Por Grace.

A "festa" acabou e James me acompanhou até meu quarto. Abri a porta e dei espaço pra ele entrar também, e é claro, folgado toda vida, já foi se jogando na cama e eu deitei ao seu lado rindo.

Ficamos um tempo em silêncio só olhando pro teto.

—Ainda não acredito que você conseguiu convencer o rei.-Ele disse sem tirar os olhos do teto.

Sorri também ainda olhando pro teto.

—Uma das vantagens de ser filha do rei.

—Ai nossa, depois dessa vou até embora.-Ele disse e ia se levantar.

—Não! Fica mais tempo.-Disse e olhei pra ele fazendo a melhor cara de gatinho de botas que eu consegui.

—Medo do escuro?-Ele perguntou debochado deitando de novo.

Ficamos um tempo em silêncio de novo, até que eu me virei ficando de lado o olhando.

—James.-Disse chamando sua atenção e ele virou também ficando do mesmo jeito que eu.

—Diga.

—Como é sua família?

Ele sorriu parecendo lembrar de algo.

—As vezes eu acho que eu tenho a melhor família do mundo.-Eu também sorri com suas palavras. -Meu pai é brincalhão, sempre leva as coisas na brincadeira, mesmo quando a coisa é séria, não duvido nada de que mesmo com a notícia da doença ele seja o mais alegre entre todos.

—Isso é bom.-Sorri.

—É sim. Minha mãe o contrário é um pouco mais seria, tinha que ter alguém pra nos colocar na linha.-Disse rindo e eu o acompanhei na risada.

—Minha irmã é antenada vive acompanhando vocês da família real pelo site de fofocas.

Fiz uma careta ao perceber que agora serei alvo desses assedios.

—Você eu sei.-Eu disse e ele levantou uma sobrancelha.

—Então o que eu sou?

—O garoto chato que a gente tem certeza que foi adotado.-Disse rindo e ele me olhou sério.-Tá, parei.-Disse ficando seria também.

—Grace.

—Sim...

—Sabe o que mais tem me atormentado e tirado meu sono?

—O que?-Pergunto preocupada .

—Eu fico pensando, meu pai com essa doença, minha mãe também não está a flor da idade, minha irmã vai crescer. Mas e eu?-Ele suspirou pesado.-Não quero aceitar que vou ficar sozinho.

Me sentei na cama pra olha-lo melhor e ele também se sentou.

—James, nem temos certeza ainda se é isso mesmo que seu pai tem, e se for, farei o possível pra que ele tenha o melhor dos atendimentos. Sua mãe, eu não a conheço, mas tenho certeza que não vai partir tão cedo. E sua irmã não vai te esquecer quando crescer. -Segurei o rosto dele ele olhar pra mim. -E mesmo se isso tudo acontecer você não vai ficar sozinho , eu ainda estarei aqui pra você.

Ele sorriu e pude jurar que vi seus olhos lacrimejarem. Sem mais delongas me joguei em seu pescoço o abraçando forte, ele pareceu um pouco surpreso com o abraço mas passou seus braços pela minha cintura me trazendo pra mais perto dele correspondendo o abraço. Ficamos um tempo assim até que eu disse:

—Eu te amo,James, e nunca vou te abandonar.

Ele respirou fundo e acariciou meus cabelos.

—Eu também te amo, Grace.

Não sei quanto tempo ficamos assim, mas uma ponta de sono me fez lembrar que irei acordar cedo.

—Agora vai pro seu quarto porque temos que acordar daqui a pouco e meu pai disse que um carro vai nos deixar lá e depois a noite irá nos buscar também.

Ele assentiu.

—Boa noite, Grace.-E me deu um beijo na bochecha.

—Boa noite, James.-Disse assim que ele saiu.

...

Ouvi batidas na minha porta. Abri já sabendo que era James.

—Bom dia.-Ele disse com um sorriso de orelha a orelha.

—James,meu querido, são 4h30 da manhã, daqui a 3 horas me dê bom dia.-Disse e ele gargalhou.

—Você até que fica bonitinha com roupas normais.-Ele disse me olhando de cima a baixo.

—Eu me vestia assim antes de conhecer mais pais, sempre fui uma garota normal, James.-Disse e ele só assentiu e me ofereceu seu braço pra eu segurar.

James e eu fomos em direção ao carro que já nos esperava nos esperava em fente aos portões do palacio. Entrei, James verificou se não havia nada de errado e logo em seguida também entrou.

Demorou mais ou menos 1h pra chegarmos na casa de James, por fora era uma casa simples, no mesmo padrão que as outras. Saímos do carro ,James pegou uma chave do bolso sa calça e abriu a porta. O carro só foi embora quando eu e James entramos e ele fechou a porta.

