Notas iniciais
Olá meninas! Eu sei, atrasada como sempre! ¬¬ Mas são só alguns minutos, então dá para perdoar haha Vamos ao capítulo, espero que gostem! Boa leitura :D

Puxando mais uma das várias peças postada sobre a cama de babá, preparei o cabide elegante de madeira branca, para pendurá-la.

Ajustando os ombros no suporte todo trabalhado em relevos que formavam ramos de flores perfeitas, fora impossível não suspirar e sorrir ao ver o pequeno vestido pendurado.

Ele não tinha nem trinta centímetros, era azul marinho, de mangas longas. As golas eram arredondadas e brancas, se encontravam com um belo broche de rosa perolado.

Era tão simples, tão delicado e tão lindo!

—Alice. – a olhei por cima do ombro, vendo-a fazer o mesmo que eu: encabidando as roupinhas de Mia. —Esse vestido é tão lindo.

Seus olhos pairaram no vestido em minhas mãos, seu sorriso ficou ainda maior.

—Sim, é uma graça! – exclamou com um suspiro. —Esme quem deu, tem uma tiara que acompanha e dois sapatinhos brancos. – contou com satisfação. —É uma das minhas peças favoritas.

Deixar o vestido de lado fora difícil, porque ele era tão lindo que parar de olhá-lo e imaginar uma pequena garotinha usando-o, era quase impossível.

Duas semanas haviam se passado desde o chá de bebê, as coisas seguiam como sempre: Evoluindo.

Sobretudo, a gravidez de Alice que se aproximava da reta final.

Estava tudo praticamente certo para a chegada de Mia. O enxoval preparado, o quarto finalmente concluído e as milhares peças de roupas que agora, eu a ajudava colocar no closet.

Quando ela ligara, naquela manhã quente de segunda-feira, me convidando para ver o quarto da bebê, não consegui recusar.

Primeiro porque eu queria imensamente conhecer cada detalhe do cômodo que hospedaria nossa princesa.

Segundo porque Edward estava em plantão e ficar em casa esperando-o me fazia roer as unhas de ansiedade.

Nosso relacionamento.

Suspirei com os pensamentos.

Isso era outra coisa que continuava a evoluir.

Era estranho como as coisas estavam acontecendo entre nós dois. Estranho de um modo bom, é claro.

Havia uma urgência, uma dependência, um sentimento sufocante. Parecia que tudo aquilo que havíamos reprimido por dez anos, tivesse voltado de uma vez.

Era meio difícil controlar tudo aquilo, afinal, eram tantas informações, no entanto, eu estava imensamente feliz e esconder isso, ficava cada vez mais difícil.

—Olhe essa calça, eu amo essa calça! – a voz efusiva de Alice me tirou dos devaneios, arrumando a pequena camisa de seda no cabide ergui os olhos, observando-a.

Ela era tão pequena que serviria perfeitamente em uma boneca. O tom era caramelo e o pano lembrava bastante um veludo.

De cós alto, a calça era justa, os bolsos bem delineados por uma linha marrom chocolate, o mesmo tom do cinto largo perfeitamente ajustado pelos passadores. A fivela quadrada era revestida por um tecido diferente, a estampa de onça era delicada.

—Ah, meu Deus!

Fui obrigada a me aproximar e segurar a —mini— calça entre meus dedos.

—Ainda não tinha visto essa! – Alice riu divertida.

—É linda, não é? – voltando a olhá-la pude ver o orgulho em seus olhos.

—Sim, é linda demais.

Alice suspirou profundamente, suas mãos passaram por sua barriga ao mesmo tempo que seus olhos varreram o quarto iluminado pela luz solar.

—Falta tão pouco tempo. – sua voz tremeu e seus olhos brilharam. —Ai Bella, mal posso acreditar!

Sorrindo me aproximei e beijei seu rosto.

—Três semanas! – segurei suas mãos. —Em menos de um mês, Mia estará aqui.

Juntas olhamos ao redor. Foi impossível não ficar —mais uma vez— encantada com o quarto.

