De laços e fitas
1 Capítulo 1
A pequena potra de cristal bailava calçada abaixo. Apoiada somente sobre as pernas traseiras ela rodopiava, balançava, pulava e gingava. Seus movimentos eram lúdicos, cheios de uma alegria jovem e inocente que todos já conheceram e muitos esqueceram. Sua pelagem, vermelha como um rubi, brilhava intensamente, tamanha a felicidade de tal coisa simples que era o ato de dançar. Crina e cauda, presas por belas fitas vermelhas, moviam-se pelo ar, formando ondas prateadas reluzentes em meio ao vento frio de inverno. Em seu flanco, a Marca de uma fina ferradura em formato de coração dourada ia e vinha seguindo o ritmo que encadeava leveza, graça, doçura e precisão. No rosto tinha um sorrisinho contente, e seu vivaz olhar cor de âmbar parecia reluzir em igual sentimento.
Os pôneis que observavam a dança da potrinha tinham então seus olhos cheios de brilho. Seus corações castigados pelo inverno da fria Germane se aqueciam com tamanha mostra de uma despreocupação alegre, típica das crianças.
“Can-Can, não se afaste demais!”, gritou o pai da pônei de cristal, tossindo. Acompanhava-a, com certo distanciamento, um unicórnio cinzento com crina e cauda ambas cor de cobre; seus olhos tinham um tom profundo de verde e a Marca em seu flanco era uma clave de fá amarela. Levava consigo, usando magia, uma flauta que levitava próxima ao seu rosto em uma pequena aura esmeraldina.
Can-Can continuava a dançar; era o que lhe dava mais alegria em toda a sua vida. E aquele era o seu dia favorito da semana, segunda-feira, quando ela e o pai subiam para a parte mais abastada da cidade, em direção à sua amada Quadrat des Kamelien, a praça mais bela que conhecia. E a pequena conhecia todas as praças de Germane. A praça das camélias não era somente bela, mas muito bem frequentada por pôneis em trajes pomposos e de modos refinados. A pequena admirava-os, ficava impressionada até mesmo com o modo como alguns deles falavam. Nunca chegavam a dirigir a palavra a ela, porém, sua ingenuidade infantil a fazia crer que teriam motivos importantes para isso. Algo que não fosse o fato de ela ser apenas uma pônei pobre do subúrbio que usava um pedaço de toalha de mesa como cachecol.
A praça era composta por um belo quarteirão arborizado que possuía passagens feitas em mármore para que os visitantes pudessem percorrer sua extensão entre as árvores sem precisarem pisar na terra. Na área central da praça ficava o belíssimo campo de camélias, no qual as flores eram distribuídas em cores para formar figuras de pôneis e animais diversos que, vistos de cima, faziam um vitral natural de encher os olhos. Pai e filha dirigiram-se para o local de trabalho costumeiro numa das esquinas da praça.
“Está pronta, mein liebe?”, perguntou o pai ao se posicionarem para começar a apresentação. Alguns dos transeuntes lançavam olhares curiosos para os dois, outros, já acostumados com a presença do par de artistas de rua, aproximavam-se para apreciar o espetáculo e jogar uma moeda na caneca que era deixada no chão, próxima ao flautista. O repertório era variado, o pai de Can-Can tentava compor novas melodias sempre que podia, e a potrinha improvisava passos novos para acompanhá-lo. Algumas canções eram animadas e rápidas, outras eram lentas e melancólicas, e a pequena seguia com sua dança em todas elas até se cansar. Às vezes dançava com os olhos fechados, para simplesmente poder sentir a música e seus próprios movimentos; sem precisar se preocupar com as expectativas dos olhares alheios que buscavam um bom show. Nesses pequenos momentos, dançava para si mesma e mais ninguém. Ao final da décima música, seu pai dava-lhe uma pausa. Durante os momentos de pausa, a potra rubra caminhava pelos arredores da praça, observando as vitrines dos estabelecimentos que a margeavam. Um de seus lugares favoritos de observar era a casa de chá Dame Freude, onde ficavam expostos na vitrine vários tipos de pequenos bolos de todos os sabores, além de suspiros e pãezinhos. Can-Can apoiava-se no vidro com os cascos dianteiros e punha-se a observar com olhos famintos as gostosuras que tinha esperança de poder comprar com o dinheiro de sua dança algum dia.
