De Volta Para Você
9 Mentira
Notas iniciais
Ali parada em meio a noite fresca e silenciosa, eu mal conseguia parar de pé.
Minhas pernas tremiam, sentia a cabeça dar voltas, como se eu tivesse acabado de descer de uma montanha russa cheia de curvas.
Eu nunca traí você, eu nunca fiquei com a Lauren, nunca!
Aquelas palavras iam e vinham feito ondas, em ecos perfeitos e perturbadores.
Ele não poderia estar falando sério. Não, só poderia ser uma brincadeira.
Talvez eu tivesse voltado a delirar após tanto tempo. Afinal, quantas vezes eu tinha sonhado em ouvir aquelas palavras? Quantas vezes eu implorei em pensamento para que Edward me dissesse aquilo?
Muitas.
Estava tão petrificada, que eu havia perdido o controle do meu corpo. Eu queria confrontá-lo, queria pedir explicações, gritar, chorar, fazer qualquer coisa, mas não conseguia.
—Droga, eu nem sei porque estou te falando isso agora! – exclamou com aflição. Erguendo o braço, Edward passou a mão por seu cabelo, reclinou o corpo para o lado e deu uns passos aleatórios a minha frente.
Estava pensando que ele ia se afastar, quando retornou. As mãos dentro dos bolsos, a face contorcida.
—Lauren e eu nunca ficamos. – voltou a falar, sua voz estava mais dura. —Foi tudo uma invenção.
—Que?
A voz saiu por minha garganta tão fraca e baixa que eu duvidei que ele tivesse escutado.
—Uma coisa tão idiota, que... Caralho! – bufou passando a mão pelo rosto. —Tem horas que eu quero me socar por tamanha estupidez.
Eu engoli a seco, aos poucos eu sentia o sangue voltar a correr por minhas veias. Minha boca estava seca, eu tremia tanto que sentia meus dedos se debaterem entre si, meu corpo estava gélido.
—O que aconteceu?
Dessa vez, eu consegui ser mais efetiva. Seus olhos se encontraram com os meus por alguns segundos, ele respirou fundo assim que encarou a escuridão a nossa frente e então, sentou-se no meio fio, dobrando os joelhos e apoiando os braços nos mesmos.
—Nós dois não estávamos muito bem, você se lembra? – eu não respondi. —Lauren queria dar o troco em Tyler por causa do que ele vinha aprontando, então nós dois resolvemos unir o útil ao agradável e fizemos essa merda toda.
—O que? – eu soltei sem conter. A raiva havia se apossado de mim tão rápido como um espirito em um corpo vazio. —Vocês inventaram toda essa história só porque nós dois não estávamos bem?
Ele me olhou seus olhos não continham nenhuma expressão.
Aquilo só fez a raiva fervilhar mais em mim.
—Você tem noção do quão imbecil é isso? – cerrando as mãos, tive de me conter para não espancá-lo. —Você acabou com tudo, por que nós não estávamos bem? Você... Você mentiu, você... Você me enganou por dez anos, só porque... Porque não estávamos bem?
Bufando ele impulsionou o corpo e se levantou, ficando de pé a minha frente.
—Ah, Bella... Por favor! – ele soou impaciente. —Você acha que eu seria infantil ao ponto de fazer você acreditar que eu te trai com sua amiga, só porque estávamos passando por uma crise? – cerrei os dentes, já estava enxergando vermelho. —É claro que não!
Soltando o ar pela boca eu lhe dei as costas.
—Você está blefando. – soltei enraivecida. —Está inventando tudo isso, porque não é homem o suficiente para assumir que me traiu, que foi covarde ao ponto de ficar com a minha amiga!
Mal acabei de falar e meu braço já fora envolvido por sua mão grande. Edward me parou com uma freada brusca, meu corpo girou sem controle batendo de frente ao seu.
Ofegante, ergui os olhos até os seus. Eles estavam sérios e duros, assim como seu maxilar.
—Escute, Isabela Swan. – sua voz foi tão séria e firme que me manteve calada. —Eu escondi essa merda de história por muito tempo então é bom que você me escute agora.
Entreabrindo os lábios, ele tomou fôlego pela boca antes de soltar meu braço e se afastar um pouco.