Assim como no chá de bebê, as cores, branco e lilás, e o tema, bailarina, ditavam as regras.

A começar pelo berço, ele era comprido e alto. A cabeceira seguia com cortes diferentes pela madeira que representava bem uma coroa. Contornos dourados deixavam-no ainda mais luxuoso.

O jogo do berço era completamente delicado. Todo branco, apenas alguns detalhes na cor lilás, como a grande bailarina que enfeitava o travesseiro principal, ou os contornos das almofadas laterais.

O dossel, preso na parede onde o berço estava encostado era dourado e permitia um caimento perfeito do véu branco.

Um grande painel com luzes de LED fazia o berço resplandecer. Ele era de madeira e um entalho perfeito fazia as rosas parecerem reais. O fundo era branco, contudo cada pétala ganhara uma coloração lilás e roxa formando texturas e sombreados diferentes.

Do lado esquerdo estava a cama de babá, arrumada com rolinhos e almofadinhas elegantes. A poltrona de amamentar também estava presente, grande e confortável, seu tom lilás com floral branco era de encher os olhos

Na parede dois quadros com moldura dourada exibiam objetos de balé, como sapatilhas e tutus, ambos com filtros violetas

Do outro lado do quarto, separado por uma parede fina de gesso toda composta por nichos repletos de ursinhas bailarinas, havia a área de higiene.

Um longo balcão de pedra branca servia de apoio para a banheira vitoriana de porcelana, posta ao lado do trocador e da pia de torneira elegante.

Um grande espelho o seguia até seu fim, com moldura tão dourada quanto as presentes no quarto.

Vasos de flores violetas enfeitavam o canto, ao lado de belos porta-retratos com fotografias de Alice e Emmet.

Uma porta levava para o armário onde as toalhas, roupas de banho, e produtos de higiene pessoal estavam. Uma segunda, levava para o enorme closet, onde estávamos colocando as roupas.

—Um mês! – soltou meio aflita. —Fico muito feliz que esteja aqui. – me olhando ela assumiu. —Obrigada, Bella!

Esticando os braços, Alice me puxou para um abraço. Sorrindo eu a abracei com certo cuidado, não queria apertar sua barriga e incomodar Mia.

—Eu também estou muito feliz por estar aqui, por ser madrinha da Mia e ainda ter sua amizade, mesmo depois de tantos anos de negligencia.

Abaixando os olhos, sorri amarelo.

—A única quem tem de agradecer aqui, sou eu.

Estalando a língua, Alice sorriu passando o braço pelo meu.

—Ambas temos. – colocou ponto final. —Vamos fazer um lanche? Depois terminamos.

A caminho de sua cozinha, Alice contou alegremente mais detalhes da chegada de Mia. Como o dia marcado para a cesariana, o horário e a maternidade.

—Achei que fosse tentar o parto normal. – proferi aceitando o grande pedaço do bolo de coco que ela partira.

—E eu vou. – sorriu. —Só que minha médica já avisou, Mia tem até o dia cinco de setembro para nascer espontaneamente, caso isso não aconteça dia seis serei internada.

Erguendo as mãos bati leves palminhas, deixando claro meu entusiasmo.

—Aproveitando que estamos falando de datas.... – parou levando um pedaço do bolo de sete camadas finas até a boca. —Emmet e eu queremos batizar Mia até o natal, tudo bem para você?

—Claro. – concordei.

Seus olhos vividos me estudaram.

—E quanto ao seu relacionamento com Edward? – sua pergunta fez meu coração palpitar. Engolindo o bolo com dificuldade a encarei. —Acho muito importante saber que os padrinhos da minha filha não se detestam. – explicou.

Respirando fundo, aceitei suas palavras. Contestá-la era pior, mesmo sabendo que sua pergunta levava para outros caminhos.

—Nós não nos detestamos. – soei apática. —Até estamos nos dando bem.

Um sorriso ameaçou brotar em seus lábios, contudo, ela o conteve com maestria.

—Uh, posso te fazer uma pergunta? – seu pedido me deu medo. A contragosto, assenti com a cabeça. —Está acontecendo alguma coisa entre vocês dois?

