De arrepiar!
7 O final (mas não exatamente)
Ochako sempre achou maravilhoso como a Tsu não tem reservas em dizer o que pensa, pois, se tivesse que depender das expressões faciais da amiga, seria difícil dizer o que ela está pensando ou sentindo. A boca sempre retorcida e os olhos sem brilho lhe dão a expressão de um sapo, e é só quando ela demonstra emoções mais extremas através de sorrisos ou lágrimas que dá pra perceber o que a amiga sente, de resto, não dá pra saber a não ser que a Tsu diga.
Essa garota vestida de bruxa tem a mesma fisionomia, a mesma voz e quase a mesma postura, ela só não fica com as mãos encurvadinhas na frente do corpo. Seus olhos são opacos e sua boca está torcida no que tanto pode ser um sorriso quanto uma expressão de desdém, não dá pra dizer, e Ochako não tem a menor ideia do que se passa pela cabeça da garota já que, não sendo a verdadeira Tsu e sim uma versão mais fria e distante, não é possível saber o que está pensando a não ser que ela diga.
Mas Ochako não pode conversar agora, ela precisa proteger o Bakugou dessa bruxa que quer sacrificá-lo em troca de poderes mágicos, poderes que, em teoria, a morena também possui, só não sabe de onde eles vêm e como ativá-los. O fato é que a Tsu também não está a fim de conversa, tanto que a ataca no segundo seguinte, erguendo a mão e lançando um raio de tom verde vibrante em sua direção.
Ochako não sabe o que é ou o que pode fazer, mas tem certeza que é nocivo, então pula para longe, a Tsu segue lançando raios, e a morena permanece se esquivando com pulos e acrobacias que só são possíveis graças ao treinamento intenso com o Gunhead, seria muito útil ter sua Gravidade Zero agora e…
Seus pés deixam o chão de repente em uma sensação muito familiar, é como… é como se ela tivesse se tocado com suas bolinhas e anulado seu próprio peso, mas… não, não é exatamente igual, até porque a garota não sente aquele tranco no estômago enquanto ganha altura, e não é como se seu corpo estivesse mais leve. Ela não está sem gravidade, está… está…
Voando!
Mesmo que não seja exatamente igual, Ochako já tem prática o suficiente para se movimentar no ar, então continua desviando dos raios que a Tsu lança de suas mãos, determinada a atingi-la e aparentemente nem um pouco preocupada com a nova habilidade dela de voar. Deve ser comum entre bruxas.
— Você… você já tem poderes impressionantes, por que está tentando conseguir mais? — Ochako pergunta, apoiando-se em uma das paredes da caverna.
— Do que está falando? São poderes comuns, você é uma bruxa de alto nível e não sabe disso?
— E-eu sou? — ela fica surpresa em ouvir isso. Quase poderia ser encarado como um elogio em outro contexto, um em que a garota não estivesse tentando matá-la.
— Qual o seu problema? Não tem nada que eu odeie mais que alguém privilegiado que não enxerga isso! — um raio um pouco mais forte quase a acerta, e Ochako consegue ver um brilho colérico nos olhos da Tsu.
— P-privilégios? Mas eu não… eu não tenho n-
— Não minta! Eu sinto sua energia mágica fluindo e você tem muitos poderes, alguém assim nunca entenderia os meus motivos para me tornar mais poderosa.
— Então me fala! — Ochako grita — Me fala quais são seus motivos, eu preciso entender! Preciso entender quem é você e porque me odeia tanto sendo que eu nem… — e se contém ao perceber que está descontando sua frustração com a Tsu do jogo principal nessa versão bruxa dela — Só me fala.
— Que diferença faz pra você?
— Toda! Porque eu… eu quero ser sua amiga!
Isso pega a garota de cabelos verdes de surpresa, ela mantém a mão erguida em posição de ataque, mas nenhum raio sai de sua palma, os olhos dela também estão levemente arregalados.
