De repente, você

20 Amor e desespero


A festa continuava, agora, mais animada, a pista de dança sempre cheia, todos pulando e se remexendo, a maioria com um copo na mão, querendo se divertir.

— Quer dança, Elisa? – Ela foi pega de surpresa pela pergunta que partiu de Dani.

— Ah! Claro, vamos! – Elisa respondeu, tentando disfarçar seu espanto pela inesperada proposta, assim andaram juntos em direção a pista de dança, montada junto a piscina, deixando atrás de si um pequeno grupo de amigos, surpresos, disfarçando os risinhos.

— Não sabia que você dança – Elisa confessou, divertida e surpreendida, apesar de um tanto rígido, Dani tinha ritmo.

— Eu gosto de surpreender, apesar de não ser tão bom nisso.

— Não! Você está indo muito bem! – ela o incentivou — Eu gosto dessa música!

— Eu também! – Dani respondeu, um tanto sem jeito, sorrindo e continuaram a dançar.

— Joana, venha! Eu quero mostrar algo a você – Charles sussurro no ouvido dela, a segurando pela mão, delicadamente. Ela sorria, nervosa, enquanto ele a guiava entre as pessoas, pela casa a dentro, subindo as escadas. O coração de Joana estava em pulos, como se quisesse escapar do peito, suas mãos frias, apenas se deixando levar, até pararem na frente de uma porta fechada, ela o interrogou com os olhos.

— Meu quarto – ele respondeu à pergunta não feita — Feche os olhos – pediu, suavemente, e ela obedeceu, ouviu a porta se abrir e foi guiada para o seu interior, depois a ouviu se fechando. No lugar, havia um calor aconchegante, cheiros conhecidos de Charles, cera e flores, que lhe incitavam sua imaginação, à espera do que iria acontecer a seguir a excitava.

— Pode abrir os olhos agora, Joana – a voz de Charles passava expectativa. De novo, ela obedeceu, e abriu os olhos, demorou um pouco para se acostumar com a penumbra, mas depois soltou um longo suspiro, emocionada pelo que via.

O quarto era iluminado por várias velas espalhadas por todos os lugares e havia muitas rosas amarelas enfeitando o lugar.

— Lindo! – ela exclamou, emocionada, e Charles sorriu orgulhoso. – Rosa amarelas! São as minhas favoritas! Como você soube disso?

— Perguntei a Elisa – ele confessou – Tudo para você, Joana.

— Obrigada, Charles – Joana disse o encarando, parados no meio de quarto por algum tempo, os olhares intensos, a respiração ofegante, os corações ao pulo. Então, ela sorriu maliciosa para ele, abaixou, lentamente, uma das alças e, depois, a outra, o vestido desabou suavemente aos seus pés. Sobre o olhar admirado de Charles pela visão, deu um passo para frente, se livrando de vez do tecido que envolvia seus pés e se aproximando mais dele. Charles envolveu em um abraço seu corpo suave e macio e a beijou com paixão, enquanto suas mãos passeavam ansiosas pelas curvas dela, assim Joana se sentia verdadeiramente amada, então, a partir daquele momento, naquele quarto, o tempo parou, o mundo lá fora deixou de existir e nada mais importava para eles agora.

— Elisa! Elisa! Por favor, venha aqui! – Maria apareceu, desesperada, pálida e trêmula, interrompendo a sua dança com Dani.

— O que foi, Maria? O que aconteceu? – Ela segurou a irmã pelos braços, aflita, pois percebeu que algo muito ruim havia acontecido.

— É Lídia! Ela não acorda! Ela não acorda! – Maria quase gritava, quase histérica, com a face de terror.

— Onde ela está? – Elisa perguntou, horrorizada, imaginando o pior possível.