Mordendo meu lábio inferior, me vi sem reação.

Alice me observava sem piscar, sem se mexer e seus olhos eram tão curiosos que me causavam calafrios.

Tive de respirar fundo enquanto pensava no que responder.

—Não, não está acontecendo nada. – dei graças a Deus por minha voz não vacilar. —Porque a pergunta?

Ainda me observando Alice deu de ombros.

—Por causa de muita coisa. – assumiu. —Os olhares e sorrisos que trocam, achando que ninguém percebe. – senti meu rosto começar a arder. —Os sumiços repentinos de ambos. Sem contar o modo apressado que deixaram minha casa no dia do chá de bebê.

Puxando o ar pela boca, senti uma vontade enorme de contar a ela o que estava acontecendo, contudo as consequências me calaram.

—É impressão sua, Alice. – murmurei firme. —O dia do chá de bebê foi uma coincidência, na verdade eu nem o vi sair.

Estreitando os olhos, concordou com a cabeça.

—Bom, se você diz.

Dando de ombros, pareceu aceitar minha explicação, o que foi no mínimo estranho.

Alice nunca aceitava uma simples resposta. Ela contestava, julgava, colocava seus pontos e mesmo que estivesse errada, continuava a acha que está certa.

Ainda não era o momento, quando fosse, ela e todos os outros saberiam.

Não queria que nenhum deles criassem expectativa, a cobrança seria enorme e naquele momento o que Edward e eu menos precisávamos era de cobrança.

Voltando a comer meu bolo deixei isso para lá. Era melhor não me preocupar.

Nosso dia passou rápido e nenhuma de nós duas tocou mais no assunto. Eram quase cinco horas quando Emmet chegou do trabalho e assim, eu pude ir para a casa.

Estava ansiosa para chegar em casa, a cada metro que eu rodava com o carro mais ficava impaciente.

Não via a hora de estar com Edward.

Assim que fiz a curva do parque que direcionava a nossa rua, já o avistei.

Estava parado em frente sua casa, a cor marinho de sua camiseta deixava seu cabelo cobre ainda mais destacado. O short era branco e fazia o contorno perfeito de suas pernas torneadas.

De braços cruzados, seus bíceps ficavam ainda mais grandes e sua tatuagem mais visível e bonita.

Heron que estava sentado ao seu lado, pareceu reconhecer meu carro assim que parei em frente minha casa.

O homem com quem Edward conversava também.

Era alto e moreno, magro contudo musculoso. O cabelo era ondulado, castanho escuro, um tom próximo ao chocolate.

Assim que desci do carro, Heron correu em minha direção.

Seu tamanho já não me assustava mais, na verdade eu já o adorava.

—Hey, garotão!

Sorrindo me abaixei para acariciar sua grande cabeça e receber as lambidas molhadas por meu rosto.

—Já te disse que é feio babar nas pessoas. – falei enquanto alisava seu focinho.

Ele latiu e então esfregou a cabeça contra mim, um pedido claro de desculpas. Sua inteligência ainda me impressionava.

Voltando a ficar de pé, fiquei meio sem jeito quando reparei que tanto Edward quanto o homem que o acompanhava me encaravam.

Um tanto quanto envergonhada, me aproximei dos dois.

—Olá. – cumprimentei brevemente, tentando ignorar os olhares intensos que Edward direcionava a mim.

Minha vontade era de agarrá-lo ali mesmo.

—Olá. – responderam juntos.

—Benjamin, esta é Isabela, minha vizinha. – Edward falou ao homem que me estudou da cabeça aos pés. —Bella, este é Benjamin, um colega de trabalho.

O homem abriu um sorriso perverso, um tanto quanto tarado. Me aproximei um passo de Edward, que também pareceu notar a segunda intenção no rosto dele.

—É um prazer conhece-la. – sua mão veio em minha direção, a contragosto aceitei seu cumprimento.

—Igualmente. – tive de controlar a vontade de recolher o braço, quando ele beijou minha pele.