No entanto, o que mais gostava de ver naquele lugar eram as outras potrinhas que o frequentavam. A pequena rubra adorava os vestidos que elas usavam – os babados, os bordados, as rendas, as cores, os tecidos deixavam-nas parecendo bonecas, tão lindas. Can-Can invejava aquelas roupas, mas não do modo como os pôneis adultos fazem, querendo possuir aquilo que é alheio; a pequena invejava do modo inerente da juventude, daqueles pequenos que se perguntam, por que eu não posso ter um desses?
E, infelizmente, ela sabia a resposta. Papa não pode comprar, pensou consigo mesma. Saiu de perto da casa de chá e continuou a trotar em volta da praça. Logo esqueceria da frustração de não possuir um belo vestido.
Havia outro lugar nos arredores do quarteirão que Can-Can amava observar: uma escola de balé para pôneis. Um prédio de dois andares, revestido de paredes cor de rosa com grandes janelas retangulares verticais. No andar de baixo havia uma janela que dava para um dos estúdios de dança, e toda segunda-feira uma aula acontecia no horário em que a potrinha estava pela praça.
A pequena rubra apoiava-se na janela que geralmente ficava fechada por causa do frio e olhava os pôneis dançarem com seus movimentos de extrema precisão e suavidade, acompanhados do belíssimo som de um piano e um violino. Na calçada, a pônei rubi tentava imitar os passos que eram ensinados dentro do estúdio. Aos poucos, aprendia a dança dos pôneis ricos; e quando tentava dançar balé, tirava o cachecol-toalha de mesa do pescoço e amarrava-o na cintura, para fingir que também tinha um tutu. E sorria. Sorria por aprender um movimento novo, ou pela simples diversão de usar um pedaço de toalha de mesa como tutu, ou mesmo por ver que dançava melhor que vários dos pôneis que estavam naquela aula. Can-Can não se deixava abater, não importava o quão desprovida de riquezas fosse. Podia não ter os vestidos, ou os brinquedos, ou uma casa enorme; podia não ter sequer uma mesa, para que pudesse usar a toalha para seu propósito original, mas tinha sua dança. E isso jamais seria tirado dela.
Nunca se dava ao luxo de gastar tempo demais imitando os pôneis dentro do estúdio pois precisava também descansar, afinal, tinha que voltar ao trabalho. Se tivessem sorte, conseguiriam bits suficientes para comprar um bom jantar. Após passar pouco mais de vinte minutos retomando suas forças, sentada num dos vários coretos da praça, a pequena voltou ao encontro do pai, que tocava uma melodia baixa e muito calma. Um pônei acabara de jogar uma moeda na caneca e afastava-se lentamente.
“Papa, voltei”, Can-Can anunciou ao se aproximar do pai, que parou de tocar a flauta para olhar a filha com uma expressão mais cansada que de costume. Tossiu e olhou para o dinheiro arrecadado por um instante antes de dizer, “Acho que estamos bem, hoje. Sete bits em pouco mais de uma hora”.
A filha sorriu. Aquilo significava que teriam boa comida no final do dia, se tudo continuasse como estava. “Vamos continuar”, ele disse após respirar profundamente. A pônei rubi aquiesceu com um aceno breve de cabeça e esperou que a música começasse.
