De qualquer modo, funciona
1 O prazer é meu
Porque era mais ou menos assim que tudo acontecia. E não importava se a frase começava gramaticalmente errada por ser subordinada, ou se de início o sentido não estiver completo.
Não precisava fazer sentido, uma vez que tudo acabava com os lábios partidos, olhos revirados, roupas rasgadas e gemidos sôfregos. Tudo acabava com uma pitada de amor e outro tanto de dor, em uma cama desfeita e cabelos bagunçados sujos de tinta ou bebida, cortados ou não.
Sangue que fazia seu rastro nas paredes da casa e não incomodava ninguém, nem mesmo aquele que gritava entre três paredes de um cômodo irregular onde passava as noites mais prazerosas de sua vida.
“O privilégio é meu, senhor”, resmungava enquanto sentia-o afundar mais e mais dentro de si, os dentes afiados mordendo cada pedaço de seu peitoral. Ele escutava a risada maliciosa e tremia ao ver as mãos com unhas longas enterrando-se nas laterais de seu abdômen.
Talvez houvesse se apaixonado por um monstro, mas isso não importava contanto que sua boca estivesse no lugar certo.
E seus olhos rubros se encontrarem nas horas certas.
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