Edward pigarreou alto, seu braço passou por minha cintura e com um leve puxão, me deixou colada a ele.

—Uh. – Benjamin recuou o corpo, seus olhos negros nos avaliaram e então, um sorriso amarelo contornou sua boca apática. —Entendi.

Recostando a cabeça no peito de Edward, abaixei o olhar meio sem jeito. Ele havia entendido que eu não era apenas uma vizinha. Não para Edward.

—Bom, é melhor eu ir antes que eu me atrase. – Benjamin ainda apareceu bem envergonhado. —Edward, está tudo certo então? – os dois pareceram deixar o momento constrangedor de lado e focaram em outro assunto, um mais sério.

—Sim. – concordou afagando minhas costas. —Está sim, pode me confirmar.

Pela primeira vez, Benjamin sorriu satisfeito.

—Ótimo, avisarei ao Capitão. – quando seus olhos voltaram para mim, eles estavam bem mais leves. —Foi muito bom te conhecer, Isabela. – maneando a cabeça ele se despediu antes de entrar no carro e partir.

Assim que a caminhonete sumiu pela curva do parque, Edward bufou me trazendo para a frente do seu corpo. Com os dois braços enlaçados em minha cintura, me tirou do chão, deixando-nos na mesma altura.

—Benjamin é muito cara de pau. – comentou com os olhos nos meus. —Mais um minuto e eu juro que tinha que arrancado aqueles olhos estalados dele.

Apoiando as mãos em seus ombros, eu ri alto.

—Ele não fez nada demais.

A cara de Edward se fechou em uma carranca.

—Não porque eu te puxei para perto, mas aposto que se não tivesse, ele teria te agarrado aqui mesmo. – entrelaçando meus dedos em sua nuca o observei encantada, ele ficava tão fofo enciumado. —Ele dá em cima de toda mulher que se aproxima dele.

—Pode apostar que eu daria o maior fora nele.

Seus olhos verdes giraram veemente.

—Se adiantasse... – se inclinando, Edward beijou meu queixo. —É por essas e outras coisas que eu quero contar logo para todo mundo que estamos juntos. – soou decidido fazendo um leve incomodo perturbar meu estomago.

Já tinha alguns dias que Edward vinha falando sobre isso: Assumir.

Mas assumir o que? Nós ainda estávamos ficando, com uma grande seriedade é claro, porém ainda era apenas isso.

E eu não queria estragar toda nossa paz.

—Vamos contar. – falei em meio a um suspiro. —Só não é o momento.

Um sorriso torto apareceu no canto de sua boca.

—Eu sei, vou esperar o momento chegar. – sorri agradecida. —Mas ele bem que poderia ser antes do meu aniversário, não é?

Ele me pareceu bem esperançoso, contudo a palavra aniversário me deixara alheia demais para pensar em qualquer outra coisa.

É, seu aniversário estava chegando.

Dia oito de agosto. Faltava menos de cinco dias.

—É verdade! – exclamei animada. —Seu aniversário está chegando.

—Sim. – ele assentiu com a cabeça deixando um beijo em minha bochecha. —Alice está programando uma festa, eu odeio isso. – lastimou recostando a cabeça em meu ombro.

Rindo afaguei seu cabelo.

—Como eu não posso fugir, quero você lá.

Minha espinha gelou. Eu sabia que ele estava falando sério, mesmo que o sorriso em seu rosto fosse bobo demais.

Seis dias.

Pensei mordendo o canto interno da boca.

Se eu aparecesse nessa festa, ficaria claro para todo mundo que estava rolando algo. E seria um choque.

Talvez, fosse até bom. Chocar todo mundo de uma vez, ia poupar tempo. Iam vir todas juntas e acabar todas juntas.

—Vou pensar no seu caso. – murmurei mordendo seu lábio inferior.

Edward estreitou os olhos, sabia que ele estava pronto para me contestar, então falei a primeira coisa que me veio à cabeça.

—Alice me perguntou hoje se tem alguma coisa acontecendo entre nós dois.

—Sério? E o que respondeu?

Respirando fundo, dei de ombros.