*** *** ***
“Vinte e sete bits”, Can-Can disse orgulhosa. Os pôneis pomposos haviam sido mais generosos que o normal, e a pequena dançarina atribuía o sucesso do dia unicamente à própria performance, como se o pai tivesse feito pouco mais que observá-la ganhar todo o dinheiro. Ele sorria ao ver sua potrinha feliz. Os dois trotavam devagar através das ruas da cidade ao final da tarde, o sol se punha devagar. Discutiam o que comeriam naquela noite, pois tinham dinheiro suficiente para fazer um ótimo ensopado de legumes ou comprar uma torta de maçã inteira numa padaria próxima de onde moravam.
“Torta, papa, por favor”, a pequena insistia enquanto iam em direção ao centro comercial da cidade – onde estavam distribuídas várias pequenas barracas das mais diversas iguarias em um galpão muito antigo. Comprariam legumes lá. “Can-Can, eu já disse, essa hora as tortas da padaria já estão frias. O ensopado vai ajudar a nos aquecer durante a noite”, o pai replicou sem muito sucesso, pois a filha logo fazia uma cara triste, como se estivesse prestes a chorar. A potrinha geralmente não tinha a oportunidade de comer doces, e quando uma surgia, tentava se agarrar a ela com todas as suas forças. “Papa...”, choramingou.
No entanto, o garanhão fez pouco caso, sabia que aquilo era apenas birra de sua pequena. Era muito fácil saber se sua filha estava triste de verdade ou não: quando se deprimia, os pelos dela perdiam boa parte do brilho, assumindo um tom quase opaco e doente – como costuma acontecer com pôneis de cristal. E como aquilo não havia acontecido, ele se manteve irredutível.
“Você vai gostar do ensopado, mein liebe”, disse, colocando um ponto final na discussão. Recebeu, em resposta, um gritinho frustrado de Can-Can, que começou a bater os cascos com força na calçada enquanto trotava, numa típica tentativa infantil de chamar atenção do próprio pai, ao mesmo tempo que tentava envergonhá-lo chamando atenção dos pôneis estranhos que passavam por eles.
“Todos estão olhando você fazer tolice...”, o garanhão disse despreocupado, controlando-se para não rir com a tentativa frustrada da filha de fazê-lo passar um vexame. A pequena olhou ao redor, a frase do pai surtira o efeito desejado, pareceu à potrinha que os pôneis a olhavam de forma recriminatória, como se dissessem para ela, “Mas que potra mal-educada. Não respeita o próprio pai”.
E como a grande dançarina que acreditava ser, não podia deixar que os pôneis a vissem com maus olhos, pois tinha uma reputação pela qual zelar, logo, voltou a trotar calmamente. Caminhava agora olhando para o chão. Não queria encarar os outros, e ainda não aprovava o cardápio para o jantar.
Acompanhou o pai pelas barracas do mercado em silêncio. Via-o comprando cenouras, alho, cebolinhas, e outros tipos de legumes baratos que seriam refogados numa panela mais tarde naquela noite. Vez ou outra, observava potros correndo entre as barracas; brincavam pelo mercado. Os que não brincavam, corriam porque provavelmente estariam roubando comida. Can-Can conhecia a maior parte daqueles pôneis, muitos deles moravam próximos a ela. E a pequena sabia quais deles roubavam por necessidade, e quais roubavam por ter tomado gosto por roubar. Alguns tinham sido seus amigos e brincado com ela.
A vida não era fácil nas baixadas de Germane. A cidade podia ostentar grandes mansões e praças suntuosas de um lado, mas possuía guetos escuros e nada amigáveis, onde pôneis viviam em barracos e, se necessário, comeriam uns aos outros para manterem-se vivos em meio a violência e a miséria, do outro.
Presa em seus próprios pensamentos, a potrinha tomou um susto ao ouvir um dos vendedores gritar do outro lado do mercado, “Turner! Turner, seu desgraçado, onde tá o meu dinheiro?!”
