalizado uma conversa que estiveram tendo em suas cabeças. Peter e Wade se entreolharam, sem entender, mas fascinados pelo o que estava acontecendo. Do que diabos eles estavam falando para fazer Venom praticamente miar um protesto?
— Não, Venom, já temos vadios o suficiente para três vidas. – Eddie respondeu, inflexível e exausto, como se eles já tivessem passado por essa conversa inúmeras vezes.
— Mas, Eddie! Olha para ele! – Ozzy ergueu suas mãos e as apontou para o menor menino da mesa para dar ênfase aos seus supostos argumentos e, no processo, fazendo Peter saltar de susto. Mas hein?!
Eddie deixou sua cabeça cair sobre a mesa e batendo sua testa levemente contra a lapa de pedra diversas vezes antes de grunhir em frustração. — Tá! Tá! Está bem, mas é o último! Você e seres humanos fofos! Argh! – O loiro bufou, enfim, apenas para Wade começar a aplaudir.
— Fantástico! Encore! Encore! –
Ao longe, duas moças observavam toda aquela interação através de relances cada vez mais incrédulos.
— Betty! Betty! Aquele pessoal sentado com o Petey... Deus, são quem eu estou achando que são? – Gwen perguntou, encarando a menina antes de voltar seu olhar para a mesa a alguns metros de onde estavam. – Ele está realmente falando com o Wilson, Brock e com o Klyntar, Betty? Não estou ficando doida, ne?
— Não, você não está! Bem... Ou é isso ou nós duas estamos doidas. – Betty disse observando Wade fazendo carinho em seu amigo e se amigo em resposta, sorrindo e se aconchegando no corpo maior.
Peter então notou suas duas amigas à distância e lhes deu um pequeno e embaraçado sorriso. Ele lhes acenou de leve, em cumprimento, mas também as chamando para se aproximassem e, possivelmente, lhe salvassem. Entretanto, com seu gesto, Wade Wilson, que estava de costas para as duas, se virou para ver o que capturara a atenção de seu principezinho. Seu olhar desconfiado fez as duas paralisarem onde estavam, mas então ele sorriu, como se soubesse que elas não eram uma ameaça para seu lugar ao lado de Peter e piscou para as meninas, acenando também. As duas se entreolharam, respiraram fundo, começaram a fazer seu caminho ao grupo.
— Bom dia, meninas. – Cumprimentou Peter, sorrindo, agradecido e animado por ver rostos familiares, enquanto saboreava os presentes de Wade.
— Bom dia. – Eddie e Venom responderam em uníssono, alternando entre sua conversa mental e verbal.
— E aí, lindas?! – Cumprimentou o loiro, animado e amigável, encarando para as duas jovens que se encolheram em surpresa. – Hey! Eu não mordo. – Informou, com um sorriso de lado. (A gente não morde?). A gente morde quando pedem ou quando deixam. [Como no dia em que a gente for devorar esse moreno. Tenho certeza que a gente vai morder ele todo.]. Nem começa, ou a gente vai acabar tendo uma ereção aqui mesmo. O loiro desligou-se do mundo por um instante e não percebendo que fazia uma expressão um tanto estranha. As duas jovens se encolheram ainda mais e encaravam Peter como se exigissem que ele se explicasse.
— Wade. – Peter chamou a atenção do loiro que imediatamente se voltou para lhe dar atenção. – Olha a cara de maníaco. – Avisou rindo um pouco da expressão contrita do outro. Estava começando a achar engraçado o medo das outras pessoas. Wade era bobo demais para dar medo.
— É a única coisa que ele faz direito, Parker. Ele desliga e o maníaco do parque baixa que nem santo. – Brock explicou de maneira entediada, recostando contra Venom e fechando seus olhos por um instante. Estava exausto pela discussão. Precisava de só cinco minutos.
— Nem é maníaco do parque! Ele nunca foi pego! – Wade protestou e Venom riu enquanto Eddie se aconchegava mais ao seu namorado – Príncipe, você está com um bigodinho. – O loiro se esticou, segurando de leve o queixo do outro passando o dedão no espaço um pouco acima dos lábios. Limpou a espuma com uma piscadela e depois lambeu seu dedo.