Olhei onde estávamos e vi que era a sala, tinha dois sofares, uma televisão, o lugar era simples mas aconchegante.

Ele me guiou até um corredor pequeno com três portas e me levou até a última a abrindo. Lá tinha uma cama, uma estante de livros e alguns filmes, reparei que na estante tinha algumas fotos, fui até lá ver e vi algumas foto de James, mas uma onde ele parece ter uns 10 anos com uma janelinha foi a que chamou minha atenção e não aguentei e ri, ri tanto que até virei um pouco pra trás. Ele chegou perto de mim e também riu um pouco pela foto.

—Ainda são quase 6h00, se quiser pode deitar e dormir um pouco.-Ele disse deitando na cama. Ele ficou de lado e bateu no espaço da cama ao seu lado.-É pegar ou largar.

Me deitei ao seu lado, de um modo respeitoso e quando percebi ja tinha dormido.

....

Acordei com o susto da porta se abrindo em um alvoroço. Abri meus olhos assustada e vi que James levantou ficando em alerta. Quando olhamos pra porta vi uma menina morena, que olhava pra nós tão assistada quanto a gente.

—A..a..Ai, Meu Deus, alteza, perdão. Nao sabia que estavam dormindo.-Ela disse fazendo uma reverência desengonçada e eu não pude não ri.

—Aprenda a bater na porta.-Disse James.

—Para de ser tão rígido, James. Não tem probelma Ashley, também não precisa dessas formalidades, pode me chamar somente de Grace.-Disse e parecia que ela ia ter um treco.

—Socorro, a princesa sabe meu nome.-Ela disse fino e se abanando.-Se for um sonho ninguém me acorda.

Eu ri me levantando da cama.

—Nossa senhora, a princesa está na minha casa! Você quer bolo? Pão? Café? Leite? Torrada? Suco? Gosta de geleia de morango? E pasta de amendoim? Minha mãe também faz cookie.-Ela disse de uma vez só, mal parando pra respirar.

—Ashley, dá um tempo.-Disse James.-Ela vai pra cozinha e comer o que ela quiser.-Disse revirou os olhos.

—Para de ser chato, James!-Defendi a menina que sorriu de orelha a orelha.-Obrigada pela atenção, Ash. Posso te chamar assim ne?

—O que? Claro que pode, você é a princesa, pode me chamar do jeito que quiser, se quiser me chamar a ser humano vou aceitar de bom grado.-Ela disse enquanto estávamos indo pra cozinha.

James só a ouvia a revirava os olhos enquanto eu ria. Quando chegamos na cozinha vi um senhor sentado em uma das cadeiras que estavam ao redor da mesa e uma senhora colocando o café na mesa que estava cheia de comida.

—Bom dia, família.-Disse James indo da um beijo na mãe e em seguida um abraço no pai.

—Bom dia senhor e senhora Janks. Obrigada por me receberem.-Digo educada e a senhora vem até mim e me dá um abraço.

—Que isso, querida, você é mais que vem vinda aqui.

—Obrigada.-Disse sorrindo.

O senhor Janks se levantou e segurou minhas duas mãos.

—A casa é humilde, mas é que nem coração e mãe, sempre cabe mais um.-Sorri com suas palavras.-E sempre ouvimos falar muito bem sobre a senhorita.-Ele disse olhando pra James que fica tenso.

—Obrigada mesmo, não sei nem como agradecer tanto carinho.-Disse me sentando entre James e Ashley.

—Ah, mas eu sei. Tire uma foto comigo pra eu esfregar na cara das minhas amigas que está tudo certo.- Eu e o senhor Janks rimos, mas a senhora Janks a olhou seria.

—Isso lá é modos, Ashley? Onde está a educação que lhe dei?.-Disse seria e a menina baixou a cabeça.

—Desculpa, Grace.

—Não tem problema.-Cheguei perto do ouvido dela e disse: -Mais tarde a gente tira essa foto tá bom?.

A menina sorriu de imediato.

Depois do café da manhã eu fui ajudar a senhora Janks na cozinha, ela insistiu dizendo que não precisava, precisei usar um pouco da minha autoridade para convencê-lá.

Eu estava lavando a louça enquanto ela guardava.

—Eu vi sua cerimônia de coroação pela TV, estava tudo lindo. Mas confesso que fiquei surpresa quando chamou meu filho pra dançar com você, ele já havia me falado que vocês eram próximos, mas não imaginei que eram tanto.

—Seu filho é muito especial pra mim, senhora Janks.

—Posso ver nos olhos dele que você também é pra ele.

—Acho que todo mundo viu.-Disse Ashley se pronunciando pela primeira vez enquanto descascada batata.-Teve uma matéria sobre vocês dois na Internet.

