De repente: Para sempre
8 Wildest Fantasy
Notas iniciais
– Eu quero dançar com você. — Digo para o rapaz sentado ao meu lado. Seus olhos lápis-lazúli refletem as chamas da lareira. Seu cabelo negro parece macio ao toque. É difícil resistir tocá-lo.
Ele deposita seu copo na mesa de centro, pega o copo que está na minha mão e o coloca ao lado do outro. O rapaz se levanta, está vestido inteiramente de preto e eu gosto disso. Gosto de como sua camisa de botão marca seu corpo e de como a cor realça ainda mais seus olhos.
Ele estende a mão, com um sorriso de canto de boca. Eu aceito seu convite e ele me leva até o meio da sala rústica. Minha mão direita é levada a seu ombro, enquanto a esquerda se une com sua mão. Nossos corpos estão bem próximos, assim como nossas bocas. Dançamos sem nenhum som; a música não parece importante. O que importa é estarmos juntos agora. Ele me gira e, ao me puxar de volta, sigo direto a seus lábios macios. O beijo é tímido e demorado. Sua boca tem gosto de menta e Whisky. Sinto um frio na barriga, a sensação mais prazerosa que existe.
– Qual seu nome? — Pergunto, interrompendo o beijo.
– Elena. — Sua voz é fina e feminina. — Elena! — Espere. É a voz da Caroline.
Acordo confusa e assustada, beijar um garoto com a voz da Caroline é muito esquisito. Minha visão está embaçada. Demora um pouco até eu perceber que tudo não passou de um sonho, e a raiva invade meus pensamentos.
– Sério, Caroline? — Viro meu corpo a fim de enterrar minha cara no travesseiro.
– O quê? Você não pode dormir o dia inteiro. — Sendo irritante — como só ela consegue ser -, ela puxa a coberta de cima de mim.
– Eu estava tendo o sonho mais perfeito da minha vida. — Levanto a cabeça, para minhas palavras saírem com clareza. — Estava a ponto de descobrir quem era o cara. — Volto meu rosto para o travesseiro.
– Que cara? — Caroline vai para a cama de Rebekah, que dorme profundamente. Percebo que ela não se deu o trabalho de retirar a bota da noite passada.
– Não sei, você não me deixou descobrir. — Me cubro novamente e me encolho, tentando retornar ao sonho.
– Falando em cara, acho que deveria ligar para Liam, ele deve estar preocupado. — A voz de Bonnie está pesada. Ela está sentada em sua cama, esfregando os olhos. Caroline a acordou também.
Sim, eu deveria. Pego meu celular na mesinha de cabeceira. Sete ligações perdidas. As sete de Liam, algumas de ontem a noite. Aperto o botão de retornar ligação. Não demora muito para eu ouvir sua voz.
"Elena? Estou tão preocupado, demorou para retornar minhas ligações." Sua voz mostra sua preocupação.
– Oi, Liam. Eu estou bem. Ontem quando acordei estava muito cansada e hoje dormi até tarde.
"Tudo bem. Desculpa não estar ai com você, tive que vir para casa, meus pais vão ganhar um prêmio importante de medicina e queriam que eu viesse aqui para ajudá-los com os preparativos. Aliás, o prêmio vai ser entregue no Evento de Arrecadação Whitmore Medical Center, e eu posso levar uma acompanhante, o que acha de ir comigo?" Liam fala tão rápido e quase sem pausas. Ainda estou processando o que falou quando ele anuncia que precisa desligar.
"Escuta Elena, vou adorar se aceitar, mas agora preciso ir, meus pais estão me chamando feito loucos." Ele solta uma risada curta, como por educação.
– Okay. Até mais.
"Até. Sinto sua falta." E desliga.
Essa última frase me fez sorrir feito boba. Percebo que não respondi a seu convite. Retorno a ligação.
"Alô?" Ele parece confuso.
– Eu adoraria ir ao evento como sua acompanhante e também sinto sua falta. — E desligo.
Conversar com Liam me fez esquecer do sonho por um momento e me deu energia para levantar da cama. Tomo o remédio que a doutora deixou na minha mesinha, quero evitar que a dor volte e atrapalhe mais um dia.
– O que vamos fazer hoje? — Pergunto no caminho ao banheiro.
– Piquenique. — Responde Caroline com sua alegria.