— Minha… minha amiga? Mas você… você nem me conhece…
— Eu já disse, conheço alguém muito parecida com você, e… é uma pessoa que sempre diz o que pensa, mesmo que nem sempre seja o que eu quero ouvir, mas também… é uma pessoa que às vezes acumula muita coisa pra ela mesma e… não precisa disso, porque assim como eu estou sempre contando com ela, quero que ela conte comigo! E-eu… eu… acho que você tem poderes incríveis, mas se você precisa de mais, deve ter um bom motivo, e eu quero saber quais são pra… pra poder te ajudar.
— Você… — ela ainda parece perplexa.
— Por favor, vamos conversar antes de qualquer coisa. — Ochako praticamente implora, retornando ao chão e andando em direção à garota.
Tsu lhe mede de cima a baixo, como se estivesse esperando um ataque surpresa. É bem verdade que ela poderia, a bruxa está deixando várias brechas, mas a morena não tem a menor intenção de fazer isso. Não seria justo e não é nem o que ela quer fazer.
Ochako realmente quer conversar.
— Eu… eu preciso me proteger. — ela começa — Você sabe como é, somos perseguidas, julgadas, eu me mudei pra essa caverna pra que ninguém viesse atrás de mim, bruxas ficam mais fortes quando se rodeiam por natureza, mas… se a natureza corre perigo, então… eu preciso ficar mais forte por mim e pela minha casa.
Oh… Isso é até bem nobre, Ochako estava preocupada com a possibilidade de os motivos dela serem bem mais simplórios e voltados unicamente a ser mais poderosa que os outros, mas… isso é um motivo até bem válido, se for verdadeiro — e não tem porque ela achar que não seja. Agora, a morena está se sentindo realmente mal por ela.
— Entendo…
— Entende? — ela a olha de cima a baixo novamente, chegando até a erguer um pouco o lábio superior — Não acho que entenda mesmo.
— Mas eu entendo, eu… também tô tentando ser forte não só por mim, mas… — ela quer falar “pelo Bakugou também”, mas se lembra que o loiro está logo ali, testemunhando isso tudo. Isso a deixa envergonhada, por algum motivo — ...tem muitas coisas que eu preciso proteger, e é bem difícil quando nem eu sei se tenho o necessário pra isso. — Ochako dá um sorriso fraco.
— Sim, é… é realmente frustrante… — ela parece concordar — Mas você…
— Eu?
— Você… por que eu tenho a sensação de… te conhecer de algum lugar?
— Ah, eu… — ela fica levemente apreensiva, preocupada com a possibilidade de a Tsu se lembrar do jogo original e do quanto não gosta dela lá. A esse ponto, talvez isso seja possível, e Ochako prefere não arriscar — ...eu sou uma bruxa bem comum, tem muita gente parecida comigo por aí, então… então deve ser isso.
— Não acho que você seja comum. — ela inclina a cabeça num modo muito Tsuyu, e a morena precisa se segurar pra não chorar de emoção diante disso — Você realmente tem muitos poderes, e… tem algo de diferente…
— Impressão sua. — ela sorri, e olha pra baixo, notando o pingente lilás-azulado em seu pescoço, Ochako tira o colar — A única coisa mais ou menos diferente que eu tenho é isso.
— Você… isso é uma lágrima de demônio? — ela parece chocada — Como… como você conseguiu isso?
— Hum? Ah, um demônio me deu.
— Um… demônio te deu… assim? Só por dar?
— Uhum. — ela confirma, e estende o cordão na direção da outra bruxa — E eu tô te dando.
Silêncio.
— Você… por quê?
— Bom, porque… eu quero te ajudar a ter mais poderes, mas… não sei como passar os meus pra você, — ela não sabe nem como funcionam esses poderes — só sei que tenho esse colar e que ele é poderoso, então… pode usar.
— Não.
— Por que não? — Ochako sabe que está fazendo até beicinho.
— Porque… porque eu não posso! É muito poder, é… você não tem nem noção do quão poderoso é esse colar, tem?
