De dois corações um só se fez

1 Capítulo 1: O Primeiro Chute


Notas iniciais
Oiê, tudo bem? Essa ABO foi escrita especialmente para a minha amada esposa: Ichygochan! Espero que vocês fiquem tão boiolas quanto eu fiquei ao escrevê-la. Boa leitura!

Naquela noite de verão, os acordes de uma suave melodia preenchiam agradavelmente o quarto do casal. Eijirō cantava baixinho uma música qualquer que Katsuki não fazia questão de tentar descobrir, pois, no momento, o livro que apoiava na protuberância arredondada de seu ventre, que ostentava com orgulho, diga-se de passagem, era mais interessante.

Aninhado confortavelmente, o ômega sentia-se seguro e acolhido em meio aos travesseiros, peças de roupas e os diversos tecidos que compunham o seu ninho. Era ali o seu local preferido para as sonequinhas preguiçosas pós-almoço, e seu religioso cantinho da leitura. Sem nem mesmo perceber, Katsuki ronronava satisfeito com a plenitude que envolvia tanto a si quanto ao alfa naqueles últimos meses… Um ruído grave que reverberava por sua garganta de modo automático. Estava sendo mais uma noite rotineira para o casal, pois Eijirō, desde a descoberta da gravidez, passou a ter o costume de tocar para Katsuki quando este estava aninhado.

Após três anos de casados, o casal havia chegado à conclusão de que era o momento de aumentar a família. Planejaram-se então, na época, para o próximo heat do ômega. Logo, não fora de todo modo uma grande surpresa quando Eijirō acordou em uma manhã, há cinco meses atrás, com Katsuki trazendo para si o café da manhã. Afinal, eles tinham esse costume — além das datas comemorativas — de tomarem o desjejum na cama, às vezes.

No entanto, naquela específica manhã, o alfa recebeu também uma mediana caixa fechada com um laço branco de cetim. Através da marca era possível sentir um leve toque de ansiedade misturada com nervosismo advindas do ômega. Na ocasião, Eijirō, automaticamente, sentiu a própria pulsação aumentar em expectativa... No interior da caixinha havia uma mensagem: "Parabéns, estamos grávidos! Dentro de mim, agora, batem dois corações apaixonados por você!" junto a um par de sapatinhos de crochê brancos e dois testes de gravidez; em um "palitinho", Eijirō pôde ver dois riscos azuis. No outro, o Beta HCG positivo.

O amor de ambos enfim havia transbordado, e uma nova vida havia sido feita. A chegada do tão desejado primeiro filhote tornara-se real.

Deixando o livro de lado, Katsuki passou a observar o alfa, que tocava de olhos fechados o violão apoiado no próprio colo, com os cabelos avermelhados soltos caindo feito cascata por sobre os ombros largos, e um sutil sorriso apaixonado despontou por entre seus lábios.

Eijirō é tão lindo! Espero que o filhote nasça com essa carinha fofa pra eu esmagar, também! O ômega não cansava de admirar a beleza de seu companheiro… O alfa tocava com tamanha fluidez e naturalidade, que os dedos pareciam extensões das cordas. A cena era um atrativo para os olhos encantados do ômega, e trazia um quentinho gostoso ao peito. Por mais que não fosse a primeira vez, sempre era como se fosse para Katsuki.

— Suki? — chamou Eijirō, após se sentir observado, com o rosto levemente ruborizado. Ele sempre ficava sem jeito com aquele olhar tão intenso de Katsuki sobre si.

— Uhm? O que foi, Eiji? — Katsuki se acomodou melhor, ajeitando os travesseiros em suas costas, mas sem quebrar o contato visual. — Parou de tocar por quê?

— Ahn — limpou a garganta —, estou te atrapalhando? Desculpa, eu-

— Claro que não, idiota! — Katsuki revirou os olhos. — Você sabe que não me incomodo com barulho quando estou lendo… — Deu de ombros. — Pode voltar ao que estava fazendo. Anda!

Com aquele estúpido enorme sorriso de dentes pontiagudos, que ofuscava o sol com tamanha lumulinosidade e fazia o ômega suspirar apaixonadamente, Eijirō assentiu e voltou a tocar:

— (...)Vi que era amor quando te achei em mim, e me perdi em você. — A música que embalou o primeiro beijo de ambos. (...)De dois corações um só se fez, um que vale mais que dois ou três.

O adocicado cheiro dos feromônios do ômega envolveu o alfa, aromatizando-o conforme Katsuki cantava junto a si. A marca trazia para ambos um misto dos sentimentos que nutriam, em um fluxo constante de devoção, amor e pertencimento. Aquela sensação gostosa de extasiamento após uma crise de risos, que deixava resquícios de risinhos e as bochechas doendo pelo esforço; a sensação de calor que aquecia o corpo após um gole de chocolate quente em dias frios. Um arrepio cúmplice — e gostoso — percorrendo o corpo de ambos.

