Uma mulher corpulenta, de rosto impassível, cabelos pintados de castanho ,falava conosco as recém-chegadas

- algumas de vocês passarão uma longa temporada aqui. Só ha uma maneira de aguentarem e é esquecendo de tudo sobre o mundo exterior. Podem fazer com que seu tempo aqui seja fácil ou difícil. Temos regulamentos aqui e vocês obedecerão a esses regulamentos. nós lhe diremos quando se levantar, quando trabalhar, quando ir ao banheiro. Violem qualquer um dos regulamentos e desejaram estar mortas. Gostamos de manter as coisas pacificas por aqui e sabemos como lidar com as encrenqueiras

A mulher fez uma pausa, seus olhos se fixaram em mim.

- serão levadas agora para os exames físicos. Depois, passaram pelos chuveiros e irão para suas celas. Pela manhã, receberão suas tarefas . isso é tudo

Ela começou a se virar. Uma jovem pálida, ao meu lado, disse:

- com licença, por favor, mas eu...

A mulher tornou a se virar, bruscamente, o rosto dominado pela fúria

- cale a sua boca, só pode falar quando lhe dirigirem a palavra entendido? Isso se aplica a todas

Depois dos exames. Carregando as nossas roupas, nós presas fomos conduzidas a uma sala grande, com uma dúzia de boxes de chuveiro abertos.

— deixem as roupas no canto

Ordenou uma das guardas. E entrem nos chuveiros. Usem o sabão . lavem todas as partes do corpo, da cabeça aos pés. E ensaboem bem os cabelos.

O jato de água era frio eu me esfreguei com toda força, pensando; " te amo Maria"" nunca te deixarei"" você é uma assassina"

Não eu não sou uma assassina , não mereço estar nesse lugar.

A guarda gritou comigo.

- Ei, você! o tempo já acabou. Saia logo.

Sai do chuveiro e outra presa tomou o seu lugar. Recebi uma toalha fina e usada, enxuguei mais ou menos o corpo.

Uma guarda me conduziu por uma serie de corredores , passando por celas cheias de detentas de todos os tipos. Havia negras, brancas, mulatas e amarelas. Olhavam fixamente para mim. Em quanto eu passava gritavam em dúzia de sotaques. Os gritos não faziam o menor sentido para mim.

- carta forte

- carro fino

- canto fresco

- carne fresca

Foi apenas quando cheguei no bloco que compreendi o que as mulheres estavam entoando:

-carne fresca

Havia 60 mulheres no bloco C, quatro em cada cela. Rostos espiavam-me por de trás das barras. Enquanto eu era conduzida pelo corredor comprido e malcheiroso. As expressões variavam da indiferença ao desejo e ao ódio. Eu tinha a sensação de que andava por baixo d'agua. Em alguma terra estranha e desconhecida, uma forasteira num pesadelo que se desenrolava lentamente.

- entre

Olhei ao redor. Havia 3 mulheres na cela, observando-me em silêncio

- vamos logo

Insistiu a guarda, entrei na cela e depois ouvi porta bater às minhas costas

Uma mulher porto-riquenha rompeu o silêncio:

— parece que temos uma nova colega de cela.

Sua voz era profunda. Seria bonita se não fosse por uma cicatriz lívida de faca, que se estendia da temporã à garganta. Parecia não ter mais de 30 anos. Ate que me fitou uma mexicana atarracada, de meia idade, disse:

- que surte verte! Prazer em vê-lá. Por que te mandaram para cá, querida?

Eu estava paralisada demais para poder responder.

A terceira era negra. Tinha maus de 1,80 metro de altura, olhos estreitos e vigilantes. Um rosto frio e duro, mais parecendo uma mascara. A cabeça era raspada e o crânio tinha um brilho negro azulado na débil claridade

— seu catre é ali no canto.

Me aproximei do catre. O colchão era imundo, machado com os excrementos que só Deus sabia de quantas ocupantes anteriores. Eu não fui capaz de toca-lo . e involuntariamente , manifestei minha recusa.

- eu... Eu não posso dormir neste colchão

A gorda mexicana sorriu

- não precisa meu bem. Pode dormir no meu.

Continua?