O ato fez com que as duas jovens arregalassem os olhos em choque e o moreno ficou vermelho. Todos que passaram por perto e presenciaram o ato pararam tudo o que estavam fazendo, atordoados pela visão de Wade Wilson sorrir que nem criança para o Peter Stark-Rogers, lhe beijar a bochecha e voltar a comer o que restava de seu café. A conclusão foi unanime: o mundo não fazia mais nenhum sentido. Azul era vermelho. Em cima era embaixo. Preto era branco. Caos, a partir daquele dia, reinaria.
Peter chegara para a aula de História Americana, com Betty e Gwen sentadas em cada lado seu, explicando o que havia acontecido depois do cinema, do ataque, do salvamento e da delegacia; contando como Wade e ele haviam se tornado... bem, amigos.
— Como os jornais não ficaram sabendo disso? Porque seu pai é conhecido, tipo assim, mundialmente. – Gwen perguntou, sussurrando para que ninguém mais lhe ouvisse.
— Eu sei, mas... eu não sei, Gwenie! Eu não prestei atenção nas bancas hoje, mas eu tenho quase certeza que o Clarim Diário iria falar alguma coisa sobre isso. – Betty tinha um estágio de meio período no jornal que tinha com o chefe de sua mãe, o temido J.J. Jameson, um senhor para lá de intolerante.
— Não fale isso Betty, por favor... – Peter implorou – O Clarim já odeia minha família! Sempre que Jameson tem chances, ele publica horrores sobre meu pai. – Anthony Edward Stark era o alvo favorito do jornal por ser assumida e orgulhosamente bissexual; por não esconder que estava casado a mais de 19 anos com Steve Grant Rogers; por ter adotado Peter. – Imagina! Eles fariam uma festa. “Filho de bilionário de sexualidade duvidosa que corta para os dois lados é atacado”. Ou... Sei lá! – O moreno se jogou, miseravelmente, em cima da mesa, seus olhos focados no quadro.
As duas jovens riram baixo do exagero, mas o jovem só suspirou e manteve seu rosto virado para frente. Sabia que suas amigas se importavam, mas elas não entendiam. Sua família era a mais amorosa que conhecia, mas estavam sempre sobre ataque. A calma que sentira com Wade desapareceu e uma pequena semente de ansiedade se plantou em seu estomago.
Com o passar da aula, ela só fez crescer. Como uma erva daninha, Peter estava ficando inquieto. Como iria ser a aula de Educação Física? Seria a próxima aula do dia. Não estava preparado mentalmente para uma aula que pulverizava o que restava de sua autoestima. Queria ir para casa. Bufou ao ouvir o sinal soar alto demais para seu gosto, recolhendo seu material e seguido suas amigas para seu armário antes de se separarem para irem para seus respectivos vestiários.
— Peter, o Flash veio te atormentar hoje? – Por sorte, os armários dos três eram lado a lado.
— Não fala o nome dele, Betty, vai que invoca. – Peter retrucou enquanto arrumava os livros dentro de seu armário, retirando o precisaria para o dever de casa. As garotas deram uma risada conjunta, fazendo até o próprio menino sorrir. Deus os livrasse de Flash Thompson. O celular do menor vibrou, anunciando uma mensagem – Vamos, o Wade já saiu da aula e falou que está esperando a gente.
— Ai que amor! Ne, Betty? – Gwen deu um sorrisinho de lado, vendo o amigo travar e corar um pouco. – Ele parece um cara legal Peter, apesar de não fazer em nada o seu tipo, Petey. – Betty concordou com meneio de sua cabeça.
— Cala a boca, Gwenstifer – Peter retrucou, querendo esconder seu sorriso e seu corar.
— A gente só quer o melhor pro nosso príncipe— Betty cutucou o outro, rindo quando Peter pulou.
Seguiram a corrente de movimento humano até a parte de trás da escola onde o campo de futebol americano e os vestiários se encontravam. Peter foi o primeiro a ver Wade no lado de fora de vestiário masculino. O outro menino estava com um pé na parede e seu olhar perdido para no nada. Possivelmente, estava viajando como sempre fazia quando estava quieto demais, mas assim que o viu, seu ser inteiro se focou em Peter.
— Príncipe! – Gritou, antes do moreno se aproximar, como o resto do mundo já tivesse se acostumado ao fato de que ele e o príncipe nerd do colégio eram agora amiguinhos. Saltitou em sua direção, todo alegre e sorridente – Oi, príncipe...!
— Oi, Wade. – O moreno cumprimentou, ajeitando a alça da bolsa no ombro enquanto se encolhia envergonhado. – Como foi sua aula?
