De repente: VOCÊ
4 Junho
Primeira semana
Podemos chamar de destino ou podemos chamar de sacanagem do professor de sociologia. Como ele mesmo havia dito no mês retrasado, iria haver um super trabalho em dupla neste 2° bimestre e iria escolher quem faria com quem. Na hora eu esperava que iria ficar com o zé nobody da sala, mas ele havia percebido alguma coisa na hora em que eu e Daniel conversávamos e qual seria a minha surpresa se na hora de juntar as duplas ele falasse nossos nomes.
— Então... O que acha? — Ouvi alguém falar ao meu lado.
— Oi?
Minha mente viaja a milhões de distância de onde eu estava, que era justamente na biblioteca do colégio ao lado de Daniel.
— Você está prestando atenção em algo que estou dizendo a ti? — Ele perguntava com um olhar de dúvida.
— Desculpa... É que... Que eu tenho prova no curso de inglês está semana e estou nervosa. — Digo dando uma desculpa qualquer.
— Hm...
— Tem como repetir novamente o que estava dizendo, por favor? — Peço fazendo uma cara de cachorro pidão.
— Sim. Como nosso trabalho tem que ser sobre desigualdade social no Brasil e no mundo, que tal fazermos alguns slides em que cada tenha um tópico e separamos este em Brasil e resto do mundo? — Ele diz mostrando uns rabiscos que eram para ser do jeito que ele pensava nestes slides.
— Acho interessante, deve ficar legal.
— Sim... Daí cada um fala ou do Brasil ou do resto do mundo.
Levantei minha cabeça concordando com ele e acabamos que por encarar um ao outro. Daniel era meu crush, isso eu não podia negar e ficar ao seu lado assim fazia borboletas se manifestarem em minha barriga. A sensação era quase a mesma do que descer da Big Tower do parque Beto Carrero. Ele, apesar de tentar de fazer sentir a vontade nos períodos de estudo, ainda causava um certo desconforto, principalmente quando estávamos sozinhos. A encarada me fazia pensar em milhares de coisas que se poderiam se resumir a uma coisa: ele. Dava vontade de chorar por pensar que ele não era meu e eu não era dele.
— É... Bem... Acho que por hoje é só. — Ele desviou os olhos, arrumando a mesa em que estávamos para separar seus materiais. Eu meio que me encolho na cadeira pegando meu celular para ver que horas eram. 17h23. — Que dia é a apresentação mesmo? — Ele pergunta guardando o caderno na mochila ainda me ignorando.
— Dia 19 e 26, vai por sequência. Quem não apresentar num dia vai no outro. — Respondo enquanto me levantava, pronta para ir para casa.
— Temos mais duas semanas então para terminar.
— Exatamente. — Sorrio enquanto respondia e caminhava ao seu lado indo em direção à saída.
Saímos do colégio dando de cara com o carro do pai dele.
— Você vai subir? — Ele pergunta abrindo a porta do carona, pronto para entrar.
— Vou. Tenho que ir para casa afinal. — Rio um pouco.
— Quer carona? — Quando ele pergunta, meu coração dispara (tropeça, quase para) e por um momento quase tenho um ataque cardíaco (page cardio). — Até sua casa.
— Hm... — O cérebro parecia estar com falha no sistema e suas engrenagens emperradas para eu dizer: — Claro, por que não?
Ele sorri para mim sentando no banco e eu vou em direção à porta traseira mordendo meu lábio.
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