Segunda Semana

Uma semana havia se passado e por conta do que havia rolado na festa tentei me focar inteiramente na preparação da minha festa de aniversário que aconteceria hoje. Havia convencido minha mãe de fazermos uma festa aqui em casa para comemorar meus 17 anos e ela deixou desde que eu organizasse tudo por minha conta, pois ela estaria muito atarefada com a reforma no restaurante.

Quando eu e Daniel saímos do quarto, logo Dani veio me perguntando o que tinha acontecido, apenas falei que ficamos conversando e que nada demais havia rolado. Obviamente ela havia ficado aborrecida e por estar levemente embriagada não descobriu que eu tinha mentido. Daniel e eu não conversamos mais durante a noite, apenas via ele bebendo e bebendo e sabia que não iria se recordar de nada depois, então engoli a tristeza goela abaixo e fui tentar aproveitar o resto da noite.

Estava com o estômago embrulhado por não saber se ele viria. Não conversamos nesta semana, até porque eu não havia ido todos os dias ao colégio, pois as férias já estavam chegando e alguns professores já haviam fechado as notas.

— SAASAAAA! — Escuto alguém da porta de casa gritando meu apelido que era só de Danielle. — Feliz aniversário, minha gata! — Vou em sua direção para recebê-la. — Você tá linda nesse vestidinho. Ta maravilhosa, ta fina.

— Calma, Dani! — Rio de sua animação. — Tava bebendo? — Abraço um pouco mais forte e logo a solto para pegar o meu presente.

— Eu? Não... Bebi só suco detox para caber nessa roupa.

— Acredito.

— Só chegou eu? — Ela pergunta se sentando no sofá.

— Sim.

— O Daniel vem? — Ela pergunta como se não quisesse nada.

— Não sei... Não nos falamos muito. — Respondo sentando ao seu lado.

— Ontem ele nem foi, então não sei também.

Ao terminar de falar, o assunto Daniel acaba e ficamos conversando sobre o novo clipe da Katy Perry até os outros convidados chegarem. A cada pessoa que chegava na frente de casa, era um nervosismo a mais que eu sentia.

Ele não iria vir.
Ele não se lembra nada do que aconteceu, então não iria se preocupar de vir.

Estava quase na hora de cantar o parabéns para você e minhas esperanças eram nulas de que Daniel iria comparecer, então tentei tirar ele da minha cabeça interagindo com minhas amigas e amigos que haviam vindo.

Pelo menos eles se importavam comigo.

— Sa, vamos cantar parabéns para cortar o bolo logo? — Minha mãe aparece na sala perguntando e assim que concordo, ela vai em direção à garagem onde havíamos colocado a mesa com o bolo.

Hora de cantar parabéns, o pior momento para a aniversariante. Aquela hora que seus pais descobrem quem é o garoto que você gosta. Pelo menos ele não estava aqui. Todo mundo havia se posicionado na frente da mesa e eu, o centro das atenções do momento, havia ido pro outro lado da mesa. Minha mãe acende as velas que formavam o número 17 e em seguida todos começam a cantar.

Parabéns pra você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida

Todos cantavam a plenos pulmões e eu não sabia para quem olhar sem ficar com as bochechas queimando, então resolvo olhar para o bolo em minha frente. As chamas ainda acesas balançavam de um lado para o outro e meus pensamentos viajavam no tempo até chegar neste mesmo dia do ano passado. Tanta coisa havia acontecido, eu havia melhorado em diversos aspectos. Havia crescido, amadurecido, me tornado em uma pessoa diferente. Havia me apaixonado, mas tudo não havia passado de um dia em que eu acreditava que poderia ter se tornado verdade. Tudo era apenas um eu ou você, nunca nós.

2017 até agora foi um ano de altos e baixos e por causa disto tudo parecia ter mudado. Ele havia me mudado.

É pique, é pique

É pique, é pique, é pique, é piqueÉ hora, é hora
É hora, é hora, é hora

As felicidades desses anos vieram e se foram e tudo se resumiu àqueles segundos (ou foi minutos?) em que nós estávamos nos beijando. Olhei para cada um dos presentes no momento e sorria para cada, mas no fim da cantiga minha atenção é voltada inteiramente a pessoa que estava parada atrás de todos com um pequeno embrulho em mãos.

Ele veio.
Super atrasado mas veio.

Ele sorria de uma forma contagiante que eu sorri também. Ele podia não ter mencionado em nenhum momento o beijo, mas ainda assim era especial para mim.

RÁ-TI-BUM

SABRINA, SABRINA, SABRINA

...

Agradeci a todos, cortei o primeiro pedaço do bolo, entreguei à minha mãe, tudo em modo automático e fui em sua direção, ele caminhava também lentamente ao meu encontro. Sentia que ambos estávamos nervosos, pois seria a primeira vez que estaríamos perto um do outro desde sábado passado.

— Você veio. — Falo sorrindo assim que chego perto dele.

— Não poderia deixar de vir no aniversário de alguém especial. — Ele fala olhando diretamente para mim sorrindo. — Comprei isto para você... Espero que goste. — Ele me entrega o pequeno embrulho e logo que pego, abro. — É... Tem como irmos um pouquinho mais afastados de todo mundo...

