De repente, pai
1 Capítulo 1 - Indesejados

Trabalhar no departamento de vendas não é pra qualquer um. Tem que ser muito bom nisso.
E eu, Sasuke Uchiha com quase trinta anos de idade, apenas três anos na empresa, sou o melhor na qual eu trabalho atualmente.
Sempre consigo fechar negócios com qualquer cliente, principalmente com o estrangeiro cabeça-quente – qual o meu chefe estava de olho há muito tempo.
Sim, eu estava bastante feliz com aquilo – até porque alguns por centos do lucro iriam para o meu salário -, e se eu me esforçar um pouco mais, logo, logo serei promovido. O mínimo que pude fazer, foi chamar alguns dos meus subordinados e meu gerente para comemorarmos em um bar.
Quase duas da manhã eu já estava em casa – e por sorte seria a minha folga. Ao abrir a porta da pequena casa, me deparo com uma carta no chão, seja o que for, deixaria para ver depois que eu acordasse.
Do mesmo jeito que eu estava, me deitei e logo dormi.
Acordei com o meu celular tocando, quando o peguei, ele parou.
Número desconhecido.
Já era quase meio dia. Levantei e guardei o meu futon – Como a casa era pequena e só tinha um quarto minúsculo, uma cozinha pequena dividindo a sala apenas por um balcão, optei por dormir em um futon em vez de uma cama, até porque não ocupava tanto espaço -, e logo fui preparar algo para comer.
Foi então que novamente vi o envelope com a tarja preta sob o balcão. Decidi abrir.
“Sr. Sasuke Uchiha
Nós da família Haruno, infelizmente, por meio desta carta informamos que Sakura Haruno veio a falecer na noite do dia 27/09 (quinta-feira).
Gostaríamos que o senhor comparecesse ao funeral que acontecerá neste sábado.
Atenciosamente
Kizashi Haruno”
Ao terminar de ler, por um momento senti como se eu tivesse acabado de levar um soco no estômago.
Fazia mais ou menos sete anos que eu não tinha nenhum contato com Sakura...
Eu a conheci no último ano do colégio e algum tempo depois começamos a namorar. Seus pais são do tipo de família tradicional e me odiavam – creio eu que ainda me odeiam -, eu era o típico adolescente encrenqueiro e logo eles me viam como um rapaz irresponsável. Desaprovavam de todas as maneiras o nosso relacionamento. Até tomei jeito para que eles me aceitassem, mas não adiantou. Tentamos manter o nosso namoro mesmo em faculdades diferentes em cidades diferentes, nos encontrávamos algumas vezes no mês, mas sempre acabávamos bringando por qualquer motivo besta – pensando melhor agora. E aos poucos formos parando de nos relacionar. No tempo pensei que ela só estava precisando de espaço, e foi o que fiz... E quando já nos demos conta, cada um traçou o seu rumo.
Saber daquela notícia me doeu profundamente, apesar de tudo, Sakura foi uma boa pessoa, em todos os sentidos. Uma garota esforçada, uma namorada bastante carinhosa e uma amiga maravilhosa.
No fundo eu ainda sabia que a amava, e com esta perda tão repentina, me vejo o quão tolo fui ao deixá-la escapar, de não ter insistido no nosso relacionamento.
Quando me dei conta, as lágrimas escorriam por meu rosto, grossas gotas pingavam na carta em minhas mãos.
Quando finalmente consegui me acalmar, liguei para Kakashi Hatake, meu gerente, e lhe pedi mais um dia de folga e assim obtive.
Separei uma muda de roupa em uma mochila, tomei um banho e vesti um terno preto, já que o velório aconteceria hoje no fim da tarde. Peguei tudo o que precisava para passar a noite na Região Gifu, Takayama – pelo menos meus pais ainda moravam bem próximo...
Não sei quanto tempo faz que não venho aqui...
A cidade é bem simples, porém mantém fortemente os traços tradicionais japonês. Não se vê luxo ou ostentação, tudo é na simplicidade. É um ótimo lugar para se passar as férias, ficar longe da correria das grandes cidades.
Chegando na residência dos Harunos, a casa é bastante grande e bem ao estilo tradicional, entrei no jardim da frente, e logo avistei uma menina em seu vestido preto, pele branquinha de bochechas rosadas, curtos cabelos negros e olhos escuros – assim como os meus – sem muita expressões.
Ela me lembrava a Sakura...
A menininha ao perceber que eu estava encarando, saiu correndo.
Fui recebido pelos os pais da falecida, Mebuki e Kizashi Haruno.
— Obrigado por me contarem. – Eu disse, os cumprimentando.
