De repente um bebê
1 Capítulo 1
Quando os humanos acabaram com o planeta terra eles vieram à Marte. Todos já cientes da existência de aliens, criaturas monstruosas com poderes sobrenaturais. Alguns eram totalmente invisíveis, outros eram corpos esqueléticos flutuando, porém nada disso era problema para uma raça que queria fugir do antigo planeta. Os Primordiais (primeiros humanos a colonizarem Marte) trouxeram da terra estruturas flutuantes e assim criou-se a sociedade que vivemos e conhecemos hoje.
Somos divididos por três camadas. A Ralé, pessoas pobres que ficam na parte de baixo sobrevivem com extrema dificuldade, almejando um dia subirem para a camada de cima. Os Ricos ficam uma camada acima da Ralé, são pessoas que se deram bem na vida, em geral grandes estudiosos, médicos e banqueiros, herdeiros. Eles também almejam um dia irem para a camada de cima. Os Primordiais, herdeiros dos primeiros humanos a popularem o planeta, não sei ao certo como eles vivem, apenas sei que são eles que mandam e desmandam em toda nossa sociedade, aparentemente até os empregados dos Primordiais vivem na camada dos Ricos e eventualmente sobem para trabalhar.
Estamos no ano 200, meu codinome é Buttercup, sou uma mecânica, bem... Eu era. Troquei minha antiga vida na Ralé quando recebi uma proposta de assalto a um banco na camada dos Ricos. Era apenas para eu ser piloto de fuga, porém as coisas desandaram um pouco e agora somos procurados pela polícia. Por falar em nós, há duas coisas que você deve saber;
A primeira é que somos um grupo de sete pessoas. A segunda coisa é que como somos procurados, viemos nos abrigar na superfície de Marte, um lugar totalmente perigoso. A superfície é o motivo de vivermos em plataformas flutuantes, pois aqui embaixo é ondem os aliens moram. Ninguém em sã consciência viria para cá, já que o embate com alguns monstros é eminente e consequentemente a morte, porém demos a sorte de encontrarmos uma antiga base dos Primordiais.
— Chegamos! – Ouço a porta da base ser aberta e por ela passar Mercúrio e Cobra – Trouxemos comida!
O homem que arrasta o corpo de um lobo morto tem o codinome de Cobra, ele é alto, cabelos pretos, pele morena, usa um conjunto de roupas de academia e tênis de corrida. Cobra é o piadista do grupo, é fácil se abrir com ele, pois é bastante compreensível e não julga nossas ações, acho que isso se dá ao fato dele ter seus próprios demônios para se preocupar. Não sei muito bem do seu passado, apenas que perdeu seus pais.
O homem que segura uma arma de plasma tem o codinome de Mercúrio, ele é baixo comparado a Cobra, usa roupas comuns, calça preta, camisa de mesma cor, sapatos de corrida e uma jaqueta laranja. Ele é negro e tem dreads, geralmente deixa os cabelos amarrados. Mercúrio é o mais calado do grupo, bastante confiável por saber guardar segredos como nem um outro, não sei muito do seu passado, apenas que ele perdeu os pais – assim como a maioria aqui — atualmente está terminando o livro de terror que lhe emprestei para ler, sempre que há tempo nós conversamos bastante sobre o livro.
— Demoraram bastante, já estava pensando que não viriam – Digo me afastando de um motor de um antigo carro achado que estava tentando concertar a meses.
— Bem, faz meses que estamos morando nesse buraco – Cobra começa a falar enquanto arrasta o corpo peludo ensanguentado pelo chão da base – A matilha começou a se afastar, está difícil arranjar comida.
— Fácil é encontrar monstros – Mercúrio murmura ao largar sua arma em cima da mesa de centro.
Concordo com ele e resolvo ajuda-los a carregar o lobo até a cozinha, já estava suja de graxa mesmo, não haveria problemas me sujar um pouco mais com sangue. Ao largarmos o corpo morto no chão surge da dispensa um homem de mesma altura que eu, corpo musculoso, cabelos ruivos curtos, ele usa calça jeans, sapato social marrom, camisa social branca e um suéter azul por cima.
Seu codinome é Hades, ele não consegue falar se não for por línguas de sinais, porém se expressa por escrita e também por código morse. Ele é o nosso cozinheiro e também meu melhor amigo, Hades diz que ama cozinhar então como ninguém mais sabia ele foi “posto” neste cargo. Nós dois temos um passado bastante comum, talvez seja o motivo de eu ter me apegado tanto a ele, embora eu não tenha perdido a voz por causa de um corte na garganta.
Uma coisa que você vai perceber aqui é que não somos normais. Todos temos nossos próprios demônios, a maioria perdeu a família, outros seque chegaram a conhecer, também há gente que tinha tudo, mas trocou por falsa felicidade – uma dica, esta sou eu.
— Bem na hora! Achei que comeríamos sopa enlatada hoje — Hades fala gesticulando com as mãos, os rapazes me olham esperando uma resposta, sou a única que entende línguas de sinais.
— Nem me diga uma coisa dessas, não quero ver enlatados nem tão cedo – Faço uma careta, passamos muito tempo comendo comida enlatada que achamos na base e só de lembrar do cheiro e saber fico enjoada.
— Bc pode vir me ajudar com uma coisa?
Uma voz sai abafada do meu ponto. Todos nós usamos pontos de fones em um dos ouvidos para comunicação entre grupo, também temos óculos com inteligência artificial que nos indica tudo sobre tudo. Tudo foi criado pelo dono da voz que sai do meu aparelho.
— Estou indo – Respondo após pressionar o botão do meu comunicador.