— Por quê? — Pergunto confusa com a situação.

— Só acho que você iria se sentir um pouco mais confortável sem que todo mundo esteja olhando.

Nos afastamos um pouco do pessoal, indo para a área do quintal de casa e quando abro o presente tenho uma surpresa. Era uma caixinha que continha um colar de prata com uma borboleta de pingente.

— Que lindo, Dani. — Admiro o colar delicado que ele havia me dado. — Muito obrigada.

— Que nada... Apenas pensei que seria legal te dar algo que tivesse um significado por trás. — Ele estava ficando com vergonha.

— Que significado?

— Bom... — Ele ri um pouco tímido. — Como a borboleta, antes era uma larva e se transforma em borboleta, ou seja, fica mais hum... Bonita. Você mudou... É... A minha vida também.

— Quê? — Falo rindo um pouco do que ele havia falado.

— Esquece. — Ele ri mais ainda. — Foi muito brega.

— Um pouco. — Ficamos rindo um pouco mais e percebo que ele havia pego um pequeno envelope no bolso de trás de sua calça.

— Isto é para você também. — Ele me entrega o envelope e coloca as mãos para trás.

— É para eu ler agora ou posso ler depois? — Pergunto enquanto abria para dar uma checada no que parecia ser uma carta.

— O quanto antes, melhor para mim.

Desconfio de sua posição e abro a carta completamente prendendo a respiração logo em seguida.

Sabrina

Você não sai dos meus pensamentos nem por um segundo depois do que aconteceu na festa. Tudo o que eu disse é verdade. Você é linda, maravilhosa, criativa, talentosa e muito mais. Você é você. To mó brega hoje. Confesso que eu só comecei a te reparar depois que você mandou aquela foto no snap, mas percebi depois que você é muito mais do que uma foto e me sinto um super idiota por não ter percebido tudo de você antes em todos os anos que estudamos juntos. Eu não sabia como falar se declarar para você, então resolvi escrever uma carta já que você tinha comentado uns dias atrás que declarações nos tempos atuais são tudo chatas e que se alguém fosse se declarar para você você gostaria de algo mais a moda antiga e bem aqui estou te escrevendo uma carta, pois eu quero você ao meu lado, não só fisicamente mas emocionalmente. Você se tornou muito mais do que uma amiga para mim e mesmo que nunca tivéssemos sido tão próximos como as outras pessoas, eu sinto que quero algo com você pois tu me faz feliz. Você, Sa, me faz esquecer o resto do mundo por todo o momento que to do teu lado. Não penso em nada além do que estamos conversando. Você mudou a minha vida. Tu me mudou. Eu nem sei o que to falando agora. Você é oq consigo pensar ultimamente e até você não estar comigo só vai me fazer mal.Então... Quer estar comigo? Quer namorar comigo? Deixarmos de ser um eu e você e virarmos um nós?Daniel

Assim que termino de ler a mini carta que ele havia escrito, com a respiração falha e o coração se apertando e olho para ele que me encarava tanto nervoso quanto timidamente.

— Isso não é brincadeira, né? — Pergunto enquanto ainda estava desconfiava de tudo o que havia lido.

— Não. E aí?

— Isso é sério, sério, sério mesmo? — A emoção me contaminava a cada milésimo que se passava. Meus olhos se enchiam de lágrimas e eu sentia que estava em outro lugar que não fosse minha casa cheia de pessoas que presenciavam a cena.

— Tudo é verdade, Sa... Quer namorar comigo? — Ele segurou minhas mãos trêmulas e me olhou profundamente.

Naquele instante, enquanto estávamos sob as estrelas da noite, eu não sabia o que estava fazendo, pois tudo o que queria era ele. Queria ele ao meu lado por tempos. Queria ele me fazendo feliz do jeito que ele já fazia. Queria ele me causando milhares de borboletas no estômago. Queria não... Quero.

— Quero. Quero sim. — Respondo-o colocando minhas mãos em seus ombros e logo o beijando.

Eu me sentia completa, ainda mais pois ganhei o melhor presente de aniversário. Muitos mais do que um namorado, mas alguém em que estaria ao meu lado, seria muito mais do que um amigo ou melhor amigo. Minha vida deu uma guinada em poucos meses, pois em um momento era apenas eu e de repente: nós.

FIM

Notas finais
Enfim chegamos a mais um fim de outra shortfic! Quis ir postando de pouco em pouco (mês por mês), para eu ter um pouco do gostinho de conseguir ter escrito algo um pouco maior do que antes. Escrevi essa short especialmente para o Desafio da Bels que participei. A imaginação que tive para De Repente: VOCÊ foi a partir de conversas com o crush e de como que eu queria que a minha vida real fosse. Muitas coisas que escrevi são de reais que fazem parte da minha vida e que possuem algum sentimento pra mim, o que faz dessa shortfic muito especial para mim. Pretendo escrever um pouco mais sobre esse casal que se formou pois sonhar nunca é demais rsrsrs Agradeço de montão a você que leu até aqui e até a próxima! —--- ESCUTE A PLAYLIST DE DR:V PARA ESCUTAR OS SENTIMENTOS DOS PERSONAGENS: https://open.spotify.com/user/bellec4/playlist/2Pj0YGULWsvdVxqxcioaNt
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.