—Foi?-Perguntei curiosa.- E o que dizia a matéria?

—Que vocês trocavam olhares apaixonados enquanto dançavam, e que ele sempre estava por perto de você cuidando como se fosse uma joia rara.

Eu ri.

—Ele é pago pra ficar perto de mim.-Eu ri um pouco.-Não teve nada de olhares apaixonados, James e eu somos bons amigos.

—Foi o que eles disseram e eu também vi na TV.-Disse Ashley com cara de cúmplice.

—Mas...-Fui interrompida por James que entrou na cozinha.

—Mãe, meu pai está perguntando o de está o sapato dele.

—Fale pra ele que o sapato é dele. Ninguém manda ficar deixando o sapato jogado pelo meio da casa e depois vem querer que eu por bibidibobidibu saiba onde ele enfiou esse sapato.-Ela disse alto, acho que pro próprio senhor Janks ouvir e James saiu rindo.

....

Estávamos todos na sala, o almoço já estava pronto mas ninguém estava com fome ainda.

—Nos conte como foi sua vida antes do castelo. -Pediu o senhor Janks.

—Bom, eu sempre morei em um orfanato, sempre mesmo. Eu tinha uma amiga lá, a Julie, nós temos a mesma idade e fazemos aniversário quase juntas. Quando completamos 18 anos e ultrapassamos o limite de idade do orfanato eles tiveram que nos mandar embora. Graças a Deus não demorou muito pra conseguimos um emprego, um lugar pra morar até que um conselheiro do meu pai foi no lugar onde eu trabalhava e me achou muito parecida com uma foto da minha mãe que havia visto dias antes, e ele também sabia que eles tinham uma filha desaparecida então me mandaram uma intimação pra comparecer ao Palácio.

Sorri ao lembrar da cena.

—E a Julie? Você continua tendo contato com ela?.-Perguntou a senhora Janks.

—Ela mora comigo lá no Palácio também. A Julie é minha família, não viveria isso tudo sem ela.

—Admirável.-Disse o senhor Janks.-Se continuar assim o nosso pais estará em boas mãos.

Sabe de nada inocente.

—Obrigada.

—James, sei que a moça é bonita mas fecha a boca que você está babando meu filho.-Disse o senhor Janks rindo.

James se endireitou no lugar e fez uma careta. Eu fiquei constrangida e não sabia direito como reagir, se ria ou enfiava minha cara no asfalto.

—Mãe depois eu posso levar a Grace na pracinha?-Perguntou Ashley ansiosa.

—A Grace não pode sair, pode ser perigoso pra ela.-Disse James.

—Perigoso? Não entendo o por que.

—Por causa dos rebeldes,eles não andam se manifestando, mas o rei teme que algo aconteça.-Justificou James.

—Se é pra Grace ficar segura tudo bem então.-Ela disse me abraçando de lado.

—Quem está com fome?!-Perguntou a senhora Janks levantando.

—EU!.-Dissemos todos os uníssono.

...

Depois do almoço James foi com o pai pro jardim, a senhora Janks foi tirar o seu sono da tarde -Que afirmou que se não tira-lo ela fica insuportável. E ficou apenas Ashley e eu na sala.

—Grace, Como é ser princesa?.

—É trabalhoso, as vezes cansativo, é um mundo totalmente diferente do que eu vivia. Imagina só, eu sempre me vesti assim: calça jeans, blusa, jaqueta, all star, então do nada você tem que usar salto, o que é muito ruim, aquilo machuca, a minha irmã? A Sophia, anda perfeitamente com aquilo o dia todo.

—Mas e as obrigações é muito difícil?

—Nem tanto, é que por enquanto só vejo a Sophia, mas acho que meu pai agora vai fazer eu comparecer a enventos em outro país, o que é extremamente assustador. Mas é como eu disse na coroação, eu não esperava ser princesa, mas agora que sou darei o meu melhor.

—As vezes eu fico imaginando como seria se eu fosse a princesa.-Ela diz sorrindo.

—Mas você já é uma princesa.-Disse tocando seu nariz.

—Posso te contar uma coisa? Promete não contar pra ninguém?.-Ela disse baixando a cabeça.

—De dedinho.-Disse levantando o meu dedo mindinho e entrelaçando com o dela.

—Quando eu estava varrendo a casa eu escutei um pouco da conversa do meu pai e do James.

—Que feio. -Disse rindo.

—Mas eles estavam falando de você.

— O que?

—E eu ouvi com todas as palavras meu irmão dizendo que acha que está apaixonado por você.

Meu queixo caiu.

—E o que seu pai disse?-Meu coração batia mais forte.

—Disse que não se importa que a nora dele seja uma princesa, o que realmente importa é que ele seja feliz.

Meu Deus o que eu faço agora com essa informação?.