Por James.

Como você é burro, James!!!! Estava tudo bem, ótimo na verdade! porque do nada veio esse vendaval? E pior é que tenho minha parcela de culpa! Pior ainda, Grace terminou comigo e não quer me ver, me deu até umas "férias". Como me sinto idiota por tê-la magoado.

Burro! Burro! Burro!

Arrumei minhas malas devagar, na esperando de Grace aparecer aqui dizendo que me perdoava e que ficaríamos juntos novamente. Mas infelizmente isso não aconteceu. Peguei minha mala sem esperança e estava indo embora.

—Me diz que a gente ainda está junto, por favor.

—Não existe mais a gente, James.

Essas palavras não saem da minha mente. Teria hora pior pra eu não ter reação?.

Passei pelo salão principal e finalmente cheguei ao jardim que dá acesso aos portões. Parei, respirei fundo e olhei pra trás desejando mais uma vez que Grace aparecesse ali e corresse para meus braços. Mas isso não aconteceu. Dei uma última olhada no jardim pra finalmente ir embora quando vi um homem, aparentemente com a mesma idade que a minha, tropeçando e derrubando uma bacia de verduras que ele carregava. Não pensei duas vezes e fui ajudar.

—Obrigado.-Agradeceu assim que terminamos de colocar as verduras na bacia.

—Disponha.

—Prazer, sou Ryan.

—James.-Disse e tentei forçar um sorriso.

—Cheguei hoje, por isso estou meio desajeitado.... ah, quem eu quero enganar? sou desajeitado a qualquer momento.-Ele disse e eu rir por me lembrar da Grace e seu jeito desastrado e encantador de ser.

Ah Grace, que saudades meu amor.

—Seja bem-vindo.-Disse e ele sorriu amigável.

—Muito obrigado, James. Er... desculpa a indelicadeza, mas... porque essa expressão tão trite? posso ajudar em alguma coisa?

—Ah, creio que não,Ryan.Mas obrigado.

—Nem mesmo conversar? somos homens, mas convenhamos que aquilo de colocar os problemas pra fora também funciona pra nós.-Ele disse fazendo uma cara engraçada e dando um soco fraco em meu braço tentando me animar.

Gostei desse cara.

—É algo meio complicado, mas... minha namorada me viu em uma situação que parecia outra, mas na verdade não era exatamente aquilo que ela viu. Agora ela terminou comigo e ainda me deu algumas semanas de "férias" porque não quer me ver!-Disse rápido e respirei fundo quando terminei.

—Grace, não faz isso, não quero ficar longe de você.

—Mas eu quero ficar longe de você.

—E você vai simplesmente aceitar e desistir dela?-Ele perguntou com a sobrancelha erguida.

—Não estou desistindo dela, só estou fazendo o que ela me pediu.

Ordenou na verdade.

—Minha mãe sempre me disse nós temos que ouvir o que as mulheres querem dizer por trás das palavras que elas dizem.-Fiz careta.-Confuso né?-Assenti.- Também acho, na verdade não entendi direito até hoje, mas acho que consigo dar um conselho pra você em base nisso. Tipo, ela mandou você ir embora, mas na verdade o que ela quer mesmo é que você insista nela. Faz sentido?

—Nenhum.-Disse e ele riu eu acabei o acompanhando na risada.

—Ah sei lá! minha mãe que entende dessas coisas. Mas olha, se você realmente gosta dela não vai embora não cara, fica, insiste.

—Mas ela não quer me ver, ela disse exatamente nessas palavras.

—Mas eu quero ficar longe de você.

—Faça ela te querer perto.-Disse me dando dois tapas nas costas e saiu.

Ótimo, Ryan! só joga a bomba de dúvidas e confusões na minha mente e vai embora, magnifico!

Mas e agora? vou pra casa ou não vou?

Depois de muito pensar e queimar meus neurônios decidi ficar. Afinal, eu disse que iria lutar pela gente e é exatamente isso que vou fazer. Grace, querida, não vou desistir de nós!

Voltei rápido para dentro do palácio e desfiz minhas malas. Saí do meu quarto disposto a falar novamente com Grace mas fui interrompido por Nana.

