De repente irmão
38 Epílogo
Notas iniciais
Sete anos depois...
– Cadê o Sasuke? — Perguntei impaciente, olhando para o relógio de pulso enquanto minha esposa, sentada no sofá da sala, abotoava os sapatos de salto alto — Tá marcado pra sete horas, mas a família tem que chegar antes!
– Calma, amor. — Izumi falou risonha e calma como sempre — Ele vai chegar logo. Ainda tá cedo.
– É, mas ele ainda vai se arrumar! — Bufei, sentando-me ao lado de Izumi — Ele disse que ia ser liberado da aula mais cedo hoje.
– Ele não ia se arrumar na casa da Sakura?
Bati na minha própria testa, me sentindo um completo idiota. Me esqueci completamente desse detalhe: Sasuke tinha dito que ia sair da faculdade e ir direto pra casa da namorada pra se arrumar lá com ela.
– Porra, é verdade! — Falei como se fosse óbvio — Ele falou que ia vir pra cá com a Sakura e que eles já iam vir arrumados... — Suspirei — Se bem que eu acho que aqueles dois estão fazendo tudo, menos se arrumar... Na verdade acho é que eles estão se desarrumando.
– Para! — Risonha, Izumi deu um tapinha no meu ombro — Você e esses seus comentários aleatórios e sem noção alguma!
Sem noção? Meus comentários sempre têm alguma lógica, as pessoas é que não compreendem a essência da coisa!
– Desde que Sasuke tinha uns quinze ou dezesseis anos que eu vejo camisinhas nas coisas dele.
– Ah, e você fica fuçando nas coisas do Sasuke pra procurar camisinhas? — Arqueou uma sobrancelha.
– Ele não faz nem questão de esconder. — Dei de ombros.
Eu não tenho culpa de nada! Certa vez, quando meu irmão estava com quase seus dezesseis anos, eu vi ele mexendo na carteira e o que tinha lá? Uma camisinha! Poxa, super normal, ele cresceu e namora com a Sakura desde os quatorze anos (eu pensei que não fosse durar muito, mas eles estão juntos até hoje e se gostam de verdade, chega a ser bonitinho!); mas não deixei de me sentir um pouco, digamos, careta.
Ok, Itachi, por que você se sentiu careta?
Ora... Não que eu me importe que o Sasuke seja sexualmente ativo desde os quinze anos, mas na hora eu senti vontade de brigar com ele.
Ok, mas por que brigar com ele? Se está claro que o garoto usa camisinha com a namorada, então é porque é responsável.
Acontece que eu não posso deixar de me sentir meio pai do Sasuke e, claro, na hora eu fiquei um pouco chocado e até mesmo um pouco magoado por ele não ter falado comigo pra, sei lá, me pedir algum conselho ou orientação... Enfim, são coisas da vida. Não posso impedir o Sasuke de crescer. Ele tá com vinte anos e às vezes eu o trato como se tivesse cinco, não posso evitar.
Ah, lembro do primeiro congresso que o Sasuke foi com a turma da faculdade... Fiquei com o coração na mão (até porque eu sei direitinho o que rola em congressos), ligava pra ele todo dia e mandava mensagem a cada cinco minutos, sem falar que pedia a localização de onde ele estava, pedia fotos... Tudo pra saber se estava tudo bem. A parte boa é que a Sakura também escolheu cursar Direito e foi pra mesma faculdade, então os dois continuam estudando juntos e ela também ia para os congressos, então eu também perturbava a pobre rosada pra saber notícias do meu irmão.
Izumi diz que eu sou exagerado demais e que às vezes sufoco meu irmão, mas é apenas cuidado.
– Papai, eu tô bonita? — Uma voz infantil se fez presente na sala e minha pequena princesa entrou correndo, pulando no meu colo em seguida.
Ah, já falei que sou pai?
– Yali, minha linda, você me assustou! — Dei um beijinho na bochecha da pequena garota que deu risadas gostosas.
– Yali, para de ficar correndo. Eu demorei pra arrumar o seu cabelo. — Izumi falou seriamente, se levantando do sofá.
Minha primogênita tem três anos de idade e é uma verdadeira princesa. Ela se parece bastante comigo, mas acho que se parece mais com o Sasuke... Na verdade, Yali puxou muito pra minha mãe (eu me espantei com a semelhança quando ela nasceu), consequentemente se parece mais com o Sasuke do que comigo. Mas a personalidade doce e meiga, claro, só poderia ser da minha querida e amada esposa soberana.
– O tio Sasuke e a tia Sakura não vão? — Ela perguntou curiosa e empolgada. Criança sempre se empolga com tudo e até hoje não me acostumei com o pique dessa menina.