—Vê se entende: Eu nunca trai você! – repetiu mais alto. —Eu sou maluco por você desde a primeira vez que eu te vi, jamais faria algo tão inescrupuloso com você!
Aquelas palavras me tocaram e só fizeram por aumentar meu nervosismo.
—Eu sempre soube da vontade de ir estudar em Columbia, sempre. – ainda de costas a mim, ele correu os dedos pelo cabelo. —Eu via como seus olhos brilhavam quando você via os comerciais, os folhetos ou quando simplesmente falava sobre como o campus em Nova York era incrível.
Uma brisa fria correu por mim, estava tudo tão quieto que eu pude ouvir seu soar leve.
—Eu soube que você estava fazendo as provas para a faculdade. – aquilo me surpreendeu. —E soube também que você entrou para Columbia.
O choque correu por todo o meu corpo me paralisando.
—O que? – as palavras saíram em um sussurro.
—Nós havíamos discutido porque você estava de papo com Jacob, se lembra? – não respondi. —Eu estava me sentindo mal, queria me desculpar com você por ter sido tão idiota então resolvi ir até sua casa. – girando o corpo, Edward manteve o olhar baixo. —Seu pai estava no jardim aguando as plantas, me mandou entrar, disse que você estava na cozinha com sua mãe.
Aos poucos as lembranças foram retornando a minha cabeça. Cena por cena. Era como se eu fosse uma terceira pessoa, assistindo a um filme em 3D.
—Eu estava pronto para chamar por você, quando ouvi sua mãe dizendo o quão contente estava por você ter sido aprovada. – pude ver seus ombros caírem. —Ela estava tão animada, tão contente que eu não tive coragem de interromper, e então, eu ouvi a conversa de vocês duas.
Um vento forte soou pela rua trazendo um cheiro de chuva, fechei os olhos devido a poeira trazida e como em um estalo de dedo, me senti transportada para a cozinha dos meus.
Estava tudo igual, tudo como antes. As paredes claras, os armários caramelos, o sol entrando pelas janelas retangulares e na mesa redonda, eu podia me ver sentada de frente a minha mãe.
Eu estava ali de novo, mas dessa vez, apenas observando.
—Oh, meu Deus filha!— a voz de Renée estava verdadeiramente animada, porém meio distante. Era como se eu estivesse dentro de um cubo de vidro e o som chegasse abafado até meus ouvidos. —Eu estou tão orgulhosa, não acredito que você finalmente foi aceita!
A sua frente, minha versão mais nova, mais imatura e iludida, mantinha os ombros caídos. O cabelo castanho estava enrolado em um coque mal feito, as roupas eram as costumeiras: Camiseta de banda e jeans surrado.
—Finalmente mesmo, faz tanto tempo que venho tentando.— ouvir minha voz foi estranho, eu não me lembrava que havia ficado tão para baixo assim.
—Seu pai vai amar saber! Oh, meu Deus, mal posso esperar para contar a ele...
Mordendo os lábios, eu vi Renée saltar da cadeira para logo ser barrada por minha versão frágil e imatura.
Renée entortou a cabeça, acho que procurando entender minha reação.
—Mãe, não.
—O que foi? Porque não posso contar ao seu pai?
Renée voltou a sentar e eu, a relaxar na cadeira.
—É que... Bom...— pude ver meus dedos se contorcerem sobre a mesa. —Eu não sei se eu vou.
—O que?— Renée foi dramática ao indagar, como sempre.
—Mãe, por favor! Quer que o papai escute?— o ralhar foi eficiente. —Não sei se eu vou.— eu repeti um pouco mais decidida. —Nova York é tão longe, tão grande.... Eu nunca sai daqui, tenho medo de não me adaptar.
Rolei os olhos com a desculpa esfarrapada.
—Oh meu bem, isso é o de menos! Aposto que Nova York é uma cidade incrível e você vai amar morar lá.— Renée tomou minha mão ajustando-a entre as suas. —Não é esse o seu sonho? Não é isso que você sempre quis? Estudar em Columbia não era o que você mais desejava?
O silencio que tomou o cômodo fora profundo.
—Era, era sim.