— Bom, acho que foi ele que me trouxe até aqui, mas… é, realmente não sei usá-lo. Então… melhor que fique com alguém que sabe, né? — ela puxa a mão da garota e coloca o colar em sua palma.
Aproveitando-se da falta de uma rejeição a seu toque, Ochako segura a mão dela, apertando-a e erguendo-a bem na frente de seus rostos.
— O que-
— Te desejo todo o sucesso do mundo! — ela sorri.
— V-você… você é realmente estranha. — ela suspira — Pegue seu amante e vá embora daqui.
— M-meu… — Ochako se sente corar, mas quase consegue imaginar o Bakugou berrando pra ela soltá-lo logo e parar de bobeira.
Com um estralar de dedos, as cordas que o envolvem contra uma rocha da caverna caem sobre os pés dele. Aproximando-se dele, ela legitimamente hesita em tirar a mordaça, sabendo que o garoto não terá nada de agradável a dizer, mas sua hesitação dura só um segundo, ficar assim não deve trazer memórias agradáveis pra ele. Ochako o ajuda a se desvencilhar da mordaça e sorri numa tentativa de demonstrar empatia. Ele só vira a cara.
— Vambora logo.
— O-ok, hã… — ela busca por sua vassoura, fazendo um sinal para que o objeto voe até eles. Demora alguns segundos, mas ela vem — Eu só preciso falar tchau pra-
Quando ela se vira, a bruxa não está mais lá.
— Tsk, vâmo logo. — ele resmunga, já montado no cabo da vassoura.
— M-mas a Tsu-chan, ela… eu… eu fiz a escolha errada? Ela não vai-
— Foi a escolha certa, Cara de Lua.
— M-mas… mas eu…
— Foi a escolha certa. — ele repete decididamente — Vai duvidar de mim, que entendo dessas merdas mais que você? Acabou, você ganhou. Vâmo. Embora.
Olhando ao redor da caverna, ela suspira. Não tem porque duvidar do Bakugou, ainda mais considerando que ele a testemunhou jogando dessa vez, mas ainda assim… é tão estranho como os personagens somem do nada e não lhe dão certeza se fez certo ou errado. Todos os outros garotos pelo menos sorriram antes de desaparecerem, mas a Tsu só parecia muito envergonhada com a proximidade súbita e muito certa de que Ochako só estava ali pelo Bakugou.
Ok, meio que estava. Mas assim que viu a bruxa, ela focou totalmente nela e em entender essa personagem, e a morena acha que conseguiu, mas… não tem total certeza.
— Se segura. — ela alerta o Bakugou ao montar na vassoura, que começa a ganhar altura aos poucos — Bom, vamos láÁÁÁÁÁÁÁ.
A vassoura dá um tranco e acelera de supetão. É importante apontar que ela não sabe pilotar vassouras, então não tem certeza de quais seriam os procedimentos para controlar o objeto voador, então eles flutuam desgovernadamente, ambos usando os pés para impedir que batam nas paredes da caverna.
— Que porra é essa, Uraraka? Dá um jeito nessa merda!
— E-eu não sei como! Eu… aaargh! — ela fecha os olhos quando tem a certeza de que eles vão colidir contra as pedras.
Mas não é o que acontece, ao invés de um impacto, ela sente um apoio em suas costas, e mãos quentes cobrindo as suas. Ao olhar por cima do ombro, Ochako se dá conta do quanto o Bakugou está perto.
— Olha pra frente, idiota. — ele murmura.
— O-ok… — ela assente, segurando o cabo com mais força e puxando-o para cima, desejando que isso seja o suficiente para controlar o objeto.
Por incrível que pareça, acaba por ser. E mesmo desajeitadamente, eles conseguem entrar no túnel que os trouxe aqui, mas talvez seja o peso de duas pessoas ou algum outro fator que ela não entende, o percurso é muito mais oscilante, com a vassoura perdendo e ganhando velocidade do nada, fazendo com que ela e o Bakugou se esbarrem constantemente. Para ganhar um pouco mais de firmeza, ela segura no braço do Bakugou, firmando suas costas contra o peitoral dele, e assim os dois vão subindo como podem.