— Precisa de ajuda com o lobo? – Mercúrio pergunta a Hades que assente – Então vou ajudar.
— Neste caso, eu vou tomar um banho para tirar esse sangue do meu corpo – Cobra anuncia já se afastando e me seguindo.
Caminhamos na mesma direção, na base há quatro quartos, porém apenas um banheiro, no começo não havia água encanada, mas achamos um riacho não muito longe e construímos um tubo que nos fornece a água necessária, infelizmente não tinha como construirmos outro banheiro o que gera uma fila na porta logo de manhã cedo.
— Sabe alguma coisa sobre o Professor? – Cobra puxa assunto enquanto caminhamos pelo corredor dos quartos.
— Ele saiu a uma semana, até agora sem notícias – Explico. Professor é o senhor que nos reuniu para assaltar o banco, ele que exigiu os codinomes e que nos obrigou a evitarmos de falar dos nossos passados. Tudo parecia bem no plano dele, porém houveram coisas fora dos nossos limites o que fez com que o Professor fugisse com a gente para a superfície de Marte, ele é o único que ainda sobe para a plataforma, faz compras de matérias necessários e nos traz informações sobre como andam as nossas buscas e no meu caso, me conta como está minha família – Deve estar escondido da polícia, sinceramente, nunca teria concordado com esse plano dele se soubesse que ele havia se baseado em uma série de Tv do mundo antigo.
— Bem, acho que ninguém teria se arriscado.
Me separo de Cobra que entra no banheiro e sigo direto para a garagem da base, ao entrar me deparo com um homem de cabelos pretos arrepiados, as mechas da frente são de cor azul, ele usa um sobretudo personalizado aonde se encontra todo tipo de ferramenta, suas roupas são comuns, calça preta, tênis azul e camisa cinza de gola alta. Seu codinome é Inferno – acredite, o que não faltam são situações para zoarmos seu codinome.
— Me chamou?
— Eu preciso de ajuda, você entende de mecânica, alguma explicação para essa arma não funcionar do jeito que quero? – Inferno se vira com uma pistola de plasma desmontada em mãos.
— Eu mecho com carros, mas posso dar uma olhada – Me sento ao seu lado recebendo a arma, tiro meus óculos da cabeça e os coloco no rosto, uso o modo ampliado da inteligência artificial dos óculos para analisar a arma com mais detalhe.
Inferno é o cara das tecnologias, quer um aparato tecnológico? É com ele. O homem cria de tudo que se possa imaginar, é curioso sobre tudo o que de fato já nos botou em perigo quando ele tentou analisar um androide da policia que quase nos matou. As vezes trabalho com Inferno por saber coisa ou outra de mecânica, porém em geral ele passa mais tempo sozinho na garagem tentando aprimorar tudo que vê pela frente com intuito de nos fazer ter combates rápidos com os aliens.
— Me passa a chave de fenda, acho que entendi o que houve – Estendo a mão e ele tira do bolso do sobretudo uma chave de fenda e me entrega.
Passamos duas horas modificando a arma até que Cobra nos avisa pelo comunicador que o jantar está pronto. Nos separamos, vou direto para o banheiro tomar um banho, ainda estava com as roupas manchadas de sangue do lobo e sujeira do motor do carro.
Ao terminar o banho e me vestir, me olho no espelho. Cabelos curto preto, camisa verde escuro com o desenho da Buttercup – personagem que me fez escolher esse codinome – calça preta, tênis vermelho, assim como meu relógio de pulso.
— Sou uma pessoa completamente sem moda – Digo para meu reflexo. Observo mais um pouco e meu colar com as iniciais do meu verdadeiro nome me chama atenção. M.S.
Abro o colar que revela duas fotos de cada lado da minha família, meus pais e meus irmãos. No total somos oito. Sorrio com a lembrança deles, o que eu não daria para estar em casa novamente.
— Por que fui me envolver nisso?
Batidas na porta me chamam a atenção, junto as roupas sujas e as coloco no cesto do banheiro, em seguida abro a porta me deparando com minha colega de quarto, somos as únicas mulheres daqui.
Plutão é seu codinome. Ela é alguns centímetros mais alta que eu, seus cabelos são curtos e platinados, sua calça é preta com inúmeros bolsos, os sapatos são pretos e geralmente ela não usa camisa, apenas um top cinza deixando sua barriga definida amostra – todos nós temos corpos definidos, afinal lutamos diariamente contra monstros por isso estamos sempre nos exercitando e praticando.
— Desculpe a demora – Lhe dou espaço para entrar.
— Não tem problema, olha os rapazes estão desesperados, o Hades não deixou ninguém começar a comer enquanto você não chegasse.
— Eu já disse que ele não precisa fazer isso sempre. Você vem?
— Vou já, já, só preciso usar o banheiro rapidinho.
— Tudo bem, vou na frente.
Sigo para a sala de jantar, ao passar pela sala ouço batidas fortes na porta da frente da base. Paro imediatamente, será que o Professor havia voltado? Sigo para abrir a porta, porém estranhando, afinal estamos literalmente no meio do nada, não há porque usarmos tranca – a menos que seja para afastar algum predador, mas só fazemos isso quando saímos ou vamos dormir – o Professor sabe bem disso então era só ele abrir a porta. Me deparo com o vazio da noite, a floresta marciana mais ao longe no horizonte, ainda ouço o barulhinho do riacho ao longe. Olho de um canto a outro e não vejo ninguém. Franzo a testa, o que fez aquele barulho?
Quando estou prestes a fechar a porta ouço outro barulho além do riacho ao longe, olho para baixo e próximo aos meus pés a um cesto com um bebê que começa a chorar baixinho.
— Que?!
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