—Era ou é?— sua pergunta me colocou contra a parede, mais uma vez. Eu me lembrava muito bem daquilo.
Um suspiro longo fora emitido por mim, seguido por outro e outro.
—Era, até Edward aparecer em minha vida.— os olhos de Renée se compadeceram. —Eu o amo tanto mãe, quero tanto que nosso namoro dê certo! Ir embora agora seria o mesmo que pedir para terminar.
—Uh, filha....— se pondo de pé, Renée foi me abraçar. —Isso é tão difícil.... Eu sei que você gosta dele, mas é o seu futuro que está em jogo!— ela colocou beijando minha cabeça que estava aconchegada em seu peito. —Sabe que essa oportunidade pode ser única, não é?
—Eu sei.— me ouvi fungar. —Mas também não posso desistir dele assim. Não posso e nem quero.— um soluço interrompeu minhas palavras. —Eu o amo demais para ir embora, para arriscar nosso relacionamento que nem pessoalmente é muito estável, quem dirá a distância então!
Os dedos de Renée subiam e desciam por minhas costas.
—Posso estudar em Denver, há tantas opções... As faculdades de lá também são boas e eu posso ir e vir todos os dias.
Podia sentir que eu não tentava convencer Renée, tentava convencer a mim mesma.
—Filha, essa é uma decisão que só cabe a você. – ela era paciente e carinhosa. —O máximo que eu posso fazer é lhe aconselhar, mas a escolha é sua porque é você que vai conviver com ela.
Meu choro ficou mais impetuoso e tão rápido como eu fora parar ali, fui tragada para a realidade.
Abrindo os olhos eu encontrei uma rua fria, onde Edward estava parado a minha frente da mesma forma que segundos atrás.
—Eu não podia fazer isso com você. – ele sussurrou me fazendo perceber que havia perdido uma parte da conversa. —Não podia fazer você desistir da faculdade por mim. – erguendo a mão, ele correu os dedos por seu cabelo. —Sempre foi o seu sonho, seria egoísmo meu tirar isso de você.
Suas palavras fizeram minha tontura retornar, dessa vez, acompanhada por um enjoo na boca do estômago. Começava a compreender onde ele queria chegar, mas... Não poderia ser verdade, poderia?
—Eu não te chamei, não interrompi a conversa com sua mãe. Simplesmente virei e sai dali, após é claro, implorar para que seu pai não dissesse que eu havia ido até sua casa.
Estava sem reação, novamente petrificada.
—Estava me sentindo tão mal, eu não queria perder você, mas ao mesmo tempo, não podia te prender. – sua voz era tão sincera. —Eu estava tão atordoado que tudo o que eu mais queria era beber, foi então que eu parei no bar do Waylon e encontrei com Lauren.
Sentia um medo profundo, começava a desejar que ele não concluísse a história.
—Ela estava mal, eu estava mal. Começamos a beber e então ela me contou que Tyler havia pisado na bola de novo, participado de uma orgia ou algo assim. – um sorriso sem vida enfeitou seu rosto. —Ela queria se vingar dele, queria feri-lo e então, eu tive a brilhante ideia. – sua risada saiu fraca. —A brilhante ideia de invertamos que havíamos transado, que tínhamos ido a um motel e todo o resto que você ficou sabendo.
O ar faltava em meus pulmões, que ardiam fervorosamente.
—Você e ela nunca foram muito próximas então ela aceitou rapidamente, nem quis saber meus motivos também. Ela só queria se vingar e eu... Eu queria te dar um motivo forte o suficiente para você ir embora. – ele sorriu amargo. —E dei.
Um suspiro longo e pesado interrompeu suas palavras.
—Quando você veio falar comigo, me doeu tanto. Te ver chorando, tão frágil... Eu me odiei e estava pronto para te contar toda a verdade. – podia ver a dor em seus olhos. —Mas eu percebi que ia me odiar ainda mais se tirasse a chance de você realizar o seu sonho.
Meu coração batia tão forte quanto um tambor.
—Você foi embora, os anos foram passando e várias vezes eu quis ir procurar você. Mas eu não podia fazer isso, eu havia deixado você ir embora, então eu ia esperar você voltar pra mim.