—James, querido, tem algumas caixas um pouco pesadas na cozinha, poderia colocar na dispensa pra mim, querido? por favor...

Poxa, é a Nana, não consigo negar nada pra ela.

—Claro.

Quando terminei fui direto em direção ao quarto da Grace, mas quando estava na escadaria um dos soldados me chamou.

—Soldado James.

—Sim.

—O general está convocando todos para uma reunião de emergência.

Socorro! acho que não consigo falar com a Grace hoje!

Fui pra reunião que de emergência não tinha nada, era só para apresentar os novos soldados que foram contratados e falar o de sempre. Quando finalmente fomos dispensados já era a noite.

Como o general consegue ficar tanto tempo falando baboseiras? tenho coisas mais importantes pra fazer! tipo, salvar meu relacionamento.

Estava subindo novamente a escadaria pedindo a Deus que ninguém me interrompesse dessa vez e me lembrei de outra coisa também muito importante... que em hipótese alguma eu poderia encontrar a Julie, porque com toda certeza que existe nesse mundo ela deve estar querendo me matar!

Fui em direção ao quarto de Grace meio que olhando pra os lados pra ver se tinha algum sinal de Julie e gracas a Deus até agora nada. Estava de frente a porta da Grace, respirei fundo inúmeras vezes por conta do nervosismo, até que tomo coragem pra bater, mas antes que eu faça isso a porta é aberta e para minha sorte -ou azar- era Julie.

Putz, to ferrado!

Ela me empurrou pro lado, de uma forma meio bruta, deixando bem claro pra mim que talvez -com certeza- eu não teria muito mais tempo de vida, então fechou a porta e veio em minha direção.

Que Deus me proteja!

—Oi, Julie.-Disse e sorri amarelo.-Será que eu poderia ver a Grace?

Em resposta recebi diversos tapas.

—Ai, Julie, ai, para! menina que mão pesada é essa?, para Julie, está doendo.-Disse e ela não parava de me bater.

Não duvido nada que irei ficar todo roxo. Acho que nem minha mãe me batia com tanta força.

—Como você tem a coragem de parecer aqui?-Perguntou entre tapas ainda.

—Vim falar com a Grace, ai Julie, para por favor!-Implorei pela milésima vez.

Ela parou de me bater -meus braços agradecem-e respirou fundo.

—Agora você pode falar.-Disse séria.

—Não tem muito o que falar, né? tenho certeza que a Grace já lhe contou tudo o que conversamos.

—Ah, pode ter certeza que ela contou.-Ela disse e me lançou um olhar mortífero.-Mas por algum motivo, que eu não me lembro agora, eu sou sua amiga e também quero ouvir sua versão da história. E ACHO MELHOR SER MUITO CONVINCENTE PORQUE AQUELES TAPINHAS QUE TE DEI AGORA A POUCO FORAM SÓ AMOSTRA GRÁTIS DO QUE SOU CAPAZ.

Eu arregalei meus olhos assustado com seu tom de voz.

—Okay. Então, eu estava indo pro quarto da Grace, como em qualquer outro dia, mas no meio do caminho encontrei a Molly e ela começou a falar que o pai dela estava no hospital com pneumonia, e eu acabei comentando também que meu pai está com suspeita de leucemia. Ai ela se aproximou e disse que ela tinha um jeito rápido pra eu me alegrar e quando vi ela me beijou. Eu fiquei tão desesperado pensando no que diria pra Grace, como explicaria aquilo que acabou que eu fiquei parado lá sem reação, e ai ela chegou e viu tudo. e o resto você já sabe.

—Ela está muito chateada com você. Chorou bastante. Sophia teve que ir resolver algumas coisas com o rei George mas eu e a rainha Clarissa estávamos lá no quarto com ela, e quando eu sai ela ainda estava chorando.

Pude sentir meu coração doer só de imaginar Grace chorando e o motivo ser eu.