— Um saco! Toda a aula que eu não tenho contigo é um saco, baby boy. – O loiro não parecia ter nenhuma vergonha ao flertar com o menor. – Você precisa me ajudar a estudar
— Claro! A gente pode marcar um dia para estudar. – o flerte passou por cima da cabeça do moreno que sorriu, inocente, ao outro. – Pode ser lá em casa ou até mesmo na biblioteca aqui da escola, se achar melhor.
— Nossa! Um convite para o castelo Stark-Rogers, com certeza!
— Deixa de ser bobo, Wade. – Riu sem graça diante das risadas das meninas – Nem é tão grande assim... – Reclamou, acenando para as meninas que se despediram para se arrumarem para a aula e caminhou para entrar no vestiário.
— Mas eu já vi o lugar que você mora, Petey! É um prédio lindão, enorme e chamativo que nem uma torre de um castelo! Seu quarto deve ser que nem o da Rapunzel, ne? – O loiro estava rápido em seu encalço até que chegaram ao armário do menor. – O meu é lá no final. Volto já! – Anunciou, se separando do menor com uma piscadela.
Peter negou com sua cabeça, o achando surpreendentemente fofo e engraçado. Sequer reparara que Wade havia sugado sua ansiedade, deixando apenas uma versão calma de felicidade em seu lugar. Era estranho e novo, aquele efeito que o loiro tinha em si. Não estava acostumado a estar tão confortável fora de casa. Deixou-lhe, infelizmente, desprevenido para o que veio em seguida.
Ao abrir o seu armário, o que encontrou foi um desastre. A porta explodiu com jornais, pompons de líderes de torcida, papel higiênico, camisinhas e absorventes que caíram no chão como um turbilhão. Um dos exemplares lhe bateu na cara em cheio e Peter o pegou, notando que era do Clarim por seu horrendo destaque. Em letras enormes e garrafais, o jornal anunciava “Príncipe violado” sobre estava uma foto do menor com a família saindo da delegacia com a manchete. Logo abaixo, no subtítulo, dizia: “Herdeiro da fortuna Stark assaltado por pervertido” e indiciava ao leito para ir a página dois para mais informações.
Deixou o jornal cair no chão, seus pés perdendo o chão. Droga...! Droga! Droga!! Cerrou seus dentes, puxando todo aquele lixo de dentro de seu armário. Não queria saber o que aquele maldito jornal tinha falado de si. Não queria quebrar perante seus agressores. Queria apenas sobreviver esse dia e ir pra casa. Esse desejo, claro, foi para o espaço quando encontrou a faixa que dizia: “Viadinhos como você deveriam usar saias”.
— Wilson. – Betty se aproximou do loiro que estava esperando na arquibancada. Seu rosto era vago, mostrando que provavelmente estava viajando como sempre. Assim, demorou para se virar quando chamou seu nome.
— Ah... Betty! Ne? Quê que posso fazer por ti, moça? – Era estranho para ela vê-lo sem seu casaco e capuz. Ele parecia mais... humano com a calça moletom e tênis de corrida.
— Aconteceu alguma coisa com Petey? Ele saiu correndo quando eu o vi no corredor. – O loiro ergueu uma sobrancelha sem entender.
— Pera, como assim? Eu o deixei no armário dele e ele estava bem. – O mais velho parou para repensar todas as coisas que tinha feito e visto até ali. – Mas, se bem que, quando eu voltei, aquela parte do vestiário estava uma zona. Como que ele parecia, Pretty Betty?
— Apressado. – Admitiu, preocupada – Deixa eu ligar para ele, rapidinho. – A morena pegou o aparelho de dentro da calça e ligando para o menino. Que não atendeu. Betty estranhou e ligou de novo. Peter desligou. Ela trocou um olhar preocupado com Wade. Apenas depois de algum tempo, o moreno respondeu, por mensagem, que tinha havido um problema com o armário dele e que ele não poderia fazer Educação Física. – Que estranho...
— O que foi? – O loiro franziu seu cenho e pegou o aparelho, sem se importar com a vontade da dona para ler a mensagem. – Eu vou lá ao vestiário de novo, ok, Pretty Betty? Me espera na porta? – Começou a fazer seu caminho de volta ao prédio, mas parou em meio caminho. – Hey, cadê a Gwenie?