Eijirō sustentava o olhar, sorrindo feito bobo ao admirar Katsuki distraidamente passando a mão pela protuberante barriga exposta, alisando as marcas róseas da pele estirada pelo crescimento gradativo do filhote, tendo o umbigo levemente estufado. O alfa amava enchê-la de beijinhos! Katsuki era o ômega mais lindo do universo aos seus olhos, pois estava recheadinho com a coisinha mais preciosa para si. O seu filhote, este que era fruto do amor de ambos. A mistura perfeita entre os dois. Estava sendo tão incrível essa fase na vida do casal… Em poucos meses, o bebê estaria em seus braços.

— Eij-EIJIRŌ! — Katsuki o chamou, de supetão. Ele estava com os olhos levemente arregalados, e a mão pousava próxima ao umbigo. Um tímido repuxar de lábios surgindo em seu rosto, antes de ele esticar o outro braço e chamar o alfa: — Vem cá, rápido!

— Uhm? Suki? — Eijirō exasperou-se, deixando o violão de lado enquanto se aproximava do ômega. Cruzando as pernas ao sentar-se e encará-lo com ligeira aflição. — Qual o problema, amor? Está sentindo alguma dor?

— O BEBÊ CHUTOU! — Katsuki anunciou, visivelmente animado. Agora, um enorme sorriso despontava por entre seus lábios. Levantando o rosto e olhando diretamente para o alfa, falou: — Ele chutou, Eiji… Forte o bastante para eu sentir na palma da mão, também!

O alfa empertigou-se, cobrindo a boca com as mãos. Verdadeiramente emocionado e esperançoso, pois se Katsuki conseguiu sentir desse modo tão expressivo, então… ele também poderia sentir, certo?

— Você acha que vai chutar novamente, em breve, Suki?

— Talvez… Eu não sei, amor. — O ômega voltou a acariciar a barriga, em um claro sinal de incentivo. Vamos, bebê, chute para o papai alfa, também... — Ah! Acho que vai chutar de novo, põe a mão aqui!

Apressadamente, Bakugō colocou a mão de Kirishima em sua barriga. Um silêncio ansioso recaiu sobre os dois. Eijirō mal respirava, tamanha era a sua concentração para perceber qualquer mínimo sinal da movimentação do filhote sob sua mão, até que… Ele sentiu.

Um toque. Um sutil "empurrãozinho" na palma de sua mão. Seguido por mais dois, em sequência. Quase imperceptíveis. Quase.

O alfa soltou um sonoro ofego, arregalando os olhos conforme a boca abria-se em um perfeito 'O'. E-Ele chutou… meu bebê… Cacete, ele chutou mesmo! Kirishima estava em êxtase. Completamente rendido e emocionado por finalmente sentir o filhote. Desde quando Katsuki mencionara ter começado a senti-lo mexer, Eijirō passou a ansiar pelo momento onde ele também sentiria. Enfim, a sua vez havia chegado.

— Eiji? Eijirō, o que- — Bakugō encarou abismado o alfa. — Você está chorando? Amor...

— O bebê chutou minha mão… — ele murmurou, ainda em choque. Tremendo os ombros quando um soluço sôfrego escapou de sua boca. — MEU FILHOTE CHUTOU MINHA MÃO! — Eijirō mal conseguiu formular outra frase antes de começar a chorar copiosamente.

— Vem cá, vem… Alfa bobão. — O ômega abriu os braços, acomodando carinhosamente o corpo robusto do alfa em um abraço de lado. Confortando-o. Uma mão acariciava sua nuca e a outra deslizava pelas costas largas, iniciando uma gostosa massagem. Suspirando, Katsuki sussurrou: — Oh, meu amor…

— Eu esperei tanto por isso, Suki… — Fungou.

— Eu sei, Eiji… Eu sei. — Aromatizando-o, o ômega salpicava alguns beijinhos entre o ombro e pescoço do marido enquanto dizia: — Seu bebê está dizendo "oi, papai babão!"

Ali, em um abraço reconfortante e cheio de ranho, Eijirō deixou escapar um risinho emocionado. Fungando mais algumas vezes conforme abrandava a emoção. Definitivamente, ele era o alfa mais apaixonado e feliz do mundo! E, claro, um pai babão de carteirinha! Ansiosíssimo pelo nascimento de seu primeiro filhote.

O ômega suspirou mais uma vez enquanto acalmava o seu alfa. Rolando os olhos, em sua mente um único pensamento passava; conquanto um sorriso afetuoso permeava seus lábios e o coração encontrava-se derretendo de tanto amor: e dizem que nós ômegas prenhes que somos exagerados emocionalmente. Alfa bobão!

Katsuki não poderia ter escolhido um companheiro — e pai — melhor para sua vida, e futuros filhotes.

Notas finais
Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!