A vida não era mesmo fácil, Can-Can e seu pai deviam dinheiro a mais de um vendedor no mercado central, o que fazia com que precisassem ser discretos quando andassem por lá, pois se os devedores fossem percebidos por ali, isso significava que a fofoca correria por toda a extensão do lugar, e logo pai e filha estariam rodeados de pôneis furiosos fazendo cobranças que eles não poderiam pagar sem sacrificar a comida daquela noite. Herr Turner entregou mais quatro bits para o pônei na barraca à sua frente, pegou duas batatas grandes, colocou-as no alforje e olhou para a filha.
“Mein liebe, pode correr?”, perguntou nervoso.
Can-Can respondeu com um aceno de cabeça positivo. Não era a primeira vez que precisavam sair correndo do mercado; e nesses momentos, sentia-se tão ladra quanto os potros que roubavam maçãs, apesar de nunca ter posto um casco em algo que não era seu.
“Vamos, não olhe para trás!”, o pai ordenou. E começaram um galope ensandecido, derrubando na fuga pôneis que carregavam sacos de legumes e frutas. Não olhe para trás, não olhe para trás, se olhar para trás estou perdida, pensou a pônei rubra. Era um dos conselhos mais importantes de seu pai: se precisar fugir de alguma coisa, nunca olhe para trás. E não importava o quão próximos os gritos dos perseguidores chegassem, a potrinha jamais olhava para trás. Can-Can galopou como nunca naquele dia. Já se esquecera completamente de que pensava possuir uma reputação pela qual zelar.
*** *** ***
A lua já estava alta no céu quando Can-Can chegou em casa. Sua residência era composta por uma sala que possuía, além de um fogão velho e uma lareira sem lenha, um singelo sofá de dois lugares; as paredes eram cobertas por uma antiga pintura que algum dia fora cor de pérola e agora encontrava-se perto do amarelo. Algumas panelas, tigelas e utensílios eram guardados num caixote num canto. Ao fundo viam-se duas portas, uma levava ao banheiro, outra dava para o quarto da pequena, que possuía uma cama e uma estante de madeira onde alguns livros velhos eram deixados ao lado de partituras e penas que pertenciam ao pai. Potrinha e garanhão arfavam por causa da corrida. Herr Turner tossia bastante, há tempos não estava muito bem por causa de uma gripe; tinha a saúde frágil e sempre contraía uma doença nova no inverno. Com um pigarro, deixou o alforje cair perto do fogão e foi até o caixote pegar uma panela. Can-Can sentou-se no sofá e observou o pai, preocupada. “Quer ajuda, papa?”, perguntou baixinho.
“Não é preciso. Eu estou bem”, ele respondeu enquanto levitava uma panela por sobre a própria cabeça. O fogão acendeu-se magicamente. Em seguida, foi em direção ao banheiro, de onde voltou com a panela cheia de água da pia. Logo, cortava os legumes com muita calma, levitando uma faca com sua magia esmeralda, e por vezes ainda tossia.
“Se cansou muito hoje?”, perguntou distraído.
“Não esperava que o Herr vendedor fosse nos reconhecer de tão longe... ele tem bons olhos”, a pequena murmurou. Pensava que teriam de ficar alguns dias sem ir ao mercado para não arranjarem mais confusão. E isso significava que precisariam procurar alguma taberna barata para comer, o que consequentemente significava que precisariam ganhar mais bits, pois mesmo a taberna mais barata é cara quando se trabalha na rua.
“Ah, acho que ele deve ter farejado nosso dinheiro. Nenhum pônei comum poderia ter nos reconhecido daquela distância”, Herr Turner disse rindo. Can-Can não achou graça, estava apreensiva. “Algum dia vamos pagar o que devemos, só precisamos de um pouco mais de tempo”, afirmou o pai.
“E se chamarem a polícia, papa?”