– Ouvi meu nome? — Sasuke entrou em casa acompanhado da namorada e Yali rapidamente pulou do meu colo e correu pra abraçar o tio.
Sasuke é super babão, às vezes até mais do que eu.
Ambos sofremos juntos quando minha primogênita nasceu. Izumi sempre foi cuidadosa e delicada, sem falar que é pediatra e trabalha com crianças diariamente. Mas eu era um perfeito zero à esquerda e mal sabia pegar minha filha no colo quando nasceu... Sério, por que bebês nascem tão moles? Deviam ficar mais uns dois ou três meses dentro das mães pra terminar de endurecer, porque é foda você pegar uma criança e ter a impressão de que ela vai desmontar. Enfim, continuando, Sasuke também ajudou um pouco quando Yali nasceu; já trocou fraldas, já colocou pra arrotar, já levou altas golfadas...
– Vocês demoraram, hein... — Comentei.
– Foi mal, Itachi, a culpa foi minha. — Sakura respondeu com um sorriso amarelo — Demorei pra me maquiar e arrumar o cabelo.
– Viu, Itachi. — Sasuke riu, brincando com a pequena Yali em seu colo — Dessa vez a culpa não foi minha.
– Cadê a aniversariante? — Sakura perguntou animada.
– Vou buscar. — Izumi respondeu — Já tá na hora de ir.
Izumi foi até o quarto das meninas e logo voltou com minha caçula nos braços, meio sonolenta e esfregando os olhinhos.
Hoje é o aniversário de um ano da Lucy, minha filha mais nova.
Sim, mesmo com uma filha pequena (empata foda, em outras palavras...), Izumi e eu fizemos outro bebê. Acho que isso tá bastante relacionado com o fato de que Sasuke sempre foi muito grudado na sobrinha, e vice versa; então, quando tinha pesadelos à noite, Yali costumava correr pro quarto do Sasuke. Então, com nossa filha dando sossego à noite, Izumi e eu fizemos outra encomenda pra cegonha. Outra menina... Só acho que tô meio ferrado quando elas crescerem, porque, se com o Sasuke eu já sou como sou, imagine com as minhas princesas!
Acho que vou começar a criar pitbull pro caso de elas um dia aparecerem aqui com algum namorado. É uma idéia pra se amadurecer enquanto elas crescem.
E não, não é ciúme, é apenas cuidado.
– Lucy, você tá muito linda! — Sakura falou animada com a pequenina emburrada no colo da Izumi... O que a Yali tem de meiga a Lucy tem de marrenta.
– Acho que ela ainda tá com sono... — Izumi respondeu.
Lucy, ao contrário da irmã, puxou mais pra família da Izumi do que pra minha (só na aparência mesmo). Ela se parece um pouco comigo, mas é muito mais parecida com sua mãe, até a pinta perto do olho ela tem.
– Mamãe, eu quero ir logo pro pula-pula. — Yali reclamou com a voz dengosa.
Pobre Izumi, gastou um tempão arrumando o cabelo da nossa filha e ela vai desarrumar tudo em menos de um minuto.
– Então vamos logo pra Yali poder brincar no pula-pula! — Falei, me levantando pra pegar a chave do carro sobre o móvel da sala para podermos enfim irmos todos para o salão onde será a festa de aniversário da Lucy.
Hoje é um dia especial, o primeiro aniversário da minha caçula, que será comemorado com pessoas especiais... Minhas filhas, que são as coisas mais belas e puras que eu já fiz em toda a minha vida, as pessoinhas por quem eu mataria e morreria; Minha esposa, claro, pois sem ela eu não teria me tornado pai dessas duas princesas, sem ela eu não saberia como é amar e ser amado romanticamente; Minha cunhada que já é praticamente da família e, claro, não poderia faltar o Sasuke, meu irmão.
Sasuke e eu passamos por muitos momentos juntos, bons e ruins. Claro, nem tudo são flores e às vezes eu precisava ser severo com ele, afinal, tive que terminar de criá-lo e por muitas vezes precisei me posicionar como pai. Mas também dividimos alegrias, como quando casei com a Izumi (foi só no cartório, mas não deixou de ser um momento lindo e memorável), quando ele pediu a Sakura em namoro e ela aceitou, quando nos mudamos para uma casa maior, quando descobri que seria pai, quando ele entrou pra faculdade... Enfim, foram incontáveis momentos bons que passamos juntos e que serão guardados com carinho na minha memória para sempre.
Não há dúvidas de que Sasuke ter aparecido na minha vida foi a melhor coisa que já me aconteceu e hoje fazemos parte de uma família linda.
Fale com o autor