Como um carro enguiçando, eles conseguem deixar o túnel e atravessar o armário, mas agora a vassoura está mais desgovernada que antes, ganhando uma velocidade altíssima. Instintivamente, Ochako tenta abaixá-la para poder fincar os pés no chão e freá-la, mas como se fosse um ser com consciência, e uma bem rebelde, o objeto percebe e sobe ainda mais, fazendo uma curva em direção às escadas.
Ela e o Bakugou giram pelo ar descontroladamente, voando pelos corredores e percorrendo quase todo o território escolar, o Bakugou tenta diminuir os movimentos jogando seu peso contra ela para que a vassoura ceda, mas eles continuam voando de maneira desbaratinada, chegando ao fim do corredor e saindo por uma janela.
Sendo alguém com uma individualidade que lhe permite flutuar, Ochako não tem medo de altura, mas ao olhar pra baixo e perceber a quantos metros eles estão do chão, ela fica um tanto nervosa, principalmente porque não tem ideia de como descer.
— Como você… é você que tá fazendo isso, Cara de Lua?
— N-não? Eu… eu achei que essa vassoura tinha começado a voar por causa do colar que o Monoma-kun me deu, mas… mas o colar desapareceu junto com a Tsu-chan.
— Então é você, caralho!
— M-mas como? Eu não-
— Os personagens incorporaram o que estão vestidos, você tá de bruxa, então é uma bruxa e tem poderes, não é possível que seja tão difícil você entender!
— Não grita comigo! Como é que eu… eu não sei como funcionam esses poderes, ok? Eu não… — ela abaixa a cabeça — ...eu não sei o que tô fazendo.
— Agora não é hora pra se fazer de coitada, a gente tem que-
— Eu não sei jogar! Não sei se tô fazendo as escolhas certas, não sei se os personagens estão felizes, não sei nem se a gente vai conseguir sa- — antes que possa terminar seu desabafo, algo chama sua atenção: o céu perdeu aquela coloração cinza sinistra, sem seu lugar, tons de laranja, roxo e rosa iluminam todo o espaço.
— O que está acontecendo aqui? — essa voz… Yaomomo! Ochako ergue a cabeça e encontra uma garota de cabelos pretos observando-a, também montada em uma vassoura, só que a dela é cheia de detalhes intrincados, parece algo saído de um livro de fantasia — O que houve, senhorita bruxa?
— Vai ver alguém precisa renovar a licença pra voo. — uma voz meio rouca surge detrás da Yaomomo, a garota estica o pescoço e se revela como a Jirou, ambas estão vestidas de bruxas também — Você quase bateu, o que aconteceu?
— E-eu… eu não sei pilotar direito, eu… — Ochako se lamenta — ...eu não sei o que estou fazendo,
— Ora, não fique assim. Sua vassoura é guiada por suas emoções, quanto mais sentimentos negativos você tiver, mais difícil será pilotá-la. — a Yaomomo explica.
— Sentimentos negativos?
— Tristeza, frustração, raiva… quando estiver voando, tenta desligar a cabeça um pouco. — a Jirou diz de maneira casual — Não sou ninguém pra falar pois não consigo pilotar justamente por causa disso, mas… enfim… você é Uraraka Ochako, não é?
— Sou! Sou, sim! — ela fica surpresa por alguém nesse evento de Halloween reconhecê-la, todos os outros personagens não sabiam quem ela era. Bom, tirando o enfermeiro Hawks e… o Bakugou, que observa as duas garotas com atenção. Já elas… parecem nem se dar conta da presença dele em sua vassoura.
Porque é como se ele não existisse nesse evento.
— Ótimo! Aqui está sua gratificação pelos trabalhos prestados. — a Yaomomo sorri enquanto um pacote vem voando na direção dela, controlado pela Jirou.