Quando Edward ficou quieto, eu percebi que ele havia concluído. Não havia mais nada a ser dito.
Minha cabeça fervilhava. Eu não sabia o que pensar.
O que ele estava dizendo? Que merda toda era aquela?
Eu queria gritar, esmurrar seu peito e dizer que não havia acreditado em uma só palavra que saiu de sua boca, mas eu simplesmente não conseguia me mover.
Estava ali, parada feito uma estátua. Meu corpo formigava, eu sentia o mundo girar debaixo dos meus pés.
Era uma sensação horrível, atordoante.
Meus olhos estavam cegos, minha boca muda e meus ouvidos surdos.
Tudo o que eu conseguia fazer era me afogar no mar de pensamentos atordoantes que passavam por minha cabeça.
E eu não sabia o que era pior, perder todo o controle e sentido do meu corpo, ou achar que durante todos esses anos eu me mantive longe por causa de uma mentira boba.
—Você não está... – meu nexo se perdeu juntamente com minha voz. —Não está falando sério, está?
Meu timbre tremia por conta do choro eminente. Eu queria chorar, chorar e chorar.
Se ele estivesse falando a verdade.... Eu havia ido embora por nada! Ou pior, havia guardado mágoa, rancor, perdido o sono, a fome e até a vontade de viver, por nada!
—Jamais brincaria com isso, Bella. – seu tom saiu baixo, mas estava longe de estar suave.
—Meu Deus! – exclamei sentindo meus músculos protestarem por terem ficado tanto tempo na mesma posição. —Foi tudo mentira?
A ficha começava a cair, o desespero se apossava de mim com uma rapidez impressionante, eu estava atordoada.
—Foi.
Meu subconsciente gritava implorando para que eu reagisse, fizesse alguma coisa e saísse daquele estado petrificado.
Levando as mãos ao rosto, eu sentia o chão subir e descer comigo, meu estômago estava gelado, meu corpo tremia e podia sentir o suor frio descer por meu rosto.
Tudo mentira.
Dez anos de mentira, de sofrimento sem fundamento.
Ainda sentia tudo rodar, precisei dar um passos para trás em busca de equilíbrio.
Eu me sentia sufocada, como uma pessoa claustrofóbica dentro de uma caixa apertada.
—Bella? – a voz de Edward soou longínqua, abafada e um tanto quanto arrastada.
Não lhe respondi com palavras, simplesmente arqueei a mão e acenei pedindo para ele me deixar.
Eu não queria ficar perto dele. Não queria olhar em sua cara ou pior ainda, em seus olhos.
Não depois de perceber como tudo fora uma mentira. Minha vida nos últimos anos havia sido uma mentira.
Eu acreditara em uma traição inexistente, odiara uma pessoa sem fundamento algum, fora embora por absolutamente nada.
Aquilo era angustiante demais. Eu queria gritar, chorar, me descabelar, mas ainda estava petrificada.
A luz forte veio contra meus olhos, tomando um susto eu virei o rosto voltando a assumir o controle do carro.
Meu coração bateu forte quando o veículo passou ao lado do meu, deixando o barulho de uma freada brusca com a buzina escandalosa.
—Merda!
Minha voz tremeu entre as sílabas, novamente me convenci que não fora uma boa ideia sair para dirigir naquele estado.
Meus dedos tremiam tanto que mal consegui segurar o volante, eu corria pelas ruas semi desertas de Louisville em uma velocidade fora do permitido.
Com as janelas abertas aproveitava os ventos frios que batiam contra meu rosto, na vaga tentativa de me acalmar.
Me acalmar.... Bufei puxando a lágrima que escorria por minha bochecha com a língua. Como se isso fosse possível.
Parando o carro rente ao meio fio, praticamente saltei para fora sem nem me preocupar em ativar o alarme.
Descalço eu corri pelo caminho de concreto que levava até a porta de entrada da casa dos meus pais, essa que estava com todas as luzes apagadas.
Respirando fundo tentei engolir os soluços, ignorando as fincadas de pedrinhas nas solas dos meus pés deixei três batidas fortes na porta de madeira.
Eu não sabia exatamente porque tinha ido para lá, mas assim que entrei no carro a casa dos meus pais fora o destino mais certo que viera a minha cabeça.
