E em apenas uma noite, seis anos se passaram.

Lembro-me que era meu aniversario de 19 anos, dezenove anos esses de uma garota inocente que deu a cara a tapa, e apanhou muito. Garota que teve noites de choro, de crises existências de incertezas, de coração partido, e sem destino.

Nessa epóca eu realmente nao sabia o que fazer da minha vida, vivendo em um relacionamento, com um homem mais velho que eu que era meu ex, e de agora em diante não me assumia, vivia focada numa pessoa que não me levava pra frente, uma adolescência de duvidas, festas e drogas, almejava imensamente um futuro melhor, mas no fundo acabava sempre duvidando de mim mesma.

O que mais estranhava era esse desconhecido amor que tanto me aprisionava, tinha momentos que eu simplesmente desejava não te-lo conhecido, ou então que as coisas se ajeitassem num passe de magica, como foi quando eu tinha 16 anos e namorávamos, e eu acreditava que tudo realmente estava perfeito.

Nos meus 19 anos quando nada estava tao certo, comecei a acreditar que tinha sido almadiçoada pela inveja, e porque eu nao desapegava daquele homem, sendo que eu era tao nova inteligente e bonita? Tinha muitos caras atras de mim, eu sabia que com um pouquinho mais de esforço, eu seria capaz de vencer o mundo. Só não sabia por onde começar.

Então tinha um bolo para mim e minha irmã Gemea, chamada Luisa, nos abraçamos e assopramos a veja juntas, naquele momento eu olhei nos olhos daquele homem que estranhamente me fazia tao mal e tao bem, Henri sorriu pra mim reluzente, e sussurrou (Faz um pedido!)

Respirei fundo retribuindo o sorriso e pensei (Que tudo se ajeite) assoprei as velas.

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Um baralho chato para caralho começa a apitar, é o despertador, pego meu celular e desbloqueio a tela, são sete horas da manhã. SETE? como assim eu acordo as cinco!

Afinal moro a duas horas do escritório localizado na Paulista, moro na região Leste de São Paulo e tudo é longe.

Espremo os olhos para constatar se realmente estou vendo a hora certa, como realmente sou muito tranquila e calmo, preparo a voz para gritar a Luisa, ela poderia ter me acordado.

Eis que olho em volta, e não reconheço meu quarto, engulo um nada na garganta, e fico de pé.

Onde estou? Sinto minhas pernas ficarem tremulas, mas continuo andando pelos corredores, é uma casa simplesmente linda, tenho a certeza que na verdade é um apartamento quando chego na sacada, e percebo ser o ultimo andar, tem uma sala gigante junto com a sala de jantar, a cozinha é planejada, parece que eu estou na Tv, sera que eu estou em alguma pegadinha?

Detalhe, não encontro absolutamente ninguém, o sentimento de desespero me invade, então resolvo usar o banheiro. Eis que outro susto me prrenche

AAAAAAAAAAH

MEU DEUS

Começo a falar sozinha

— Eu to diferente, cade meu cabelo preto gigante? Eu tenho mais peitos? Meu deus, meu deus — digo girando meus olhos pelo meu corpo, vendo novas tatuagens, um corpo definido, e o cabelo acobreado e um novo corte.

Respiro fundo, e olho meus olhos no espelho. Eles permanecem iguais, sim sou eu, tenho certeza, só estou MUITO diferente, e em uma casa maravilhosa e sozinha.

Meu Deus, para aonde o Henri me levou ontem? Ele me deu uma casa e uma transformação radical para o meu aniversario de 19 anos?

Pego o celular, para verificar novamente a horas, e tentar me comunicar com alguem, novamente percebo que o celular não é mesmo.

O que? quem é esse? — digo alto, vendo minha foto com um rapaz que parece um modelo na minha foto de perfil, ele é moreno dos olhos claros, ele é lindo, e ta me beijando.

MEU DEUSSS.

Digito Mae nos contatos, chama uma, duas.

— Alo?

— Oiii Filha, eu já ia te ligar, Feliz Aniversario. Pegou folga hoje ?

