Apesar de dormir ao nascer do dia, Joana acordou radiante, não conseguia mais ficar na cama, olhou para o seu lado para encontrar a irmã toda enrolada sobre a colcha, ainda com o vestido da festa, dormindo profundamente. Mesmo antes de se levantar, procurou seu telefone sobre a mesinha, olhou ansiosa a tela em busca de alguma mensagem, mas não havia nada, pensou que era muito cedo, Charles ainda não devia ter acordado, deveria estar muito cansado, teria que segurar um pouco mais sua ansiedade de revê-lo. Então, pulou da cama, mesmo imaginando que ninguém iria à praia, hoje, já que todos ainda deveriam estar dormindo, cansados, devido a festa da noite anterior. Mesmo assim se aprontaria, queria ficar bem bonita, pois, quem sabe, Charles lhe fizesse uma surpresa, aparecendo na sua casa, sem avisar, e ela não queria ser pega desprevenida.

Ao ouvir um barulho no quarto, Elisa pulou, se sentando na cama, assustada e estressada, olhou em volta, e viu Joana, já de pé, toda arrumada.

— Bom dia! – Joana cantarolou, sem prestar muita atenção na expressão abatida da irmã – Você devia estar cansada mesmo, pois nem trocou de roupa.

— Bom dia – Elisa respondeu, em um tom mais sombrio, passando a mão nos cabelos e olhando para o vestido sujo e amarrotado.

— Você não vai me perguntar nada? – Joana a instigou, em um tom alegre.

— Sobre o quê? – Elisa perguntou, sem entender.

— Sobre ontem à noite? Como foi entre mim e Charles?

— Ah! Isso! – Elisa ainda estava zonza de sono, pela noite mal dormida

— Poxa! Pensei que você iria ficar mais curiosa? – Joana reclamou pela falta de interesse da irmã em uma situação tão especial para ela.

— Então, como é que foi? – Elisa perguntou, sem demonstrar muito interesse, mas Joana não notou.

— Foi lindo! Ele enfeitou todo o quarto com rosas e velas, foi superdelicado, calmo, maravilhoso! – relembrou, com um sorriso de felicidade no rosto.

— Que bom – Elisa falou, sem emoção.

— Elisa! O que há com você? Pensei que ficaria feliz por mim, mas você fica com essa cara, sem demonstrar nenhum interesse! – Joana queixou-se, outra vez, com a irmã.

— Desculpa, Joana. Eu estou muito feliz por você, mas ainda estou um pouco atordoada por causa da noite de ontem.

— Não, me diga que você bebeu, Elisa! – Joana tinha um tom de recriminador.

— Não, eu não bebi nem uma gota. O problema foi com Lídia.

— Lídia! O que houve com ela? – Joana sentou-se na cama, apreensiva do que estaria por vir, ouvindo o relato da irmã.

— Ela bebeu alguma coisa ontem, desmaiou, parecia morta, foi assustador. Tivemos que levá-la para um pronto-socorro, a gente pensava que ela ia morrer.

— E onde ela está agora? – Joana quis saber, aflita.

— No quarto dela, dormindo. Os médicos fizeram uma lavagem estomacal, ou algo parecido, colocaram soro e uns remédios na veia e ela melhorou, então a liberaram.

— Papai foi até lá?

— Não. Dani se responsabilizou por tudo, pagou o tratamento.

— Dani?! – Joana ficou surpresa pelo inesperado interesse dele.

— Ele foi bem legal, levou a gente até o hospital, ficou lá o tempo todo e depois nos trouxe para casa.

— Você tem que contar isso para o papai, Elisa. Essa situação está ficando muito séria. Alguém tem que vigiar Lídia, antes de algo de muito ruim aconteça com ela, e nós não estaremos por perto para ajudá-la.

— Eu sei, Joana. Já pensei nisso também. Vamos tomar café, estou faminta, mas antes vou tomar um banho – Elisa disse, já se levantando pegando uma roupa e rumando para o banheiro.

Joana ficou aguardando a irmã, olhando a todo instante para a tela do telefone, esperando uma mensagem, que nunca viria.

Elisa regressou do banho, esfregando, com uma toalha, os cabelos curtos e molhados, como se apagasse um incêndio, depois usou os dedos para penteá-los, juntas as irmãs saíram do quarto.

Ao chegarem na sala, encontraram o pai sentado rígido no sofá, com olhar sombrio, enquanto Lilian parecia ansiosa e agitada.

— Maria, por favor, vá chamar sua irmã – Rodrigo pediu a filha, que prontamente atendeu.

— Sentem-se, garotas – Rodrigo mandou, com a voz muito séria, e elas obedeceram em silêncio.

Lídia apareceu de pijamas, a pele amarelada, com olheiras profundas, com um ar doentio, arrastando-se pelas paredes.

— O que foi? – ela perguntou com o jeito arrogante de sempre.

— Gostaria de saber exatamente o que houve ontem à noite, Lídia – Rodrigo exigiu com um tom firme, encarando a filha.

— Você está bem, Lídia? – Lilian perguntou, preocupada com a aparência da filha.

— Por favor, Lilian! O que houve ontem à noite, Lídia?

— Nada – a garota respondeu, dissimulada – Acho que comi algo estragado.

— Não minta, Lídia – Rodrigo retrucou, bravo.

— Já disse não aconteceu nada, pai – ela insistiu, encolhendo-se.

— Se não aconteceu nada, por que você foi parar em um pronto-socorro de madrugada? – Rodrigo retrucou, com os olhos firmes sobre a filha.

— Você contou! Elisa, você contou! – Lídia gritou, avançando para a irmã mais velha.

— Não, eu não contei nada! Eu juro! – Elisa tentava se defender, confusa.

— Não foi ela, Lídia! Fui eu! –Maria respondeu às costas da irmã, que se voltou para ela, irada

— Por que, Maria? – Lídia se sentiu traída pela pessoa que mais confiava.

— Porque foi horrível, Lídia. A gente pensou que você ia morrer, ontem à noite – Maria se explicou, comovida com a lembrança.

— Lídia, você não pode continuar assim. De agora em diante, toda a sua vida irá mudar – sentenciou Rodrigo, como um juiz.

— Por favor, Rodrigo, olhe a pobre menina! Está doente! – Lilian tentou amenizar a situação.

— Você não está entendendo, Lilian? Ela poderia ter morrido! – Rodrigo queria fazer a mulher entender a gravidade da situação – Lídia, você está de castigo.

— De castigo! – Lídia gritou, desesperada – Isso não é justo! Até quando?

— Isso dependerá! – o pai determinou

Nesse momento, o telefone de Joana sinalizou o recebimento de uma mensagem, ela olhou a tela rapidamente, era de Caroline. No meio daquele drama familiar, Joana começa a ler o que está escrito, não conseguindo entender direito, leu e releu mais uma vez, sem acreditar naquelas palavras.

— Com licença! – Joana não esperou pela resposta, correu em direção ao seu quarto, tentando fazer uma ligação, duas, três vezes, que sempre caía na caixa postal.