—Eita, a rainha já está sabendo?-Perguntei assustado com um certo medo de a qualquer momento ser mandado para a guilhotina. Mas a rainha não faria isso, não é? ou faria?- Eu estou péssimo por isso tudo! quero concertar as coisas, eu a amo demais e não sei viver longe dela. Me ajuda, Julie. Deixa eu entrar e tentar conversar de novo com ela.

—Não, mas não mesmo. Ela já passou por muita coisa hoje e também recebeu uma notícia bombástica que acho que você não vai gostar muito não, viu?

—Que notícia, pelo amor de Deus?-Perguntei não sabendo se estava preparado para outra bomba.

—Parece que o príncipe que está destinado a Grace está a caminho do palácio.-Ela disse olhando para as unhas com a maior cara de sínica.-Se eu fosse você agiria rápido. Vai que nesse tempo que vocês estão brigados ela encontra um ombro amigo nesse tal príncipe? acho melhor ficar esperto. Já imaginou a Grace nos braços de outro?

—Vira essa boca pra lá!!! Afinal, você está no lado de quem?!!!!

—No da Grace é claro, de qual mais eu estaria?

—Do meu que também sou seu amigo, ora.

—Ah, dá licensa, né James, menos!-Disse voltando a falar um pouco brava novamente.

Por favor, alguém me ajuda a domar essa fera?

A porta do quarto de Grace foi aberta chamando nossa atenção. Mas ao invés de Grace quem saiu de lá de dentro foi a rainha.

Ótimo, acho que a guilhotina vai ser agora.

A rainha veio até onde estávamos e eu meio que já fui cuspindo -por total desespero de ser morto- a minha versão da história, e para minha surpresa ela não estava tão brava quanto eu imaginava. Não estava aquele amor de rainha que conheço, claro! mas não parecia me querer jogar na guilhotina.

Ponto pra mim!

—Julie, Grace dormiu então estou indo para meus aposentos. E James, presumi que isso tudo não passava de um mal entendido que você terá que explicar pra minha filha. Mas estou de olho em você, James! tome cuidado...-Disse séria e eu engoli o seco fazendo Julie gargalhar.

—Rainha Clarissa, conte mais sobre o pretendente de Grace que está a caminho. James vai adorar saber quem é.-Sugeriu Julie com aquela cara de sapeca olhando pra mim.

Ah, mas essa gosta de provocar hem!

—Tentei adiar o quanto pude, mas infelizmente o príncipe Jimmy já está vindo para o palácio.

O IDIOTA DO JIMMY?

—O príncipe Jimmy que também estava naquele programa de tv?-Perguntei perplexo.

A rainha assentiu.

—Ótimo!-Disse irônico.

O que mais pode piorar?

—Boa sorte.-Disse Julie dando um tapa em meu braço e eu lhe mostrei a língua por pura pirraça.

Rainha nos desejou uma boa noite e seguiu pra seu quarto.

—E então... vai me deixar entrar?-Perguntei esperançoso.

—Não!... você não ouviu a rainha dizendo que ela dormiu?

Cobri meu rosto de desespero.

—O que eu faço?-Disse mais pra mim mesmo do que pra Julie.

—O que você vai fazer eu não sei, mas acho bom agir logo.

—Obrigada pela ajuda, gênia!-Disse irônico;.

—Iii, nem vem com sua ingratidão tá legal? Mas pra não dizer que eu nunca fiz nada por você vou somente lhe dar a vantagem de não colocar mais pilha na raiva que a Grace está sentindo de você.-Ela disse e sorriu sapeca.

—Obrigado?

—Disponha! agora volte pro seu quarto, vá dormir e amanhã você tenta recuperar sua amada, ta legal? por que já está tarde e não queremos acordar a donzela.-Disse me empurrando para a escada.

—Eu sei ir sozinho!

Ela deu uma risadinha e foi para o quarto dela.

Por Grace

Acordei um pouco cansada e sentindo minha cara inchada. Me levantei e percebi que não estava na minha cama. Olhei ao redor e vi que não estava em meu quarto, muito menos no palácio, eu estava na casa do James e no quarto dele.

Mas como? eu me lembro de ter dormido no meu quarto ontem!