— Ela foi procurar o Pete no outro corredor. – Ela respondeu, suas mãos nervosamente mexendo o celular de uma para a outra. – Ela foi checar se o Flash não tinha encurralado ele lá de novo – A menina encolheu seus ombros, um tanto amedrontada pelo loiro. Ele e Flash eram amigos, afinal de contas.
— ...O Flash mexe muito com ele? – Flash e Wade não eram exatamente “amigos” e sim mais “colegas de turma”. Flash também era um integrante dos Thunderbolts, apesar dele ser um aluno calmo comparado aos demais integrantes. Wade nunca entendera a inclusão do outro rapaz, pois ele era um excelente jogador de futebol americano e idolatrado por alguns dos professores. Porém, agora, Wade estava começando a desconfiar o porquê.
— Erm, direto? – Betty retrucou, incerta. Wilson não sabia o que seus amigos faziam? — Hoje é um dos raros dias que ele nem mesmo orbitou perto do Petey. Ele não consegue deixa-lo em paz.
— Ah é? – Wade perguntou, arqueando uma sobrancelha. Parece que teria que fazer uma visita a Thompson.
— É. – Betty falou de maneira firme, inflamada por coragem e ultragem. – Então, sabe? Você podia falar pro seu amigo o deixar em paz! – Ela bufou enquanto caminhavam juntos pelo campus, buscando por Peter.
Ele não estava no vestiário, que estava ocupado apenas pelo zelador que estava limpando uma zona bizarra que a menina sempre associava a meninos. Ele não estava nos bebedores, um deles vazando e capturando pegadas de inúmeros alunos com sua água. Ele não estava no campo de futebol, onde a turma estava correndo voltas ao redor da grama verdejante. Seguiram, preocupados, até ouvirem uma movimentação vinda das arquibancadas.
Os dois pararam, se entreolharam e se esgueiraram, pé ante pé, para ver o que estava acontecendo. Não deveriam ter se surpreendido ao ver Peter, encaracolado no chão, chorando, mas se surpreenderam. Wade quis correr até ele, mas Betty o segurou. O loiro se voltou, revoltado, para a menina, mas ela apenas apontou para a sombra que cobria o menino cabisbaixo.
— Eita Stark, que bagunça, hein? – Thompson disse, cruel e zombeteiro, tacando uma das saias no menino menor. – Tomou porrada do cafetão? Ou foi do cliente? – Peter soluçou, mas conseguia responder ou se defender. Ele apenas olhava para baixo, tentando se teletransportar para longe com a força de seu pensamento. – Se bem que combina com você, sabe? Essas saias. – Jogou outra parte do uniforme feminino no rosto de Peter e o menino se encolheu. – Anda! Se vista. Se vai ser puta, melhor se vestir como, ne?
— O quê?! – O moreno ergueu seu olhar, chocado e ultrajado, para o outro jovem que mantinha um sorriso debochado e uma face cruel.
— Eu mandei você se vestir, idiota. Porque você sabe, né? Todo viadinho, que nem você, deveria usar saia. Pra deixar esse cu à mostra para qualquer foder. – O loiro explicou com um sorriso de canto, avançando para cima do herdeiro. – Então, veste logo, put--!
Porém, antes que Flash pudesse pensar em tocar em Peter, o quarterback foi arremessado para longe. Seu corpo bateu contra o aço das arquibancadas, fazendo a estrutura chacoalhar de leve com o tamanho do impacto. O rapaz quicou contra as costas de um dos bancos para acabar parando de cara no chão.
— Ele é príncipe, seu otário! E príncipes são tratados com respeito! Principalmente quando ele é meu! – O loiro vociferou, parando entre o jogador de futebol americano e seu Peter. – Como você ou-- – Wade ia avançar mais uma vez sobre o outro aluno, pronto para matá-lo no soco, mas Peter lhe deu pausa ao abraça-lo.
— ...Não vale a pena... – O menino sussurrou, baixo e entristecido; exausto. – Por favor... – Implorou. – Vamos-- vamos embora...
— Hey! O que vocês estão fazendo? – Os quatro jovens se voltaram para o treinador que se aproximavam e um grupo de outros alunos curiosos que o acompanhavam.
(Claro que teria essa parte...). [A gente jogou um cara de quase dois metros contra armações de metal. Não foi uma coisa lá muito discreta.]. E a culpa foi de quem? [(Do Flash.)]. Ele tem que aprender a nunca mais pensar no Petey. O Peter é meu. [(Nosso.)].
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