– Esse nome é ridículo. — Escuto Rebekah exclamar. — Só vamos comer no chão do campus com os meninos.
– Exato. E essa é a definição de piquenique. — Insiste Caroline.
Após tomar um banho rápido, saio do banheiro. Bonnie parece ter voltado a dormir, Caroline está sentada em sua cama tentando acordá-la. Rebekah passa por mim com uma muda de roupa e entra no banheiro. Visto minhas roupas sem me preocupar com as garotas, conheço elas há tanto tempo que não existe mais vergonha entre nós.
Me sento na cama e pego meu celular. Mando uma mensagem a Liam perguntando quando volta. Deixo o celular na mesinha e me deito. A lembrança do sonho vem novamente em minha cabeça, e a curiosidade também. O rapaz era tão bonito que parecia surreal. Me sinto mal com esse pensamento, sinto que eu traí Liam. Acabo me afundando tanto em meus pensamentos que, quando volto à realidade, Rebekah já terminou seu banho e Bonnie já está de pé, se vestindo. Espero todas estarem prontas antes de levantar.
– Os meninos já estão lá com as coisas. Vamos. — Anuncia Rebekah, que estava ao telefone.
Pego meu celular e o coloco no bolso do shorts. Descemos até o campus. Vejo que embaixo de uma árvore, sentados em uma toalha típica de piquenique — quadriculada branca e vermelha — está Matt, Stefan e... Jeremy?
– O que meu irmão faz aqui?
– Eu o chamei, deu trabalho pra ele conseguir entrar no campus, mas deu certo. — Responde Bonnie. Ainda é estranho o fato de minha melhor amiga namorar meu irmão mais novo, por vezes eu até esqueço.
– Sou a única que ainda acha esse namoro estranho? — Diz Caroline.
– Tenho certeza que não acha mais estranho do que eu. — Respondo. Bonnie revira os olhos. Rebekah não parece entender muito bem.
– Você namora o irmão mais novo da sua melhor amiga? Não devia ter uma regra contra isso?
– Eu amo vocês dois, Bonnie. Mas Bekah está certa, deveria ter uma regra proibindo isso. — Não tenho nada contra os dois, sei que eles se gostam e merecem ficar juntos. MAS ISSO É COMPLETAMENTE ESQUISITO.
Quando nossas vozes conseguem ser ouvidas pelos garotos, encerramos a conversa.
Nos cumprimentamos e sentamos. Bonnie se senta ao lado de Jeremy, Rebekah ao lado de Matt e Caroline ao lado de Stefan. Sinto ter perdido uma parte da história e percebo que estou sobrando no grupo. Pelo modo como Caroline e Stefan conversam, sei que eles estão se falando pela primeira vez. Talvez eu não tenha perdido tanta coisa.
Embora por vezes eu tenha ficado fora das conversas, a tarde foi agradável. Decido deixar os casais em paz e levanto pra voltar ao dormitório. Acho que nenhum deles percebeu que estou saindo. Sinto o bolso traseiro do shorts vibrar. Pego o celular e vejo que recebi uma mensagem. "Amanhã já estou de volta para as aulas", é de Liam. Subo as escadas de cabeça baixa, digitando outra mensagem.
Vou até o dormitório de meu irmão procurá-lo, mas seu quarto está vazio. Ele deve estar no campus. Vou para as escadas que levam ao andar inferior. Desço olhando para meus pés, até perceber movimento no final da escada. Olho para a garota que vem subindo, seus olhos mirando o celular em suas mãos. Seus cabelos castanhos, levemente enrolados escondem metade de seu rosto. Mas eu reconheceria esses cabelos em qualquer lugar. Elena. Penso em pará-la e perguntar se está bem, mas ela não sabe que eu estava com ela enquanto estava desmaiada, também não sabe que eu estava na festa. Ela me acharia um completo lunático. Ela passa por mim, sem notar minha presença. Continuo olhando para ela até terminar as escadas e virar à esquerda, rumo aos dormitórios femininos. Subo dois degraus, mas paro. Ela some de minha visão. Fico parado no meio da escada por alguns segundos, sem me lembrar do que estava fazendo antes de vê-la. Solto o ar, só agora percebendo que o prendia. Aquela garota mexe comigo, e eu quero descobrir o por quê.
Fale com o autor