— Gratificação?
— Boa sorte aí, bruxinha! — a Jirou faz um joinha pra ela, e antes que possa perguntar, a Yaomomo acelera com sua vassoura voadora e some em questão de segundos pelo céu.
— O que… — meio receosa em abrir, Ochako observa o pacote, virando-se para olhar feio para o Bakugou quando ele o puxa das mãos dela e rasga o embrulho sem cerimônia — BAKUGOU-KUN!
— Se é uma “gratificação”, então é coisa boa. Aquieta o cu aí, Cara de Lua! — ele abre o envelope e franze o cenho, virando a cara ao estender o conteúdo na direção dela.
Ochako segue irritada, porém um tanto confusa. Ela pega o envelope e não consegue conter um enorme sorriso ao ver do que se trata.
— Isso é...
O fantasma Deku está lhe beijando na testa, o lobisomem Kirishima está lhe abraçando, o vampiro Todoroki beija sua mão, o demònio Monoma coloca o colar em seu pescoço, e a bruxa Tsu cora enquanto Ochako segura sua mão animadamente. São as fotos do evento, ela conseguiu!
É bem provável que vai ficar morrendo de vergonha de se ver nessas interações com essas pessoas mais tarde, quando estiver mais calma, mas no momento, ela só consegue rir igual a uma boba. Suas escolhas podem ser meio malucas, mas talvez… só talvez… ela esteja fazendo a coisa certa para deixar esses personagens felizes.
O que a deixa imensamente feliz também.
E se sentimentos negativos impulsionam a vassoura a voar sem rumo, sua risada parece causar o efeito contrário, e o objeto vai se acalmando sob seu toque, aceitando seu controle, e diminuindo a altura de maneira suave.
— Uraraka. — o Bakugou lhe chama.
— Hum?
— Você… você vai parar de drama agora? Quem disse que não sabe jogar?
— B-bom, eu… eu não tô fazendo nada demais, então… achei que tava fazendo tudo errado. Eu… já vi as meninas jogarem esses jogos, e elas sempre pensam muito antes de dar uma resposta ou fazer uma escolha, mas eu… eu não consigo fazer isso, então… não sei o que estou fazendo.
— Mas não precisa surtar por causa disso, porra! Eu tô aqui pra te ajudar, não tô? Então para de paranoia e segue jogando!
— Eu… ok, eu vou. — ela assente — Uma pena a gente não ter achado nada sobre a pessoa que pode ter trazido a gente pra cá, né?
— É… — ele resmunga, seu olhar se perdendo em algum ponto do prédio da escola.
E por fim, eles estão de volta ao chão. Ao voltar pra casa, o calendário que apontava a data já não está mais lá, nem a abóbora que enfeitava sua casa.
Algo lhe diz que amanhã não será 31 de outubro, o evento de Halloween acabou.
***
— Ufa, acabou! — o enfermeiro suspira — Não acredito que tive que ficar de plantão porque a Uraraka-chan é doidinha e podia muito bem aparecer aqui, eu tô exausto! — ele mede a temperatura da garota de marias chiquinhas — Não mais que a senhora, imagino que criar um mundo novo lá embaixo tenha sido difícil, Otoge-sama.
— Sim, foi. Mas valeu a pena.
— Valeu? — ela fica surpreso — Mas ela só jogou essa última rota conforme a história…
— Sim, mas foi útil pra eu aprender algumas coisas sobre ela. E sobre aquele garoto também.
— O Bakugou-kun? Ora, ele é só um vilãozinho nessa história, não tem tanta importância assim.
— Não se a garota der importância pra ele. — ela murmura — De toda forma, eu tenho que dar um jeito de afastá-los um do outro.
— Bom, amanhã eles voltam para o jogo principal, ela volta a ser uma adolescente sem poderes, e tudo vai acabar com vitória pra senhora, como sempre.
— É… tudo vai acabar… — ela olha para a janela, avistando o garoto de cabelos loiros.
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