—Que não está acontecendo nada.

Edward arqueou as sobrancelhas, seus lábios se contorceram e pude perceber que ele não havia gostado muito.

—Não me senti preparada para contar. – expliquei com um certo receio.

Soltando o ar pela boca, ele pareceu pensar bastante antes de me abrir um sorriso lindo.

—Tudo bem, minha linda. – meu coração palpitou com seu carinho. —Eu respeito seu tempo.

Edward era realmente incrível.

Me inclinando eu finalmente o beijei. Seus lábios se encaixaram nos meus, sugando-os de uma maneira deliciosa. Sua língua penetrou em minha boca e já veio de encontro com a minha, conduzindo-a na dança mais erótica possível.

—O que Benjamin veio fazer aqui? – perguntei horas mais tardes quando estávamos estirados em seu tapete.

Edward apenas de cueca e eu com sua camiseta. Havíamos acabado de protagonizar horas intensas de sexo.

Era sempre assim, intenso.

—Avisar que eu fui escalado para Denver. – apoiando o braço no chão, ergui o tronco para olhá-lo.

—Escalado para Denver?

Rindo, ele retirou o cabelo do meu rosto.

—Sim. – concordou. —Funciona como um rodízio. A cada quinzena uma equipe é escalada para ir a central do corpo de bombeiros, essa que fica em Denver. – explicou paciente. —Essa quinzena, a minha foi selecionada.

—Uh. – mordi meu lábio inferior ainda sem entender. —Com qual propósito?

—Denver é uma cidade grande amor, o número de casos é quase o quíntuplo daqui. – respirando fundo, ele fez uma pausa. —Então vamos para fortalecer a equipe.

—Entendi. – disse assim que ele concluiu. —Então você vai para Denver? – assentiu com a cabeça. —E vai ficar quanto tempo lá?

—Quinze dias.

—Mas vai ir e voltar todos os dias? – sua careta me deu a resposta. —Vai ficar direto?

Assentindo com a cabeça Edward expirou cansado.

—Sim. Os plantões de lá funcionam a base de doze por doze horas. – proferiu me desanimando ainda mais. —Se fosse doze por trinta e seis, como aqui, eu ia e voltava todos os dias.

—Poxa...

Foi a única coisa que consegui dizer.

Ficar quinze dias sem ele... Eu ia conseguir?

—Eu sei, é uma merda. – puxando meu rosto, Edward beijou minha testa.

—Se é. – soltei o ar pela boca sentando no tapete. —E quando você vai?

—Em uma semana. – coçou a cabeça antes de se colocar ao meu lado.

Olhando os barbantes do tapete fiquei em silencio, Edward me acompanhou ficando tão quieto quanto.

Nosso momento fora interrompido pela campainha.

—Deve ser nosso jantar. – com um impulso único, Edward se colocou de pé puxando a bermuda branca do chão e a vestindo. —Vou receber. – avisou se inclinando e beijando rapidamente minha boca.

Soltando um suspiro o vi se afastar, sua deliciosa bunda redonda se moldando enquanto ele caminhava.

Um sorriso maroto enfeitou meu rosto.

Ele era gostoso para caralho! Eu tinha uma sorte imensa.

Minha boca ficou amarga quando novamente me veio à cabeça de que eu iria ficar tanto tempo sem ele.

Somente o pensamento me deixava sem ar.

Maneando a cabeça, deixei o assunto morrer quando ele retornara.

Sorridente como sempre, trazia nas mãos as sacolas decorativas do melhor restaurante chinês de Louisville.

Saber que Hong He ainda estava aberto me deixou super animada, afinal, fora ali que Edward me pedira em namoro pela primeira vez.

Era um lugar importante e eu estava doida para comer novamente o delicioso frango xadrez que só Toshiro sabia fazer.

—Seu pedido, moça bonita. – me estendeu a caixa branca e vermelha. Rindo eu agradeci ao pegar o hashi.

Edward se sentou ao meu lado, esticando o corpo beijei seu rosto recebendo um sorriso torto encantador.