“Eu conheço o Cashy desde pequeno, ele não faria isso. Sabe que vou pagá-lo. Ele devia estar num dia meio estressado. Aliás, todos aqueles pôneis do mercado são meio estressados”, Turner mentiu. Conhecia o vendedor que apelidara de Cashy quando jovem, mas já não sabia mais quem era ao certo aquele pônei, a vida os separara e a amizade que tinham enfraquecera. Quando se reencontraram, Breathe Turner já era apenas um flautista de rua com uma filha a tiracolo; e seu amigo era um vendedor de frutas que resolveu vender algumas maçãs fiado e arrependeu-se amargamente conforme os dias passavam e o dinheiro não vinha. O pai da potra rubi era um pônei muito simpático, conseguira convencer pelo menos dez vendedores diferentes a darem-lhe comida com promessas de pagamentos que não conseguiu fazer.
“Muito bem, agora só precisamos esperar o ensopado ficar bem quentinho”, anunciou afastando-se do fogão e indo em direção à filha, que ainda estava pensativa no sofá. “Que tal se nós lermos uma história enquanto isso?”, perguntou, arrancando um grande sorriso do rosto de Can-Can.
“Qual? Os Dragões das Montanhas? Os Contos do Velho Billy? A Pena e o Lírio? Ah, por favor, que seja A Pena e o Lírio!”, as palavras da pequena atropelavam-se umas às outras.
Turner assentiu com a cabeça. De toda a humilde biblioteca – composta por vinte livros – que os dois possuíam em casa, A Pena e o Lírio era, de longe, a história preferida de Can-Can. A história de um príncipe pégaso que se apaixonava por uma égua muito pobre; os dois viviam um amor puro e belo, e casavam-se ao final do conto, que era também cheio de pequenas canções e poemas. A potra rubra conhecia cada passagem do livro e nunca se cansava de ouvir a história de novo quando seu pai se propunha a contá-la. Can-Can amava aquela narrativa, e amava principalmente sua protagonista, que começava o conto limpando o chão de casa para ajudar a mãe. Era uma potra sem grandes expectativas e que conseguiria o milagre de chamar a atenção do príncipe que a tiraria da vida miserável que levava.
“Mas como é a aparência dela, papa?”, a pequena sempre perguntava, obrigando o pai a inventar características e pequenos detalhes que não existiam no livro.
“Você já sabe que ela é muito, muito bela. Mas sabe que ela usava uma fita na crina que é muito parecida com a sua? E todos os vestidos que ela usava tinham aquelas rendas que você adora.”
Ambos sabiam que era mentira, afinal, a descrição da égua no livro era muito clara. Mas Can-Can gostava que seu pai transformasse um pouquinho a história de algum jeito toda vez que a contava, então podiam aproveitar de forma diferente o mesmo livro que já tinham lido juntos tantas vezes. Sentados no sofá, pai e filha riam e se divertiam, mais conversando sobre o livro do que realmente lendo-o.
O ensopado ficou pronto antes que percebessem a passagem do tempo. E a potrinha rubra precisou dar o casco a torcer, afinal, o ensopado estava delicioso. Ela esvaziou sua tigela não muito tempo depois de tê-la recebido e desconsiderou completamente o fato de que poderia ter jantado torta de maçã naquela noite. Turner observava a filha com um leve sorriso no rosto.
“Vamos para qual praça amanhã?”, Can-Can perguntou, de repente.
“Ainda não decidi, mein liebe”, Turner respondeu com um suspiro. No fundo, o garanhão sentia um grande pesar com o fato de ter sua pequena tão acostumada com a vida que levavam. Queria que ela fosse feliz de verdade, e não acreditava que um futuro de apresentações por meros trocados no meio da rua poderia levá-la a felicidade alguma. Após duas tigelas de ensopado, a potra rubra dormitou no sofá, e sequer percebeu quando o pai a colocou na cama e cobriu-a com um lençol. Naquela noite, Can-Can sonhou que era uma princesa discursando num banquete.
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