— Lá no banheiro! – Maria disse já saindo correndo, com a irmã e Dani atrás dela. Entraram apressados, no banheiro, Elisa abriu caminho entre as pessoas em volta dela, para aquela visão assustadora, ajoelhou-se ao lado de Lídia caída no chão frio e molhado, desacordada, sua face muito branca e imóvel, sua respiração superficial.

— Lídia! Lídia! – Elisa levantou a cabeça da irmã, colocou no seu colo e a sacudindo, para tentar acordá-la, mas ela nem se mexeu, continuava pálida e fria.

— O que houve? Ela bebeu alguma coisa? – Aflita, Elisa interrogou a outra irmã, que a fitou apavorada.

— Ela bebeu muita coisa, no final, aceitou um copo de um carinha, depois ficou esquisita, começou a falar estranho, por isso eu a trouxe para o banheiro e ela desmaiou e ficou assim – Maria confessou, entre lágrimas.

— Acho melhor a levar para um hospital. Liga para o papai, Maria – Elisa ordenou para a irmã.

— Não, por favor, Elisa! Não conte para o papai! – a irmã suplicou, aos gritos.

— Maria, a situação aqui é muito séria. Talvez, devêssemos chamar uma ambulância – Elisa ponderou, tentando manter o controle, mas, no fundo, estava totalmente apavorada, com muito medo do que pudesse acontecer com a irmã.

— A ambulância pode demorar muito, eu levo vocês no meu carro – Dani sugeriu, ajoelhado ao seu lado, Elisa havia esquecido que ele estava ali, o fitou, agradecida.

Com muita dificuldade, conseguiram colocar Lídia deitada no banco de trás do Jeep de Dani, com a cabeça apoiada no colo de Elisa. Maria sentou-se na frente, mas passou todo tempo, voltada para trás, olhando aterrorizada, a irmã desacordada e muito pálida.

A tensa viagem seguiu em silêncio, só quebrado, pela a voz eletrônica do GPS, indicando o caminho do pronto-socorro mais próximo, que nunca chegava.

Assim, que pararam na porta do hospital, tudo aconteceu de maneira muito rápida e confusa, a entrada apressada no pronto-socorro, a corrida da maca para a sala de emergência, as perguntas que elas não sabiam responder, a expectativa angustiante na pequena sala de espera na penumbra da noite, o medo que algo de muito ruim acontecesse com Lídia, de como contaria ao pai,

— Está demorando muito! – Elisa se levantou da cadeira, onde estava e começou a andar de um lado para o outro.

— Vai ficar tudo bem – Dani tentava acalmá-la. Ela se sentiu feliz por ele estar ali com elas, com seu jeito seguro, passava confiança.

— Será que ela vai morrer? – Maria questionou com um fio de voz, encolhida na cadeira abraçando suas pernas e com o queixo apoiado nos joelhos.

— Não fala bobagem! Ela vai ficar bem! Tem que ficar bem – Elisa respondeu, sem muita certeza.

— Precisamos registrar a entrada da paciente. Há algum responsável? — Nesse momento, uma funcionária do hospital veio até eles.

— Eu sou a irmã – Elisa se adiantou.

— Quantos anos você tem?

— Dezessete.

— Algum de vocês é maior de idade? – Ela percorreu com o olhar os rostos jovens.

— Eu sou – Dani declarou.

— E quantos anos você tem, rapaz?

— Dezoito.

— Você é parente da paciente?

— Não, só um amigo, mas eu posso me responsabilizar pelas despesas – As irmãs olharam para ele, espantadas. A funcionária soltou um longo suspiro, vendo que não tinha muitas escolhas.

— Então, vamos fazer registro dela – Dani e Elisa foram até o balcão, responder as perguntas, enquanto Maria ficou enroscada na cadeira, morrendo de medo de que poderia acontecer com sua irmã gêmea

Assim, a angústia continuou até quase o amanhecer, quando um jovem médico informou que Lídia estava estável e já tinha acordada, eles poderiam levá-la para casa, em breve, depois de ela estivesse mais hidratada. Todos respiraram aliviados.