—Meu Deus, eu tinha me esquecido do quanto isso é bom! – exclamei comendo o cogumelo com molho shoyu.

Rindo, Edward limpou sua boca com o guardanapo.

—Não tinha restaurante chinês em Nova York, não?

Provocou sorrindo sedutor.

—Claro que tinha. – o empurrei pelo ombro. —Só que nenhum fazia um frango xadrez tão bom quanto esse que servem no Hong He.

Rindo Edward comeu mais um pedaço do seu rolinho.

—Pode assumir, eu sei que o que torna esse frango tão bom é a minha companhia. – abrindo ainda mais o sorriso, Edward se gabou.

—Desde quando você ficou tão convencido, hein? – rindo eu o questionei.

—Não sou convencido. – negou me beijando rapidamente. —Só falei a verdade.

Mordendo meu lábio inferior, aproveitei os beijos que ele deixava em meu pescoço.

—Aham. – fui irônica. —Ai, chega! – me afastando deixei o pote sobre a mesa de centro. —Estou cheia demais, não aguento comer mais nada.

Rindo Edward me olhou com os olhos cerrado.

—Mais nada?

—Nada. – neguei com a cabeça distribuindo beijos por sua garganta.

—Nem um biscoitinho da sorte? – erguendo o rosto eu o olhei. —Não vai fazer desfeita, vai? – ele perguntou após revirar as sacolas de papel e achar os dois biscoitos.

Puxando o ar pela boca, aceitei aquele que Edward estendera a mim.

—Muito bem. – beijou minha testa. —Eu abro primeiro. – segurando meu biscoito, o observei esmagar o seu com os dedos longos.

Levando um pedaço da massa até a boca, ele desenrolou o papel branco e o olhou fixamente.

—O amor está mais próximo do que você imagina. – leu em voz alta erguendo os olhos até os meus.

Seus olhos foram extremamente sugestivos, assim como o sorriso em sua boca.

—Biscoitinho inteligente! – brincou me fazendo rir.

—Bobo! – deixei um tapinha em sua perna. —Minha vez! – comemorei segurando as duas partes da massa seca, com um pouco de força eu o parti em dois.

Deixando as partes do biscoito sobre a mesa, desenrolei o papel com cuidado.

Edward se remexeu ao meu lado parecendo um pouco ansioso. O olhei rapidamente recebendo um sorriso, antes de voltar minha atenção ao papel.

Esse não era um papel comum. Não era aquelas mensagens bobas que vinham nos biscoitos.

Era diferente.

A começar pela letra que não era a normal das impressões. Era uma letra feita a mão, esgarranchada. Era a letra de Edward.

Meu coração pulou duas batidas com a primeira conclusão.

As palavras ali contidas não formavam uma frase de autoajuda ou para reflexão. Não, pelo contrário.

Elas formavam um pedido.

Namora comigo?

Por segundos o ar faltou em meus pulmões. Boquiaberta, intercalei meu olhar de um Edward ansioso para o papelzinho.

Ele estava me pedindo em namoro.

—Isso... – minha voz falhou. —Isso é sério? – indaguei ao recuperar meu fôlego.

Sorrindo ele assentiu. Sua mão pegou a minha.

—Não quero perder mais tempo, Bella. – murmurou com os olhos fixos nos meus. —Eu quero ter você de todas as maneiras. De todos os jeitos. – parando por alguns segundos, ele respirou fundo. —Casaria com você agora, se fosse possível. – parecendo meio sem jeito, Edward sorriu abaixando os olhos, o que só me deixou ainda mais encantada. —Mas como se deve começar pelo começo... Namora comigo?

Repetindo as palavras do papel, Edward concluiu seu pedido.

Um sorriso grandemente idiota curvou meus lábios para cima, meu coração mau batia tamanho a emoção que eu sentia.

Palavras? Nem sabia se elas existiam naquele momento, então a única coisa que eu fiz, foi me curvar para frente e tomar sua boca em um beijo, deixando bem claro minha resposta.

Notas finais
*----* Nada a comentar haha Nos vemos semana que vem! Espero que tenham gostado... Beijos :*