— Não é como se tivéssemos uma escolha. Temos coisas a serem tratadas com você. – Com o tom de voz do Sr. Haruno, pude sentir que ainda não era bem vindo. Não entendo o porquê, depois da faculdade Sakura teria voltado para a casa de seus pais, não é?
— Entendo.
Acendi meu incenso em frente de um retrato da Sakura, e murmurei a minha reza.
Na fotografia ela estava com seus inesquecíveis cabelos róseos soltos, olhos verdes brilhantes e um sorriso meigo nos lábios pintados. Eu lembrava daquele dia, foi em seu aniversário de 20 anos.
Depois disto até tentei ir embora, não queria ficar em um lugar onde se podia ver claramente que eu não era bem vindo, mas o Sr. e a Sra. Haruno insistiram que eu ficasse, pois tinha um assunto que gostariam de resolverem comigo presente.
Assim que as horas iam se passando, descobri que o nome da garotinha era Sarada Haruno, filha ilegítima de Sakura.
Foi uma grande surpresa para mim. E para a família também, ninguém sabia da existência dela até então. Provando assim, que Sakura passou os seus últimos anos na mesma cidade em que ela fez a faculdade, apenas entrando em contato com eles de vez em quando.
Pelo o pouco que observei a Sarada, notei que ela quase não falava e que estava sempre distraída no jardim ou brincando com qualquer coisa que ela achasse interessante.
E logo percebi que Sarada também era indesejada...
E por algum motivo, de vez ou outra, ela andava atrás de mim. Nos meus quase trinta anos de experiência, eu sei muito bem que não tenho um rosto que agradem as crianças – ou será que eu não tenho jeito com elas e, isso fazem com que não gostem de mim?
Como puderam deixá-la sozinha, sabendo que a mãe dela morreu?
Será que pelo menos explicaram direito sobre a morte dela?
Todos da família começaram a se despedir de Sakura, murmuravam entre soluços enquanto deixavam um flor sob o corpo falecido.
— Vá se despedir também. – Eu disse a pequena menina, lhe entregando uma flor. Seu semblante era tristonho.
Junto à ela, nos aproximamos ao caixão, sendo seguidos por os olhares dos Harunos. Nas pontas dos pés, ela conseguiu pôr a sua flor.
— Ela... Não vai mais acordar?
Como explicar o que é a morte para uma criança de 6 anos? É difícil para um idiota como eu explicar isso...
— É. Não vai mais acordar.
E então ela me abraçou, chorando. Eu fui forte, tanto por ela, quanto por mim.
Depois de arrumar um pouco as coisas do funeral, começou uma conversa entre os parentes mais próximos e eu. O assunto era o destino da Sarada.
Foi então que eu entendi!
Por isso eles tinham me enviado a carta sobre o falecimento da Sakura.
— Como vocês têm tanta certeza que ela é minha filha? – Perguntei, ansioso.
— Em seu leito, ela nos disse. – Mebuki me respondeu, me olhava com desprezo.
Eles realmente me odiavam. Namorei a única filha deles e fui o responsável de tirar a virtude dela antes do casamento. E agora também sou o culpado dela não ter voltado para casa assim que concluiu a faculdade, e além de tudo, culpado por ela ter uma filha ilegítima.
Em nenhum momento Sakura entrou em contato comigo para conversar sobre isto. E este também fora o motivo dela não voltar para a casa de seus pais, eles não iriam aceita-la.
— Só por causa disto, vocês não querem a guarda dela? – Estava ficando completamente irado com aquilo tudo.
— Honestamente, não consigo ver ela como da família. – Disse um dos parentes. – Não vejo nenhum traço da família Haruno nela.
— Se ao menos ela fosse um pouco maior e graciosa... – Comentou uma das tias de Sakura.
Eles não estavam conversando para definir quem ficaria com a Sarada...
Disseram que conversariam para decidir as coisas, e me vêm com esses argumentos descarados. Mas no fim das contas... O que esse pessoal tem em mente... Já está decidido desde o começo...
— Seja como for, vamos procurar uma instituição que a aceite. – Disse um dos senhores presente.
Foi a gota d’água.
Tantos parentes aqui... e ninguém se importa com os sentimentos da Sarada. E muito menos com os de Sakura...
Sakura os ajudariam no que fosse preciso, mas agora que sua filha precisa, todos lhe deram as costas.
Levantei abruptamente, e fui em direção da criança que brincava inocentemente no jardim.
— Sarada, este lugar não presta. – Eu disse. – Não é um lugar para crianças. Quer vir para a minha casa?
E como se ela entendesse os significados das minhas palavras pesadas, ela me olhou nos olhos e segurou uma de minhas mãos.
— Pelo menos, garanto que ela será uma adulta melhor que vocês.
Antes de me retirar da residência Haruno, fiz uma curta referência.
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