Esfregando a mão no rosto limpei os resquícios que as lágrimas silenciosas haviam deixado. Minha garganta ardia de um modo fervoroso e evitar o choro estava cada vez mais difícil.
Barulhos de vozes e passos se misturaram do lado de dentro, segundos mais tarde a luz da varanda fora acesa.
—Quem é? – a pergunta de Charlie deixou claro que ele estava assustado. Eu teria rido se o momento não fosse tão trágico.
—Sou eu pai, Bella.
Minha voz vacilou feio e um soluço acabou escapando por minha boca. As trancas foram soltas e então a porta fora aberta, liberando um Charlie surpreso a frente de uma Renée com olhos arregalados.
—Filha? Aconteceu alguma coisa? – ele foi o primeiro a perguntar, seus olhos me estudavam.
—Oh, meu Deus! Estava chorando? – cortando minha chance de resposta, Renée se colocou a frente estendendo os braços a mim.
Mordendo o lábio inferior não me contive e feito uma reprise de dez anos atrás, eu me joguei nos braços de minha mãe, deixando-a me embalar em seu abraço.
Aquilo parecia um Déjà vu mal feito.
A noite fria e trágica. A filha chorando as mágoas para os pais que tentavam consolá-la a todo custo.
A situação era a mesma, mas tanta coisa tinha mudado.
Eu não era mais aquela garota infantil, não era mais a adolescente magoada.
Não.
Eu era uma mulher madura, uma mulher que sofrera anos e anos, remoendo um fato que nem mesmo chegou a acontecer.
—Oh filha... – beijando minha cabeça, Renée alisou minhas costas. Estávamos sentadas no sofá da sala, ela me abraçava e me beijava, enquanto Charlie, que se mantinha agachado a minha frente, apenas segurava minha mão em silencio. —O que aconteceu com você? Porque está assim?
Não respondi, apenas solucei várias vezes cedendo a mais uma crise de choro.
—Está passando mal? – aflita, ela voltou a indagar, neguei com um aceno. —Brigou com alguém. – novamente lhe dei minha negativa. —O que houve então Bella? Por Deus, está me deixando preocupada.
—Renée, porque não pega um copo de água com açúcar para ela. – papai colocou se pronunciando pela primeira vez. —Assim ela toma, se acalma e então nos conta o que aconteceu.
Respirando fundo, me mantive em silencio. Não era preciso olhar para minha mãe para perceber que a ideia não lhe agradara muito de início, contudo ela acabou percebendo que não havia nada melhor a ser feito.
—Mamãe já volta, bebê.
Ela beijou minha cabeça antes de se levantar e sair da sala.
—Sabe, filha... – Charlie se sentou ao meu lado soltando minha mão para passar o braço por meu ombro. —Só te vi chorar assim uma vez, o que me leva a crer que há uma certa relação em tudo isso. – recostando a cabeça em seu ombro, eu fechei os olhos.
Charlie e sua enorme facilidade em interpretar as coisas.
—Tem a ver com Edward, não é?
Mordendo o lábio inferior engoli o soluço com uma dor imensa. Ergui a cabeça para fita-lo, minha vista estava turva.
—Porque não me disse que ele esteve aqui, pai?
Era bobagem minha pensar que as coisas teriam sido diferentes se Charlie tivesse me dito, mas eu precisava saber.
—Ele me pediu, filha. – sua mão tocou meu rosto com carinho. —Edward queria fazer o certo por você, não podia me intrometer nisso.
Soltando o ar pela boca deixei que mais lágrimas caíssem por meus olhos. Charlie respirou fundo me abraçando mais forte.
—Era mentira pai. Tudo mentira.
Não sabia se ele havia escutado, afinal, minha voz além de baixa estava entrecortada pelo choro.
—Shii, princesa.... – afagando meu cabelo, ele beijou minha testa. —Não fique assim.
Fechando os olhos eu os apertei com força.
Edward nunca havia me traído. Ele tinha me feito partir, me deixou livre para alcançar meus sonhos e em troca, eu o odiei todo esse tempo.
Tudo causado por uma mentira, uma enorme e estupida mentira.
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