No dia seguinte, quando eu acordei, fiz minha higiene pessoal, troquei de roupa e fui para cozinha tomar meu café da manhã e encontrei meus pais lá. Dei um beijos em cada um e deu-lhes bom dia. Leroy me respondeu:

– Bom dia! A senhorita dormiu no meio da tarde de ontem até agora por quê? Está doente?

– Não sei. Mas sei que não estou doente, então não precisam se preocuparem. – falei

– Vamos ajudar os novos vizinhos na mudança hoje. Quer vir ajudar também? – Hiram falou animado

– Vocês conhecem eles? – perguntei confusa

– Sim. Eles são da mesma sinagoga que a gente. Aliás, o menino é do seu colégio.

Fiquei indignada, mas não demonstrei e apenas falei:

– Não vou poder ajudar. Tenho que ensaiar algumas músicas para as Seccionais.

Terminei meu café e fui para o quarto.

Estava estudando algumas partituras no meu quarto e, de repente, escutei um barulho vindo da janela. Pensei que poderia ser os novos vizinhos chegando e fui verificar. Estava torcendo para que Puck não ficasse com o quarto em frente ao meu. Quando cheguei na janela, dei de cara com Puck e uma mulher que parecia ser a mãe dele olhando para minha janela. Dei um sorrisinho sem graça e Puck falou acenando:

– Hey, Berry!

– Oi, Puck. — Respondi da mesma forma que dei o sorriso.

Saí da janela e decidir ir estudar para o teste de matemática que teria no dia seguinte. Depois de um tempo, fui almoçar com os meus pais e depois voltei a estudar.

Quando estava anoitecendo, Leroy foi no meu quarto e disse que íamos jantar na casa do Puckerman. Eu disse:

– Posso ficar em casa?

– Não. Por que você não quer dar as boas-vindas aos vizinhos? – meu pai disse intrigado.

– Não é isso. – falei gaguejando – É que amanhã tenho teste de matemática e preciso estudar.

– Mas você precisa comer também. E você pode estudar com o Puck. Quando eu e Hiram estávamos ajudando eles, o Puck disse que assiste algumas aulas na mesma turma que você.

– Mas... – tentei falar mas meu pai logo me impediu.

– Sem “mas”. Você é uma ótima aluna, pode ter uma noite de folga. Agora vai se arrumar. – ele mandou.

– Tudo bem. – falei desanimada.

Fui tomar banho, me maquiei, coloquei uma roupa bem bonita e me encontrei com meus pais na sala. Fomos para a casa do Puckerman e quem atendeu foi o Puck. Sentamos na sala e a mãe do Puck nos ofereceu suco e eu aceitei. Depois fomos para a mesa de jantar. A comida estava realmente ótima. Depois do jantar, fomos para a sala novamente, Puck nos ofereceu café e sentou conosco lá. Enquanto isso, a mãe dele me perguntou:

– O que você pretende fazer depois da escola?

– Eu vou para Nova Iorque, estudar na NYADA e pretendo ser protagonista de algum musical da Broadway. – disse orgulhosa.

Quando disse isso, Puck ria como se achasse tudo o que eu disse ridículo. Então perguntei:

– Algum problema, Noah?

Ele parou de rir no instante em que falei o primeiro nome dele, já que ele prefere que o chamem de Puck.

Meus pais continuaram a conversar com a senhora Puckerman por mais alguns minutos e depois fomos embora.

Quando cheguei no meu quarto, fui para o banheiro tomar banho e coloquei meu pijama. Quando ia pegar meu livro para ler na cama, vi algo inacreditável na minha janela: Puck de cueca em frente a janela. Ele percebeu que estava olhando e disse:

– Algum problema, Berry?

– Nenhum, Noah. – disse colocando bastante ênfase no “Noah”.

Fechei a janela e fui para cama. Não consegui ler nenhuma página do livro pois dormi no instante em que deitei.