Me levantei ainda assustada e não tinha ninguém no quarto, abri a porta e só conseguir ouvir um grande nada pela casa. Estava tudo muito silencioso. Fui até a sala e nada, ninguém! mas senti um cheiro de café fresco vindo da cozinha e minha barriga roncou me avisando que eu estava com fome fui até a cozinha. Quando cheguei lá encontrei James preparando uma linda mesa de café da manhã.

—Posso saber o que é tudo isso?!-Perguntei séria.

Ele se assustou e se virou em minha direção.

—Bom dia, meu amor.-E deu um sorriso lindo que eu tive um imenso trabalho para não retribuir.

—Porque estou aqui?-Perguntei ainda séria.-Pelo que me lembre eu deveria estar no castelo agora.

—Não, não deveria.-Ele disse o mais tranquilo e se sentou na cadeira e me pediu para sentar em outra, o que eu não fiz.

—Eu quero ir pra casa.-Disse ficando brava.

—Qual casa exatamente? porque se você notar, estamos em uma casa.-Brincou, mas eu não achei a menor graça.

—Sim, a casa dos seus pais. Afinal, cadê eles?

—Ashley está na escola, minha mãe está trabalhando e meu pai foi visitar meu tio. Casa inteira só pra nós.-Disse e sorriu colocando um pedaço de torrada na boca.

—Corrigindo, só pra você!.-Disse me virando e indo em direção a porta.

—Ei, ei, pra onde você pensa que vai?-Ele perguntou correndo até mim.

—Pra casa, ora! aliás, pra um lugar onde eu nunca deveria ater saído.-Disse o alfinetando e voltando a andar em direção a porta, mas ele novamente me seguiu.

—Você está louca? esqueceu que é da realeza e não pode sair por ai sozinha?

—E você esqueceu que eu tenho compromissos e que meu pai deve estar louco me procurando nesse exato momento? você poderia até ser preso.

—Seu pai sabe que está aqui.-Ele disse somente mas eu continuei a andar em direção a porta.

—Pra onde você vai?

—Gritar pela rua que estou sendo sequestrada.-Disse brava e ele riu.-Qual é a graça?

—Isso não é um sequestro.

—Se estou aqui contra minha vontade é um sequestro sim!-Disse e cruzei os braços.

—Grace.-Ele disse se aproximando de mim.

Muito perto, muito perto, muito perto.

—James, qual é o seu problema? eu disse que não queria te ver, disse pra você vim pra sua casa, mas era pra vim sozinho!!!!-Ele se aproximou mais me deixando incapaz de raciocinar.

Ele pegou minha mãe e levou ao seu peito, o lado do seu coração e pude sentir suas batidas.

—Está sentindo?-Ele perguntou baixo.

—O que?-Sussurrei.

—Meu coração reagindo a você.-Abri minha boca e fechei diversas vezes tentando dizer algo, mas nada saia.

—James...

—É comprovado cientificamente que quando uma pessoa mente o coração dela bate mais forte pela adrenalina do momento.-Assenti.- Eu vou te dizer uma coisa e quero que preste atenção se as batidas do meu coração irão mudar.-Assenti novamente e ele segurou meu queixo, fazendo com que eu o olhasse.-Eu não beijei a Molly.-Batimentos normais.- Eu não amo a Molly.-Batimentos normais.-Eu não quero ficar com a Molly.-Batimentos normais.-Eu quero beijar você, porque eu amo você e quero ficar com você.-Batimentos normais. -Eu te amo, Grace Stuart.-Ele disse e uma lágrima saiu do meu olho.

Ainda com minha mão em seu peito sorri e disse:

—Eu te amo, James Smith.

Sem exitar ele me beijou, um ongo beijo entre sorrisos.

—Mas tem uma coisa.-Disse quando nos separamos.

—Qualquer coisa.-Ele disse e eu sorri.

—Quero você longe da Molly.-Disse séria.

—Quem é Molly?-Ele perguntou e eu ri.

—Bom garoto.-E ele me beijou de novo.

Quando nos separamos ficamos nos olhando enquanto eu acariciava seu rosto.

—Eu te amo, Grace, não duvide disso.-Ele disse arrancando um sorriso gigantesco de mim.