— Mãe... — respiro fundo — eu não sei, eu acordei numa coisa estranha, e eu to diferente, meu aniversario nao foi ontem, o que aconteceu? — digo com desespero, mas ainda sinto uma pontada de alivio por estar reconhecendo a voz perfeita e confortante da minha mãe, nem tudo esta perdido, mas logo fico atordoada quando ela gargalha do outro lado.

— Ta doida Lavinia?

— Por-que? — gaguejo — Mae, é serio.. vem me buscar, foi o Henrique que deve ter me deixado aqui.

— Henrique? Nossa, o que te aconteceu, cade o Pedro?

— Pedro??

— Seu namorado!

Fico em silencio, minha cabeça ta girando.

— Cade a Luisa? Respondo depois de ouvir minha mae chamar sem cessar meu nome do outro lado da linha, preocupada.

— Ela disse que passaria aqui hoje mais tarde, venha tambem, vamos fazer um bolo. Mas na verdade estou preocupada, venha pra casa e conversaremos.

Meu telefone começa a receber outra ligação, antes que eu responda minha mãe.

— Tem outra ligação, mamae! Eu ja retorno.

Então antes de atender alho para TV ligada, onde mostra ser 10/06/2024..

Ta errado não pode ser. Caralho.. xingo abismada, e atendo a ligação seguinte.

— Alo?

— Live querida, pronta para estrear sua nova sala. O escritório todo esta te esperando, fizemos uma surpresinha pra você, já esta a caminho?

— Sim estou.. pode me passar o endereço? Eu nao acordei legal hoje.. hun, como é seu nome?

— Karen, sua melhor amiga e secretaria, você chapou com o Pedro ontem? comeram cogumelos ? Sabiaaa, como eu duvido da sua sanidade, estarei passando o endereço pelo whats, vem logo caramba e Parabéns minha maravilhosa, 25tãoo!

—25?? Não, eu tenho 19 — digo tremendo os lábios.

— Sem graça Lavinia, venha logo.. e ve se sai dessa brisa.

EU ESTOU MESMO BRISADA, NÃO É POSSIVEL.

— Karen, eu tenho carro?

— Se você não vendeu, até ontem você tinha — ela parece impaciente.

— Tudo bem, me manda o endereço e logo estarei ai.

Me sentei sobre a cama, e fiquei uns 10 minutos olhando pro nada, ate que decidi encarar a loucura, mesmo que fosse miragem, eu aproveitaria, afinal, eu estava aparentemente num bom cargo, me olhava no espelho me achava linda, pelo visto tinha um namorado gato, um apartamento incrivel e um carro.

Levanto depressa, e caminho até o guarda roupa, tem muita coisa, prateleira só de joias e acessorios, bolsas, sapatos, sobretudos, vestidos.

Eu não consigo parar de sorrir, coloco um vestido tubinho preto e branco, um salto nude, e uma bolsa da mesma cor, na maquiagem tambem faço algo simples e bonito, pego um dos meus óculos escuros, e vou em direção a porta, ainda estou me adaptando com a casa, mas adoro a cada segundo.

A chave esta na porta, tranco a mesma, e pego o elevador.

Chego na portaria.

— Live, querida, feliz aniversario! — Me viro para encontrar a voz que me chama, é um Sr bem baixinho e fofo.

— Oii — sorrio indo até ele. — tudo bom?

— Melhor agora vendo essa mulher encantadora — ele beija minha mão — Tenha um bom dia querida.

— Ann, o senhor poderia me ajudar a achar meu carro? Não acordei bem hoje

Esta cada vez mais difícil explicar minha situação.

— Seu zeca pra você ué, nunca me chamou de senhor. Esta com a visão ruim? — pergunta andando sentido ao que parece o estacionamento do prédio.

—Sim, estou! Foi um colirio fudido que coloquei, mals — digo sem graça, ele me aponta para o carro é um Honda Fit Preto, sorrio para ele empolgada

— É MEU?

— Sim — ele ri — a um tempo já né.

— Obrigadaaaa seu zeca — digo beijando lhe o rosto.

Entro no carro, e e automaticamente parece muito facil dirigir, olho me no retrovisor e sorrio empolgada, ta tudo estranho demais mas vamos lá. Coloco o endereço no GPS, e dou partida.